O que é e quais são as causas das retrações gengivais?

causas das recessões gengivaisMuita gente ainda se pergunta: quais são as causas das retrações gengivais?

Segundo a Academia Americana de Periodontologia, a retração gengival  se apresenta quando o tecido da gengiva sofre um recuo em relação ao dente, deixando parte raiz dentária exposta. Dentre os dentistas, isto é conhecido como migração apical da margem gengival. Com a evolução da recessão pode ocorrer também comprometimento estético, visto que o dente apresenta-se mais longo.

As causas das retrações gengivais podem estar associadas ao comprometimento de várias funções. Estruturas importantes do periodonto de proteção (gengiva) e do periodonto de sustentação. São parte do periodonto de sustentação o sistema que liga o dente ao osso alveolar (ligamento periodontal). O tecido mineralizado que recobre a superfície da raiz (cemento). E finalmente, o  tecido ósseo que dá sustentação aos dentes (osso alveolar). Em retrações gengivais essas estruturas podem sofrer dano.

periodontoDevido à exposição do cemento, a recessão gengival pode ocasionar consequências. Como, por exemplo: maior susceptibilidade à cárie radicular e hipersensibilidade dentária. Denomina-se cárie radicular aquela que atinge a raiz dos dentes, cuja superfície não possui o esmalte para proteção da dentina. A dentina é aquele tecido rico em cálcio que recobre a polpa dentária.dente - estrutura

Em 5% dos indivíduos costuma estar exposta na área da junção amelocementária (lugar que termina o esmalte).

O quadro de hipersensibilidade pode levar o paciente a negligenciar o controle do biofilme. O biofilme é uma camada composta por bactérias colonizadoras da cavidade oral. Desse modo há aumento da predisposição a doenças de origem bacteriana, como a cárie e a doença periodontal. A recessão gengival é o resultado de uma combinação de fatores.

Periodontite, posição dentária, oclusão traumática (alterações patológicas que ocorrem no periodonto de sustentação), inserção alta dos freios, bridas ou fibras musculares, deiscências ósseas, pressão labial e reduzida faixa de gengiva inserida, são tidos como potenciais causadores de retrações gengivais. Define-se como freio a dobra formada pela mucosa que se estende do lábio à parede alveolar.

Aqui são discutidos os vários fatores que atuam no desenvolvimento da retração gengival. O profissional assim pode identificar a causa precocemente. O objetivo é controlar a evolução e prevenir a migração apical da margem gengival.

Conhecendo as causas das retrações gengivais

As causas das retrações gengivais que influenciam o desenvolvimento da recessão gengival são classificados em fatores precipitantes e fatores predisponentes. Os fatores precipitantes são a placa bacteriana, o trauma mecânico relacionado com a escovação, a terapia ortodôntica e o trauma químico relacionado como, por exemplo, a exposição ao fumo.

Os fatores predisponentes incluem características anatômicas locais que favorecem a ocorrência das retrações gengivais. Como, por exemplo, a quantidade e qualidade insatisfatória de gengiva inserida, deiscência óssea, vestibularização, inserção alta do freio e oclusão traumática. São defeitos ósseos a fenestração e deiscência. A primeira diz respeito às raízes quando estão proeminentes e a cortical óssea é muito fina. A Deiscência é quando a ponte óssea entre a fenestração e a crista alveolar pode desaparecer e produzir o defeito. O vestíbulo é o espaço localizado entre os lábios e bochechas, externamente, e os dentes e a gengiva, internamente. Dentes vestibularizados são dentes projetados no espaço do vestíbulo.

A recessão gengival corresponde à perda de inserção. Resulta em uma posição mais inferior da margem gengival livre, em qualquer parte da superfície da raiz exposta. Pode estar presente em ambos os arcos, nas faces da parte de frente para os lábios (vestibular) e a parte voltada para língua nos dentes inferiores (lingual) e também em quaisquer dentes.

