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Infecção dentária – dicas importantes na escolha do antibiótico certo

Infecção dentária – dicas importantes na escolha do antibiótico certo

infecção dentária

Uma infecção dentária ou um abscesso dentário, geralmente ocorre como resultado da cárie dentária e má higiene bucal.
No entanto, também pode se desenvolver em razão de um procedimento odontológico prévio ou lesão traumática.

Quando uma infecção dentária está em curso gera uma bolsa de pus (abscesso) na boca como resultado de um crescimento bacteriano.
Essa infecção geralmente causa inchaço, dor e sensibilidade na área.
Sem tratamento, a infecção pode se espalhar para outras áreas da mandíbula ou até mesmo do cérebro.

As cáries dentárias são muito comuns. Como este artigo observa, até 91% dos adultos entre 20 e 64 anos têm cáries. Além disso, cerca de 27% das pessoas na mesma faixa etária têm cárie dentária não tratada. O tratamento precoce da cárie dentária é importante para evitar complicações maiores, como infecções dentárias.

Qualquer pessoa que tenha uma infecção dentária deve procurar imediatamente um dentista para evitar que a infecção se espalhe.

Uma das primeiras coisas que um dentista provavelmente recomendará é um antibiótico para debelar a infecção dentária.
Alguns antibióticos funcionam melhor que outros para infecções dentárias. Também podem ser prescritos analgésicos para alívio dos principais sintomas.

Quando utilizar antibióticos para uma infecção dentária

O dentistas em geral prescrevem antibióticos apenas para o tratamento de infecções dentárias.
No entanto, nem todos os casos de infecção dentária requerem antibióticos.

Em alguns casos de infecção dentária, um dentista pode simplesmente drenar a área infectada.
Em seguida remover o dente infectado ou realizar um tratamento de canal para resolver o problema.

O ideal é evitar o uso de antibióticos, a não ser em casos em que sejam absolutamente necessários. Isso ocorre no caso de uma infecção é grave ou disseminada. Ou também um paciente tem imunossupressão.infecção dentária

Antibióticos e dosagens

Antibióticos podem ajudar a combater uma infecção dentária. Porém, é importante fazer uso do antibiótico apropriado para cada situação.

O tipo de antibiótico que um dentista prescreve irá variar conforme as bactérias causadoras da infecção.
Isso ocorre porque diferentes antibióticos funcionam de maneiras diferentes para eliminar diferentes cepas de bactérias.

Um estudo do Journal of Dentistry, avalia a possibilidade de existirem mais de 150 diferentes cepas de bactérias na boca.
Muitas dessas bactérias têm o potencial de se multiplicar e causar uma infecção dentária.

O tratamento pode variar dependendo das bactérias causadoras da infecção. Embora, na maior parte dos casos, os dentistas prefiram recomendar um antibiótico de amplo espectro.

Antibióticos também são prescritos em odontologia antes da realização de procedimentos, como a colocação de implantes dentários, por exemplo. Aqui no blog Dentalis já apresentamos uma matéria sobre o uso de antibióticos na prevenção de infecções em implantes dentários.

Antibióticos do grupo das penicilinas

São antibióticos comumente prescritos para infecções dentárias.

Dentro do grupo das penicilinas, as mais indicadas são as biossintéticas, como as fenoximetilpenicilinas, e as semissintéticas de largo espectro, como as ampicilinas e as amoxicilinas nas dosagens e posologias habituais.

Já em infecções mais graves, pode-se empregar amoxicilina associada ao clavulanato de potássio.

Algumas pessoas são alérgicas a esses medicamentos. Qualquer pessoa que tenha tido uma reação alérgica a medicamentos similares deve informar seu dentista antes da prescrição do tratamento.

Clindamicina

A clindamicina é eficaz contra uma ampla gama de bactérias infecciosas. Um estudo do International Dental Journal  aponta, alguns pesquisadores recomendam a clindamicina como a droga de escolha para o tratamento de infecções dentárias. Isso porque grande parte das bactérias têm menor propensão a resistir a essa droga do que as drogas da classe das penicilinas.

Uma dose típica de clindamicina é de 300 mg ou 600 mg a cada 8 horas, dependendo da dosagem que será eficaz.

Neste outro estudo, a Amoxicilina / ácido clavulânico (875 mg / 125 mg) administrada duas vezes ao dia mostrou-se comparável à clindamicina (150 mg) administrada quatro vezes ao dia, obtendo sucesso clínico em infecções odontogênicas agudas com ou sem abscesso. Verificou-se também que é bem tolerada com um perfil de segurança consistente com os efeitos farmacológicos conhecidos da amoxicilina / ácido clavulânico e com o descrito na informação de prescrição global.

Azitromicina

A azitromicina atua contra uma ampla variedade de bactérias detendo seu crescimento.
Pode ser eficaz no tratamento de algumas infecções dentárias. Normalmente a azitromicina é recomendada apenas a pacientes alérgicos aos medicamentos da classe da penicilina. Ou também que não respondam a elas ou a outras drogas, como a clindamicina.

