Por que meninas têm mais cáries dentárias?

cáries dentárias em meninas

Cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Até agora já se tinha conhecimento de que mulheres apresentam maior incidência de cáries dentárias. Uma quantidade proporcionalmente maior de cáries dentárias em meninas surpreendeu os pesquisadores. É uma novidade a descoberta de que a maior incidência de cáries dentárias em meninas seja um fato, e também uma propensão cientificamente verificada.

É o que a pesquisadora Stephanie Ortiz, da Oregon Health & Science University, Oregon, EUA, evidenciou em sua pesquisa.
Fruto de um trabalho recentemente publicado, ela revelou diferenças dos micro-organismos presentes na flora bacteriana bucal de meninas e meninos.
Essas diferenças explicariam a maior incidência de cáries dentárias em meninas.

A cárie dentária

A cárie dentária representa uma das doenças crônicas mais comuns encontradas em crianças pequenas. É uma doença multifatorial que envolve complexas interações de fatores de risco microbiológicos, genéticos e socioeconômicos.

As mulheres apresentem maior incidência de cárie que os homens. Porém, até agora não estava claro se essa disparidade poderia ser estendida às crianças. A pesquisadora e coautores procuraram determinar diferenças específicas de gênero no microbioma salivar em crianças com cárie ativa. Para tanto, coletaram e testaram espécimes de saliva.

A pesquisa

Amostras de saliva foram coletadas de 85 crianças, 41 meninos e 44 meninas, entre as idades de dois a 14 anos.

O DNA microbiano foi isolado, submetido à amplificação e posterior sequenciamento. As bibliotecas e os perfis da microbiota oral foram posteriormente submetidas a análises bioestatísticas adicionais na Oregon Health & Science University, em Portland, EUA.

Resultados

Diferenças significativas na microbiota bucal foram encontradas entre meninos com cárie ativa versus meninas. Os principais gêneros microbianos associados à cárie em crianças pequenas incluem Actinobaculum, Atopobium, Aggregatibacter e Streptococcus. Actinobaculum, Veillonella parvula e o Lactococcus lactis produtor de ácido.

cáries dentárias em meninas

Microbiota bucal

A microbiota bucal é o conjunto dos micro-organismos que habitam a boca, principalmente bactérias.

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes.

É o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação.

Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro. É extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2.

Por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas.

Porém, alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Cáries dentárias em meninas

Todos os micro-organismos associados à cárie dentária foram encontrados em prevalência muito maior em meninas com cárie ativa do que em meninos. Uma clara indicação de que esses micro-organismos podem explicar o motivo pelo qual observa-se uma maior incidência de cáries dentárias em meninas.

Por que crianças de forma geral estão mais suscetíveis à caries dentárias

Toda criança apresenta risco para o desenvolvimento de cáries dentárias. O esmalte dentário da criança é muito mais fino e macio nos dentes do bebê. Isso os coloca em maior risco de deterioração. A boa notícia é que a cárie dentária é prevenível.

Os dentes de leite ajudam as crianças a comer e a falar. Eles também guiam os dentes permanentes do adulto para a posição adequada. O cuidado com a dentição das crianças deve acontecer desde o início.

Causas da cárie dentária em crianças pequenas

Bactérias na boca se alimentam de açúcares de alimentos e bebidas.
Essas bactérias produzem ácido, que danifica a superfície externa do dente (o esmalte). A saliva ajuda a reparar esse dano. Mas se ao longo do tempo houver mais dano do que o reparo, ele deixará uma cavidade ou “orifício” no dente.

Processo de cárie dentária na primeira infância

O processo de cárie dentária também é chamado de “cárie”. Nos estágios iniciais, os dentes podem desenvolver áreas brancas e calcárias. Nos estágios posteriores, os dentes têm áreas marrons ou pretas. Os quatro dentes da frente superiores são mais comumente afetados.

Outros nomes usados para se referir a essa condição incluem “cáries de mamadeira” e “cáries de alimentação infantil”.
Esses nomes são usados porque as evidências sugerem que a cárie precoce da infância pode ocorrer quando bebês e crianças são colocados para dormir com uma mamadeira de leite ou fórmula (ou outras bebidas doces).

O leite pode acumular-se na boca e o açúcar da lactose do leite serve de alimento às bactérias que causam cáries durante o período de sono do bebê. O fluxo de saliva diminui durante o sono e, portanto, não protege contra danos.

Sinais de cárie dentária na primeira infância

A cárie precoce na infância se desenvolve ao longo do tempo e pode ser de difícil identificação nos estágios iniciais.

A cárie dentária pode se mostrar como:

  •  Uma faixa branca na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Este é o primeiro sinal e geralmente não é detectado pelos pais;
  •  Uma faixa amarela, marrom ou preta na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Isso indica progressão para cárie dentária;

Importância da detecção precoce da cárie dentária em crianças pequenas

Nos primeiros estágios, a cárie precoce da infância pode ser revertida com o tratamento odontológico adequado. Infelizmente em seus estágios iniciais as cáries podem ser difíceis de  serem identificadas pelos pais.
Assim, na maioria das vezes, a cárie dentária da primeira infância não é detectada até os estágios posteriores, mais graves. Neste momento, não pode ser revertida e a criança pode ter se ser submetida a um procedimento de tratamento de canal.