Alguns fatores são considerados causas importantes no surgimento da recetração gengival. São eles o biofilme bacteriano dentário e sua consequente inflamação gengival. Também a oclusão traumatogênica, o trauma proveniente da escovação ou da inserção alterada do freio labial. E finalmente as características anatômicas locais relacionadas ao posicionamento dentário, espessura da gengiva marginal, altura da faixa de mucosa ceratinizada e tecido ósseo subjacente.inflamação da gengiva

Recessão gengival – Traumas por escovação

Determinados fatores podem contribuir para o desenvolvimento da recessão gengival diante da presença de traumas durante a escovação. Como forma do arco, posicionamento do dente, deficiência alveolar, cerdas duras e movimento errado de escovação (força demasiada). Quanto mais acentuada a convexidade do contorno do arco dental maior a pressão causada na área. Consequentemente, maior o risco de recessão na presença da escovação traumática. Adicionalmente, dentes vestibularizados recebem mais pressão, assim como apresentam uma tábua óssea mais fina. A escovação dental tem tudo a ver com a escova de dentes. Neste artigo aqui do blog Dentalis você poderá conhecer as características de uma boa escova de dental.

O trauma durante a escovação dental contribui como uma das principais causas das retrações gengivais. Este aspecto tem sido abordado de forma constante em estudos epidemiológicos.

A prevalência de recessão gengival é alta. A escovação traumática é um dos principais fatores causadores da perda de inserção. O fator escovação traumática é bastante amplo. Inclui-se aí a duração da escovação, a frequência de escovação, a força exercida durante a escovação, a dureza das cerdas da escova, a técnica de escovação. E também a frequência de troca da escova.

Placa bacteriana e presença de inflamação

Os resultados da investigação sobre recessão gengival revelaram que a recessão da margem gengival estava associada a altas taxas de inflamação decorrente da presença do biofilme, com diminuição de espessura de gengiva inserida e queratinizada e com a dureza das cerdas das escovas dos indivíduos.

O processo inflamatório representa também uma das principais causas das retrações gengivais. Ele é o único responsável pela destruição das fibras colágenas com consequente migração da parte da inserção entre o dente e a gengiva (epitélio juncional).

Com a exposição radicular é frequente um maior acúmulo de biofilme. Este acúmulo leva à piora do quadro inflamatório e consequente progressão da recessão gengival. O acúmulo de biofilme pode ocorrer devido a uma hipersensibilidade promovida pela exposição dentinária e consequente dificuldade de escovação. O desnivelamento da margem gengival provocado pela retração dificulta o posicionamento da escova. O que acaba comprometendo a efetividade na remoção do biofilme.

Dentes e face mais afetados

Num estudo com 49 pacientes, idades entre 20 e 60 anos, observou-se que os dentes mais afetados pelas retrações gengivais são os incisivos inferiores. A maior ocorrência das retrações gengivais é na face voltada para língua nos dentes inferiores (face vestibular). A presença de biofilme foi o principal fator causador associado às retrações gengivais. Observou-se também um aumento da gravidade das retrações gengivais com o avanço da idade.

Posição dos dentes

O mau posicionamento dos dentes tem sido referido por vários autores como uma das causas das retrações gengivais. A posição na qual o dente vai erupcionar na arcada dentária está diretamente associada à quantidade de gengiva em torno dele. Se o trajeto de erupção resultar numa posição próxima da continuação da gengiva livre porém firmemente aderida ao tecido ósseo (linha mucogengival) haverá pouca ou nenhuma gengiva queratinizada, predispondo à recessão.

Observou-se que a maioria dos dentes com recessão estavam associados a irregularidades como rotação ou deslocamento vestibular. Já dentes posicionados vestibularmente tinham menos gengiva inserida em relação aos dentes posicionados lingualmente.

Dentes que se encontram vestibularizados ou que tenham sofrido rotação têm maior probabilidade de apresentar retrações gengivais.

Inserção do freio

Os freios podem ser considerados como fatores predisponentes. Sua presença próxima à gengiva marginal ou com inserção profunda na papila gengival permite a persistência da inflamação por dificultar a higiene da região.

Quando o freio labial apresentar inserção alta no processo alveolar poderá ocorrer uma redução na largura da faixa de mucosa ceratinizada. Essa condição poderá interferir no processo de escovação. Isso acabará favorecendo o acúmulo de biofilme e a instalação de um processo inflamatório e consequente retração gengival.

A inserção do freio próximo ou na margem gengival promovendo uma tração excessiva deve ser corrigida cirurgicamente.

Espessura da gengiva inserida

Um dos fatores mais importantes como causa das retrações gengivais é a presença de uma margem gengival fina.

Alguns autores ressaltam que a espessura da gengiva marginal é um fator significativo no desenvolvimento da recessão, ao contrário da altura da mucosa ceratinizada. O tecido gengival fino e a presença de raízes dentárias proeminentes em relação à cortical óssea alveolar podem contribuir para o agravamento da resposta periodontal ao movimento ortodôntico. Dependendo da direção do mesmo.

