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Pesquisa revela descoberta animadora contra o câncer de cabeça e câncer pescoço

câncer de cabeça e pescoço área de abrangênciaCâncer de cabeça e câncer de pescoço são os nomes que se dá ao conjunto de tumores que se manifestam na boca, na faringe e na laringe, entre outras localizações da cabeça e do pescoço. Embora diferentes tipos de tumores possam se desenvolver nessa região, o carcinoma epidermoide é o mais frequente. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em geral os tumores de cabeça e pescoço são mais frequentes em homens na faixa dos 60 anos de idade e representam o segundo tipo de doença com maior incidência na população masculina e o quinto mais comum entre as mulheres.

“Feridas de difícil cicatrização na boca ou na garganta, dor na garganta, dificuldade para engolir, sangramento ou dor ao escovar os dentes, rouquidão e nódulos no pescoço podem ser um sinal de alerta para a doença”, afirma o oncologista do Hospital Sírio-Libanês, dr. Gilberto de Castro Junior. Se em um prazo de 30 dias esses sintomas não desaparecerem, ele aconselha que a pessoa procure um médico.

Fatores predisponentes ao câncer de cabeça e pescoço

Os tumores de cabeça e pescoço estão relacionados ao tabagismo, ao consumo de bebidas alcoólicas e a infecções pelo papilomavírus humano (HPV), vírus transmitido principalmente pelas relações sexuais que atinge a pele e as mucosas. Segundo o dr. Castro, a relação entre o HPV e o câncer de cabeça e pescoço vem se tornando cada vez mais comum, sendo observada em 10% a 30% dos casos. “Por isso, a vacinação contra o HPV é fundamental”, afirma. Meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos já podem tomar a vacina gratuitamente no Sistema Único de Saúde. Para os portadores de HIV, a faixa etária é mais ampla, de 9 a 26 anos. Outros grupos etários podem dispor das vacinas em serviços privados, se indicado por seus médicos.

Diagnóstico precoce

A realização de campanhas de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, como o Julho Verde, mês em que é comemorado o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, no dia 27 de julho, tem o objetivo de disseminar informações sobre prevenção e detecção precoce desse tipo de câncer.

Quando diagnosticado logo no início, as chances de cura podem chegar a 80%. O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica — que muitas vezes pode ser realizada por um médico ou dentista, sem necessidade de equipamentos especiais —, além de biópsia e exames de imagem, como tomografia, ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons (PET, do inglês positron emission tomography).

O tratamento, dependendo de localização, características e extensão do tumor, pode incluir cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, realizadas isoladamente ou em combinação. Após a identificação do câncer, é feita uma avaliação para verificar se o tumor é operável ou não, e então planejar o tratamento, que é multidisciplinar. “Além do oncologista, o paciente passa a ser acompanhado por fonoaudiólogos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros profissionais”, conclui o médico.

Descoberta inesperada em pesquisas recentes

Em pesquisas recentes, descobriu-se que a aspirina ou o ibuprofeno triplicam a chance de superação do câncer de cabeça e pescoço.
O uso regular de aspirina ou ibuprofeno pode aumentar as taxas de sobrevivência do câncer de cabeça e pescoço?
Parece que é possível.

Analgésicos/anti-inflamatórios do dia a dia

Em uma pesquisa recente, observou-se que analgésicos/anti-inflamatórios corriqueiros podem triplicar a chance de sobrevivência (de 25% para 78%) para pacientes com um tipo específico de câncer que contém um gene alterado, conhecido como PIK3CA .
Cerca de um terço dos cânceres da cabeça e pescoço carregam esta mutação e também é encontrado em outros tipos de câncer.

O câncer de cabeça e pescoço tem sido diagnosticado nos dias atuais em mais de 12.000 pessoas no Reino Unido a cada ano e em 65.000 nos Estados Unidos. Tem levado à morte pouco mais de 4.000 pessoas no Reino Unido e 14.000 na América. Existem mais de 30 áreas na cabeça e pescoço, onde o câncer pode se desenvolver, como a boca e garganta.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, analisaram as taxas de sobrevida de cinco anos de pessoas diagnosticadas com a doença e descobriram que o uso regular de anti inflamatórios não esteroidais (AINEs), como aspirina e ibuprofeno, melhorou significativamente a sobrevida de um terço ou mais dos pacientes com a doença.

