Escovar os dentes pode prevenir o Alzheimer: saiba como

Escovar os dentes pode prevenir o Alzheimer: saiba como

escovar os dentes

Escovar os dentes é uma rotina na vida da maioria das pessoas. O que não se imaginava é que escovar os dentes regularmente pode prevenir o Alzheimer em idades mais avançadas.

Já existe um conjunto de evidências que apoiam essa hipótese. Estudos têm mostrado que a doença gengival pode ser um fator de risco para o Alzheimer.

Alguns estudos sugerem que o risco dobra quando a doença gengival persiste por 10 ou mais anos.

Um estudo recente americano detalha como um tipo de bactéria Porphyromonas gingivalis , associada à doença da gengiva, foi encontrada nos cérebros de pacientes com Alzheimer.

Testes em camundongos também mostraram como o micro-organismo se espalhou da boca para o cérebro, onde causou danos às células nervosas.

O relatório em questão foi realizado e autofinanciado pelos fundadores da empresa farmacêutica americana Cortexyme. Essa empresa vem pesquisando a causa do Alzheimer e outros distúrbios degenerativos. Cientistas dessa empresa farmacêutica de San Francisco pretendem lançar um teste clínico para humanos no final deste ano.

O que é doença gengival?

A primeira fase da doença gengival é chamada gengivite.
Isso ocorre quando as gengivas ficam inflamadas em resposta ao acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes.

A gengivite é experimentada por até metade de todos os adultos, mas é geralmente reversível.

Se a gengivite não for tratada, formam-se “bolsas sub-gengivais” entre o dente e a gengiva, que são preenchidas por bactérias.

Essas bolsas indicam que a gengivite se converteu em periodontite. Nesta fase, torna-se quase impossível eliminar as bactérias. Embora o tratamento dental possa ajudar a controlar seu crescimento.

Os riscos de doenças da gengiva aumentam significativamente em pessoas com higiene bucal deficiente. Fatores como tabagismo, uso de medicamentos, hereditariedade, escolhas alimentares, puberdade e gravidez podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

A doença gengival não é apenas uma consequência da ação do P. gingivalis sozinho.
Um grupo de organismos incluindo Treponema denticola, Tannerella forsythia e outras bactérias também desempenham um papel nesta complexa doença oral.

Por que escovar os dentes é tão importante?

Pesquisadores da University of Central Lancashire foram os primeiros a estabelecer a conexão entre o P. gingivalis e a doença de Alzheimer.

A bactéria P. gingivalis é responsável por muitas formas de doenças das gengivas.
Estudos subsequentes descobriram que essa bactéria pode migrar da boca para o cérebro em camundongos. Uma vez no cérebro a P. gengivalis pode reproduzir todas as características da doença de Alzheimer.

Escovar os dentes regularmente pode manter sob controle a P. gengivalis. Isso não apenas acaba prevenindo a doença gengival, mas também o Alzheimer.

A P. gengivalis no contexto do Alzheimer

A pesquisa recente dos EUA encontrou a bactéria da doença gengival crônica nos cérebros de pacientes com doença de Alzheimer. São dados com embasamento científico. Porém, têm de ser entendidos dentro de um contexto mais complexo.

É que a doença de Alzheimer está ligada a uma série de outras condições e não apenas pode se originar a partir de uma bactéria oriunda de uma doença gengival.

A pesquisa existente mostrou que outros tipos de bactérias e o vírus do herpes tipo 1 também podem foram encontrados em cérebros de pacientes com Alzheimer.

As pessoas com síndrome de Down também correm um risco maior de desenvolver a doença de Alzheimer. Isso também vale para as pessoas que tiveram um traumatismo cranioencefálico grave.

A pesquisa também mostra que várias condições associadas à doença cardiovascular podem aumentar o risco de Alzheimer. Isso sugere que há muitas causas com um ponto final em comum.

Os cientistas ainda estão tentando descobrir a conexão. Esse ponto final em comum resulta nos mesmos sintomas do Alzheimer. Ou seja, falta de memória e mudanças comportamentais. Isso também ocorre junto com o acúmulo de placa junto à substância cinzenta do cérebro, o que é conhecido como “emaranhados neurofibrilares”.
Essa placa é formada pela proteína beta-amiloide.

Nessas condições a proteína beta-amiloide age como um resíduo tóxico, impedindo a comunicação normal entre os neurônios. Ou seja, não consegue mais desempenhar a função que teria, ou seja, de estabilizar a estrutura celular.

O acúmulo da proteína beta-amiloide e o Alzheimer

O Alzheimer está ligado ao acúmulo no cérebro de placas formadas pela proteína beta-amiloide. Sua aglutinação entre os neurônios impede a transmissão de sinais, prejudicando a atividade dos neurônios.
A doença leva à degeneração da memória e da capacidade de aprendizado. Em estágios avançados pode ocasionar a morte do paciente.

Estudos recentes demonstram que a aglutinação da beta-amiloide, hoje tida como patológica, poderia desempenhar uma função de defesa no organismo. Defesa? Mas que tipo de defesa?

escovar os dentes

Beta-amiloide: doença ou proteção – uma contradição

Um estudo publicado no periódico Science Translational Medicine, traz uma informação nova e revolucionária.
Começando pelo fato de afirmar que a proteína beta-amiloide pode ser encontrada em 70% dos vertebrados.
A beta amiloide era tida até o momento como elemento patológico no cérebro.
No entanto, o estudo em questão demonstra que sua ação no cérebro pode ser a de proteger o sistema nervoso contra agentes microbianos.

O acúmulo de proteína beta-amiloide na forma de placa teria assim finalidade de defesa do organismo.
Quando bactérias, vírus ou mesmo fungos conseguem romper a barreira hematoencefálica, a proteína beta-amiloide entraria em ação aprisionando esses agentes em placas, como uma teia proteica, ocasionando a sua eliminação.
Os resquícios dessas “teias” comporiam as tais placas de beta-amiloide, encontradas no cérebro de pacientes com Alzheimer.

Importante destacar que a barreira hematoencefálica é uma estrutura celular que protege o SNC (Sistema Nervoso Central).
Sua função primária é a de bloquear o acesso de substâncias tóxicas endógenas ou exógenas. Isso também vale para agentes microbianos. Na terceira idade essa barreira se torna mais porosa.

O experimento

Buscando provar essa hipótese, os pesquisadores realizaram um experimento com camundongos.
Para reproduzir as condições de um ser humano, camundongos foram geneticamente modificados, tornando-os aptos à produção de proteína beta amiloide.
Posteriormente expuseram os seus cérebros à ação da bactéria Salmonela.
Em pouco tempo, a simples presença da bactéria gerou o aparecimento de placas de proteína beta-amiloide com Salmonelas aprisionadas dentro das malhas proteicas formadas.

Já os camundongos do grupo controle no experimento ( incapazes de produzir placas), acabaram morrendo em decorrência da infecção provocada pela Salmonela.

Prosseguimento do estudo

Esse estudo deve e será aprofundado. Vai se procurar a presença de agentes microbianos no cérebro de pacientes que tiveram Alzheimer. E também de pessoas que não foram acometidas pela doença.
Também vai se buscar evidências da presença de agentes microbianos em placas de beta-amiloide encontradas em cérebros humanos.

Escovar os dentes

A pesquisa mais recente acrescenta mais evidências à teoria de que a doença das gengivas é um dos fatores que podem levar à doença de Alzheimer.
E isso devido à presença do elemento bacteriano capaz de ultrapassar a barreira hematoencefálica.

Porém, isso não deve ser motivo de nenhum pânico. Afinal, nem todos que sofrem de doença gengival desenvolvem a doença de Alzheimer.
E nem todos que sofrem da doença de Alzheimer têm doenças gengivais. Ter doença gengival não é fator determinante do Alzheimer. Deve ser entendido como um fator de risco a mais para o seu desenvolvimento.

Para descobrir quem está em risco, os cientistas precisam agora desenvolver testes que possam mostrar ao dentista quem é o verdadeiro alvo.

Sempre importante, no entanto, aconselhar as pessoas sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal.
Especialmente do quanto é fundamental escovar os dentes regularmente e de forma adequada. Hábitos simples como escovar os dentes podem acabar sendo fundamentais na prevenção de uma série de doenças, inclusive do temido Alzheimer.

Fontes: The Independent, CRliquor, Science Translational Medicine
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Como usar o fio dental: qual é o tipo adequado para você e como usar

saber como usar o fio dental

Fazer uso e saber como usar o fio dental é um elemento indispensável quando o assunto é higiene dental. Além da boa higiene, o uso regular e saber como usar o fio dental pode prevenir doenças, inclusive o câncer de boca.

Via de regra, a higiene dental está muito associada à escovação dental. No entanto, saber como usar o fio é fundamental. Existem muitos espaços interdentais e próximos às gengivas que podem ser alcançados apenas através do uso do fio dental.

Quando se fala sobre como usar o fio dental a impressão que fica é que existe apenas um tipo desse material ou que deva se utilizar de alguma técnica muito complexa para um resultado adequado. Quanto ao tipo de fios, o mercado dispõe de muitas e diferentes opções adaptadas às necessidades de cada indivíduo. O objetivo maior é o de obter a melhor higienização bucal possível.

O fio dental – seus diferentes tipos

Existem muitas variedades de fios dentais. Dependendo das necessidades de cada indivíduo, um tipo ou outro pode ser o mais adequado.

As características de diferenciação dos fios dentais

Fio dental de náilon ou multifilamento

É o mais comum. É um fio de náilon composto por cerca de 35 filamentos trançados. É ideal para casos em que existe pouco espaço entre os dentes. O problema desse fio é que ele tende a se desfiar com facilidade.

