Periodontite e pressão alta: uma relação muito próxima

periodontite e a pressão altaPeriodontite e a pressão alta. Uma relação que até recentemente pareceria completamente estranha vem se confirmando em estudos recentemente publicados.

A periodontite tem sido associada a um risco maior para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A relação entre periodontite e a pressão alta se evidenciou mais fortemente através de um estudo apresentado por pesquisadores do Eastman Dental Institute, de Londres.

A pesquisa mostra que a periodontite aumenta o risco do desenvolvimento de pressão alta. Ao mesmo tempo o tratamento da periodontite pode reduzir os níveis de pressão arterial. É o que os resultados desse trabalho apontaram.

Assassina silenciosa

A hipertensão pode passar anos sem causar sintomas, até um órgão vital ser lesionado. Por esse motivo a pressão alta é muitas vezes chamada de “assassina silenciosa”.
A hipertensão arterial fora de controle pode ter sérias consequências, como acidente vascular cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca, ataque cardíaco e lesão renal.

Nos Estados Unidos aproximadamente 75 milhões de pessoas sofrem de pressão alta. A hipertensão arterial atinge 41% dos negros em comparação com 28% de brancos e 28% de americanos de origem mexicana. Ela também afeta com frequência pessoas com ascendência chinesa, japonesa e de outras áreas do Leste Asiático ou Pacífico. As consequências da pressão alta são piores em negros e em pessoas de ascendência asiática.

A hipertensão arterial ocorre com mais frequência em pessoas idosas: aproximadamente dois terços das pessoas com 65 anos ou mais em comparação com apenas um quarto das pessoas com idades entre 20 e 74 anos.

Periodontite e a pressão alta: uma relação íntima

A periodontite e a pressão alta afetam milhões de pessoas mundo afora. São doenças que se relacionam de forma independente. A periodontite e a pressão alta assim acabam colaborando para uma maior incidência de problemas cardiovasculares.

A periodontite e a pressão alta acabam assim tendo um grande impacto sobre a saúde pública e seus custos. Além disso, a periodontite e a pressão alta compartilham fatores de risco como diabetes, dietas pouco saudáveis e o tabagismo.

Uma pesquisa semelhante desenvolvida na China, comprovando a relação entre periodontite e pressão alta, já foi destaque em um artigo anterior aqui no blog Dentalis.

Outras causas da hipertensão arterial

  • Distúrbio dos rins;
  • Problemas hormonais;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo
  • Tabagismo;
  • Consumo exagerado de álcool;
  • Consumo excessivo de sal

Resumindo

Está comprovada a ligação entre a periodontite e a pressão alta. É portanto, uma relação causal. Assim, o diagnóstico da periodontite, sua prevenção e o tratamento das doenças gengivais podem contribuir de forma decisiva para a prevenção e tratamento da pressão alta. E assim evitar as devastadoras consequências geradas por um quadro de pressão arterial elevada.

A periodontite e o diabetes

Novas pesquisas sugerem que o tratamento da periodontite também pode ajudar pacientes com diabetes tipo 2. O tratamento da periodontite pode influir positivamente sobre os níveis de glicose sanguínea e de inflamação crônica.

A pesquisa

Mais de 250 pacientes com diabetes descompensada e periodontite ativa participaram do estudo financiado pela Diabetes UK e pelo NIHR Biomedical Research Center.

Após 12 meses, aqueles que se submeteram a terapia da periodontite obtiveram redução do nível de glicose sanguínea em média 0,6%. E isso não é pouco não. Você já vai entender o porquê.

Eles também demostraram redução da inflamação crônica. Essa ação poderia reduzir o risco de complicações graves relacionadas ao diabetes, como doenças cardíacas, derrame e doenças renais.

A periodontite está intimamente relacionada ao diabetes. A periodontite pode elevar os níveis de glicose no sangue. Pode igualmente aumentar a inflamação crônica no corpo. A periodontite e o diabetes podem no longo prazo acabar causando danos aos vasos sanguíneos e rins.

Este é o primeiro estudo randomizado de longo prazo que mostra um benefício substancial do tratamento da periodontite no controle do diabetes.

Uma redução de 0,6% pode parecer pouco. No entanto, a redução do nível de glicose no sangue em 0,6% equivale à prescrição de um medicamento adicional para diminuição do nível de glicose no sangue de um diabético.

Os pesquisadores ficaram encantando com a melhoria na saúde e qualidade de vida daqueles no grupo de teste em comparação com aqueles no grupo de controle.

Os pesquisadores vem trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do NHS. O objetivo é aumentar a conscientização sobre a ligação entre a periodontite e o diabetes entre médicos.
A ideia é conscientizá-los da necessidade de avaliações odontológicas periódicas de seus pacientes diabéticos.

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Periodontite e diabetes: uma relação bidirecional

A associação entre diabetes e periodontite tem sido estudada extensivamente. A relação entre essas duas condições parece não apenas bidirecional, mas cíclica.

O diabetes não apenas predispõe o indivíduo à doença bucal, mas também à periodontite, uma vez estabelecida, exacerba o diabetes e agrava o controle metabólico.

Mais de 30% dos pacientes com periodontite podem estar abrigando um pré-diabetes ou diabetes ainda desconhecido.

Quanto mais tempo permanecem não diagnosticados, mais fáceis desenvolvem as complicações. Além disso, o diabetes não tratado pode estar associado a complicações maiores relacionadas ao manejo da própria periodontite.

Alguns dos pacientes poderiam se beneficiar de um exame periodontal de rotina no início de seu diabetes, e isso poderia ter evitado complicações graves. A

Além disso, pode ser a oportunidade para que os endocrinologistas encaminham seus pacientes mais frequentemente aos periodontistas. Isso para fins de organização dos planos de tratamento.

A prevenção e o tratamento da periodontite podem diminuir a pressão arterial. E também reduzir os níveis de glicose no sangue. A ciência dia após dia vem evidenciando o quanto o dentista tem um papel fundamental para a garantia da saúde não só da boca, mas da vida das pessoas.

Fontes: Eastman Dental InstituteThe Lancet, Manual MSD

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