A genética define

Todos os pacientes tinham o gene mutante. Os AINEs, no entanto, não tiveram efeito sobre os tumores de câncer de cabeça e pescoço sem a mutação PIK3CA. O estudo incluiu 266 pacientes do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, cujos tumores foram removidos cirurgicamente. No total, 75 tumores (28%) no estudo tiveram uma alteração no gene PIK3CA. Entre os pacientes que usaram regularmente NSAIDs, 93% usaram aspirina em algum momento, e 73% só tomaram aspirina.

Aines: impacto expressivo sobre cânceres

A Dra. Jennifer Grandis, professora de cirurgia de cabeça e pescoço e autora sênior do estudo, disse: “Nossos resultados sugerem que o uso de AINEs poderia melhorar significativamente os desfechos não apenas pacientes com câncer de cabeça e pescoço, mas também para pacientes com outros cânceres que contenham a mutação PIK3CA.

“A magnitude desta vantagem aparente é significativa e poderia ter um impacto positivo na saúde humana”.

Os pesquisadores disseram que o uso regular de NSAIDs por pelo menos seis meses proporcionou uma sobrevida “acentuadamente prolongada” em comparação com pacientes de câncer de cabeça e pescoço cujo gene PIK3CA sofreu mutação e não usou AINEs.

A razão do efeito positivo

Eles sugerem que os AINEs possivelmente bloqueiam o crescimento do câncer de cabeça e pescoço, reduzindo a produção de uma molécula inflamatória chamada prostaglandina E2.

Para algo tão simples, parece bom demais para ser verdade.

Seria muito fácil e barato tratar pacientes com este simples arsenal medicamentoso, mas ainda novas pesquisas precisam ser realizadas para que se possa realmente assegurar que essa teoria realmente apresenta validade científica.

O que são anti-inflamatórios não-esteroidais

Os anti-inflamatórios não-esteroidais atuam reduzindo a síntese de prostaglandinas pela inibição das enzimas ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2), diferindo na seleção de ação sobre estas. Exercem efeito analgésico, antitérmico e anti-inflamatório. Sua atividade analgésica é semelhante a do paracetamol, sendo este preferente, particularmente em idosos. São comumente utilizados para dor, mas devem ser reservados para osteoartrose grave, quando não for obtido alívio adequado com analgésicos não-opioides, e para doenças articulares inflamatórias, como artrite reumatoide, artrite juvenil, entre outras1. Importante ressaltar que agem como sintomáticos, não interferindo no decurso destas doenças. Seu uso deve ser evitado em condições em que o processo inflamatório atue como reparador tecidual ou na defesa do organismo, como em traumas pós-cirúrgicos e em infecções. Apresentam efeito teto (platô) pelo qual maiores doses não aumentam a eficácia, mas sim a toxicidade.

A eficácia entre os diferentes anti-inflamatórios não-esteroidais é semelhante, mas existe variedade na resposta individual a estes fármacos. Cerca de 60% das pessoas respondem a qualquer anti-inflamatório não-esteroidal. Quando não é obtida resposta,deve-se susbtituí-lo por outro de subgrupo diferente. A escolha do fármaco deve se basear no seu perfil de efeitos adversos, número necessário de administrações diárias, custo e experiência de uso. Anti-inflamatórios mais novos tendem a ser mais caros e a ocorrência de efeitos adversos raros e graves podem ser percebidos somente depois de ampla utilização. O número de administrações diárias pode interferir na adesão ao tratamento, mas isto não é relevante no uso por curto prazo.