Fio dental de náilon com cera

Não tem grandes diferenças em relação ao fio anterior. A sua principal característica é a presença de cera. Ela auxilia no melhor deslizamento do fio dental. Torna mais facilitada a sua utilização quando a separação entre os dentes é muito reduzida.

Fio dental de politetrafluoroetileno (PTFE)

É um fio dental produzido a partir de um polímero sintético conhecido como teflon.
Ele se caracteriza por sua elevada resistência. Ao contrário do fio de náilon, é monofilamento. Isso o torna menos suscetível de se desfiar.

Fita dental

É uma boa alternativa para dentições com grandes espaços interdentários. Conta com uma maior superfície de contato com o dente. É mais larga e plana que os fios dentais. Assim como o fio de náilon, está disponível nas opções com e sem cera.

Fios dentais com aromas

Alguns tipos de fios dentais trazem um aroma de menta. São indicados para aqueles que buscam aliar a limpeza dental ao combate ao mau hálito.

Fio dental Superfloss

Especialmente indicado para aqueles que usam aparelhos ortodônticos.
É composto por três partes: uma extremidade mais rígida para os brackets, uma parte esponjosa para a placa e a secção do fio dental.

saber como usar o fio dental

Como usar o fio dental

A utilização do fio é um processo muito intuitivo. Entretanto, é importante saber como usar o fio dental corretamente. Isso para que todos os resíduos não retirados pela escova dental possam ser removidos.

O primeiro passo é realizar uma boa limpeza das mãos. O passo seguinte é partir para a escolha da técnica de uso do fio.

Técnica clássica

A primeira coisa a fazer é cortar cerca de 45 centímetros de fio. Enrolar a maior parte dele em volta dos dedos médios. Deve deixar-se apenas 3 centímetros livres entre os dois pontos de fixação. Será com este fragmento que se irá trabalhar.
Em seguida é importante deslizar o fio entre os dentes. Conforme se vá mudando de superfície dental, quando este já estiver muito desgastado.

Os dedos médios são usados para segurar o fio. Os demais dedos podem ser utilizados para mover o fio.
O mais adequado é usar os polegares para limpar os dentes superiores e os indicadores para os inferiores.

Técnica do laço

Neste método, bastará cortar 30 centímetros de fio dental e juntar as suas extremidades. Mantendo o fio tenso, faz-se um nó a uma altura aproximada de quatro dedos.

Assim o fio pode ser utilizado sem ter de o enrolar. É um bom método para os usuários principiantes . Também é válido para quem não quer sentir a pressão do fio nos dedos. Basta esticar o fio com os dedos mínimos e usar o polegar de uma mão e o indicador da outra para controlar o movimento.

Saber como usar o fio dental – passo a passo

Definida a técnica de uso do fio dental, é muito fácil realizar a limpeza. Saber como usar o fio dental não é algo complexo. Veja a seguir:

  • Introduzir o fio suavemente entre os dentes, movendo-o de forma alternada;
  • Deslizar o fio para cima e para baixo para esfregar a superfície de todo o dente;
  • Dobrar o fio em volta da base de cada dente até formar um “C”.
  • Deve-se tentar que passe por baixo das gengivas. Mas tomando o cuidados para não forçar, evitando possíveis sangramentos.
  • Não se deve esquecer de limpar a parte posterior dentes.

Outros materiais para a sua saúde oral

Além dos fios dentais citados, existem outros tipos de fios e dispositivos auxiliares:

Passadores de fio dental

Ideais para introduzir o fio em espaços de difícil acesso. Como o seu nome indica, o funcionamento consiste em enfiar o fio no dispositivo para ajudá-lo a passar pelos espaços que sejam complicados de alcançar. É especialmente indicado para pacientes com aparelhos ortodônticos, próteses e implantes.

Porta-fios dentais

Dispositivo automatizado adequado para facilitar a utilização do fio dental. O seu objetivo principal é facilitar e tornar mais cômoda a tarefa de uso do fio dental.

Irrigadores orais

Trata-se de um aparelho destinado a lançar um jato de água sob pressão. Realmente útil para higienizar os espaços interproximais após a escovação. É indicado para usuários de próteses fixas e implantes.

Escovas interproximais

São concebidas para a limpeza dos espaços interdentais de difícil acesso.
Muito recomendáveis para aparelhos ortodônticos e implantes dentais.

O fio dental tem história

Os antropólogos encontraram evidências de que os povos antigos já usavam vários implementos, como pontas pontiagudas para limpeza interdental.

Quem inventou o fio dental?

De acordo com a maioria das fontes, a invenção do fio dental como conhecemos foi de um dentista de Nova Orleans. Em 1815, ele começou a aconselhar seus pacientes a usar um fio de seda fino para realizar a limpeza entre os dentes.

Quando surgiu o fio dental?

A idéia pegou. Em 1882 uma empresa chamada Codman and Shurtleft Company, com sede em Randolph, Massachusetts, começou a comercializar um fio dental de seda. Isto foi seguido em 1896 pelo primeiro fio dental da Johnson & Johnson.

A Johnson & Johnson, sediada em New Jersey, obteve uma patente para o fio dental em 1898. Esse primeiro fio dental era feito do mesmo material de seda usado pelos médicos para realização de pontos.]

Inovações do fio dental (1940-1950)

Durante a década de 1940, o náilon substituiu a seda como o material para o fio. Sua textura consistente e resistência à trituração foi um ganho em relação às versões de seda. O uso do náilon também permitiu o desenvolvimento do fio dental encerado na década de 1940 e o desenvolvimento da fita dental na década de 1950.

Fio dental nos dias atuais

O fio dental atualmente, como já vimos, conta com outros recursos para facilitar seu uso no dia a dia para uma boa higienização dos dentes. Saber como usar o fio dental é algo essencialmente bem simples. Além da técnica correta a frequência de uso diário é fundamental.

Fontes: Dentaleader, Oral B, BDC
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Atletas podem ter má saúde bucal

saúde bucal dos atletas de elite

Eles escovam os dentes frequentemente. No entanto, a saúde bucal de atletas pode não ser boa. Isso quando comparados ao restante da população.
É o que foi constatado em um trabalho recente publicado pela London’s Global University.

O mau uso do computador, também já foi noticiado aqui no blog Dentalis como um elemento que pode prejudicar muito a saúde bucal.

Os pesquisadores do UCL Eastman Dental Institute analisaram 352 atletas olímpicos e profissionais. Isso em 11 modalidades: ciclismo, natação, rugby, futebol, remo, hóquei, vela e atletismo.
Foram realizados check-ups dentais para atletas masculinos e femininos que verificavam cáries, saúde das gengivas e erosão ácida.

Os atletas também foram questionados sobre o que eles faziam para manter a boca, dentes e gengivas saudáveis.

Análises odontológicas

As análises odontológicas revelaram que de fato a saúde bucal de atletas de elite não é nada boa. Como aliás já relatado em um artigo de 2018.
Constatou-se que (49,1%) apresentavam cárie dentária não tratada.
A grande maioria mostrou sinais precoces de inflamação gengival. Quase um terço (32%) relatou que sua saúde bucal teve um impacto negativo em seu treinamento e desempenho.

Apesar do cuidado que têm com os dentes, atletas de elite têm problemas. Neste novo estudo 94% relataram escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia. 44% relataram limpeza regular entre os dentes (uso do fio dental). São números bem superiores se comparados à população em geral. Ou seja: 75% para escovação duas vezes ao dia e 21% para uso do fio dental.

saúde bucal dos atletas de elite

Descobertas sobre a saúde bucal dos atletas de elite

A pesquisa evidenciou que os atletas usam regularmente bebidas esportivas (87%). Também barras energéticas (59%). E também géis energéticos (70%). Todos com capacidade de causar danos aos dentes.

Os atletas pesquisados mantém bons hábitos relacionados à saúde bucal. Escovam os dentes duas vezes por dia. Também visitam o dentista regularmente. Não fumam e têm uma dieta geral saudável.

No entanto, fazem uso de bebidas esportivas, géis e barras energéticas frequentemente durante o treinamento e a competição.
O açúcar nesses produtos aumenta o risco de cáries. A acidez deles aumenta o risco de erosão.
Isso pode estar contribuindo para os altos níveis de cáries e erosão dentária.

O estudo baseia-se em pesquisas realizadas pelo Centro desde as Olimpíadas de Londres 2012.
Resultados anteriores sugeriram que atletas de elite também podem enfrentar um risco elevado de doença bucal por causa da boca seca (xerostomia) durante o treinamento intensivo.

Disposição em melhorar a higiene dental

Os atletas pesquisados consideraram adotar hábitos de higiene bucal ainda melhores para resolver essa questão. Um estudo de intervenção já foi iniciado.

Os atletas demonstraram disposição em realizar mudanças de comportamento. Como por exemplo, o uso adicional de flúor no enxaguatório bucal. Também visitas ao dentista ainda mais frequentes. E redução na ingestão de bebidas esportivas, para melhorar a saúde bucal.

Estudo de intervenção

Posteriormente, com a participação de alguns atletas deu-se início a um estudo de intervenção. Isso como base na teoria moderna de mudança de comportamento.

O estudo de intervenção está em curso e em breve os resultados serão tornados públicos. Aí então saberemos o quanto as intervenções promovidas poderão melhorar a saúde bucal de atletas. Especialmente daqueles que encaram a prática esportiva de uma forma muito séria.

Fonte: UCL
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Nova resina contra cáries recorrentes

resina contra cáries recorrentes

O resultado de um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv é o desenvolvimento de uma resina contra cáries recorrentes.