A dose usual de azitromicina é de 500 mg a cada 24 horas por 3 dias consecutivos.

Metronidazol

O metronidazol é um antibiótico prescrito por médicos e dentistas para tratar várias infecções. No entanto, pode não ser adequado para todos e normalmente não é a primeira opção de tratamento.

A dosagem do metronidazol é de cerca de 500 a 750 mg a cada 8 horas.

Tempo de tratamento

O tempo do tratamento irá variar conforme alguns parâmetros que precisam ser avaliados. Como a gravidade da infecção dentária e a eficácia do antibiótico na eliminação das bactérias infecciosas.

É fundamental que o paciente siga o tratamento prescrito pelo dentista durante todo o período recomendado pelo profissional.
Mesmo que o paciente perceba a diminuição dos sintomas após algumas doses, deve seguir rigorosamente o tratamento até o seu término. O abandono do tratamento é dos fatores responsáveis pela resistência bacteriana a muitos antibióticos.

Conforme este outro estudo, o tratamento antibiótico deve ter o ciclo mais curto de dias capaz de prevenir a recaída clínica e microbiológica. A maioria das infecções agudas é resolvida dentro de 3 a 7 dias. Quando antibióticos orais são usados, doses altas devem ser consideradas para ajudar a atingir os níveis terapêuticos mais rapidamente.

Durante a gestação

As penicilinas são os antibióticos mais indicados durante a gestação na prevenção e no tratamento de infecções maternas e intrauterinas. As penicilinas agem na parede celular, estrutura que somente as bactérias possuem, sendo, portanto, atóxicas aos organismos materno e fetal. Podem ser administradas com segurança em qualquer período da gestação.

A eritromicina, pertencente ao grupo dos macrolídeos, substitutos naturais das penicilinas de pequeno espectro em pacientes alérgicos a estas, apresenta-se sob a forma de estolato e estearato. A literatura indica que pode ser administrada com segurança, em qualquer período da gravidez, sob forma de estearato, por não ter efeito hepatotóxico.

O uso de metronidazol está contraindicado no primeiro trimestre da gestação. As tetraciclinas estão totalmente contraindicadas na gravidez. Elas atravessam com facilidade a placenta e se depositam nos ossos e dentes durante os períodos de calcificação ativa. Podem provocar efeitos indesejáveis sobre a formação óssea e dentária do feto. E assim vir a causar malformações no esmalte dentário. Também alteram a coloração dos dentes podendo causar retardo do crescimento ósseo.

Anti-inflamatórios e analgésicos

Em relação aos anti-inflamatórios não esteroidais (Aines) a aspirina, não é recomendada. Isso porque ela bloqueia a síntese de prostaglandinas. Isso pode constringir o ducto arterioso intrauterino, podendo causar hipertensão pulmonar sustentada no recém-nascido. Pode também prolongar a gestação e o trabalho de parto.
Se usados devem ser administrados nas menores doses eficazes. Deve ter seu uso suspenso oito semanas antes do dia previsto para o parto.

Em termos de analgesia, o paracetamol é um dos mais frequentemente empregados. Não apresenta ação anti-inflamatória nas doses usuais. É um fraco inibidor das prostaglandinas pró-inflamatórias.

O paracetamol é o analgésico de escolha para uso durante toda a gestação. Isso também vale para mulheres que estão amamentando. Em doses terapêuticas é considerada a melhor escolha para o tratamento da dor orofacial durante a gestação.

Já os corticosteroides preferenciais durante esse período são a prednisona e a prednisolona. Isso porque atravessam com mais dificuldade a barreira placentária.

No caso dos procedimentos endodônticos e cirúrgicos mais invasivos que não puderem ser adiados, podem-se empregar os corticoides betametasona ou dexametasona. O uso prolongado de betametasona pode determinar baixo peso ao nascer e redução da circunferência craniana.

Efeitos colaterais

Embora os antibióticos sejam importantes no tratamento de uma infecção dentária ou de forma profilática para um procedimento odontológico, tem que se levar em conta os seus efeitos colaterais.

Os efeitos colaterais podem variar com cada tipo de antibiótico. O que é comum a todos os antibióticos é a sua capacidade de eliminação de boa parte da microbiota intestinal.
A microbiota intestinal (flora intestinal) é o grupo de bactérias que vivem no intestino auxiliando em vários processos. Essas bactérias do bem auxiliam na digestão de alimentos e monitoram o desenvolvimento de micro-organismos causadores de doenças.

