O HPV e o câncer de cordas vocais

câncer de cordas vocais

Um notável aumento recente no diagnóstico do câncer de cordas vocais em adultos jovens parece ser o resultado da infecção por cepas de vírus do papiloma humano (HPV). O HPV também pode causar câncer cervical e outras neoplasias malignas.

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts (MGH) detectaram a presença da infecção pelo HPV em todas as amostras testadas de câncer de cordas vocais de 10 pacientes diagnosticados com 30 anos ou menos. A maioria dos quais não fumantes.

Nos últimos 150 anos, o câncer de cordas vocais vinha sendo quase uma doença exclusivamente associada ao tabagismo. E também quase totalmente vista em pacientes com mais de 40 anos. Os últimos dados mostram que isso está mudando, e mudando pra pior. Já tinha se observado também um notável crescimento do número de casos de câncer bucal.

Câncer de cordas vocais

Hoje, os não fumantes estão se aproximando de 50% dos pacientes com câncer de cordas vocais. E tem sido comum que eles sejam diagnosticados com menos de 40 anos.
Essa transformação epidemiológica do câncer de cordas vocais é um problema de saúde pública significativo.

Os pesquisadores observam que o aumento no diagnóstico de câncer de cordas vocais parece se igualar a um aumento anterior no diagnóstico de câncer de garganta.
O câncer de garganta tem sido associado a infecções por cepas de alto risco do HPV.

Novas evidências

Os pesquisadores observaram inicialmente um aumento na incidência do câncer de cordas vocais em não fumantes. Posteriormente começaram a investigar se a infecção por HPV poderia explicar esse diagnóstico em não fumantes mais jovens.

A pesquisa

Para isso analisaram os dados de 353 pacientes tratados por câncer de cordas vocais durante um período de 14 anos no Hospital de Massachusetts.
Análises de amostras de tecido dos tumores de 10 de 11 pacientes mais jovens revelaram cepas de HPV de alto risco em todos eles.

Os autores observam que estes casos de câncer de cordas vocais ligados ao HPV associados a alto risco assemelham-se muito à papilomatose respiratória recorrente (PPR).
Essa é uma condição benigna causada por variantes comuns de baixo risco do HPV.
A PPR benigna das cordas vocais tem sido uma doença bem conhecida por HPV há mais de um século. É impressionante que agora haja uma malignidade HPV que parece tão semelhante. Isso acaba criando uma confusão diagnóstica e terapêutica, segundo os pesquisadores.
Deve-se observar que esses cânceres de cordas vocais associados ao HPV não são uma degeneração maligna da doença benigna.

São necessários mais estudos de larga escala para determinar o ritmo de crescimento do câncer de cordas vocais entre os não-fumantes. Também é necessário aprofundar o estudo da incidência de HPV de alto risco nesses cânceres. Assim como também os fatores relacionados à idade e sexo das pessoas afetadas.

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Cordas vocais e a laringe

A laringe é um órgão composto de cartilagens, músculos e membranas.
A laringe conecta a faringe à traqueia. Exerce função respiratória e de produção de som.

Localiza-se na região da garganta, entre a traqueia e a base da língua.
Pode ser dividida em três compartimentos diferentes: subglote, glote (localizada na porção final da laringe) e supraglote.
É na glote que estão as cordas vocais. As cordas vocais são pequenas pregas que vibram com a passagem do ar e fazem parte do aparelho fonador.

A mucosa da laringe forma dois pares de pregas: o primeiro par superior constitui as falsas cordas vocais ou pregas vestibulares. O segundo par inferior forma as cordas vocais verdadeiras. Quando o ar passa pela laringe, os músculos podem se contrair, modificando a abertura das cordas vocais e produzindo sons.

câncer de cordas vocais

Câncer de laringe

O câncer de laringe ocorre predominantemente em homens em geral acima de 40 anos.
É um dos cânceres mais comuns entre os que atingem a região da cabeça e pescoço.
Representa cerca de 25% dos tumores malignos que acometem essa área e 2% de todas as doenças malignas.

A ocorrência pode se dar em uma das três áreas em que se divide o órgão: supraglote, glote e subglote. Aproximadamente 2/3 dos tumores surgem na corda vocal verdadeira, localizada na glote, e 1/3 acomete a laringe supraglótica (acima das cordas vocais).
O tipo histológico mais prevalente, em mais de 90% dos pacientes, é o carcinoma de células escamosas.

Fatores de risco

– O fumo e o álcool são os principais fatores de risco. O fumo aumenta em 10 vezes a chance de desenvolver o câncer de laringe;
– Estresse e mau uso da voz também são prejudiciais;
– Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de laringe;
– Exposição a óleo de corte, amianto, poeira de madeira, de couro, de cimento, de cereais, têxtil, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos;

Como prevenir

– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter o peso corporal adequado. Falar muito alto e sem pausas causa os chamados calos vocais;
– Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e a beber têm probabilidade de cura reduzida.
Também aumenta o risco de aparecimento de um segundo tumor na área de cabeça e pescoço;
– Não fumar e evitar o tabagismo passivo;
– Evitar os fatores de risco é muito importante para prevenir o desenvolvimento da doença.

Sinais e sintomas

Os sintomas estão diretamente ligados à localização da lesão. Dor de garganta, principalmente durante a deglutição, sugere tumor supraglótico. A rouquidão indica tumor glótico ou subglótico.

O câncer supraglótico geralmente é acompanhado de outros sinais.
Sinais como alteração na qualidade da voz, disfagia leve (dificuldade de engolir) e sensação de “caroço” na garganta.
Nas lesões avançadas das cordas vocais, além da rouquidão, podem ocorrer dor na garganta, disfagia mais acentuada e dispneia (dificuldade para respirar ou falta de ar).

Deve-se ficar atento quanto à presença e persistência destes sintomas:

  • dor de garganta;
  • rouquidão;
  • alteração na qualidade da voz;
  • dificuldade de engolir;
  • sensação de “caroço” na garganta;
  • nódulo (caroço) no pescoço.

Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer. Porém, é importante que eles sejam investigados por um profissional, principalmente se não melhorarem em alguns dias.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer da laringe se dá por meio da laringoscopia. É um exame que pode ser feito no consultório médico.

Durante sua realização, é possível a coleta de fragmentos do tumor para exame histopatológico (do tecido).

A biópsia é obrigatória antes de qualquer planejamento terapêutico, pois a laringe pode abrigar tipos diversos de lesões benignas que aparentam malignidade.

Fontes: Oral Cancer Foundation, Inca, Drauzio

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