Os compósitos à base de resina contra cáries recorrentes, com a adição de nano conjuntos antibacterianos, podem inibir o crescimento de bactérias. Isso poderá garantir uma maior durabilidade das restaurações dentárias. Pode se tornar uma alternativa no tratamento de pacientes com cáries recorrentes. O que poderá prevenir eventuais tratamentos de canal e extrações dentárias.

Outros nano materiais com aplicações no âmbito da odontologia já foram destaque aqui no blog.
Já neste outro post apresentamos um outro trabalho que destaca o desenvolvimento de nanopartículas antibacterianas.

A cárie dentária está entre as doenças bacterianas mais disseminadas. Bactérias virulentas causam a acidificação do esmalte dentário e da dentina. Como consequência surge a cárie dentária secundária ou recorrente.

Resistência aos antibióticos

A resistência bacteriana aos antibióticos é hoje um dos problemas de saúde mais urgentes que a sociedade enfrenta. O desenvolvimento de novas terapias, como a resina contra cáries recorrentes, é uma necessidade e vem de encontro a uma demanda urgente.

Cavidades recorrentes

As resinas compostas fotopolimerizáveis e seus adesivos apresentam longevidade menor que a de vários materiais restauradores utilizados em Odontologia. Também apresentam altos índices de fratura e cáries secundárias. É comum a presença de infiltração salivar e crescimento bacteriano cariogênico e viral na interface do material restaurador/dente. Isso pode acabar originando a médio prazo cáries recorrentes, hipersensibilidade e inflamação pulpar.

As as resinas compostas têm sido a opção mais utilizada. Isso devido ao baixo custo, boa cor/estética, facilidade e rapidez de confecção, quando comparadas aos demais materiais.

As cáries recorrentes evidenciam a falha do material restaurador dentário. Afetam cerca de 100 milhões de pacientes por ano, a um custo estimado de mais de US $ 30 bilhões.

Restaurações de amálgama

Historicamente, o amálgama  – composto de ligas metálicas – foi utilizado para restaurações dentárias. Apresentavam algum efeito antibacteriano. Mas devido à cor das ligas, ao potencial de toxicidade do mercúrio e à falta de adesão ao dente, as resinas compostas se tornaram a escolha preferida de tratamento.
Infelizmente, a falta de propriedade antimicrobiana continuou sendo uma grande desvantagem de seu uso.

Resina contra cáries recorrentes

A resina contra cáries recorrentes é um material aprimorado. Esteticamente agradável e mecanicamente rígido. Ao mesmo tempo intrinsecamente antibacteriano devido à incorporação de nano conjuntos antibacterianos. A resina contra cáries recorrentes para preenchimento de cavidades apresenta atividade inibitória bacteriana. A resina contra cáries recorrentes também têm o potencial de dificultar substancialmente o desenvolvimento de cáries com essa característica.

Os pesquisadores estabeleceram as capacidades antibacterianas desta resina com antibióticos. E o fizeram a partir do desenvolvimento de métodos que incorporaram os nano componentes aos compósitos para restaurações dentárias.

Finalmente, avaliaram a capacidade antibacteriana desses compósitos de restaurações incorporadas com nanoestruturas. Assim como também a sua biocompatibilidade, resistência mecânica e propriedades óticas.

O trabalho é um bom exemplo das maneiras pelas quais características nano físicas biofísicas afetam o desenvolvimento de um material biomédico aprimorado em uma escala muito maior. É o que afirmou um dos cientistas envolvidos no estudo.

A natureza mínima do bloco de construção antibacteriano, sua alta pureza, baixo custo e facilidade de embutir em materiais à base de resina e biocompatibilidade. São características que permitem o fácil incremento dessa abordagem para o desenvolvimento de restauradores compostos de resina com antibióticos melhorados clinicamente disponíveis.

O que vem depois da resina contra cáries recorrentes

Os pesquisadores estão agora avaliando as capacidades antibacterianas de blocos de construção adicionais auto-organizáveis. Também se dedicam ao desenvolvimento de métodos para sua incorporação em vários materiais biomédicos, como curativos e estruturas de tecido.

resina contra cáries recorrentes

Composto mais resistente – outra novidade

Uma equipe de pesquisadores da Escola de Odontologia OHSU em Portland, Oregon, criou um material de preenchimento que é duas vezes mais resistente à quebra do que as resinas de preenchimento convencionais. O novo material utiliza o aditivo de tiouretano, que também está em revestimentos de proteção para carros e decks.

A equipe também desenvolveu um adesivo 30% mais forte após seis meses de uso do que os adesivos usados atualmente para manter os recheios no local. Este novo adesivo foi descrito em um estudo recente publicado na revista Dental Materials.

Combinados, o novo adesivo e o compósito são projetados para tornar restaurações dentárias mais duradouras.

O tempo de validade das restaurações

O fato é que as restaurações dentárias de hoje duram apenas sete a 10 anos antes de falharem. É o que afirma Carmem Pfeifer, DDS, Ph.D., autora correspondente dos estudos publicados em Scientific Reports e Dental Materials. Pfeifer é professora associada de odontologia restauradora (biomateriais e biomecânica) na Escola de Odontologia OHSU.

Elas racham sob a pressão da mastigação ou têm lacunas entre o preenchimento e o dente. Isso abri caminho para a infiltração de bactérias e a formação de uma nova cavidade. Toda vez que isso acontece, o dente sob as restaurações torna-se cada vez mais fraco. O que começa como uma pequena cavidade pode acabar com danos no canal radicular, um dente perdido ou até mesmo infecções mais graves.

Materiais mais fortes, menos problemas

Materiais dentários mais fortes significam que os pacientes não terão de receber reparos ou substituições com tanta frequência. Isso não só poupa dinheiro e aborrecimentos, mas também previne problemas mais sérios e um tratamento mais extenso.

O adesivo descrito no estudo da Dental Materials usa um tipo específico de polímero. É conhecido como (meta) acrilamidas – que é muito mais resistente a danos em água, bactérias e enzimas na boca. Isso quando comparado aos adesivos padrão usados atualmente na odontologia. O material composto descrito nos Relatórios Científicos usa tiouretano, que se sustenta muito melhor na mastigação.

Fontes: MedicalXpress, protesenews, Nature, Today’s RDH
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Por que meninas têm mais cáries dentárias?

cáries dentárias em meninas

Cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Até agora já se tinha conhecimento de que mulheres apresentam maior incidência de cáries dentárias. Uma quantidade proporcionalmente maior de cáries dentárias em meninas surpreendeu os pesquisadores. É uma novidade a descoberta de que a maior incidência de cáries dentárias em meninas seja um fato, e também uma propensão cientificamente verificada.

É o que a pesquisadora Stephanie Ortiz, da Oregon Health & Science University, Oregon, EUA, evidenciou em sua pesquisa.
Fruto de um trabalho recentemente publicado, ela revelou diferenças dos micro-organismos presentes na flora bacteriana bucal de meninas e meninos.
Essas diferenças explicariam a maior incidência de cáries dentárias em meninas.

A cárie dentária

A cárie dentária representa uma das doenças crônicas mais comuns encontradas em crianças pequenas. É uma doença multifatorial que envolve complexas interações de fatores de risco microbiológicos, genéticos e socioeconômicos.

As mulheres apresentem maior incidência de cárie que os homens. Porém, até agora não estava claro se essa disparidade poderia ser estendida às crianças. A pesquisadora e coautores procuraram determinar diferenças específicas de gênero no microbioma salivar em crianças com cárie ativa. Para tanto, coletaram e testaram espécimes de saliva.

A pesquisa

Amostras de saliva foram coletadas de 85 crianças, 41 meninos e 44 meninas, entre as idades de dois a 14 anos.

O DNA microbiano foi isolado, submetido à amplificação e posterior sequenciamento. As bibliotecas e os perfis da microbiota oral foram posteriormente submetidas a análises bioestatísticas adicionais na Oregon Health & Science University, em Portland, EUA.

Resultados

Diferenças significativas na microbiota bucal foram encontradas entre meninos com cárie ativa versus meninas. Os principais gêneros microbianos associados à cárie em crianças pequenas incluem Actinobaculum, Atopobium, Aggregatibacter e Streptococcus. Actinobaculum, Veillonella parvula e o Lactococcus lactis produtor de ácido.

cáries dentárias em meninas

Microbiota bucal

A microbiota bucal é o conjunto dos micro-organismos que habitam a boca, principalmente bactérias.

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes.

É o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação.

Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro. É extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2.

Por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas.

Porém, alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Cáries dentárias em meninas

Todos os micro-organismos associados à cárie dentária foram encontrados em prevalência muito maior em meninas com cárie ativa do que em meninos. Uma clara indicação de que esses micro-organismos podem explicar o motivo pelo qual observa-se uma maior incidência de cáries dentárias em meninas.

Por que crianças de forma geral estão mais suscetíveis à caries dentárias

Toda criança apresenta risco para o desenvolvimento de cáries dentárias. O esmalte dentário da criança é muito mais fino e macio nos dentes do bebê. Isso os coloca em maior risco de deterioração. A boa notícia é que a cárie dentária é prevenível.

Os dentes de leite ajudam as crianças a comer e a falar. Eles também guiam os dentes permanentes do adulto para a posição adequada. O cuidado com a dentição das crianças deve acontecer desde o início.

Causas da cárie dentária em crianças pequenas

Bactérias na boca se alimentam de açúcares de alimentos e bebidas.
Essas bactérias produzem ácido, que danifica a superfície externa do dente (o esmalte). A saliva ajuda a reparar esse dano. Mas se ao longo do tempo houver mais dano do que o reparo, ele deixará uma cavidade ou “orifício” no dente.

Processo de cárie dentária na primeira infância

O processo de cárie dentária também é chamado de “cárie”. Nos estágios iniciais, os dentes podem desenvolver áreas brancas e calcárias. Nos estágios posteriores, os dentes têm áreas marrons ou pretas. Os quatro dentes da frente superiores são mais comumente afetados.