Outras formas de combate da infecção dentária

Os antibióticos podem ajudar na eliminação das bactérias ativas no processo. Além disso, o dentista poderá se valer de outros procedimentos que podem auxiliar a abreviar o quadro infeccioso. Procedimentos como:

  • Drenagem do abscesso
  • Preenchimento de cavidade
  • Tratamento de canal
  • Extração dental

Como se pode ver, a antibioticoterapia de uma infecção dentária é apenas uma parte da solução.
Na realidade, a maioria das infecções dentárias requer também a realização de procedimentos no próprio dente para limpeza das áreas afetadas.infecção dentária

Práticas caseiras para alívio dos sintomas

Além de seguir à risca as recomendações de seu dentista, o paciente também pode adotar algumas práticas que podem ajudar a aliviar os sintomas, como:

  • Enxaguar suavemente a boca com água morna salgada;
  • Enxaguar suavemente a boca com bicarbonato de sódio em água;
  • Evitar alimentos muito quentes ou muito frios geradores de sensibilidade;
  • Mastigar com o lado oposto da boca para reduzir lesões adicionais na área;
  • Utilizar uma escova de dentes muito macia ao redor da área sensível;
  • Evitar alimentos muito duros ou difíceis de mastigar. Eles podem agredir área sensíveis ou ficar aderidos aos dentes;

A adoção de boas práticas de higiene bucal, como a escovação e o uso do fio dental todos os dias e a consulta ao dentista regularmente, podem ajudar a prevenir infecções dentárias e suas complicações.

Fontes: Medical News Today, Cochrane, Biblioteca Virtual em Saúde
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Antibióticos na prevenção de infecções em implantes dentários

implantes dentaisUso de antibióticos na prevenção de infecções em implantes dentários são uma prática relativamente comum na Odontologia.

Afinal, a ausência de infecções pode fazer a diferença entre o sucesso e insucesso na colocação de implantes dentários.

Uma pesquisa recente buscou analisar a importância dos antibióticos como profiláticos dessas infecções.
Os resultados demonstraram que o uso de antibióticos pode não ser a melhor escolha em determinadas circunstâncias.

A Organização Mundial da Saúde estima que a cada ano 700 mil mortes sejam decorrentes de infecções causadas por bactérias multirresistentes. Esse número pode alcançar incríveis 50 milhões nos próximos 30 anos. A comunidade científica mundial trabalha na busca de meios que possam evitar uma tragédia dessa proporção. Encontrar alternativas para vencer a resistência bacteriana aos antibióticos é o objetivo a ser alcançado.

Antibióticos são utilizados em odontologia para aumentar as chances de sucesso dos implantes dentários. O objetivo é prevenir eventuais infecções.
O presente trabalho busca mostrar que muitas vezes o uso de antibióticos pode não ser necessário na colocação de implantes dentários.

Os pesquisadores trabalharam em uma meta-análise onde revisaram 1022 estudos científicos e dez ensaios clínicos.
Foram estudados comparativamente o uso de antibióticos, a sua não utilização e o uso de placebo na colocação de implantes dentários.

Esta revisão sistemática trouxe uma descoberta importante. Pacientes saudáveis não precisam receber antibióticos para prevenir riscos de infecções pós-operatórias na colocação de implantes dentários.

Um outro estudo coordenado pela Ankylos Implant Clinical Research Group trouxe um dado interessante. Foram avaliados 1.500 implantes dentários realizados. O alvo desse estudo foi a taxa de sucesso ou insucesso pelo período de três a cinco anos após as cirurgias. Seja antes ou após as cirurgias, o uso de antibióticos não aumentou a taxa de sucesso dos implantes. Aqui no blog Dentalis já trouxemos um artigo anterior que abordou o uso de antibióticos em procedimentos odontológicos.

implantes dentários

O protocolo Misch em implantes dentários

O protocolo Misch International Implant Institute Prophylactic Protocol é constituído de cinco categorias. Ele determina em que momento e de que forma se deve empregar a profilaxia antimicrobiana cirúrgica em implantodontia. Estabelece qual o antibiótico mais apropriado para prevenir infecções. Também a dosagem e tempo de duração do tratamento. São considerados igualmente o grau de invasividade e dificuldade do procedimento.

O protocolo não prevê o uso de antibióticos sistêmicos. Recomenda o uso da clorexidina (bochechos) e uma dose única de amoxicilina para cirurgia de implantes e alguns tipos de enxertos. Em procedimentos mais extensos, adota o uso de antibióticos por um tempo maior.

De acordo com seus desenvolvedores, esse protocolo garante sucesso nos procedimentos. E apresenta poucas complicações. No entanto, faltam ainda dados adicionais que garantam a eficácia deste protocolo.

Algumas das recomendações são questionáveis. Como por exemplo a da recomendação da associação de amoxicilina com clavulanato. Os autores recomendam essa associação para qualquer intervenção relacionada aos seios maxilares. O argumento é de que bactérias produtoras de beta-lactamase geralmente estão ligadas a quadros de sinusite.