Efeitos adversos

Todos anti-inflamatórios não-esteroidais podem provocar efeitos adversos gastrintestinais, sendo contraindicados em pessoas com úlcera péptica ativa. Os não seletivos devem ser evitados também se houver história prévia de doença ulcerosa péptica. Embora o uso de inibidores seletivos da ciclo-oxigenase 2 (COX-2) possa ser considerado nesta situação2, sua vantagem sobre os não seletivos na redução de complicações gastrintestinais parece não se manter a longo prazo3. Esta vantagem também desaparece com uso concomitante de ácido acetilsalicílico em baixas doses. Em pacientes com história de doença péptica que necessitem de uso continuado de anti-inflamatórios não-esteroidais para alívio da dor, como naqueles com artrite reumatoide,deve-se considerar a opção de utilizar um medicamento gastroprotetor, como o omeprazol, combinada a anti-inflamatório não seletivo; especialmente em pessoas com fatores de risco para doenças cardíacas, disfunção ventricular e hipertensão, em que o uso de inibidores seletivos da COX-2 exige cuidado1.

Estudos comparativos

Estudos comparando anti-inflamatórios não-esteroidais não seletivos com inibidores seletivos da COX-2 demonstraram eficácia semelhante 2, 4, 5, 6. Estes últimos, além de um custo mais elevado, apresentam aumento no risco de eventos tromboembólicos, como enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, sendo contraindicados nestas situações e na vigência de doença arterial periférica.

Contraindicações

Os anti-inflamatórios não-esteroidais são contraindicados também na insuficiência cardíaca grave, uma vez que podem afetar a função renal, provocando retenção de água e sal. Devem ser usados com cautela em pacientes com insuficiência renal ou hepática1.

Em geral, os anti-inflamatórios não-esteroidais não são recomendados na gravidez. Se necessário, o ácido acetilsalicílico é provavelmente o mais seguro, pois não se associa a efeitos teratogênicos em seres humanos. Entretanto, deve ser suspenso antes do parto a fim de evitar complicações como trabalho de parto prolongado, aumento de hemorragia pós-parto e fechamento intrauterino do ducto arterioso.

Ácido acetilsalicílico é anti-inflamatório não-esteroidal não seletivo com ação analgésica, antitérmica, anti-inflamatória e antiagregante plaquetária7. É o mais antigo, menos oneroso e mais estudado. Embora efetivo como analgésico para dor aguda de intensidade moderada a grave, sonolência e irritação gástrica foram verificados como efeitos adversos significantes mesmo depois de dose única. O alívio da dor obtido com ácido acetilsalicílico é muito símile, miligrama por miligrama, ao com paracetamol8. Efeitos adversos podem incluir também broncoespasmo e reações de pele em pacientes com hipersensibilidade e aumento do tempo de sangramento. Para obter efeito anti-inflamatório semelhante ao dos outros anti-inflamatórios não-esteroidais são necessárias doses mais altas (3 g a 4 g). Porém, tais doses são associadas com menor comodidade para o paciente, pela necessidade de administração a cada 6 horas, e com maior frequência de efeitos adversos. Seu uso prolongado em doses elevadas pode causar salicilismo quando a salicilemia está entre 200 microgramas/mL e 450 microgramas/mL de plasma. Este quadro caracteriza-se por zumbido e surdez, podendo ser controlado pela redução da dose. Ácido acetilsalicílico não deve ser utilizado em menores de 16 anos, em razão da possibilidade de síndrome de Reye, caracterizada por encefalopatia e dano hepático. Deve ser particularmente evitado durante o curso de febre e infecções virais em crianças e adolescentes7 (ver monografia, página 369).

Ibuprofeno é um derivado do ácido propiônico com propriedades anti-inflamatória, analgésica e antitérmica. Causa menos efeitos adversos que outros anti-inflamatórios não-esteroidais, mas sua atividade anti-inflamatória é mais fraca. Pode ser usado em crianças como analgésico e antitérmico. Tem utilidade no tratamento de dor leve a moderada.

