A comida como medicamento

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A comida como medicamento é o novo mantra dos pesquisadores. Isso porque eles identificaram certos alimentos que têm a capacidade de afetar e alterar a nossa flora bacteriana.

Ou seja, a comida como medicamento na perspectiva de que certos alimentos podem ter grande influência sobre as bactérias que formam a nossa flora bacteriana intestinal.
Há uma relação muito próxima entre a dieta e o bom funcionamento do nosso intestino.

Um grupo de pesquisadores adotou a ideia da comida como medicamento. Eles identificaram certos alimentos comuns que alteram nossa flora bacteriana.
Nossa flora bacteriana é formada por bactérias do bem que têm um papel fundamental para a manutenção de nossa saúde e bem estar.
Na ausência de uma população de bactérias saudáveis, problemas de saúde certamente acabam surgindo.

Comida como medicamento – Complexidade

São muitos os detalhes e sutilezas envolvendo a relação alimento e bactérias da nossa flora intestinal.
Os cientistas ainda não entendem completamente esse contexto.

Atualmente, na ciência, as bactérias intestinais e os alimentos são dois tópicos de grande interesse.
Ambos, é claro, estão inter-relacionados, e um novo estudo se concentra em algumas sutilezas desse relacionamento.

A falta de uma população saudável de bactérias intestinais compromete nossa saúde.

O mesmo acontece quando não adotamos uma dieta saudável.

No entanto, os cientistas não entendem completamente o impacto exato de alimentos específicos nas bactérias intestinais.
Essa lacuna de conhecimento se deve, em parte, à inacreditável complexidade da flora intestinal.
Um fator que dificulta a compreensão são os bacteriófagos, ou fagos, para abreviar.

Bacteriófagos ou Fagos

Um fago é um tipo de vírus que infecta apenas bactérias. Da mesma forma que vírus que infectam eucariontes, os fagos consistem numa proteína exterior protetora e no material genético.
Os fagos foram descobertos por Frederick Twort em 1915 e por Félix D’Herelle em 1917.

Dentro do intestino, esses vírus são mais numerosos que as numerosas bactérias intestinais.
Cada fago ataca apenas um tipo específico de bactéria. Isso significa que ele pode influenciar os níveis de bactérias intestinais. Os fagos precisam de bactérias para viver, portanto, se as bactérias estiverem ausentes, eles não sobrevivem.

Alimentos e fagos

Isso significa que qualquer alimento que influencie fagos pode influenciar bactérias intestinais e vice-versa.

Por exemplo, se a população de um tipo de fago aumentar, as bactérias que eles consumem diminuirão. Isso irá abrir espaço para outras espécies de bactérias se multiplicarem. Dessa maneira, os vírus podem afetar o microbioma em geral. Ao eliminar uma espécie de bactéria, eles fornecem espaço para outras espécies ocuparem o meio.

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O que são os prófagos

A maioria dos fagos no intestino está presente de forma inativa. Seu DNA é integrado ao genoma da bactéria. Nesta forma, eles são chamados de prófagos.

Os cientistas identificaram certos compostos que acionam os prófagos para retornar à sua forma ativa.
Quando isso acontece, centenas de novos fagos saem da célula bacteriana, matando o hospedeiro e atacando outras bactérias.

Esses compostos incluem molho de soja, nicotina e alguns antibióticos, como a ciprofloxacino.
Até a presente data, a lista de compostos promotores de fagos é pequena.

Fagos – podem agir como antibióticos naturais poderosos

É fundamental descobrir quais substâncias químicas estimulam a atividade dos fagos.
Os fagos atacam e matam bactérias.
Assim, se entendermos como manipulá-los, eles podem funcionar como antibióticos naturais poderosos.

Alimentos influenciam

Um estudo recente se propôs a expandir a lista de compostos que induzem a atividade do fago.
Os cientistas da Universidade Estadual de San Diego, CA, publicaram suas descobertas na revista Gut Microbes.
Eles esperam que seus resultados possibilitem que, através do uso da dieta, se consiga intencionalmente projetar o microbioma intestinal humano via indução de prófago.
Isso possibilitaria o uso do alimento como medicamento com ação pró saúde e bem estar.

A pesquisa

Para investigar, os pesquisadores escolheram uma ampla gama de compostos que podem influenciar a atividade do fago. Eles selecionaram uma variedade de bactérias de dois filos comuns no intestino: Bacteroidetes e Firmicutes. Eles incluíram cepas benéficas e patogênicas de bactérias.

Dos 117 compostos alimentares, eles reduziram sua pesquisa para apenas 28. Os pesquisadores observaram o crescimento de bactérias na presença de cada composto específico.

Eles também observaram seu crescimento sem o composto como controle. Em seguida, eles usaram a citometria de fluxo. Esse é um processo sensível o suficiente para detectar partículas de vírus inimaginavelmente pequenas.

Quais alimentos influenciam os fagos?

Dos 28 candidatos, 11 compostos produziram níveis de partículas virais a uma taxa mais alta que os controles.
Isso significa que eles influenciaram a atividade do fago.
Alguns dos aumentos de fagos mais significativos ocorreram na presença de cravo, própolis, uva ursi e aspartame.

O indutor de prófago mais potente foi a Stevia. A Stevia é um substituto do açúcar derivado de plantas. Com algumas espécies das cepas bacterianas, a Stevia aumentou o número de partículas virais em mais de 400%.

Por outro lado, alguns alimentos reduziram o número de partículas virais. Especialmente o ruibarbo, fernet (um tipo de licor italiano), café e orégano.

Para complicar, alguns compostos aumentaram a atividade fágica associada a algumas bactérias. Porém reduziram a atividade fágica relacionada a outras.
Esses compostos incluem creme dental, extrato de semente de toranja e romã.

Segundo os autores, um dos alimentos antibacterianos mais potentes foi o molho de tabasco quente. Ele reduziu o crescimento de todas as três espécies [gastrointestinais], exceto o patógeno oportunista P. aeruginosa, em uma média de 92%.

O Tabasco contém vinagre, mas quando testaram o vinagre sozinho, apenas reduziu o crescimento bacteriano em 71%.

Eles acreditam que a capsaicina – o composto apimentado da pimenta – pode explicar as capacidades antibacterianas adicionais.

No entanto, nas experiências com tabasco, não foram encontradas partículas de vírus.
Portanto é improvável que fagos estejam envolvidos.

Perspectivas futuras – comida como medicamento

Essas descobertas são muito importantes.
Os cientistas agora sabem que a flora intestinal pode influenciar nossa saúde física e mental.
E também pode causar inflamação e aumentar o risco de câncer.
Sabendo como alterar a flora intestinal de maneiras específicas, os cientistas poderão, em teoria, remover ou reduzir esses riscos.

Como um dos autores, Forest Rohwer, explica: “A capacidade de matar bactérias específicas, sem afetar outras, torna esses compostos muito interessantes”.

Como acrescenta o mesmo pesquisador “Provavelmente existem milhares de compostos que seriam úteis para eliminar bactérias indesejadas”.

O passo seguinte será descobrir os mecanismos moleculares que trocam o fago de um estado de inatividade para ativo.

Uma certeza desde já podemos ter: a dieta se mostra cada dia mais importante para a nossa saúde. A comida como medicamento é uma realidade de hoje e ainda mais do amanhã que está por vir. Aproveite também para conferir neste artigo os alimentos bons e ruins para os nossos dentes.

Fonte: Gut Microbes

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