Associação desnecessária

Cirurgias de levantamento de seio maxilar não apresentam diferentes respostas quando utilizada amoxicilina ou sua associação com clavulanato de forma preventiva. A associação da amoxicilina com clavulanato potencializa em nove vezes os riscos de toxicidade hepática quando comparado ao uso exclusivo da amoxicilina.

Logo a seguir, segue o exemplo de um outro protocolo descrito no livro” Terapêutica Medicamentosa em Odontologia” de Andrade ED.

Para procedimentos de descolamento tecidual mínimo

  • Exodontias de terceiros molares inclusos;
  • Cirurgias periodontais (em sua maioria);
  • Inserção de implantes unitários;
  • Cirurgias de segundo estágio (reabertura);
  • Inserção de implantes dentários imediatamente após a exodontia, sem perda de parede alveolar

Regime profilático

  • Sem uso de antibiótico por via sistêmica;
  • Fazer bochecho com 15 ml de solução aquosa de clorexidina 0,12% (após a cirurgia e a cada 12 h no pós-operatório, até a remoção da sutura;
  • Higienização bucal adequada;
  • Cuidados operatórios outros de rotina.

Para procedimentos de descolamento tecidual moderado a extenso

  • Inserção de implantes unitários após a exodontia, com perda da parede alveolar, na ausência de infecção local;
  • Inserção de múltiplos implantes, em desdentados parciais ou totais.

Regime profilático

Amoxicilina 1 g

  • Uma hora antes do procedimento;
  • Não é necessário prescrever doses de manutenção para o período pós-operatório;
  • Alérgicos às penicilinas: clindamicina 600 mg.

Para procedimentos de descolamento tecidual moderado a extenso diferenciados

  • Cirurgias periodontais. Complementadas por biomateriais de preenchimento ou regeneradores;
  • Inserção de implantes, complementada por biomateriais de preenchimento ou regeneradores, com envolvimento ou não dos seios maxilares.

Regime profilático

Amoxicilina 1 g

  • Uma hora antes do início do procedimento;
  • Manter 500 mg a cada oito horas, por três dias.

Alérgicos à penicilinas: clindamicina 600 mg

  • Uma hora antes do início do procedimento;
  • Manter 300 mg a cada oito horas, por três dias.

A amoxicilina

A amoxicilina é um antibiótico de amplo espectro indicado para o tratamento de infecções bacterianas causadas por cepas de bactérias sensíveis a sua ação. Fazem parte de seu espetro de ação tanto bactérias gram-positivas como gram-negativas.
A amoxicilina é suscetível à degradação por betalactamases. Assim seu espectro de atividade não abrange microrganismos que produzem essas enzimas, ou seja, não inclui Staphylococcus resistente nem todas as cepas deb Pseudomonas, Klebsiella e Enterobacter.

Observações

Bochechos com a solução aquosa de clorexidina 0,12% são indicados em todos os tipos de regime. Assim como a higienização bucal adequada e outros cuidados pós-operatórios de rotina.
A recomendação pelo uso da amoxicilina ou da clindamicina (dose única pré-operatória e doses de manutenção por três dias) ainda é empírico.

O próprio autor do livro traz um alerta importante sobre o protocolo por ele proposto. Ele diz que futuros ensaios clínicos bem controlados são necessários para comprovar (ou não) a necessidade da profilaxia cirúrgica por este período de tempo. Ou se até mesmo pode ser dispensável o uso dos antibióticos para esta finalidade.

Concluindo

Os dentistas também são chamados a dar sua contribuição para minimizar o grave problema da resistência bacteriana global. O uso de antibióticos deve ser feito em casos de real necessidade. E pelo menor tempo possível. Prescrever antibióticos, seja para profilaxia ou terapêutica, não deve jamais ser baseado apenas no medo ou insegurança.

“Aos profissionais de saúde prescritores, foi entregue um presente maravilhoso, que são os antibióticos. Mas, seu uso indiscriminado os estão destruindo. Nós não precisamos de mais comissões para discutir o assunto. Nós sabemos o que fazer: devemos usá-los menos”. Dr. Norman Simmons

Professor emérito de Biofísica, Medicina Nuclear e Medicina Oral da Universidade da Califórnia (Ucla). Foi o que disse durante a Conferência Europeia sobre Resistência Bacteriana (Copenhague, 1988). Foi aplaudido de pé pela plateia, durante vários minutos.

Fontes: SpringerLink, inpn

 

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Fármaco que pode eliminar bactérias resistentes aos antibióticos

Um grupo de investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, desenvolveu um novo fármaco que tem a capacidade de eliminar bactérias resistentes aos antibióticos.

A notícia é dada pelo The Guardian, que informa que os cientistas fundiram um antibiótico já existente com uma molécula que tem a capacidade de atrair anticorpos liberados pelo sistema imunológico para, assim, combater ‘invasores’, como as bactérias.

De acordo com os cientistas, este ‘imunobiótico’ consegue atingir várias bactérias responsáveis por doenças como pneumonia com intoxicações alimentares e também bactérias resistentes aos chamados antibióticos ‘de último recurso’.