Outros nomes usados para se referir a essa condição incluem “cáries de mamadeira” e “cáries de alimentação infantil”.
Esses nomes são usados porque as evidências sugerem que a cárie precoce da infância pode ocorrer quando bebês e crianças são colocados para dormir com uma mamadeira de leite ou fórmula (ou outras bebidas doces).

O leite pode acumular-se na boca e o açúcar da lactose do leite serve de alimento às bactérias que causam cáries durante o período de sono do bebê. O fluxo de saliva diminui durante o sono e, portanto, não protege contra danos.

Sinais de cárie dentária na primeira infância

A cárie precoce na infância se desenvolve ao longo do tempo e pode ser de difícil identificação nos estágios iniciais.

A cárie dentária pode se mostrar como:

  •  Uma faixa branca na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Este é o primeiro sinal e geralmente não é detectado pelos pais;
  •  Uma faixa amarela, marrom ou preta na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Isso indica progressão para cárie dentária;

Importância da detecção precoce da cárie dentária em crianças pequenas

Nos primeiros estágios, a cárie precoce da infância pode ser revertida com o tratamento odontológico adequado. Infelizmente em seus estágios iniciais as cáries podem ser difíceis de  serem identificadas pelos pais.
Assim, na maioria das vezes, a cárie dentária da primeira infância não é detectada até os estágios posteriores, mais graves. Neste momento, não pode ser revertida e a criança pode ter se ser submetida a um procedimento de tratamento de canal.

Prevenção da cárie dentária em crianças pequenas

Os pais podem ajudar a prevenir a cárie dentária em crianças pequenas. Seja através de uma alimentação saudável como também de bons hábitos de limpeza desde o início.
Vale o lembrete do quanto importante é evitar bebidas doces, como sucos de frutas, bebidas quentes ou refrigerantes. Também evitar alimentos e bebidas açucarados, especialmente entre as refeições.

Bons hábitos alimentares ajudam a prevenir a cárie dentária

Para prevenir a cárie dentária:

  •  Quando o bebé terminar de mamar, retire-o da mama ou da mamadeira;
  •  Não coloque o bebê para dormir com uma mamadeira;
  •  Nunca coloque bebidas doces na mamadeira de um bebê;
  • Importante ensinar a criança a beber de água de uma xícara a partir dos seis meses de idade. Por volta dos 12 meses, eles devem aprender a beber apenas de um copo ou xícara. Isso como forma de descontinuar o uso da mamadeira.

Para crianças com mais de 12 meses, a água é a bebida principal. O leite integral integral também é uma opção de bebida saudável. As crianças podem beber leite com baixo teor de gordura a partir dos dois anos de idade. Suco de frutas não é necessário ou recomendado para crianças devido ao seu alto teor de açúcar e acidez.

As crianças podem começar a comer alimentos sólidos a partir dos seis meses de idade.
É importante oferecer uma ampla variedade de alimentos nutritivos com uma variedade de texturas e sabores.

Além disso:

  •  Jamais mergulhe chupetas em substâncias doces, como mel, geleia ou açúcar;
  •  Faça uso de medicamentos, quando necessários, sem açúcar, sempre que possível;
  •  Importante os pais fazerem revisões periódicas na boca dos seus filhos na busca de sinais precoces de cárie dentária.
  •  Higiene adequada e regular é fundamental na prevenção da cárie dentária.

Limpar ou escovar os dentes da criança ajuda na remoção de bactérias causadoras de cáries.

  •  Iniciar a limpeza dos dentes do bebê assim que o primeiro dente aflorar.
    Para tanto, usar um pano úmido ou uma escova de dentes infantil pequena com água.
  •  Dos 18 meses aos seis anos de idade, usar uma pequena quantidade de creme dental infantil com baixo teor de flúor em uma pequena escova macia;
  •  Aos seis anos de idade, as crianças podem usar uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme dental com flúor padrão;
  •  Em regiões que não recebem flúor na água potável, o odontopediatra deverá ser procurado pelos pais para a devida orientação;
  •  Consultas odontológicas podem detectar os primeiros sinais de cárie dentária, e portanto são altamente recomendáveis;
  •  Recomenda-se que as crianças façam um exame dentário no momento em que completarem dois anos. Isso deve ser feito por um odontopediatra .
  •  Importante que as crianças mais velhas continuem a fazer check-ups. É essencial que os pais se certifiquem junto ao seu odontopediatra com que frequência a criança precisa fazer um check-up odontológico.
  •  Escovar os dentes e ao longo da linha das gengivas ao menos três vezes por dia. Sempre observar a higiene bucal depois das principais refeições, ou após a ingestão de alimentos, especialmente aqueles açucarados.
  •  As crianças precisarão de um adulto para ajudá-las a escovar os dentes até que elas consigam fazer isso de forma independente (geralmente, cerca de oito anos de idade).

Hipomineralização

É uma alteração muito frequente entre as crianças. Acontece quando o dente nasce com manchas de uma cor que oscila do branco giz ao amarelo-marrom. O mais comum é que afete a um ou vários molares dos seis anos (primeiros molares definitivos).
Às vezes em combinação afetando os incisivos definitivos.
Por isso se for vista uma mancha com essas características em um incisivo, o mais provável é que algum molar também esteja afetado.

O esmalte é mais poroso. São dentes que podem fraturar com mais facilidade e são muito sensíveis às cáries. Muitas vezes a criança se queixa de dores toda vez que se expõe a mudanças de temperatura. É muito importante ficar atento a esses relatos e levar a criança ao odontopediatra para que um tratamento seja iniciado.

O estudo, tema principal desse artigo, nos traz a informação de que cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Essa predisposição, como vimos, está muito associada à composição da microbiota da cavidade bucal. No entanto, fatores como alimentação e práticas de higiene bucal podem contribuir para evitar ou mesmo agravar o risco da maior incidência de cáries dentárias em meninas. Há que se destacar que existem muitos alimentos que contém elevadas concentrações de açúcar e que muitas vezes passam despercebidos dos pais. Esse açúcar “adicionado” foi destaque em um artigo anterior aqui do blog Dentalis.

Fontes: EurekAlert , BetterHealth, guiainfantil, Instituto de Microbiologia
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Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

câncer de fígado

O Câncer de fígado pode ter ligação com uma má saúde bucal. É o que um grande estudo recente realizado no Reino Unido apresentou evidências. Pessoas que apresentam gengivas doloridas, com sangramento ou com dentes soltos tinham um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado.

Estudos anteriores já haviam estabelecido que gengivas e dentes que estão com problemas de saúde são um fator de risco para várias condições de longo prazo, incluindo acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, diabetes e alguns tipos de câncer.

Os cânceres do sistema digestivo ou gastrointestinal são um importante problema de saúde pública mundial.

Os autores citam um estudo global que estimou que aproximadamente 28% dos novos casos de câncer e 37% das mortes por câncer foram causados por câncer gastrointestinal em 2018.

O número de pessoas com câncer digestivo está aumentando. Populações envelhecidas e aumentos em “certos fatores de risco ambientais e comportamentais” estão entre os possíveis motivos.

Alguns estudos anteriores ligaram a má saúde bucal a cânceres do sistema digestivo. No entanto, até que ponto o tabagismo, a nutrição e o uso de álcool podem influenciar essa relação ainda não estão claros.

Estudo analisou cânceres do sistema digestivo

Os cânceres do sistema digestivo incluem, por exemplo aqueles de esôfago, estômago, intestino delgado, reto, ânus, ductos biliares e pâncreas.

Neste estudo, os pesquisadores incluíram os cânceres de órgãos digestivos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou na 10ª revisão dos códigos de classificação da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) Versão 2016 C15 – C26.

Grande amostragem

Eles utilizaram dados do projeto Biobank do Reino Unido.

A equipe não incluiu indivíduos que relataram detalhes insuficientes sobre sua saúde bucal. E também aqueles que tinham histórico de câncer quando entraram no projeto.

Ao todo, a análise levou dados sobre 469.628 pessoas. Dentre essas, 4.069 desenvolveram câncer gastrointestinal durante um acompanhamento médio de 6 anos.

Dos indivíduos que desenvolveram câncer digestivo, 13% relataram ter má saúde bucal no início do período de estudo.

A partir das outras informações que os participantes deram, os pesquisadores descobriram que aqueles que relataram problemas de saúde bucal eram mais propensos a ter obesidade e serem mulheres, ter idade mais jovem e “viver em áreas socioeconômicas desfavorecidas”. Eles também eram menos propensos a serem não-fumantes e comer mais de duas porções diárias de frutas e legumes.

Os pesquisadores definiram a saúde bucal como “gengivas doloridas, sangramento nas gengivas e / ou com dentes soltos”. Eles rastrearam a incidência de câncer gastrointestinal através de registros de câncer.

Má saúde bucal e o risco de câncer de fígado

A análise não encontrou nenhuma ligação entre a saúde bucal e o risco global de câncer gastrointestinal.

No entanto, quando examinaram os cânceres de órgãos específicos, encontraram ligações entre a má saúde bucal e os cânceres hepatobiliares. Esses cânceres são aqueles que ocorrem no fígado, na vesícula biliar ou nos ductos biliares.

A mais forte dessas ligações foi com o carcinoma hepatocelular, o mais comum dos cânceres adultos que começam no fígado.

A análise mostrou que ter má saúde bucal estava ligada a um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado hepatocelular.

Segundo a American Cancer Society (ACS), a incidência de câncer de fígado nos Estados Unidos “mais do que triplicou desde 1980“.