Fontes: Oral Cancer Foundation, Hospital Sírio-Libanês, Medicinanet

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Diferenças entre homens e mulheres quando o assunto é câncer

Um novo estudo de base populacional (240.801 homens e 173.773 mulheres, com idades entre 15 e 99 anos), mostrou que os homens têm uma desvantagem de sobrevivência em relação às mulheres em 11 dos 25 tipos de câncer pesquisados. Isto mesmo levando em conta que a pesquisa excluiu cânceres específicos de sexo, como de mama e próstata, cânceres notificados apenas por autópsia e câncer de pele não-melanoma.

As diferenças entre os sexos foram geralmente maiores para pessoas diagnosticadas em idades mais jovens.

Sobrevida

A sobrevida líquida de cinco anos após o diagnóstico para os 25 tipos de câncer combinados foi menor para os homens do que para as mulheres, com um excesso de mortalidade 13% maior para os homens em comparação com as mulheres.

Câncer pior para os homens

“A desvantagem de sobrevivência para os homens foi significativa em 11 tipos de câncer: cabeça e pescoço, esôfago, cólon/reto, pâncreas, pulmão, osso, melanoma, mesotelioma, rim, tireoide e linfoma não-Hodgkin.

“Em contraste, as mulheres tiveram prognóstico pior do que os homens para câncer de bexiga, pelve renal e uretra. As diferenças sexuais na sobrevida do câncer diminuíram desde 1982 para câncer colorretal e pancreático, a ponto de não serem mais aparentes. Por outro lado, para o câncer de pulmão, a desvantagem de sobrevivência masculina é pior hoje do que anteriormente,” escrevem os pesquisadores em seu artigo, publicado na revista Cancer Causes & Control.

Nina Afshar e seus colegas da Universidade de Melbourne (Austrália) defendem pesquisas direcionadas para identificar razões para essas disparidades.

“Identificar e compreender os complexos mecanismos por trás das diferenças sexuais na sobrevivência do câncer ajudará a estabelecer intervenções eficazes para reduzir as desigualdades e melhorar os resultados do câncer para homens e mulheres,” disse Nina.

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Boa escovação pode reduzir em até 20% riscos de câncer de esôfago

Boa escovação pode reduzir em até 20% riscos de câncer de esôfago

Um novo estudo, publicado no periódico científico Cancer Research, mostrou que o hábito de escovar os dentes todos os dias pode reduzir em mais de 20% o risco de desenvolver câncer de esôfago.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, em níveis elevados, as bactérias são capazes de aumentar o risco da doença em até 21%. No entanto, ainda não se sabe como o acúmulo de placas bacterianas – ou até mesmo a gengivite e a periodontite, doenças são causadoras –, estão relacionadas ao desenvolvimento dos tumores.

O estudo

Os cientistas coletaram amostras da microbiota bucal de cerca de 122.000 pessoas durante 10 anos. Depois desse período, 106 participantes desenvolveram câncer de esôfago. Nesses indivíduos, foram encontradas bactérias em quantidades superiores.

Segundo os autores do estudo, esse tipo de câncer é oitavo mais comum e o sexto maior causador de mortes por câncer no mundo. Devido ao fato de os casos da doença serem descobertos já em estágio avançado, as chances de cura são raras, com uma taxa de sobrevivência entre 15% e 25%.

Higiene bucal

“Nosso estudo indica que o entendimento da microbiota bucal pode levar a estratégias de prevenção do câncer de esôfago ou, pelo menos, a descoberta da doença em estágios iniciais”, disse Jiyoung Ahn, principal autora do estudo.

Pesquisas anteriores já mostraram que algumas infecções bucais podem estar associadas ao câncer de boca, cabeça e pescoço. Segundo Jiyoung, higiene bucal diária e visitas regulares ao dentista devem ser encaradas como de extrema importância não só para a manutenção da saúde bucal, mas também como forma de prevenção a outras complicações, como o próprio câncer.

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Estudo liga uso prolongado de Omeprazol à risco de câncer de estômago

Um estudo da Universidade de Hong Kong e da University College London mostrou que o uso prolongado de inibidores de bomba de próton (IBP), como Omeprazol e Pantoprazol, podem aumentar 2,4 vezes o risco de desenvolver câncer de estômago. Os IBPs reduzem a quantidade de ácido produzido pelo estômago e são usados para tratamento de refluxo ácido e úlceras estomacais. A pesquisa foi publicada no jornal científico Gut na última terça-feira, 31, e considerou uma base de dados de saúde em todo o território de Hong Kong.