O The Guardian explica ainda que esta pesquisa usou um composto baseado num antibiótico de ‘último recurso’ já existente, chamado de Polimixina, e que destrói a camada exterior da superfície das células das bactérias, fazendo com que estas se rompam e morram.

Bactérias do mal – crescimento alarmante

As bactérias resistentes a antibióticos de ‘último recurso’ vem aumentando num ritmo alarmante, uma tendência que levou a Comissão Europeia a lançar em 2017 o ‘European One Health Action Plan’, um plano de ação de combate contra a resistência aos antibióticos que fixa, como um dos objetivos, a criação de um conjunto de medidas que façam da União Europeia a região com as melhores práticas de combate à resistência aos antibióticos.

A Comissão Europeia quer todos os Estados-membros compartilhem a sua experiência e os recursos necessários e pretende reforçar os sistemas de vigilância, especialmente através do levantamento de dados.

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Uso de antibióticos durante a gestação pode aumentar risco de aborto espontâneo

Embora os antibióticos sejam amplamente utilizados durante a gravidez, as evidências relativas à sua segurança fetal permanecem limitadas. O objetivo deste estudo, publicado pelo Canadian Medical Association Journal, foi quantificar a associação entre a exposição a antibióticos durante a gravidez e o risco de aborto espontâneo.

Metodologia

Pesquisadores da Université de Montréal realizaram um estudo caso-controle aninhado dentro da Quebec Pregnancy Cohort (1998–2009). Foram excluídos os abortos planejados e as gestações expostas a drogas fetotóxicas. O aborto espontâneo foi definido como um diagnóstico ou um procedimento relacionado ao aborto espontâneo antes da 20ª semana de gestação. A data-índice foi definida como a data-calendário do aborto espontâneo. Dez controles por caso foram selecionados aleatoriamente e combinados por idade gestacional e ano de gravidez. O uso de antibióticos foi definido pelas prescrições preenchidas entre o primeiro dia de gestação e a data-índice e foi comparado com (a) não exposição e (b) exposição a penicilinas ou cefalosporinas. Estudou-se o tipo de antibiótico separadamente usando os mesmos grupos de comparação.

Conclusão

Após os ajustes necessários para potenciais fatores de confusão, o uso de azitromicina, claritromicina, metronidazol, sulfonamidas, tetraciclinas e quinolonas foi associado a um risco aumentado de aborto espontâneo. Resultados semelhantes foram encontrados quando penicilinas ou cefalosporinas foram usadas como grupo comparador.​

Este é um conhecimento de grande relevância para o dentista no âmbito da odontologia, onde a prescrição de antibióticos faz parte do dia a dia das consultas e atendimentos.

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Uso de antibióticos em procedimentos odontológicos ligados à infecção por superbactéria

Uma nova pesquisa concluiu que a prescrição desnecessária de antibióticos por dentistas pode desempenhar um papel importante nos casos de Clostridium difficile, uma infecção grave e potencialmente fatal que causa diarreia grave. Os pesquisadores que realizaram o estudo apresentaram suas conclusões no IDWeek 2017, realizado de 4 a 8 de outubro, em San Diego, salientando a importância do uso de antimicrobianos apenas quando necessário.

O Estudo

Os pesquisadores, do Departamento de Saúde de Minnesota (MDH), focaram em cinco municípios dentro do estado. Em entrevistas com 1.626 pessoas com a associação comunitária C. difficile entre 2009 e 2015, 57% relataram ter sido prescrito antibióticos, 15% dos quais receberam para procedimentos odontológicos. O estudo achou que os pacientes para os quais que foram prescritos antibióticos para procedimentos odontológicos tenderam a ser mais velho e mais propensos a receber clindamicina, um antibiótico que é associado com infecção por C. difficile. Daqueles que haviam recebido antibióticos para procedimentos odontológicos, 34 por cento não tinham nenhuma menção de antibióticos em seus prontuários.

“Os dentistas têm sido negligentes como uma fonte de prescrição de antibióticos, o que potencialmente pode atrasar o tratamento quando os médicos estão tentando determinar o que está causando a doença do paciente,” disse a Dra. Stacy Holzbauer, principal autora do estudo e profissional de campo de epidemiologia funcionária dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e MDH. “É importante educar os dentistas sobre as potenciais complicações da prescrição de antibióticos, incluindo C. difficile. Dentistas prescreveram mais de 24,5 milhões de prescrições de antibióticos por ano. É essencial que eles sejam incluídos nos esforços para melhorar a prescrição de antibióticos”, acrescentou.