O principal fator predisponente à recessão gengival é a espessura da mucosa ceratinizada. A mucosa delgada está associada á uma faixa fina de tecido conjuntivo e um processo inflamatório neste, aumentando a susceptibilidade à degeneração.

Trauma oclusal

Não existe evidência que implique o traumatismo oclusal como causador direto da recessão gengival. É possível, no entanto, que o trauma associado ao processo inflamatório possa contribuir para a perda de inserção.

O trauma oclusal representa um fator que pode predispor a retrações gengivais, principalmente quando associado à má posição do dente no arco e à presença de tábua óssea e mucosa delgadas, tornando a área mais suscetível à disseminação do processo inflamatório provocado pelo acúmulo de placa bacteriana.

Terapia ortodôntica

Viazis et al. realizaram o relato de um caso clínico abordando a recessão gengival no tratamento ortodôntico. Foi concluído neste relato que o movimento ortodôntico é contra indicado se a má higienização for evidente no paciente. Uma dentição inferior proeminente e uma higienização pobre contribuem para uma recessão gengival generalizada que aparece mais tarde no tratamento.

A partir do momento que o tratamento ortodôntico envolve movimento dentário, uma área localizada de recessão pode ocorrer se esta movimentação for além da tolerância do periodonto.

A recessão gengival associada ao tratamento ortodôntico não ocorre apenas devido à ação de forças. Retrações gengivais podem ser criadas por iatrogenia na utilização de bandas ortodônticas de borracha. Estas podem migrar apicalmente para o sulco gengival, promovendo um processo inflamatório, perda óssea e subsequente recessão gengival.

Resumindo

A retração da margem gengival com subsequente exposição da superfície radicular é uma condição comumente diagnosticada. O aprimoramento do conhecimento sobre os fatores envolvidos como causadores dessa alteração periodontal é crucial. Além da identificação das causas,  se faz necessário a avaliação da extensão, gravidade e características do defeito. Isto permite fazer um planejamento dentro da previsibilidade do tratamento e recobrimento radicular. A classificação de Miller et al. tem sido amplamente utilizada para esse propósito.

A retração gengival tem causas multifatoriais. A associação de fatores anatômicos ou iatrogênicos (fatores predisponentes) e patológicos (fatores primários) culmina na condição clínica citada anteriormente. A frequência e técnica de escovação e dureza das cerdas, apresentam impacto no desenvolvimento da retração juntamente com a escovação traumática.

Não só a escovação traumática, mas também os processos inflamatórios induzidos pelo biofilme estão fortemente associados à recessão gengival.

Neste aspecto, a periodontite está claramente associada à perda óssea, migração apical do epitélio juncional e perda de inserção.

Bruxismo

O bruxismo, caracterizado pelo ranger dos dentes, se apresenta também como mais uma das causas da retração gengival.

Tratamento da retração gengival

Retrações leves ou no seu início apresentam um ótimo prognóstico.
Cabe ao dentista identificar as causas, e a partir daí definir as recomendações. Por exemplo, reavaliar a forma como o paciente costuma escova os dentes e que tipo de escova utiliza. O tempo de uso da escova dental e os hábitos e uso do fio dental. No caso do bruxismo, avaliar a necessidade de uma placa de mordida.

Para casos mais graves, é recomendável o dentista trabalhar em conjunto com um periodontista para decidir a melhor estratégia de ação.
A periodontite é uma das principais causas da retração gengival. Neste caso, seria interessante avaliar a possibilidade de uma limpeza mais profunda, como no caso da raspagem e do polimento radicular.

Para casos ainda mais graves de retração gengival, recomenda-se uma intervenção cirúrgica, realizada através de parceria com um periodontista. Neste caso será necessário um procedimento de enxerto de gengiva.

Concluindo

A causas das recessões gengivais são uma condição atribuída a uma soma de fatores, tais como: inflamatórios, anatômicos e/ou complicações diversas (iatrogênicos). O processo inflamatório decorrente da presença do biofilme bacteriano é uma constante como causa das recessões gengivais. É também o único fator que por si só pode levar a essa condição clínica abordada ao longo deste trabalho.

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Fonte: Etiologia Multifatorial das Recessões Gengivais: uma revisão de literatura

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