A ligação entre o uso desses medicamentos com o risco de desenvolver câncer de estômago já havia sido identificada pelos acadêmicos, mas ainda não havia sido controlada a presença da bactéria a Helicobacter pylori, mais conhecida como H pylori, suspeita de influenciar no desenvolvimento da doença. Depois de eliminar a bactéria, descobriu-se que o risco de desenvolver a doença ainda estava relacionado com a dose e a duração do tratamento com medicamentos IBP.

O Estudo

Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 63.397 pessoas e compararam o uso de IBP com outro medicamento, conhecido como H2, que também limita a produção de ácido no estômago. Os participantes foram tratados com terapia tripla, que combina IBP e antibióticos para matar a bactéria H pylori, entre 2003 e 2012. Os cientistas monitoraram todos até que desenvolvessem câncer de estômago, morressem ou chegassem ao final do estudo, em 2015.

Durante esse período, 3.271 pessoas receberam IBP por quase três anos enquanto 21.729 tomaram H2. Entre os selecionados para o estudo, 153 desenvolveram câncer de estômago durante o acompanhamento médio de 7,6 anos. Nenhum deles testou positivo para H pylori, mas todos tiveram problemas de longo prazo com inflamação estomacal. Quem consumiu IBPs teve um risco de 2,4 vezes maior de desenvolver câncer do que quem usou medicamentos H2, que não foram associados a um aumento do risco da doença.

Chance de desenvolvimento de câncer

A chance de desenvolver esse tipo de câncer cresce de acordo com o tempo de ingestão do medicamento. O uso diário de IBP aumenta 4,55 vezes o risco de desenvolvê-la se comparado com aqueles que fazem uso semanal. Da mesma forma, se a pessoa tomar o medicamento por mais de um ano, o risco de câncer de estômago aumenta cinco vezes e pode chegar oito vezes após três anos ou mais de consumo.

O estudo, porém, concluiu que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito, mas recomendou aos médicos “ter cautela quando prescrevem IBP de longo prazo, mesmo após a erradicação da H plyori”, disse ao jornal The Guardian Stephen Evans, professor de farmacoepidemiologia da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

“Muitos estudos observacionais encontraram efeitos adversos associados aos IBPs. A explicação mais plausível para a totalidade da evidência nesse estudo é que aqueles que recebem IBPs, especialmente aqueles que continuam a longo prazo, tendem a ficar mais doentes de várias maneiras do que aqueles para quem os remédios não foram prescritos”, disse.

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Periodontite em mulheres pós-menopausa aumenta o risco de câncer

Novos achados em estudo indicam que mulheres após a menopausa com uma história de doença periodontal são mais propensas a desenvolver câncer. A análise de dados a partir de 65,869 mulheres com idades compreendidas entre os 54 e 86 anos, mulheres que haviam relatado um diagnóstico de doença periodontal tiveram um risco 14% maior de desenvolver qualquer tipo de câncer.

O estudo é um dos primeiros a se concentrar em um grupo etário mais velho para examinar a doença periodontal como um fator de risco para câncer. “Nosso estudo era suficientemente grande e suficientemente pormenorizado para analisar não apenas o risco global de câncer entre as mulheres mais velhas com doença periodontal, mas também para fornecer informações úteis sobre um número de cânceres em websites específicos,” explicou o Professor Jean Wactawski-Wende, autor sênior do estudo e também decano da Escola de Saúde Pública e Profissões da Área da Saúde da Universidade de Buffalo.

Globalmente, 7,149 casos de câncer foram identificados no grupo de estudo, a maioria dos quais foram câncer de mama (2.416 casos). Tomando como exemplo diferentes tipos de cânceres, uma associação significativa com a doença periodontal foi encontrada para o câncer de pulmão, câncer de vesícula biliar, melanoma (câncer de pele) e câncer de mama. Uma fraca associação também foi encontrada para o câncer do estômago.