Recomendação

Alguns dentistas prescrevem antibióticos antes do tratamento para evitar a infecção do coração em pacientes com condições cardiovasculares ou para evitar uma infecção outra; no entanto, a American Dental Association (ADA) recomenda não mais se fazer a prescrição de antibióticos de forma preventiva na maioria dos casos, como se fazia até recentemente. Recomendações atuais notam que o risco de se tomar antibióticos – tais como o desenvolvimento de C. difficile – é maior do que o risco de uma infecção nesses casos. Além disso, o uso inadequado de antibióticos ajuda a alimentar no desenvolvimento de bactérias resistentes aos medicamentos, que são muito difíceis de tratar.

“A pesquisa mostrou que a redução de prescrição de antibióticos ambulatorial em 10 por cento poderia reduzir as taxas de C. diff fora de hospitais em 17 por cento”, disse Holzbauer. “Limitar o uso inadequado de antibióticos em odontologia também pode ter um impacto profundo”, disse ela.

A C. difficile pode ocorrer depois de apenas uma dose de antibióticos e é uma das três ameaças mais urgentes e mais resistentes aos antibióticos identificadas. Causa quase meio milhão de infecções e leva a 15.000 mortes em um único ano, nos EUA, de acordo com estimativas do CDC.

Em um estudo anterior, conduzido pelo MDH, verificou-se que 36% dos dentistas prescrevem antibióticos em situações em que este não é geralmente recomendado pela ADA. Além disso, relataram que os dentistas tinham desafios na tomada de decisões de prescrição de antibióticos apropriados, incluindo confusão sobre ou percebido conflitos entre diretrizes de prescrição.

A IDWeek é uma reunião conjunta da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, Sociedade para a Assistência Médica de Epidemiologia da América, Associação Médica de HIV e Sociedade Pediátrica de Doenças Infecciosas.

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Uso de antibióticos durante a gestação pode aumentar risco de aborto espontâneo

antibióticos em comprimidosEmbora os antibióticos sejam amplamente utilizados durante a gravidez, as evidências relativas à sua segurança fetal permanecem limitadas. O objetivo deste estudo, publicado pelo Canadian Medical Association Journal, foi quantificar a associação entre a exposição a antibióticos durante a gravidez e o risco de aborto espontâneo.

Pesquisadores da Université de Montréal realizaram um estudo caso-controle aninhado dentro da Quebec Pregnancy Cohort (1998–2009). Foram excluídos os abortos planejados e as gestações expostas a drogas fetotóxicas. O aborto espontâneo foi definido como um diagnóstico ou um procedimento relacionado ao aborto espontâneo antes da 20ª semana de gestação. A data-índice foi definida como a data-calendário do aborto espontâneo. Dez controles por caso foram selecionados aleatoriamente e combinados por idade gestacional e ano de gravidez. O uso de antibióticos foi definido pelas prescrições preenchidas entre o primeiro dia de gestação e a data-índice e foi comparado com (a) não exposição e (b) exposição a penicilinas ou cefalosporinas. Estudou-se o tipo de antibiótico separadamente usando os mesmos grupos de comparação.

Os principais envolvidos

Após os ajustes necessários para potenciais fatores de confusão, o uso de azitromicina, claritromicina, metronidazol, sulfonamidas, tetraciclinas e quinolonas foi associado a um risco aumentado de aborto espontâneo. Resultados semelhantes foram encontrados quando penicilinas ou cefalosporinas foram usadas como grupo comparador.

Essas conclusões podem ser úteis aos gestores de políticas públicas para atualizar as diretrizes para o tratamento de infecções durante a gravidez.

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Estudo: uso de antibióticos em Periodontite poderia ser reduzido

antibióticos em capsulasA crescente resistência aos agentes antimicrobianos representa um grave problema para os médicos e hospitais. Entre outras coisas, pode ser atribuída ao aumento da utilização de antibióticos para o tratamento de diversas doenças – às vezes sem considerar alternativas de tratamento. Em odontologia, antibióticos são frequentemente usados para combater a periodontite. Embora muitos estudos comprovassem a eficácia dos antibióticos no tratamento da periodontite grave, nova pesquisa conduzida por cientistas alemães sugere que em casos de doença periodontal moderada, dentistas poderiam dispensar os antibióticos mais vezes.

No estudo, pesquisadores de oito hospitais universitários alemães investigaram o progresso da doença periodontal e a consequente perda óssea em 406 pacientes com periodontite moderada a grave ao longo de 27,5 meses. Os participantes do estudo foram tratados com desbridamento mecânico e metade deles receberam antibioticoterapia de acompanhamento e a outra metade um placebo. Os pacientes foram reavaliados e receberam terapia de manutenção a cada três meses.

Os pesquisadores objetivavam analisar os efeitos dos antibióticos sobre a progressão da doença e a perda de mais de dentes. Eles descobriram que tanto o tratamento com e sem uso de antibióticos foi eficaz em prevenir a progressão da doença – apesar de pacientes que tomaram antibióticos mostraram resultados um pouco melhores do que aqueles que receberam placebo. A doença periodontal progrediu em 5,2 por cento dos pacientes do grupo de antibiótico e em 7,6 por cento dos pacientes do grupo de placebo. A percentagem de sites que mostravam mais perda de anexos ascendeu a 5,3 por cento no grupo de antibiótico e 7,8 por cento no grupo de placebo.

