Pesquisa revela descoberta animadora contra o câncer de cabeça e câncer pescoço

câncer de cabeça e pescoço área de abrangênciaCâncer de cabeça e câncer de pescoço são os nomes que se dá ao conjunto de tumores que se manifestam na boca, na faringe e na laringe, entre outras localizações da cabeça e do pescoço. Embora diferentes tipos de tumores possam se desenvolver nessa região, o carcinoma epidermoide é o mais frequente. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em geral os tumores de cabeça e pescoço são mais frequentes em homens na faixa dos 60 anos de idade e representam o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum entre as mulheres.

“Feridas de difícil cicatrização na boca ou na garganta, dor na garganta, dificuldade para engolir, sangramento ou dor ao escovar os dentes, rouquidão e nódulos no pescoço podem ser um sinal de alerta para a doença”, afirma o oncologista do Hospital Sírio-Libanês, dr. Gilberto de Castro Junior. Se em um prazo de 30 dias esses sintomas não desaparecerem, ele aconselha que a pessoa procure um médico.

Fatores predisponentes ao câncer de cabeça e pescoço

Os tumores de cabeça e pescoço estão relacionados ao tabagismo, ao consumo de bebidas alcoólicas e a infecções pelo papilomavírus humano (HPV), vírus transmitido principalmente pelas relações sexuais que atinge a pele e as mucosas. Segundo o dr. Castro, a relação entre o HPV e o câncer de cabeça e pescoço vem se tornando cada vez mais comum, sendo observada em 10% a 30% dos casos. “Por isso, a vacinação contra o HPV é fundamental”, afirma. Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos já podem tomar a vacina gratuitamente no Sistema Único de Saúde. Para os portadores de HIV, a faixa etária é mais ampla, de 9 a 26 anos. Outros grupos etários podem dispor das vacinas em serviços privados, se indicado por seus médicos.

Diagnóstico precoce

A realização de campanhas de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, como o Julho Verde, mês em que é comemorado o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, no dia 27 de julho, tem o objetivo de disseminar informações sobre prevenção e detecção precoce desse tipo de câncer.

Quando diagnosticado logo no início, as chances de cura podem chegar a 80%. O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica — que muitas vezes pode ser realizada por um médico ou dentista, sem necessidade de equipamentos especiais —, além de biópsia e exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons (PET, do inglês positron emission tomography).

O tratamento, dependendo de localização, características e extensão do tumor, pode incluir cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, realizadas isoladamente ou em combinação. Após a identificação do câncer, é feita uma avaliação para verificar se o tumor é operável ou não, e então planejar o tratamento, que é multidisciplinar. “Além do oncologista, o paciente passa a ser acompanhado por fonoaudiólogos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros profissionais”, conclui o médico.

Descoberta inesperada em pesquisas recentes

Em pesquisas recentes, descobriu-se que a aspirina ou o ibuprofeno triplicam a chance de superação do câncer de cabeça e pescoço.
O uso regular de aspirina ou ibuprofeno pode aumentar as taxas de sobrevivência do câncer de cabeça e pescoço?
Parece que é possível.

Analgésicos/anti-inflamatórios do dia a dia

Em uma pesquisa recente, observou-se que analgésicos/anti-inflamatórios corriqueiros podem triplicar a chance de sobrevivência (de 25% para 78%) para pacientes com um tipo específico de câncer que contém um gene alterado, conhecido como PIK3CA .
Cerca de um terço dos cânceres da cabeça e pescoço carregam esta mutação e também é encontrado em outros tipos de câncer.

O câncer de cabeça e pescoço tem sido diagnosticado nos dias atuais em mais de 12.000 pessoas no Reino Unido a cada ano e em 65.000 nos Estados Unidos. Tem levado à morte pouco mais de 4.000 pessoas no Reino Unido e 14.000 na América. Existem mais de 30 áreas na cabeça e pescoço, onde o câncer pode se desenvolver, como a boca e garganta.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, analisaram as taxas de sobrevida de cinco anos de pessoas diagnosticadas com a doença e descobriram que o uso regular de anti inflamatórios não esteroidais (AINEs), como aspirina e ibuprofeno, melhorou significativamente a sobrevida de um terço ou mais dos pacientes com a doença.