O câncer com maior risco de desenvolvimento

O maior risco associado com doença periodontal foi encontrado para o câncer de esôfago. Mulheres com periodontite têm mais do que três vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de esôfago comparadas às mulheres sem essa condição de saúde oral. Embora as razões subjacentes para a ligação não estejam completamente esclarecidas, Wactawski-Wende fundamenta que: “O esôfago está em estreita proximidade com a cavidade oral e assim mais facilmente patógenos periodontais podem obter acesso e infectar a mucosa esofágica e promover o risco de câncer no local”.

Uma nova descoberta foi a relação entre periodontite e câncer da vesícula biliar. A autora líder Dra. Ngozi Nwizu, que trabalhou na pesquisa enquanto concluía sua residência em patologia oral e maxilo-facial na UB’s School of Dental Medicine, disse: “Inflamação crônica também tem sido implicada no câncer de vesícula biliar, mas não houve dados sobre a associação entre doença periodontal e risco da vesícula biliar. Nosso estudo é o primeiro a apresentar um relatório sobre essa associação”.

Conclusões

De acordo com os pesquisadores, as conclusões para este determinado grupo etário oferecem uma janela para a doença em uma população que continua a aumentar à medida em que as pessoas vivem mais. “Os idosos são mais afetados desproporcionalmente pela doença periodontal que outros grupos etários e para a maioria dos tipos de câncer, o processo de carcinogênese normalmente ocorre ao longo de muitos anos”, disse Nwizu. “Assim os efeitos adversos da doença periodontal são mais susceptíveis de serem vistos em mulheres após a menopausa, simplesmente devido a sua idade”.

O estudo intitulado “Doença periodontal e risco de incidente de câncer entre mulheres na pós menopausa: Resultados da iniciativa de saúde da mulher coorte observacional”, foi publicado em 1 de agosto em Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention.

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Periodontite pode ser causa de câncer e outras patologias

Não é de hoje que estudiosos investigam a relação entre problemas bucais e outros males diversos. Tanto que infarto e pneumonia já foram associados à periodontite. Mas, agora, cientistas da Universidade do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, demonstraram que mulheres com essa inflamação crônica das gengivas estão sob ameaça 14% maior de desenvolver câncer.

Especialistas da mesma instituição já haviam indicado que a periodontite aumenta a probabilidade de tumores de mama. Isso foi validado pela nova pesquisa — acontece que outros achados preocupantes foram revelados. Segundo o trabalho, cânceres de pulmão, vesícula biliar, pele e esôfago também são mais comuns em pessoas com essa condição bucal.

Para chegar a esse número, o levantamento contou com mais de 65 800 mulheres entre 54 e 86 anos. O acompanhamento durou, em média, 8,3 anos. Ao fim do período, 7.149 pacientes foram diagnosticadas com tumores. E, entre eles, o de esôfago merece atenção especial. “Por estar próximo da cavidade oral, os agentes patogênicos podem acessar e infectar mais facilmente a mucosa da região”, conta Jean Wactawski-Wende, um dos autores do artigo. Nesse caso, o risco é três vezes maior em comparação com donos de gengivas saudáveis.

Apesar de os dados sobre a saúde bucal terem sido reportados pelas próprias participantes, o que é uma limitação, a grande amostragem de pessoas envolvidas torna as conclusões mais confiáveis. Falta agora entender esse elo e ver se, de fato, é a periodontite que está causando o câncer — ou se há um fator escondido por trás da associação.

Enquanto esperamos por respostas certeiras, resta ventilar hipóteses. Os cientistas apostam, por exemplo, que as bactérias causadoras da periodontite se infiltram na corrente sanguínea pela saliva ou pelos tecidos da gengiva. Dessa maneira, alcançariam as mais diversas partes do corpo, onde promoveriam danos e a divisão desordenada das células, o princípio originário de um câncer.