Em uma sub-análise mais recente do estudo, os pesquisadores adicionalmente investigaram o efeito de antibióticos no envolvimento de furca. Os defeitos de furca são uma forma de perda óssea frequentemente encontrada em pacientes com periodontite. Na periodontite-afetada com dentes multi-enraizados, tecidos periodontais são destruídos não só na vertical, mas também horizontalmente entre as raízes, levando ao envolvimento de furca. Consistente com os resultados dos estudos anteriores, a sub-análise verificou que, embora certos parâmetros no local de furca (sangramento na apalpação, redução da profundidade de bolsa periodontal e ganho anexo) mostraram ligeiramente maiores melhorias no grupo de antibióticos do que no grupo placebo, não houve diferenças na mudança de classificação dos defeitos de furca nos dois grupos.

Conclusão do estudo

Portanto, embora o resultado global fosse ligeiramente melhor em pacientes que receberam antibióticos, pareceu não haver clinicamente benefício relevante a longo prazo do tratamento com antibiótico em pacientes com periodontite, concluíram os investigadores. “Em participantes do nosso estudo, a antibioticoterapia adicional só tinha benefícios limitados no que diz respeito à progressão da doença”, o autor do estudo Prof. Benjamin Ehmke, chefe do departamento de periodontologia e odontologia conservadora no Münster University Hospital, disse Dental Tribune Online. No entanto, determinados parâmetros de doença periodontal, especialmente a profundidade de bolsa periodontal, mostraram maior melhoria no grupo de antibióticos, comentou. “Dependendo de como um dentista avalia estes parâmetros, ele ou ela pode chegar à decisão de usar significativamente menos antibióticos”.

Segundo Ehmke, isto é aplicável especialmente aos pacientes que têm uma forma moderada da periodontite. “Higiene oral e medidas preventivas podem influenciar consideravelmente na gravidade da inflamação,” disse Ehmke. “Para pacientes de meia idade com progressão ‘normal’ da doença, o tratamento sem uso de antibióticos é suficiente na maioria dos casos.” Ele e sua equipe de pesquisa recomendam a terapia periodontal individual com relação à idade e ao risco global de periodontite. “Pacientes afetados por formas graves e agressivas de periodontite são uma exceção. Para eles, antibióticos continuam a ser o tratamento de escolha”, disse Ehmke.

A sub-análise, intitulada “O envolvimento de furca é afetados pela sistêmica adjuvante amoxicilina metronidazol plus? Ensaios clínicos de uma subanálise exploratória”, foi publicado em outubro de 2016 no Journal of Clinical Periodontology. O estudo original, intitulado “A progressão da periodontite é decisivamente influenciada por antibióticos sistêmicos? Um estudo clínico randomizado”, foi publicado em setembro de 2015 na edição do mesmo jornal.

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Uso de antibióticos predispõe crianças a maior incidência de alergia alimentar

crainça recusando antibióticosJá se sabe que o uso desnecessário de antibióticos estimula a resistência bacteriana, processo em que esses micro-organismos tornam-se mais fortes e resistentes à ação desses fármacos.

E agora, pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, descobriram que a prática também pode ser responsável por alergias alimentares. De acordo com dados de 1.504 crianças, aquelas que tomaram antibiótico nos 12 primeiros meses de vida eram 21% mais propensas a desenvolver algum tipo de alergia.
A maior frequência de um determinado fármaco aumentava pra valer esse risco.
Usar uma mesma droga por três vezes elevava em 31% a probabilidade de desenvolver uma reação exacerbada a algum ingrediente da dieta.
Se o indivíduo utilizava o composto em quatro oportunidades, a taxa pulava para 43%.

Antibióticos mais empregados durante o estudo

Os antibióticos mais empregados durante o estudo foram aqueles do grupo das penicilinas, e também a cefalosporina e sulfonamida, que foram os campeões na promoção de alergias.

Por isso, os especialistas pedem maior cautela antes da prescrição de antimicrobianos a crianças. É sempre bom salientar que o uso excessivo de antibióticos pode trazer prejuízos ao sistema imunológico e às bactérias que compõe a flora intestinal, o conjunto de micro-organismos que mora no estômago e nos intestinos e que como sabemos desempenha um papel primordial no equilíbrio do corpo.

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Aumento da resistência bacteriana a antibióticos pode estar relacionada ao consumo de certos alimentos

antibioticos em formato de frangoO órgão intergovernamental administrado de forma conjunta pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) busca, desde 2000, como conter a resistência aos antibióticos a partir de análise dos riscos de transmissão pelos alimentos.

O Codex promove, além disso, ações globais como o fortalecimento do marco regulador, o uso veterinário dos antimicrobianos de forma prudente e responsável, e a eliminação ou a progressiva redução de sua utilização como promotores do crescimento da produção animal.

