Cérebro em risco? A resposta está na sua escova de dentes


Um estudo revolucionário, publicado na Oxford Academic, acaba de revelar que a mesma comunidade bacteriana que habita sua língua e gengivas pode influenciar desde a capacidade de memorizar listas de compras até o risco de desenvolver demência com o avanço da idade. A pergunta que não quer calar: será que cuidar do sorriso vai além da estética e pode, literalmente, proteger nossa mente?  

A boca como espelho da saúde cerebral  

Cientistas acabam de desvendar um elo intrigante entre o microbioma oral — aquele ecossistema vibrante de bactérias que coloniza nossa cavidade bucal — e o envelhecimento cerebral. Em uma investigação com 115 voluntários acima dos 50 anos, metade apresentava funções cognitivas saudáveis, enquanto a outra metade já dava sinais discretos de declínio mental. O resultado? As bactérias Neisseria e Haemophilus apareceram em quantidade elevada justamente no grupo com memória afiada e maior habilidade para tarefas complexas. 

O segredo parece estar relacionado ao nitrito, molécula produzida quando essas bactérias metabolizam o nitrato — substância abundante em vegetais verde-escuros como espinafre, rúcula e agrião. O nitrito, por sua vez, é transformado em óxido nítrico, um vasodilatador natural que melhora a circulação sanguínea, inclusive no cérebro. Em outras palavras: aquela salada caprichada no almoço não só alimenta você, mas também “alimenta” micróbios que podem turbinar seu raciocínio.  

Os vilões escondidos no biofilme dental

Mas nem todas as bactérias são boas companheiras. O estudo identificou dois grupos preocupantes:  

  1. Porphyromonas, bactéria frequentemente associada a doenças gengivais, foi mais comum em pessoas com lapsos de memória.  

2. Prevotella, ligada a baixos níveis de nitrito e presente em portadores do gene apoe4 (relacionado ao Alzheimer), parece acelerar o declínio cognitivo. 

A questão que fica é: será que, no futuro, os dentistas poderão incluir testes bacterianos na rotina de check-up, identificando sinais precoces de risco para demência antes mesmo dos primeiros esquecimentos?  

Da escova à beterraba: a conexão bucal que defende o cérebro

As implicações são de cair o queixo. Se algumas bactérias protegem o cérebro e outras o prejudicam, redesenhar nosso microbioma oral pode ser a próxima fronteira na prevenção de doenças neurodegenerativas.
A aposta dos pesquisadores? Combinar higiene bucal impecável com uma dieta rica em nitrato — e é aí que entram sucos de beterraba, folhas verde-escuras e até mesmo probióticos específicos. 

Uma hipótese fascinante está sendo testada: o suco de beterraba, além de ser um coringa nutricional, pode estimular as bactérias “do bem” e, de quebra, melhorar a oxigenação cerebral em idosos. Se funcionar, teremos mais um motivo para valorizar aquela feira semanal repleta de vegetais.  

O futuro da odontologia está na neurologia?

Enquanto aguardamos mais respostas, uma coisa é certa: a saúde bucal nunca pareceu tão estratégica. Escovar os dentes após as refeições, usar fio dental e visitar o dentista regularmente podem ser gestos simples com impacto monumental — não só para evitar cáries, mas para proteger neurônios e sinapses. 

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Fonte: Oral microbiome and nitric oxide biomarkers in older people with mild cognitive impairment and APOE4 genotype

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