A genética define

Todos os pacientes tinham o gene mutante. Os AINEs, no entanto, não tiveram efeito sobre os tumores de câncer de cabeça e pescoço sem a mutação PIK3CA. O estudo incluiu 266 pacientes do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, cujos tumores foram removidos cirurgicamente. No total, 75 tumores (28%) no estudo tiveram uma alteração no gene PIK3CA. Entre os pacientes que usaram regularmente NSAIDs, 93% usaram aspirina em algum momento, e 73% só tomaram aspirina.

Aines: impacto expressivo sobre cânceres

A Dra. Jennifer Grandis, professora de cirurgia de cabeça e pescoço e autora sênior do estudo, disse: “Nossos resultados sugerem que o uso de AINEs poderia melhorar significativamente os desfechos não apenas pacientes com câncer de cabeça e pescoço, mas também para pacientes com outros cânceres que contenham a mutação PIK3CA.

“A magnitude desta vantagem aparente é significativa e poderia ter um impacto positivo na saúde humana”.

Os pesquisadores disseram que o uso regular de NSAIDs por pelo menos seis meses proporcionou uma sobrevida “acentuadamente prolongada” em comparação com pacientes de câncer de cabeça e pescoço cujo gene PIK3CA sofreu mutação e não usou AINEs.

A razão do efeito positivo

Eles sugerem que os AINEs possivelmente bloqueiam o crescimento do câncer de cabeça e pescoço, reduzindo a produção de uma molécula inflamatória chamada prostaglandina E2.

Para algo tão simples, parece bom demais para ser verdade.

Seria muito fácil e barato tratar pacientes com este simples arsenal medicamentoso, mas ainda novas pesquisas precisam ser realizadas para que se possa realmente assegurar que essa teoria realmente apresenta validade científica.

O que são anti-inflamatórios não-esteroidais

Os anti-inflamatórios não-esteroidais atuam reduzindo a síntese de prostaglandinas pela inibição das enzimas ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2), diferindo na seleção de ação sobre estas. Exercem efeito analgésico, antitérmico e anti-inflamatório. Sua atividade analgésica é semelhante a do paracetamol, sendo este preferente, particularmente em idosos. São comumente utilizados para dor, mas devem ser reservados para osteoartrose grave, quando não for obtido alívio adequado com analgésicos não-opioides, e para doenças articulares inflamatórias, como artrite reumatoide, artrite juvenil, entre outras1. Importante ressaltar que agem como sintomáticos, não interferindo no decurso destas doenças. Seu uso deve ser evitado em condições em que o processo inflamatório atue como reparador tecidual ou na defesa do organismo, como em traumas pós-cirúrgicos e em infecções. Apresentam efeito teto (platô) pelo qual maiores doses não aumentam a eficácia, mas sim a toxicidade.

A eficácia entre os diferentes anti-inflamatórios não-esteroidais é semelhante, mas existe variedade na resposta individual a estes fármacos. Cerca de 60% das pessoas respondem a qualquer anti-inflamatório não-esteroidal. Quando não é obtida resposta,deve-se susbtituí-lo por outro de subgrupo diferente. A escolha do fármaco deve se basear no seu perfil de efeitos adversos, número necessário de administrações diárias, custo e experiência de uso. Anti-inflamatórios mais novos tendem a ser mais caros e a ocorrência de efeitos adversos raros e graves podem ser percebidos somente depois de ampla utilização. O número de administrações diárias pode interferir na adesão ao tratamento, mas isto não é relevante no uso por curto prazo.