Os ACS estimam que nos EUA, os médicos diagnosticarão cerca de 42.030 pessoas com cânceres que começam no fígado e perto de 31.780 pessoas morrerão dessas doenças durante 2019.

Ligação má saúde bucal e câncer de fígado – ainda não está clara

O pesquisador líder e seus colegas afirmam que os cientistas não sabem ao certo por que a saúde bucal deficiente pode ter uma ligação tão forte com o câncer de fígado e não com outros tipos de câncer no sistema digestivo.

Eles sugerem que as bactérias do intestino podem oferecer uma explicação. “O fígado”, explica o pesquisador, “contribui para a eliminação de bactérias do corpo humano”.

Talvez, quando doenças como cirrose, câncer e hepatite atinjam o fígado, elas prejudicam sua função, o que, por sua vez, resulta em bactérias que vivem mais e potencialmente causam mais danos.

Existe uma bactéria chamada Fusobacterium nucleatum que habita a boca, mas os cientistas ainda não sabem se ela desempenha um papel no câncer de fígado.

Mais estudos investigando o microbioma e câncer de fígado são, portanto, necessários.

Tudo o que você precisa saber sobre câncer de fígado

O câncer de fígado é um tipo de câncer que começa no fígado. Alguns tipos de câncer se desenvolvem fora do fígado e se espalham para a área. No entanto, apenas os cânceres que começam no fígado são descritos como câncer de fígado.

O fígado, localizado abaixo do pulmão direito e sob a caixa torácica, é um dos maiores órgãos do corpo humano. Ele tem uma gama de funções, incluindo a remoção de toxinas do corpo, e é crucial para a sobrevivência.

O câncer de fígado consiste na presença de tumores hepáticos malignos dispersos na superfície ou internamente no fígado.

Nos Estados Unidos, cerca de 22.000 homens e 9.000 mulheres são diagnosticados com câncer de fígado a cada ano. É fatal em cerca de 17.000 homens e 8.000 mulheres anualmente.

Câncer de fígado – taxa de sobrevivência

  • O câncer de fígado tem uma baixa taxa de sobrevivência;
  • Os principais fatores de risco incluem ingestão excessiva de álcool, hepatite e diabetes;
  • Os sintomas geralmente não aparecem até que o câncer se apresente em estágio avançado;
  • Opções de tratamento para câncer de fígado incluem cirurgia e transplante de fígado.

Câncer de fígado – principais sintomas

O câncer de fígado é extremamente grave, e os sintomas muitas vezes não são óbvios até um estágio avançado da doença.

Câncer de fígado pode desencadear os seguintes efeitos:

  • icterícia;
  • dor abdominal;
  • perda de peso inexplicada;
  • um fígado aumentado;
  • fadiga;
  • náusea;
  • vômito;
  • dor nas costas;
  • coceira;
  • febre.

Câncer de fígado – estágios da doença

Estágios

O câncer de fígado é categorizado em quatro etapas:

  • Estágio I: O tumor está no fígado e não se espalhou para outro órgão ou localização;
  • Estágio II: Existem vários pequenos tumores que permanecem no fígado, ou um tumor que atingiu um vaso sanguíneo;
  • Estágio III: Existem vários tumores grandes ou um tumor que atingiu os principais vasos sanguíneos. O câncer também pode ter atingido a vesícula biliar;
  • Estágio IV: O câncer tem metástase. Isso significa que se espalhou para outras partes do corpo.

Uma vez que o estágio tenha sido encontrado, um curso de tratamento pode ser iniciado.

Câncer de fígado – tratamento

Para as pessoas que têm câncer de fígado em estágio inicial passíveis de tratamento, apenas uma cirurgia que remova completamente os tumores levará a uma chance de recuperação.

São opções cirúrgicas:

Hepatectomia parcial

Quando o tumor é pequeno e ocupa uma pequena parte do fígado, essa parte do fígado pode ser removida cirurgicamente.

No entanto, nos EUA, muitas pessoas com câncer de fígado têm cirrose. Isso significa que a hepatectomia precisa deixar tecido saudável suficiente para o fígado desempenhar suas funções necessárias após o procedimento.

Pode ser decidido durante a cirurgia que este não será o caso. Assim, o procedimento pode ser cancelado até a metade se o risco para o paciente for considerado muito grande.

A hepatectomia parcial é considerada apenas para pessoas com função hepática saudável. Este procedimento muitas vezes não é uma opção, pois o câncer se espalhou para outras partes do fígado ou outros órgãos do corpo.

A cirurgia hepática dessa escala pode levar a sangramentos excessivos e problemas de coagulação do sangue, além de infecções e pneumonia.

Transplante de fígado

Os candidatos a um transplante de fígado não podem ter um tumor maior que 5 cm ou vários tumores maiores que 3 cm. O risco de o câncer retornar é grande demais para justificar um procedimento tão arriscado quanto um transplante se o tumor for maior do que isso.

Com um transplante bem-sucedido, o risco de retorno do câncer é bastante reduzido e a função normal pode ser restaurada.

No entanto, o sistema imunológico pode “rejeitar” o novo órgão, atacando-o como um corpo estranho, e há oportunidades limitadas de realizar transplantes. Apenas cerca de 6.500 fígados estão disponíveis a cada ano nos EUA, e muitos são usados ​​para tratar outras doenças além do câncer de fígado.

As drogas que suprimem o sistema imunológico para acomodar um novo fígado também podem levar a infecções graves e, às vezes, até mesmo à disseminação de tumores já metastatizados.

Câncer de fígado em estágios avançados – opções de tratamento

O câncer de fígado avançado tem uma taxa de sobrevivência extremamente baixa.
No entanto, há passos que uma equipe médica pode tomar para tratar os sintomas do câncer e retardar o crescimento do tumor.

  • Terapia ablativa: Substâncias são injetadas diretamente no tumor, como o álcool. Lasers e ondas de rádio também podem ser usados.
  • Radioterapia: A radiação é direcionada ao tumor ou tumores, matando um número significativo deles. Os pacientes podem sentir náuseas, vômitos e fadiga.
  • Quimioterapia: Medicamentos são injetados no fígado para matar as células cancerígenas. Na quimioembolização, o suprimento sanguíneo para o tumor é bloqueado cirurgicamente ou mecanicamente, e drogas anticâncer são administradas diretamente no tumor.
  • Voluntário para estudos clínicos: quando os ensaios chegam ao estágio humano, são chamados de ensaios clínicos. O paciente pode perguntar ao seu médico se há algum disponível em que possa participar.

As opções de tratamento podem variar, dependendo do tipo de câncer de fígado.

Câncer de fígado – Outras causas

Pessoas com diabetes que bebem quantidades excessivas de álcool enfrentam um risco aumentado de câncer de fígado.

A causa exata do câncer de fígado não é conhecida.

No entanto, a maioria dos casos está ligada à cicatrização do fígado, também conhecida como cirrose.

De acordo com a American Cancer Society, a hepatite C é a causa mais comum de câncer de fígado nos EUA.

As pessoas com hepatite B ou C têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de fígado do que outros indivíduos saudáveis. Ambas as formas da doença podem resultar em cirrose.

Algumas doenças hepáticas hereditárias, como a hemocromatose, causam cirrose e também aumentam o risco de câncer hepático.

Outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de fígado incluem:

  • Diabetes tipo 2: Pessoas com diabetes, especialmente se também têm hepatite, ou consomem muito álcool, têm maior probabilidade de desenvolver câncer de fígado;
  • História familiar: Se um parente direto apresentar câncer de fígado, a pessoa corre um risco maior do que os outros de desenvolver o câncer por conta própria;
  • Consumo excessivo de álcool: Consumir álcool regularmente e em quantidades excessivas é uma das principais causas de cirrose nos EUA;
  • Exposição a longo prazo às aflatoxinas: A aflatoxina é uma substância produzida por um fungo. Pode ser encontrado em trigo mofado, amendoim, milho, nozes, soja e amendoim. O risco de câncer de fígado aumenta apenas após a exposição a longo prazo;
  • Baixa imunidade: Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, como aqueles com HIV / AIDS, têm um risco de câncer de fígado que é cinco vezes maior do que outros indivíduos saudáveis;
  • Obesidade: Ser obeso aumenta o risco de desenvolver muitos tipos de câncer, incluindo câncer de fígado.
  • Gênero: uma porcentagem maior de homens tem câncer de fígado em comparação com as mulheres. Alguns especialistas acreditam que isso não se deve ao gênero, mas às características do estilo de vida. Em média, os homens tendem a fumar e a beber mais do que as mulheres.
  • Tabagismo: Indivíduos com hepatite B ou C enfrentam um risco maior de câncer de fígado se fumarem.
  • Arsênico: As pessoas que dependem de poços de água que contêm níveis naturais do arsênio considerados tóxicos podem ter um risco significativamente maior de desenvolver várias condições ou doenças, incluindo câncer de fígado.

Concluindo

Indivíduos de alto risco para câncer de fígado devem fazer exames regulares para câncer de fígado. O câncer de fígado, se não diagnosticado precocemente, é muito mais difícil de curar. A única maneira de saber se alguém tem câncer de fígado no início é através da triagem, porque os sintomas são leves ou inexistentes.

Isso inclui pessoas com hepatite B e C, pacientes com cirrose relacionada ao álcool e aqueles com cirrose como resultado da hemocromatose.

Fontes: Medical News, Medical
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Antidepressivos e o bruxismo: veja a relação entre eles aqui

antidepressivos e o bruxismo

Antidepressivos e o bruxismo parecem ter uma estreita relação. É o que um estudo recente demonstra.

Você recebe em seu consultório a sua paciente de longa data para o seu check-up semestral regular.

