Adoçantes artificiais e suas consequências no organismo humano

Ao doçura sem as calorias e outros efeitos colaterais deletérios do açúcar, os adoçantes artificiais têm sido frequentemente elogiados por seus supostos benefícios para a saúde do corpo e saúde bucal.

No entanto, a suposta redução do risco de ganho de peso não saudável, a evidência para apoiar isso é conflitante. Alguns estudos relataram uma associação entre o uso de adoçantes sem açúcar e o risco reduzido de Diabetes Tipo 2, excesso de peso e obesidade, permitindo assim um melhor controle do Diabetes e da saúde geral. Outros estudos porém mostraram que adoçantes sem açúcar podem aumentar o risco de excesso de peso, Diabetes e câncer.

A demanda por essas opções é muitas vezes impulsionada por preocupações com a saúde e a qualidade de vida, já que a obesidade e as doenças bucais têm sido repetidamente ligadas a uma ingestão excessiva de açúcar.

Várias alternativas de açúcar foram aprovadas para uso comercial generalizado em inúmeros alimentos e bebidas. Embora eles sejam geralmente percebidos como uma opção mais saudável do que o açúcar, seus benefícios e desvantagens reais não são exatamente claros devido a um corpo de evidências limitado e conflitante.

Revisão sistemática

Uma recente revisão sistemática e metanálises de ensaios controlados randomizados e não randomizados e estudos observacionais objetivaram avaliar a associação entre a ingestão de adoçantes sem açúcar e importantes desfechos de saúde em indivíduos geralmente saudáveis ​​ou adultos e crianças com excesso de peso e obesidade. Os principais desfechos do estudo foram peso corporal ou índice de massa corporal, controle glicêmico, saúde bucal, comportamento alimentar, preferência por sabor doce, câncer, doença cardiovascular, doença renal, humor, comportamento, neurocognição e efeitos adversos.

Adoçantes artificiais e suas consequências no organismo humano

Uma equipe de pesquisadores europeus, liderada pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, teve como objetivo desenvolver sua compreensão desses benefícios e desvantagens, realizando uma revisão sistemática de 56 estudos que compararam um alto consumo de substitutos de açúcar com menor consumo ou abstenção completa.

Os resultados de seu estudo mostraram que, no geral, não houve diferenças estatisticamente ou clinicamente relevantes entre os participantes do estudo que tiveram uma alta ingestão de adoçantes artificiais e aqueles que se abstiveram. Além disso, vários estudos revisados ​​indicaram que houve uma associação entre uma maior ingestão de adoçantes e um pouco mais de ganho de peso, e um ganho de peso um pouco menor para aqueles com menor consumo. No entanto, a certeza dessa evidência foi baixa.

No geral, não houve evidências definitivas de que as alternativas ao açúcar possam ajudar adultos com sobrepeso ou obesos ou crianças que estejam ativamente tentando perder peso.

Refrigerantes com adoçantes: menos cáries, mais erosão dentária

Um porta voz da British Dental Association disse ao British Dental Journal : “Não recomendamos quaisquer alternativas ‘sem açúcar’ para bebidas com gás que não sejam leite e água. Continuamos preocupados com o fato de que muitos refrigerantes utilizam adoçantes ou apresentam altos níveis de acidez que prejudicam a saúde bucal ”.

“Todo Natal, os assessores de imprensa da Coca-Cola tentam ao máximo alegar que há uma ‘opção saudável’ para os dentes enquanto comercializam produtos com baixo ou nenhum açúcar mais ácidos do que o vinagre ou o suco de limão. Quando quase metade dos adolescentes está mostrando sinais de erosão dentária, os dentistas sabem que muitas dessas marcas têm tão pouco espaço como uma tradição festiva quanto seus similares carregados de açúcar ”, continuou o porta voz.

O estudo, intitulado “Associação entre a ingestão de adoçantes sem açúcar e resultados de saúde: revisão sistemática e metanálises de ensaios clínicos randomizados e não randomizados e estudos observacionais”, foi publicado online em 2 de janeiro de 2019 no British Medical Journal.

No conjunto o que se pode afirmar é que adoçantes artificiais fazem mal à saúde. Para tanto, convido vocês à leitura deste outro importante estudo:

Adoçantes artificiais e as alterações da microbiota intestinal

Recentemente a discussão sobre os efeitos dos adoçantes artificiais não calóricos (AANC) na glicemia ganhou destaque na mídia nacional. O artigo científico que despertou esse debate foi publicado no periódico “Nature” e relata os achados de um grupo de pesquisadores israelenses sobre os efeitos de alguns AANC (aspartame, sucralose e sacarina) na saúde metabólica e na microbiota intestinal.