Efeitos adversos

Todos anti-inflamatórios não-esteroidais podem provocar efeitos adversos gastrintestinais, sendo contraindicados em pessoas com úlcera péptica ativa. Os não seletivos devem ser evitados também se houver história prévia de doença ulcerosa péptica. Embora o uso de inibidores seletivos da ciclo-oxigenase 2 (COX-2) possa ser considerado nesta situação2, sua vantagem sobre os não seletivos na redução de complicações gastrintestinais parece não se manter a longo prazo3. Esta vantagem também desaparece com uso concomitante de ácido acetilsalicílico em baixas doses. Em pacientes com história de doença péptica que necessitem de uso continuado de anti-inflamatórios não-esteroidais para alívio da dor, como naqueles com artrite reumatoide,deve-se considerar a opção de utilizar um medicamento gastroprotetor, como o omeprazol, combinada a anti-inflamatório não seletivo; especialmente em pessoas com fatores de risco para doenças cardíacas, disfunção ventricular e hipertensão, em que o uso de inibidores seletivos da COX-2 exige cuidado1.

Estudos comparativos

Estudos comparando anti-inflamatórios não-esteroidais não seletivos com inibidores seletivos da COX-2 demonstraram eficácia semelhante 2, 4, 5, 6. Estes últimos, além de um custo mais elevado, apresentam aumento no risco de eventos tromboembólicos, como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, sendo contraindicados nestas situações e na vigência de doença arterial periférica.

Contraindicações

Os anti-inflamatórios não-esteroidais são contraindicados também na insuficiência cardíaca grave, uma vez que podem afetar a função renal, provocando retenção de água e sal. Devem ser usados com cautela em pacientes com insuficiência renal ou hepática1.

Em geral, os anti-inflamatórios não-esteroidais não são recomendados na gravidez. Se necessário, o ácido acetilsalicílico é provavelmente o mais seguro, pois não se associa a efeitos teratogênicos em seres humanos. Entretanto, deve ser suspenso antes do parto a fim de evitar complicações como trabalho de parto prolongado, aumento de hemorragia pós-parto e fechamento intrauterino do ducto arterioso.

Ácido acetilsalicílico é anti-inflamatório não-esteroidal não seletivo com ação analgésica, antitérmica, anti-inflamatória e antiagregante plaquetária7. É o mais antigo, menos oneroso e mais estudado. Embora efetivo como analgésico para dor aguda de intensidade moderada a grave, sonolência e irritação gástrica foram verificados como efeitos adversos significantes mesmo depois de dose única. O alívio da dor obtido com ácido acetilsalicílico é muito símile, miligrama por miligrama, ao com paracetamol8. Efeitos adversos podem incluir também broncoespasmo e reações de pele em pacientes com hipersensibilidade e aumento do tempo de sangramento. Para obter efeito anti-inflamatório semelhante ao dos outros anti-inflamatórios não-esteroidais são necessárias doses mais altas (3 g a 4 g). Porém, tais doses são associadas com menor comodidade para o paciente, pela necessidade de administração a cada 6 horas, e com maior frequência de efeitos adversos. Seu uso prolongado em doses elevadas pode causar salicilismo quando a salicilemia está entre 200 microgramas/mL e 450 microgramas/mL de plasma. Este quadro caracteriza-se por zumbido e surdez, podendo ser controlado pela redução da dose. Ácido acetilsalicílico não deve ser utilizado em menores de 16 anos, em razão da possibilidade de síndrome de Reye, caracterizada por encefalopatia e dano hepático. Deve ser particularmente evitado durante o curso de febre e infecções virais em crianças e adolescentes7 (ver monografia, página 369).

Ibuprofeno é um derivado do ácido propiônico com propriedades anti-inflamatória, analgésica e antitérmica. Causa menos efeitos adversos que outros anti-inflamatórios não-esteroidais, mas sua atividade anti-inflamatória é mais fraca. Pode ser usado em crianças como analgésico e antitérmico. Tem utilidade no tratamento de dor leve a moderada.

Fontes: Oral Cancer Foundation, Hospital Sírio-Libanês, Medicinanet

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