A especialista destaca que a pesquisa também pretende encontrar alternativas aos antibióticos, como vacinas e outras maneiras de reduzir o risco de doenças nos animais.

Enquanto as discussões seguem nos fóruns internacionais, a revista científica “The Lancet” publicou, em novembro do ano passado, um artigo sobre o descobrimento na China de uma nova forma de resistência em pessoas e animais, vinculada à colistina. O problema teria ocorrido pelo uso desse antibiótico na agricultura.

Em relação aos últimos estudos, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) lembrou que detectou em aves um aumento da resistência a antimicrobianos empregados para tratar doenças como a salmonela, que também afeta os humanos.

O especialista da EFSA Ernesto Liebana destacou que existem “evidências circunstâncias” que deixam claro que, quanto mais antimicrobianos, mais cresce a “pressão seletiva aplicada sobre a população de bactérias, gerando uma proporção maior de resistência”.

“Nos países nos quais houve um esforço em reduzir o uso de antimicrobianos, encontramos os menores níveis de resistência de modo geral”, destacou Liebana.

De qualquer forma, os pesquisadores seguem estudando o fenômeno, considerado como muito complexo quando surgem, por exemplo, bactérias multirresistentes ou capazes de transmitir seus genes resistentes para outras, com grande capacidade de expansão.

Contaminação dos alimentos

A contaminação pode ocorrer de diferentes formas, como, por exemplo, por meio das importações de animais. Apesar de a UE proibir o uso de antibióticos para favorecer o crescimento dos animais, alguns dos países-membros do bloco usam a substâncias para tratar doenças, o que dificulta as análises de risco.

Os especialistas pedem medidas globais para minimizar os efeitos negativos. Eles exigem que as decisões políticas sejam baseadas nas evidências científicas, mas nem todos os países parecem estar interessados em participar desse debate.

Para Barbara Murray, ex-presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA, na sigla em inglês), os EUA precisam se esforçar mais para reduzir o uso desnecessário dos antibióticos em animais. Ela reconhece, porém, que as opiniões entre os profissionais de saúde são diversas e que é preciso mais pesquisa para esclarecer as divergências.

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Aumento da resistência bacteriana a antibióticos pode estar relacionada ao consumo de certos alimentos

antibioticos em formato de frango

O órgão intergovernamental administrado de forma conjunta pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) busca, desde 2000, como conter a resistência aos antibióticos a partir de análise dos riscos de transmissão pelos alimentos.

O Codex promove, além disso, ações globais como o fortalecimento do marco regulador, o uso veterinário dos antimicrobianos de forma prudente e responsável, e a eliminação ou a progressiva redução de sua utilização como promotores do crescimento da produção animal.

A especialista destaca que a pesquisa também pretende encontrar alternativas aos antibióticos, como vacinas e outras maneiras de reduzir o risco de doenças nos animais.

Enquanto as discussões seguem nos fóruns internacionais, a revista científica “The Lancet” publicou, em novembro do ano passado, um artigo sobre o descobrimento na China de uma nova forma de resistência em pessoas e animais, vinculada à colistina. O problema teria ocorrido pelo uso desse antibiótico na agricultura.

Em relação aos últimos estudos, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) lembrou que detectou em aves um aumento da resistência a antimicrobianos empregados para tratar doenças como a salmonela, que também afeta os humanos.

O especialista da EFSA Ernesto Liebana destacou que existem “evidências circunstâncias” que deixam claro que, quanto mais antimicrobianos, mais cresce a “pressão seletiva aplicada sobre a população de bactérias, gerando uma proporção maior de resistência”.

“Nos países nos quais houve um esforço em reduzir o uso de antimicrobianos, encontramos os menores níveis de resistência de modo geral”, destacou Liebana.

De qualquer forma, os pesquisadores seguem estudando o fenômeno, considerado como muito complexo quando surgem, por exemplo, bactérias multirresistentes ou capazes de transmitir seus genes resistentes para outras, com grande capacidade de expansão.

A contaminação pode ocorrer de diferentes formas, como, por exemplo, por meio das importações de animais. Apesar de a UE proibir o uso de antibióticos para favorecer o crescimento dos animais, alguns dos países-membros do bloco usam a substâncias para tratar doenças, o que dificulta as análises de risco.

Os especialistas pedem medidas globais para minimizar os efeitos negativos. Eles exigem que as decisões políticas sejam baseadas nas evidências científicas, mas nem todos os países parecem estar interessados em participar desse debate.

Para Barbara Murray, ex-presidente da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA, na sigla em inglês), os EUA precisam se esforçar mais para reduzir o uso desnecessário dos antibióticos em animais. Ela reconhece, porém, que as opiniões entre os profissionais de saúde são diversas e que é preciso mais pesquisa para esclarecer as divergências.

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