Adoçantes artificiais têm alto consumo

Os AANC estão entre os aditivos alimentares mais utilizados no mundo, especialmente por conferirem sabor doce aos alimentos, isentando-os do conteúdo calórico associado ao açúcar. Ganharam popularidade por seu custo reduzido, valor calórico baixo e possíveis efeitos na redução do peso e no controle da glicemia. Por essas razões, são cada vez mais utilizados na fabricação de diversos alimentos, tais como refrigerantes diet, cereais e sobremesas sem açúcar e são, ainda, recomendados em planos alimentares para redução de peso e para pessoas com intolerância à glicose e diabetes melito tipo 2.
Nesse sentido, estudos sugerem que o consumo de AANC pode trazer benefícios, tais como a baixa indução da resposta glicêmica. Entretanto, outros trabalhos demonstram associação entre o consumo de AANC e o ganho de peso, bem como com aumento do risco de diabetes tipo 2. A interpretação desses resultados é complicada pelo fato de que os AANC são tipicamente consumidos por indivíduos que já sofrem de alterações metabólicas. A despeito desses dados controversos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou seis tipos de AANC para uso nos Estados Unidos.

Para determinar os efeitos de AANC sobre a homeostase da glicose sanguínea, o estudo utilizou formulações comerciais de sacarina, aspartame ou sucralose. Esses compostos foram adicionados na água de beber de camundongos adultos. O experimento foi muito bem delineado do ponto de vista metodológico. Na 11ª semana, os três grupos de animais que receberam os AANC (aspartame, sucralose e sacarina) desenvolveram intolerância à glicose marcante, sendo que a sacarina apresentou os efeitos mais pronunciados.

Microbiota alterada

Para entender como os AANC promovem alterações metabólicas, foi levantada a hipótese de que eles atuariam na modulação da microbiota intestinal, uma vez que esta é intimamente relacionada à fisiologia, ao metabolismo e à saúde do hospedeiro. Comparados aos controles, os animais que receberam sacarina apresentaram disbiose. A influência da microbiota na resposta metabólica à sacarina foi confirmada em experimentos subsequentes que trataram camundongos (mantidos com a dieta contendo AANC) com dois tipos de antibióticos – os de amplo espectro e os contra bactérias Gran positivas. Após quatro semanas de tratamento, as alterações metabólicas foram abolidas nos camundongos tratados com os dois tipos de antibióticos, sugerindo que os efeitos são dependentes da microbiota comensal. A relação causal foi confirmada com um experimento de transplante de fezes, tanto de camundongos quanto de seres humanos que consumiram sacarina, para camundongos germ free. Os camundongos receptores das fezes passaram também a apresentar alterações no metabolismo da glicose.

Alterações metabólicas

Para validação dos efeitos dos AANC em seres humanos, foram selecionados indivíduos que consumiam AANC há muito tempo, o que foi avaliado por meio de questionário de frequência alimentar validado. Os pesquisadores encontraram correlações positivas entre consumo de AANC e parâmetros clínicos de alterações metabólicas, incluindo aumento do peso e da relação cintura-quadril (deposição de gordura abdominal), glicemia de jejum elevada, aumento das concentrações de hemoglobina glicada, alterações no teste de tolerância à glicose (TTG) e concentrações séricas elevadas de alanina aminotransferase.

Finalmente, para identificar se os AANC são causadores de alterações nas concentrações plasmáticas de glicose, foram avaliados, durante uma semana, sete voluntários saudáveis (cinco homens e duas mulheres, com idades entre 28-36 anos), que normalmente não consumiam AANC ou alimentos que os continham. Durante esta semana, nos dias dois a sete, os participantes consumiram a dose máxima diária aceita pelo FDA de sacarina comercial (5 mg por kg de peso corporal) dividida em três doses diárias. A glicemia foi monitorada continuamente e o TTG foi realizado uma vez ao dia. Notavelmente, apesar do curto período de exposição, a maioria dos indivíduos (quatro dos sete) desenvolveu respostas glicêmicas significativamente alteradas após cinco a sete dias do consumo de AANC (considerados respondedores aos AANC), em comparação com a resposta glicêmica individual apresentada durante os primeiros quatro dias. Nenhum dos três indivíduos classificados como não-respondedores aos AANC apresentou melhora na tolerância à glicose.

Efeitos metabólicos adversos

Em resumo, os resultados sugerem que o consumo de AANC tanto por camundongos quanto por seres humanos, aumenta o risco de intolerância à glicose e que os efeitos metabólicos adversos são decorrentes da composição e das funções metabólicas da microbiota intestinal. Também sugerem que seres humanos apresentam resposta individualizada aos AANC, possivelmente relacionada a diferenças na composição e nas funções da microbiota.

Além disso, os resultados apontam para a necessidade de desenvolvimento de novas estratégias nutricionais individuais, abrangendo diferenças personalizadas na composição e na função da microbiota intestinal.

A mensagem que deve ser ressaltada mediante a leitura deste excelente trabalho é a de que os principais resultados foram encontrados em experimentos realizados com camundongos, os quais não podem ser diretamente extrapolados para seres humanos. As doses utilizadas para observar efeitos em seres humanos foram relativamente altas, se comparadas ao consumo habitual. Assim, o uso moderado de adoçantes (uma ou duas vezes ao dia – considerando também o consumo de produtos diet e ligth), aliado a alimentação adequada – que estimula a manutenção de uma microbiota intestinal saudável – e a atividade física, possivelmente não trará efeitos adversos. Em contrapartida, o consumo excessivo de AANC pode ser prejudicial e deve ser cuidadosamente avaliado.

Fontes: British Medical Journal, anad, Dental Tribune, Sban

Dentalis Software – a sua melhor escolha em software para odontologia

Deixe uma resposta