Câncer e outros problemas

A disseminação de micro-organismos nocivos também foi apontado como possível responsável pelo vínculo entre a periodontite e condições respiratórias. A Academia Americana de Periodontologia comparou a situação bucal de indivíduos saudáveis com a de 200 pessoas hospitalizadas em função de pneumonias ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). E veja só: esses últimos estavam com as gengivas mais prejudicadas.

Até o infarto já foi ligado à periodontite, de acordo com um experimento da Universidade de Halle-Wittenberg, na Alemanha. Mas, nesse caso, talvez seja o processo inflamatório da doença bucal que contribui para a ruptura das placas nas artérias e uma consequente falta de aporte sanguíneo ao coração.

De qualquer forma, não são necessárias técnicas sofisticadas para resguardar a boca (e a saúde em geral). A recomendação aos pacientes é aquela de escovar os dentes, usar o fio dental e, se for o caso, recorrer a enxaguatórios bucais quando necessário. E, claro, sempre vale a consulta regular a um dentista é fundamental.

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Cientistas descobrem um novo caminho para a cura do câncer de pulmão

Um grupo de pesquisadores da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico Universitário (CESPU), do Porto em Portugal, conseguiu descobrir uma nova forma de elevar o nível de resposta ao tratamento do câncer do pulmão. O estudo, que esteve dois anos em desenvolvimento, foi agora publicado na revista científica Cancer Letters, e mostra que através da inibição de uma proteína necessária para a divisão das células normais pode conseguir-se que as células cancerígenas se autodestruam.

De acordo com Hassan Bousbaa, um dos autores do estudo, “quando as células de linhas celulares de câncer de pulmão são impedidas de produzir a proteína ‘spindly’, estas passam a responder de forma mais eficiente ao paclitaxel [medicamento frequentemente utilizado em quimioterapia]”.

Autodestruição das células cancerígenas

O que o estudo agora publicado mostra é que a supressão da proteína ‘spindly’ atrasa a saída mitótica e leva à autodestruição das células cancerígenas, quando tratadas com esse medicamento.

A equipa de investigadores do Porto já realizou testes com células de cancro produzidas em laboratório e na próxima fase, que se deverá iniciar em 2018, deverão fazer-se testes com animais.

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Descoberto um marcador de risco para o desenvolvimento de câncer

Com o objetivo de examinar a incidência de câncer em uma coorte de pacientes com trombocitose e determinar quão clinicamente útil este marcador de risco pode ser na previsão de uma malignidade subjacente, foi realizado um estudo de coorte prospectivo, utilizando dados do Clinical Practice Research Datalink, de 2000 a 2013, publicado pelo periódico British Journal of General Practice.

A incidência de câncer em um ano foi comparada entre duas coortes: 40.000 pacientes com ≥40 anos de idade, com contagem de plaquetas >400×109/L (trombocitose) e 10.000 pacientes com uma contagem de plaquetas normal. As subanálises avaliaram o risco com a mudança na contagem de plaquetas, sexo, idade e diferentes localizações do câncer.

Um total de 1.098 de 9.435 homens com trombocitose foi diagnosticado com câncer (11,6%; intervalo de confiança de 95% [IC]=11,0 a 12,3), em comparação com 106 de 2.599 homens sem trombocitose (4,1%; IC 95%=3,4 a 4,9). Um total de 1.355 de 21.826 mulheres com trombocitose desenvolveu câncer (6,2%; IC 95%=5,9 a 6,5), comparado com 119 de 5.370 mulheres sem trombocitose (2,2%; IC 95%=1,8 a 2,6).

Correlação aumento de plaquetas vs câncer

O risco de câncer aumentou para 18,1% (IC 95%=15,9 a 20,5) para os homens e 10,1% (IC 95%=9,0 a 11,3) para as mulheres, quando uma segunda contagem de plaquetas foi registrada dentro de seis meses. Câncer de pulmão e câncer colorretal foram mais comumente diagnosticados juntamente com a trombocitose. Um terço dos pacientes com trombocitose e câncer de pulmão ou câncer colorretal não apresentou outros sintomas indicativos de malignidade.