Você percebe o desgaste em seus dentes anteriores, os caninos achatados de seus posteriores e as rachaduras do esmalte. Você conversa com ela sobre o seu hábito de morder e lembra o perigo de ranger os dentes à noite durante o sono. São sinais evidentes de que a paciente está sofrendo de bruxismo.

Então ela pergunta: “O aperto de mandíbula e o ranger de dentes podem ser causados por medicação?”

Seu farmacêutico mencionou que poderia ser. Ela acha que o bruxismo só foi um problema desde que ela começou seu antidepressivo. Afinal, antidepressivos e o bruxismo tem alguma ligação?

O bruxismo é uma condição muitas vezes diagnosticada nos consultórios odontológicos.

Porém, o que um artigo recente da Australian Dental Association veio mostrar é que os antidepressivos e o bruxismo estão mesmo relacionados. O fato é que o bruxismo tende a não melhorar enquanto o paciente não cessar o uso da medicação ou, pelo menos, a reduzir.

Um artigo anterior aqui no blog já apresentou uma relação curiosa entre o uso de antidepressivos e a maior incidência de falhas em implantes dentários.

Antidepressivos potencialmente causadores de bruxismo

O bruxismo é definido como “uma atividade repetitiva da mandíbula-músculo caracterizada por apertamento ou ranger dos dentes. Apresenta duas manifestações circadianas distintas: durante o sono (bruxismo do sono) e durante a vigília (bruxismo acordado).

A incidência de bruxismo foi relatada como variando de 14 a 20% em crianças, e aproximadamente 19% em adultos.

As consequências clínicas do bruxismo incluem hipertrofia do músculo da mandíbula; erosão, fratura e falha de dentes, restaurações e implantes; sensibilidade e dor nos dentes, músculos, articulações e deslocamento do disco da articulação temporomandibular.

A causa específica determinante do bruxismo ainda não é bem compreendida. Existem vários fatores de risco identificados. São eles abuso do álcool, drogas recreativas, medicamentos, tabaco, má oclusão, altos níveis de ansiedade e distúrbios psiquiátricos. A relação entre o uso de antidepressivos e o bruxismo é uma descoberta recente.

Antidepressivos e o bruxismo – relação de medicamentos

O uso de antidepressivos e o bruxismo se apresenta mais fortemente associado a determinados fármacos. Os mais comuns são os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

Fazem parte do grupo dos ISRSs o citalopram, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina. São usualmente prescritos para ansiedade e depressão. Foram relatados em vários estudos como causadores de bruxismo iatrogênico*, provavelmente devido a seus efeitos anti-serotoninérgicos e antidopaminérgicos.
* Iatrogenia é uma doença com efeitos e complicações causadas como resultado de um tratamento médico.

Os Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) atomoxetina, venlafaxina e duloxetina também foram associados ao bruxismo.

Uma revisão sistemática recente mostrou que os medicamentos com maiores chances de causarem bruxismo foram fluoxetina, venlafaxina e sertralina.

O tempo médio de início do bruxismo foi de três a quatro semanas ou no escalonamento da dose.
No entanto, relatos de casos sugerem que o efeito pode ocorrer desde a primeira dose.

Tanto os antipsicóticos típicos quanto os antipsicóticos atípicos podem causar movimentos involuntários na região orofacial, incluindo bruxismo, distonia orofacial e discinesia oromandibular. Evidências de surgimento de bruxismo também se mostraram associadas ao medicamento atomoxetina. A atomoxetina é usada para o tratamento do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O bruxismo induzido por medicação é pouco reconhecido na odontologia.
Os dentistas devem conhecer quais medicamentos contribuem para essa condição.

Uma vez que as evidências de bruxismo se apresentem em pacientes em tratamento com essas medicações providências precisam ser tomadas. O manejo deve incluir a consulta com o médico prescritor para que a dose da medicação seja reduzida ou interrompida.
Antidepressivos associados ao bruxismo estão listados a seguir:

  • Antidepressivos: Citalopram, Duloxetina, Escitalopram, Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina, Sertralina, Venlafaxina;
  • Antipsicóticos: Clorpromazina, Flufenazina, Haloperidol;
  • Medicamentos utilizados para tratar o TDAH: Atomoxetina

antideressivos e o bruxismo

Discinesia tardia induzida por drogas

Discinesia tardia é uma condição que afeta o sistema nervoso, muitas vezes causada pelo uso em longo prazo de alguns medicamentos psiquiátricos.
As discinesias tardias são movimentos anormais persistentes e involuntários que podem envolver a face, cabeça, pescoço, membros e tronco.

As discinesias oro bucofaciais são aquelas envolvendo a face, mandíbula, lábios e língua. São essas que frequentemente são a primeira manifestação da discinesia e a forma mais comum.

Geralmente, apresentam-se como movimentos labiais, movimentos rápidos de piscar de olhos e movimentos não coordenados da língua.

As discinesias tardias podem ser estigmatizantes para os pacientes. Podem afetar negativamente tanto a adesão à medicação quanto a qualidade de vida.

Se a medicação implicada não for interrompida prontamente, os sintomas da discinesia tardia podem persistir por muito tempo após a interrupção da medicação ou se tornarem permanentes.
Acredita-se que a fisiopatologia das discinesias decorre de drogas que bloqueiam os receptores centrais de dopamina ao longo das vias dopaminérgicas. Embora outros neurotransmissores possam estar envolvidos.

A discinesia tardia não está associada à dor. Porém, a dor orofacial pode surgir de um trauma causado por movimentos anormais entre próteses e uma mucosa protetora.

Medicamentos antipsicóticos associados ao bruxismo

No passado, os antipsicóticos eram os medicamentos mais frequentemente associados à discinesia tardia devido ao seu bloqueio central dos receptores de dopamina.

Nos últimos 10 a 20 anos foram desenvolvidos antipsicóticos mais seletivos e melhor tolerados, como a ziprasidona, a lurasidona e o aripiprazol. A discinesia tardia agora raramente ocorre com essa classe de medicamentos. Porém eles ainda apresentam um pequeno risco de causar discinesias.

Esses medicamentos são classificados como antipsicóticos. Porém, ao longo dos anos suas indicações se expandiram. Atualmente são utilizados no tratamento de condições como transtorno bipolar, ansiedade, mania, abstinência de álcool, distúrbios comportamentais na demência e autismo.

Metoclopramida

A conhecida metoclopramida é um antagonista potente do receptor central da dopamina-2. Pode causar uma variedade de distúrbios extrapiramidais, sendo a discinesia tardia a mais comum.

A discinesia tardia é sempre um efeito tardio induzido por drogas, geralmente aparecendo meses a anos após o início do tratamento. O risco de discinesia tardia para a metoclopramida aumenta com a dose cumulativa e a duração do tratamento. Além de tomar medicamentos antipsicóticos, outros fatores de risco que aumentam o risco de discinesia tardia incluem interações medicamentosas, gênero e idade avançada.

Antipsicóticos mais antigos ainda são prescritos

Antipsicóticos mais antigos, como a clorpromazina, se tornaram obsoletos em psiquiatria devido à disponibilidade de medicamentos mais novos e mais seguros. No entanto, os dentistas devem estar cientes de que os antipsicóticos mais antigos ainda podem ser prescritos off-label.

Indicações não licenciadas para antipsicóticos mais antigos incluem manejo dos sintomas em cuidados paliativos, íleo paralítico, dor neuropática, soluços intratáveis, tratamento e prevenção da enxaqueca, depressão e ansiedade crônicas e coceira crônica.

Tem sido relatado que a discinesia tardia pode ocorrer em até um terço das pessoas que tomaram um antipsicótico mais antigo por 10 anos ou mais.

Antipsicóticos de primeira geração, haloperidol, flufenazina e trifluoperazina estão associados a maior risco de discinesia tardia. A clozapina apresenta menor risco. É importante salientar que a discinesia tardia induzida por drogas pode persistir por meses ou anos. Nesse caso, provavelmente será permanente mesmo após a retirada da droga.
A lista a seguir apresenta os medicamentos associados à discinesia tardia:

  • Antipsicóticos: Amissulprida, Aripiprazol, Clorpromazina, Clozapina, Droperidol, Flufenazina, Haloperidol, Lurasidona, Olanzapina, Paliperidona, Periciazina, Quetiapina, Risperidona, Trifluoperazina, Ziprasidona, Zuclopentixol.
  • Antagonistas da dopamina: Metoclopramida.

Onde encontrar bruxismo nas informações da bula do produto

Na grande maioria das vezes uma consulta à bula dos produtos não contém nenhuma seção específica dedicada aos efeitos colaterais / bucais / dentais dos medicamentos. Ou quando há alguma menção é feita de forma vaga e inespecífica.
Não é de admirar que o bruxismo seja um efeito colateral pouco reconhecido dos antidepressivos!

Concluindo

Os dentistas devem estar cientes de que os medicamentos antidepressivos, antipsicóticos e antieméticos comumente prescritos estão associados a distúrbios de movimento na região orofacial. Particularmente bruxismo, discinesia e distonia. O uso de antidepressivos e o bruxismo estão de fato relacionados.

Esses medicamentos são prescritos com frequência na comunidade em uma ampla faixa etária para uma longa lista de indicações licenciadas e não licenciadas.

Os distúrbios do movimento induzidos por medicamentos geralmente não melhoram, a menos que a dose de medicação seja reduzida ou interrompida. É provável que os dentistas tenham e venham a encontrar esses distúrbios de movimento induzidos por medicamentos. A identificação e o gerenciamento oportunos de efeitos adversos induzidos por medicamentos são essenciais para uma resolução bem-sucedida.

Fonte: Australian Dental Association
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Óxido nitroso na Odontologia – Informações importantes

Óxido nitroso na Odontologia – Informações importantes

óxido nitroso

O óxido nitroso pode ser uma ótima alternativa para reduzir aquele medo de dentista que muitas pessoas possuem. Esse medo muitas das vezes é resultado de lembranças desagradáveis da infância. Pode também ser resultado de experiências traumáticas compartilhadas por outros pacientes.

