Infecções orais em crianças, adultos com aterosclerose

infecções oraisInfecções orais ocorridas no decorrer da infância podem estar relacionadas a um risco aumentado para o desenvolvimento de aterosclerose na vida adulta. Isso pode acontecer especialmente em crianças que apresentam cáries dentais e doenças periodontais.

Isso é a conclusão apresentada por um estudo finlandês recentemente publicado na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA).

A relação entre periodontite e doenças cardíacas já foi tema de um artigo anterior aqui no blog Dentalis.

O estudo

A pesquisa foi realizada com um total de 755 participantes que foram submetidos a um exame inicial odontológico. O trabalho iniciou em 1980 com crianças com idades de 6, 9 ou 12 anos. O acompanhamento cardiovascular clínico realizou-se em dois períodos distintos. O primeiro em 2001 aos 27, 30 ou 33 anos dos mesmos participantes iniciais. Depois em 2007, aos 33, 36 ou 39 anos. O período de acompanhamento se deu até o final de 2007. As análises estatísticas finais foram concluídas em 19 de fevereiro de 2019.

Esta população atual incluiu 755 participantes que foram submetidos a uma avaliação inicial (incluindo um exame odontológico) em 1980 com 6, 9 ou 12 anos de idade e um acompanhamento cardiovascular clínico na idade adulta em 2001 aos 27, 30 ou 33 anos e / ou em 2007, aos 33, 36 ou 39 anos. Na presente análise, o período de seguimento durou até o final de 2007. Essa população representou uma subpopulação aleatória desses grupos etários de toda a coorte. Como dado estatístico, coorte é um conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período. As análises estatísticas finais foram concluídas em 19 de fevereiro de 2019.

Exames orais foram realizados em 1980, quando os 755 participantes eram crianças de 6, 9 ou 12 anos.
As crianças foram examinadas na busca por infecções orais em escolas de odontologia universitárias em cinco grandes cidades finlandesas. Os hábitos de higiene bucal na forma de frequência de escovação por dia foram obtidos a partir de um questionário preenchido pelos participantes ou seus pais.

O exame bucal registrou o número de dentes (decíduos e permanentes) e mediu as infecções orais presentes (ou atuais) (tratadas) (cárie e obturações) e as doenças periodontais (sangramento gengival à sondagem e profundidade de sondagem periodontal).

A presença de cáries e obturações foram registradas a partir de 5 superfícies (mesial, bucal, distal, lingual e oclusal) de dentes permanentes e decíduos.

A sondagem periodontal foi realizada nos dentes superiores e inferiores e também de 6 dentes indexados.

Infecções orais nas crianças – resultados encontrados

Os resultados revelaram que 68% das crianças apresentavam sinais de sangramento, 87% possuíam pelo menos uma cárie dentária, 82% tinham obturações dentárias e cerca de 54% das crianças apresentavam bolsas periodontais.

Apenas 5% das crianças tinha uma cavidade bucal totalmente saudável. Já 61% tinha ao menos um dos quatro sinais das infeções orais pesquisadas.

Infecções orais e alterações cardiovasculares

Durante o período de análise os pesquisadores verificaram os fatores de risco cardiovascular. Isso foi feito através da medição da camada íntima média da parede da artéria carótida. Também realizaram exames orais de todos os pacientes, identificando sinais de infecções orais e inflamações, como cáries dentárias, obturações dentárias, sangramento e profundidade das bolsas das gengivas.

Conclusão

O estudo indica que tanto as cáries dentais como a doença periodontal na infância estão significativamente associadas ao aumento da espessura da camada íntima média da parede da artéria carótida na vida adulta. Esse é um dos fatores responsáveis pela progressão da arteriosclerose. Também é responsável pelo aumento do risco de enfarte do miocárdio.

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Entendendo a diferença entre aterosclerose e aterioesclerose

Toda artéria é composta de três camadas: externa, média e interna. A camada interna é também chamada de endotélio. Quando o endotélio inflama, ocorre a deposição de colesterol. Esse acúmulo progressivo ocasiona diminuição do fluxo sanguíneo e posteriormente entupimento do vaso. A simples diminuição do fluxo de sangue no vaso ocasiona uma diminuição do aporte de oxigênio nos tecidos, como o coração, por exemplo.

Aterosclerose

Através do acúmulo de gordura na parede da artéria coronariana surge uma isquemia. Isquemia é a diminuição do fluxo sanguíneo e consequente prejuízo na oxigenação para o músculo cardíaco. Essa gordura acumulada no vaso pode se desprender e gerar uma interrupção abrupta do fluxo de sangue na artéria. Esse processo é conhecido por infarto. Assim, é o processo da aterosclerose. Um processo que tem início com a formação da placa de ateroma no vaso.

Arterioesclerose

É o processo de envelhecimento natural da artéria. Na arterioesclerose acontece a perda progressiva da elasticidade. Assim a artéria não consegue mais se dilatar adequadamente. Isso é um processo de envelhecimento natural que ocorre com idosos. A arterioesclerose também favorece naturalmente a velocidade de progressão da aterosclerose.

Em poucas palavras

A aterosclerose é o depósito de gordura na parede da artéria desde a partir de um processo inflamatório no endotélio.
Já a a aterosclerose é o envelhecimento natural da artéria com o passar dos anos. A aterosclerose traz prejuízo à elasticidade, capacidade de contração e dilatação das artérias.

Sintomas da arterioesclerose

A pessoa normalmente não apresenta sintomas. Isso acontece até o momento em que ocorra a diminuição ou obstrução das artérias. Os sintomas poderão variar conforme o local da isquemia. No coração, o sintoma característico é a dor no peito. No caso de um AVC, confusão mental e dor de cabeça muito forte.

Principais sintomas de um infarto cardíaco

  • Dor nos ombros, costas, pescoço, braços ou mandíbula;
  • Falta de ar;
  • Sudorese;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Tontura;
  • Dores no peito, irradiação para o braço esquerdo;

Principais sintomas de um AVC

  • Dor de cabeça súbita e grave;
  • Fraqueza ou dormência na face ou membros;
  • Problemas na fala;
  • Dificuldade em compreender a fala;
  • Problemas de visão;
  • Perda de equilíbrio.

Fontes: Jama Network, Roderick, Minha vida

 

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