Prevenção da cárie dentária em crianças pequenas

Os pais podem ajudar a prevenir a cárie dentária em crianças pequenas. Seja através de uma alimentação saudável como também de bons hábitos de limpeza desde o início.
Vale o lembrete do quanto importante é evitar bebidas doces, como sucos de frutas, bebidas quentes ou refrigerantes. Também evitar alimentos e bebidas açucarados, especialmente entre as refeições.

Bons hábitos alimentares ajudam a prevenir a cárie dentária

Para prevenir a cárie dentária:

  •  Quando o bebé terminar de mamar, retire-o da mama ou da mamadeira;
  •  Não coloque o bebê para dormir com uma mamadeira;
  •  Nunca coloque bebidas doces na mamadeira de um bebê;
  • Importante ensinar a criança a beber de água de uma xícara a partir dos seis meses de idade. Por volta dos 12 meses, eles devem aprender a beber apenas de um copo ou xícara. Isso como forma de descontinuar o uso da mamadeira.

Para crianças com mais de 12 meses, a água é a bebida principal. O leite integral integral também é uma opção de bebida saudável. As crianças podem beber leite com baixo teor de gordura a partir dos dois anos de idade. Suco de frutas não é necessário ou recomendado para crianças devido ao seu alto teor de açúcar e acidez.

As crianças podem começar a comer alimentos sólidos a partir dos seis meses de idade.
É importante oferecer uma ampla variedade de alimentos nutritivos com uma variedade de texturas e sabores.

Além disso:

  •  Jamais mergulhe chupetas em substâncias doces, como mel, geleia ou açúcar;
  •  Faça uso de medicamentos, quando necessários, sem açúcar, sempre que possível;
  •  Importante os pais fazerem revisões periódicas na boca dos seus filhos na busca de sinais precoces de cárie dentária.
  •  Higiene adequada e regular é fundamental na prevenção da cárie dentária.

Limpar ou escovar os dentes da criança ajuda na remoção de bactérias causadoras de cáries.

  •  Iniciar a limpeza dos dentes do bebê assim que o primeiro dente aflorar.
    Para tanto, usar um pano úmido ou uma escova de dentes infantil pequena com água.
  •  Dos 18 meses aos seis anos de idade, usar uma pequena quantidade de creme dental infantil com baixo teor de flúor em uma pequena escova macia;
  •  Aos seis anos de idade, as crianças podem usar uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme dental com flúor padrão;
  •  Em regiões que não recebem flúor na água potável, o odontopediatra deverá ser procurado pelos pais para a devida orientação;
  •  Consultas odontológicas podem detectar os primeiros sinais de cárie dentária, e portanto são altamente recomendáveis;
  •  Recomenda-se que as crianças façam um exame dentário no momento em que completarem dois anos. Isso deve ser feito por um odontopediatra .
  •  Importante que as crianças mais velhas continuem a fazer check-ups. É essencial que os pais se certifiquem junto ao seu odontopediatra com que frequência a criança precisa fazer um check-up odontológico.
  •  Escovar os dentes e ao longo da linha das gengivas ao menos três vezes por dia. Sempre observar a higiene bucal depois das principais refeições, ou após a ingestão de alimentos, especialmente aqueles açucarados.
  •  As crianças precisarão de um adulto para ajudá-las a escovar os dentes até que elas consigam fazer isso de forma independente (geralmente, cerca de oito anos de idade).

Hipomineralização

É uma alteração muito frequente entre as crianças. Acontece quando o dente nasce com manchas de uma cor que oscila do branco giz ao amarelo-marrom. O mais comum é que afete a um ou vários molares dos seis anos (primeiros molares definitivos).
Às vezes em combinação afetando os incisivos definitivos.
Por isso se for vista uma mancha com essas características em um incisivo, o mais provável é que algum molar também esteja afetado.

O esmalte é mais poroso. São dentes que podem fraturar com mais facilidade e são muito sensíveis às cáries. Muitas vezes a criança se queixa de dores toda vez que se expõe a mudanças de temperatura. É muito importante ficar atento a esses relatos e levar a criança ao odontopediatra para que um tratamento seja iniciado.

O estudo, tema principal desse artigo, nos traz a informação de que cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Essa predisposição, como vimos, está muito associada à composição da microbiota da cavidade bucal. No entanto, fatores como alimentação e práticas de higiene bucal podem contribuir para evitar ou mesmo agravar o risco da maior incidência de cáries dentárias em meninas. Há que se destacar que existem muitos alimentos que contém elevadas concentrações de açúcar e que muitas vezes passam despercebidos dos pais. Esse açúcar “adicionado” foi destaque em um artigo anterior aqui do blog Dentalis.

Fontes: EurekAlert , BetterHealth, guiainfantil, Instituto de Microbiologia

Deixe uma resposta