O óxido nitroso é um gás incolor e inodoro que pode reduzir a ansiedade durante procedimentos odontológicos.

As pessoas costumam se referir ao óxido nitroso como gás do riso. O óxido nitroso retarda o tempo de reação de uma pessoa e causa uma sensação de euforia. Quando uma pessoa usa óxido nitroso, não demora muito para sentir os efeitos do gás. Quando as pessoas param de usá-lo, os efeitos desaparecem rapidamente.

É um tipo de sedação gera uma pequena diminuição da atividade do córtex cerebral. Não causa depressão do centro respiratório.

O óxido nitroso é geralmente seguro para uso em procedimentos médicos e odontológicos. Usos médicos incluem procedimentos em crianças, crianças e adultos. No entanto, como acontece com qualquer droga, existe um risco de efeitos na saúde a curto e longo prazo. Também pode haver o potencial para sobredosagem.

O óxido nitroso também pode ser utilizado em cirurgias odontológicas.
A principal vantagem da anestesia com óxido nitroso é a ausência de efeitos prolongados após a sessão do tratamento. Isso porque o óxido nitroso não é metabolizado pelo nosso organismo, já que possui pouca solubilidade no sangue.

Efeitos colaterais de curto prazo

Vamos tomar um exemplo. Uma paciente mulher em um atendimento odontológico que tenha recebido óxido nitroso. Os efeitos colaterais de curto prazo que podem surgir são tontura, náusea ou vômito.

Os efeitos colaterais de curto prazo não são muito comuns, mas podem ocorrer. A razão mais usual que leva ao aparecimento desses efeitos são a inalação do gás muito rapidamente ou quando o mesmo é inalado em excesso.

Neste caso poderão surgir os efeitos:

  • tontura, náusea ou vômito;
  • fadiga;
  • dor de cabeça;
  • suor excessivo;
  • tremores.

óxido nitroso

Também é possível que uma pessoa experimente uma sensação de estar chapada quando recebe óxido nitroso. Podem ocorrer distorções na percepção de sons.

Durante ou imediatamente após a administração do gás, um profissional de saúde também pode administrar oxigênio a uma pessoa.

Quando uma pessoa recebe oxigênio após um procedimento médico, normalmente é para limpar o óxido nitroso restante do organismo do paciente. Isso ajuda o indivíduo a recuperar o estado de alerta e pode ajudar a evitar dores de cabeça.

As pessoas podem sentir-se lentas ou não alertas após a inalação de óxido nitroso. Este efeito em geral desaparece rapidamente.

Após a realização e término de um procedimento odontológico com óxido nitroso as pessoas podem se deslocar. Isso desde que elas se deem um tempo suficiente para se recuperar totalmente do efeito do gás.

Para ajudar a evitar problemas estomacais, o paciente deve ingerir uma refeição leve. Deve evitar a ingestão de uma refeição pesada por várias horas após o procedimento.

O leite e seus derivados retardam o esvaziamento gástrico, assim como carnes e gorduras, devendo os pais serem orientados a evitar a ingestão desses alimentos por parte das crianças para diminuir as chances de ocorrência de náusea e vômito.

O ideal, segundo a American Academy of Pediatric Dentistry, é que em crianças com mais de 36 meses, o jejum de leite ou sólidos deve ser de 6 a 8 horas antes do procedimento. Água pode ser ingerida até 3 horas antes.

No caso de reação alérgica ao óxido nitroso

Reações alérgicas ao gás podem acontecer e é importante estar alerta quanto a essa possibilidade. Uma reação alérgica pode acontecer se alguém estiver experimentando o óxido nitroso pela primeira vez. Como no caso de uma uma criança, por exemplo.

Os sintomas mais comuns observados em caso de reação alérgica são:

  • arrepios;
  • urticária;
  • chiado ou problemas respiratórios;
  • febre.

Caso um paciente apresente um quadro de reação alérgica ao óxido nitroso deve-se procurar atendimento médico imediato.

Efeitos colaterais de longo prazo

Há poucas evidências que sugerem que o óxido nitroso cause efeitos colaterais graves a longo prazo.

A maioria dos efeitos colaterais desaparece rapidamente após o uso do gás. O paciente deve informar seu dentista no caso de sentir algum efeito colateral incomum ou se ele durar algumas horas ou dias após o procedimento.

O paciente em geral não manifesta efeitos colaterais a longo prazo. No entanto, a exposição prolongada ou o uso indevido intencional de óxido nitroso podem causar problemas de saúde.

A exposição excessiva pode levar à anemia ou a uma deficiência de vitamina B12. O último pode trazer problemas aos nervos, o que pode ocasionar dormência nos membros ou dedos do paciente.

Em resumo, nem todo mundo é um bom candidato para receber óxido nitroso.
Em alguns casos, condições médicas preexistentes podem tornar o óxido nitroso menos seguro.

Razões pelas quais os dentistas devem evitar o uso de óxido nitroso em pacientes que:

  • apresentem deficiência de vitamina B-12;
  • tenham histórico de problemas de saúde mental;
  • estejam no primeiro trimestre da gravidez;
  • apresentem histórico de abuso de substâncias;
  • tenham diagnóstico prévio de deficiência da enzima metilenotetrahidrofolato redutase;
  • tenham uma história de doenças respiratórias pregressas.

Overdose

Embora normalmente seja muito seguro, existe a possibilidade de uma pessoa ter uma overdose de óxido nitroso. As razões mais comuns para uma sobredosagem incluem a ingestão excessiva do gás e a exposição por longo tempo.

Uma pessoa que trabalha em uma clínica que utiliza ou armazena óxido nitroso apresenta maior risco de exposição a longo prazo ou acidental.

No caso do paciente, não é provável a ocorrência de uma overdose. Isso porque a quantidade necessária para fazer uma overdose é muito maior do que aquela administrada durante um procedimento.

Sintomas característicos do uma overdose de óxido nitroso:

No caso de uma overdose, são estes os sintomas mais comuns:

  • aperto no peito;
  • irritação nos olhos, garganta e nariz;
  • dificuldade em respirar – alucinações ou psicose;
  • sensação de sufocamento;
  • tonalidade azul para os dedos dos pés, lábios ou dedos;
  • aumento da pressão arterial e risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral;
  • convulsões;
  • aumento da frequência cardíaca.

No caso do recebimento de óxido nitroso em excesso de uma só vez com pouco ou nenhum oxigênio, também poderão ser gerados danos cerebrais.
No caso de suspeita de overdose de óxido nitroso, o atendimento médico de urgência deve ser buscado. Caso não tratada à tempo, uma overdose dessa natureza pode resultar em coma ou morte.

O óxido nitroso é um gás, e como droga recreativa pertence à categoria dos inalantes.
De acordo com o National Institute on Drug Abuse, os adolescentes e pré-adolescentes são mais propensos ao uso de inalantes do que os mais velhos.

Como o efeito de sentir-se chapado dura apenas alguns segundos, o usuário muitas vezes inala repetidamente o gás durante vários minutos ou horas, o que pode levar a uma overdose acidental.

Em poucas palavras

O óxido nitroso é tipicamente um medicamento seguro que ajuda a sedar uma pessoa antes e durante os procedimentos odontológicos. Os efeitos da droga normalmente vêm e desaparecem rapidamente ao iniciar e interromper a administração do gás.

Se uma pessoa experimenta um efeito colateral, ela geralmente dura pouco e desaparece depois de seu uso. Se os efeitos durarem por um período mais longo ou uma pessoa experimentar sintomas de uma reação alérgica, eles devem procurar atendimento médico imediato.

Embora raro, uma overdose do gás é possível.
Aqueles que trabalham em instalações que usam ou armazenam óxido nitroso e aqueles que abusam dele estão sob maior risco.
Durante os procedimentos de rotina são poucas as chances da ocorrência de uma overdose de óxido nitroso.

Fontes: Medical News Today, RevOdonto

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O HPV e o câncer de cordas vocais

O HPV e o câncer de cordas vocais

câncer de cordas vocais

Um notável aumento recente no diagnóstico do câncer de cordas vocais em adultos jovens parece ser o resultado da infecção por cepas de vírus do papiloma humano (HPV). O HPV também pode causar câncer cervical e outras neoplasias malignas.

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) detectaram a presença da infecção pelo HPV em todas as amostras testadas de câncer de cordas vocais de 10 pacientes diagnosticados com 30 anos ou menos. A maioria dos quais não fumantes.

Nos últimos 150 anos, o câncer de cordas vocais vinha sendo quase uma doença exclusivamente associada ao tabagismo. E também quase totalmente vista em pacientes com mais de 40 anos. Os últimos dados mostram que isso está mudando, e mudando pra pior. Já tinha se observado também um notável crescimento do número de casos de câncer bucal.

Câncer de cordas vocais

Hoje, os não fumantes estão se aproximando de 50% dos pacientes com câncer de cordas vocais. E tem sido comum que eles sejam diagnosticados com menos de 40 anos.
Essa transformação epidemiológica do câncer de cordas vocais é um problema de saúde pública significativo.

Os pesquisadores observam que o aumento no diagnóstico de câncer de cordas vocais parece se igualar a um aumento anterior no diagnóstico de câncer de garganta.
O câncer de garganta tem sido associado a infecções por cepas de alto risco do HPV.

Novas evidências

Os pesquisadores observaram inicialmente um aumento na incidência do câncer de cordas vocais em não fumantes. Posteriormente começaram a investigar se a infecção por HPV poderia explicar esse diagnóstico em não fumantes mais jovens.

A pesquisa

Para isso analisaram os dados de 353 pacientes tratados por câncer de cordas vocais durante um período de 14 anos no Hospital de Massachusetts.
Análises de amostras de tecido dos tumores de 10 de 11 pacientes mais jovens revelaram cepas de HPV de alto risco em todos eles.

Os autores observam que estes casos de câncer de cordas vocais ligados ao HPV associados a alto risco assemelham-se muito à papilomatose respiratória recorrente (PPR).
Essa é uma condição benigna causada por variantes comuns de baixo risco do HPV.
A PPR benigna das cordas vocais tem sido uma doença bem conhecida por HPV há mais de um século. É impressionante que agora haja uma malignidade HPV que parece tão semelhante. Isso acaba criando uma confusão diagnóstica e terapêutica, segundo os pesquisadores.
Deve-se observar que esses cânceres de cordas vocais associados ao HPV não são uma degeneração maligna da doença benigna.

São necessários mais estudos de larga escala para determinar o ritmo de crescimento do câncer de cordas vocais entre os não-fumantes. Também é necessário aprofundar o estudo da incidência de HPV de alto risco nesses cânceres. Assim como também os fatores relacionados à idade e sexo das pessoas afetadas.

câncer de cordas vocais

Cordas vocais e a laringe

A laringe é um órgão composto de cartilagens, músculos e membranas.
A laringe conecta a faringe à traqueia. Exerce função respiratória e de produção de som.

Localiza-se na região da garganta, entre a traqueia e a base da língua.
Pode ser dividida em três compartimentos diferentes: subglote, glote (localizada na porção final da laringe) e supraglote.
É na glote que estão as cordas vocais. As cordas vocais são pequenas pregas que vibram com a passagem do ar e fazem parte do aparelho fonador.

A mucosa da laringe forma dois pares de pregas: o primeiro par superior constitui as falsas cordas vocais ou pregas vestibulares. O segundo par inferior forma as cordas vocais verdadeiras. Quando o ar passa pela laringe, os músculos podem se contrair, modificando a abertura das cordas vocais e produzindo sons.

câncer de cordas vocais

Câncer de laringe

O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens em geral acima de 40 anos.
É um dos cânceres mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço.
Representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas.

A ocorrência pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão: supraglote, glote e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais).
O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma de células escamosas.

Fatores de risco

– O fumo e o álcool são os principais fatores de risco. O fumo aumenta em 10 vezes a chance de desenvolver o câncer de laringe;
– Estresse e mau uso da voz também são prejudiciais;
– Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de laringe;
– Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos;

Como prevenir

– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter o peso corporal adequado. Falar muito alto e sem pausas causa os chamados calos vocais;
– Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber têm probabilidade de cura reduzida.
Também aumenta o risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço;
– Não fumar e evitar o tabagismo passivo;
– Evitar os fatores de risco é muito importante para prevenir o desenvolvimento da doença.

Sinais e sintomas

Os sintomas estão diretamente ligados à localização da lesão. Dor de garganta, principalmente durante a deglutição, sugere tumor supraglótico. A rouquidão indica tumor glótico ou subglótico.

O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais.
Sinais como alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de “caroço” na garganta.
Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, podem ocorrer dor na garganta, disfagia mais acentuada e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).

Deve-se ficar atento quanto à presença e persistência destes sintomas:

  • dor de garganta;
  • rouquidão;
  • alteração na qualidade da voz;
  • dificuldade de engolir;
  • sensação de “caroço” na garganta;
  • nódulo (caroço) no pescoço.

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer. Porém, é importante que eles sejam investigados por um profissional, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer da laringe se dá por meio da laringoscopia. É um exame que pode ser feito no consultório médico.

Durante sua realização, é possível a coleta de fragmentos do tumor para exame histopatológico (do tecido).

A biópsia é obrigatória antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade.

Fontes: Oral Cancer Foundation, Inca, Drauzio
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Cigarros eletrônicos e os neurônios: uma perigosa relação

Cigarros eletrônicos e os neurônios: uma perigosa relação

cigarros eletrônicos e os neurônios

Cigarros eletrônicos e os neurônios pode parecer uma relação sem sentido. Mas vamos ver que não é bem assim.

Cigarros eletrônicos são alardeados como substitutos seguros dos cigarros convencionais.
Também é difundida a informação de que os cigarros eletrônicos seriam como uma etapa de transição para quem está querendo parar de fumar.
No entanto, existem estudos demonstrando os malefícios dos cigarros eletrônicos sobre a saúde bucal.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Riverside, fizeram uma descoberta preocupante.
Descobriram que cigarros eletrônicos e os neurônios tem uma relação bem estreita. Esses dispositivos eletrônicos podem causar danos às células-tronco do cérebro.

cigarros eletrônicos e os neurônios

O que são células-tronco

Células tronco são células geradoras de novas células. Quando células tronco dividem elas podem fazer mais de si mesmas ou mais de outros tipos de células.
Por exemplo, células tronco na pele fazem mais células tronco de pele ou elas podem fazer células de pele diferenciadas que possuem funções próprias como produzir o pigmento melanina.

Células-tronco adultas e células-tronco embrionárias

Cada órgão do nosso corpo possui uma quantidade de células-tronco que é responsável pela renovação das nossas células ao longo da vida. Estas células constituem uma “reserva” celular do organismo após o nascimento. Geralmente, as células-tronco adultas dão origem às células dos tecidos de onde são provenientes, por predeterminação genética.

As células-tronco embrionárias têm a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula adulta. São chamadas de pluripotentes. São encontradas no interior do embrião, no estágio de blastocisto.

Cigarros eletrônicos e os neurônios: efeitos sobre as células-tronco do cérebro

As células-tronco neurais são essenciais à formação de muitas estruturas cerebrais. São elas as responsáveis pela formação de novas memórias e aprendizagem.

Os cigarros eletrônicos são dispositivos de fornecimento de nicotina. Eles transformam a nicotina em aerossol e dão sabor aos produtos químicos (essências) por meio do aquecimento.
Os pesquisadores ainda não compreendem totalmente como as substâncias químicas dos cigarros eletrônicos podem afetar as células-tronco neurais. Em particular suas mitocôndrias. As mitocôndrias são organelas que atuam como usinas geradoras de energia das células. São fundamentais na regulação e manutenção da saúde celular.

cigarros eletrônicos e os neurônios

A pesquisa

A pesquisa buscou evidenciar que os cigarros eletrônicos e os neurônios tem um elemento que os conecta intimamente:  a nicotina.

Os pesquisadores utilizaram células-tronco neurais de camundongo cultivadas. Identificaram assim um efeito nocivo dos cigarros eletrônicos sobre as mitocôndrias. A esse efeito deram o nome “hiperfusão mitocondrial induzida por estresse“.
Mesmo uma exposição a curto prazo pode estressar as células de uma maneira que pode levar, com o uso crônico, à morte ou doença celular.
Uma das cientistas afirmou “as nossas observações aplicam-se muito provavelmente a qualquer produto que contenha nicotina.”

Os altos níveis de nicotina nos cigarros eletrônicos levam a uma inundação de nicotina de receptores especiais na membrana das células-tronco neurais. A nicotina se liga a esses receptores, o que faz com que eles se abram. Cálcio e outros íons começam a entrar na célula. Eventualmente, uma sobrecarga de cálcio acontece.

Muito cálcio na mitocôndria é prejudicial. As mitocôndrias então incham, mudando sua morfologia e função. Elas podem até romper e vazar moléculas que levam à morte celular.

Se o estresse causado pela nicotina persistir, aí pode surgir o dano.
As células-tronco neurais podem ser danificadas. E também podem eventualmente morrer.

As consequências

As mitocôndrias de células-tronco danificadas poderiam acelerar o envelhecimento e levar a doenças neurodegenerativas. Células-tronco neurais podem ficar expostas à nicotina através da via olfativa.
Os usuários inalam a fumaça, que pode percorrer os rastros olfativos para chegar ao cérebro.

Os pesquisadores alertaram que os jovens e as mulheres grávidas precisam prestar especial atenção aos resultados dessa pesquisa.

Riscos ainda maiores para gestantes e adolescentes

A exposição à nicotina durante o desenvolvimento pré-natal ou adolescente pode afetar o cérebro de várias maneiras. A nicotina pode prejudicar a memória, a aprendizagem e a cognição. Além disso, o vício e a dependência da nicotina na juventude são preocupações urgentes. O efeito deletério da nicotina sobre as células-tronco neurais e suas mitocôndrias é preocupante.
Deve-se ter muita atenção a essa descoberta recente. Afinal, a nicotina se encontra amplamente disponível em cigarros eletrônicos e seus fluidos de recarga.

Cigarros eletrônicos no Brasil

Desde 2009 a Anvisa proíbe a comercialização, a importação e a propaganda dos chamados cigarros eletrônicos.
Embora proibida, a venda de cigarros eletrônicos acontece amplamente via Internet. Também são facilmente encontrados na área comercial do centro de São Paulo.
A mesma Anvisa, no entanto, acaba de colocar em discussão pública a regulamentação dos cigarros eletrônicos em nosso país

Os cigarros eletrônicos fazem muito sucesso entre os adolescentes norte-americanos. Eles são feitos para seduzir os jovens. Suas essências contém sabores atraentes. Contém aditivos químicos com gosto de chocolate, morango, crème brûlée e outros sabores agradáveis aos jovens. Além disso eles se apresentam como formatos de pen drives que soam atraentes aos jovens.

Ver o cigarro eletrônico regulamentado para uso no Brasil é o grande risco que corremos.

Fontes: ScienceDaily, Criovida, ipscell, Rede Nacional de Terapia Celular, G1, Folha
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