Concluiu-se que a trombocitose é um marcador de risco de câncer em adultos. Os valores de 11,6% e 6,2% de incidência de câncer em homens e mulheres, respectivamente, são dignos de investigação adicional para uma malignidade subjacente. Esses números superam o limite de risco estabelecido pelo National Institute for Health and Care Excellence – 3% de risco para justificar o encaminhamento para suspeita de câncer.

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Pacientes oncológicos devem passar por avaliação odontológica antes de iniciar tratamento

dentistas tratando pacienteApós o diagnóstico de um câncer, o paciente oncológico precisa se preocupar com diversas questões que vão desde o tipo de tratamento, gastos que vai ter, quanto tempo vai demorar etc. Um ponto que muita gente esquece é a importância de consultar um dentista antes de iniciar os procedimentos.

Em entrevista ao Vencer o Câncer, o dentista Luis Marcelo Sêneda, responsável pelo departamento de Medicina Bucal do Hospital São José – Beneficência Portuguesa, explica que a recomendação de fazer uma avaliação odontológica serve para todo paciente oncológico, não somente aqueles com tumores de cabeça e pescoço.

Consulta pré-tratamento

A boca pode ser uma fonte rica em bactérias que são especialmente perigosas para quem vai entrar em tratamento contra o câncer.

“Nós, primeiramente, procuramos um possível foco de infecção, que pode ser uma doença periodontal (doença da gengiva e de todos os tecidos que dão suporte ao dente) ou cáries muito profundas. Também verificamos dentes com mobilidades e que precisam ser removidos antes de iniciar o tratamento oncológico. Isso é de extrema importância, pois os pacientes que fazem uso de quimioterápicos ficam com o sistema imunológico mais debilitado. Então uma doença periodontal, por exemplo, que estava lá crônica e a pessoa nem sabia que tinha, pode se agudizar e virar um grande problema.”

Efeitos da quimioterapia

“Algumas drogas têm a capacidade de afetar a mucosa da boca causando inflamações e feridas semelhantes a aftas, mas que são chamadas de mucosites. Muitas vezes o paciente está debilitado e ele não consegue comer por causa da mucosite, porque sente muita dor. A mucosa é uma proteção, uma barreira protetora, e quando temos a quebra dessa barreira, há maior risco de infecção por agentes oportunistas. Por isso, na fase de imunossupressão, elas têm maior probabilidade de acontecer”, adverte o dentista.

Uma das formas de prevenção da mucosite é a laserterapia de baixa intensidade. O laser é um bioestimulador que auxilia na redução do processo inflamatório, modula a dor e auxilia no processo de reparo do tecido lesado. É importante conversar com seu oncologista sobre essa possibilidade.

Xerostomia durante o tratamento

Muitas vezes, o paciente em tratamento oncológico precisa tomar remédios para dor (opiáceos) e antidepressivos. Alguns ainda tomam outros medicamentos porque possuem outras doenças associadas, como pressão alta, diabetes e doença renal. Por conta disso, é extremamente comum surgir um quadro de xerostomia.

“O meio bucal é concebido para estar úmido, não seco. Para aliviar esse sintoma, existem atualmente lubrificantes orais que servem tanto para repor quanto para melhorar a lubrificação da boca. Eles estão disponíveis na forma de gel, spray ou manipulado. A saliva não é só um lubrificante bucal, ela promove a auto-higiene dos dentes. O paciente com boca seca tem mais placas bacterianas, que acumula mais agentes ofensivos e produz mais toxinas, aumentando o risco da mucosite, uma das complicações bucais mais comuns durante o tratamento oncológico”.

Efeitos da Radioterapia

“Pacientes com câncer na região da cabeça e pescoço e que são submetidos a radioterapia precisam de cuidados maiores, porque ele vai produzir menos saliva. Além disso, como é justamente a região que inclui a boca a ser irradiada, há riscos de desenvolver um tipo de cárie com um efeito colateral tardio, denominada cárie de radiação. Atualmente você vê menos do que há alguns, por conta das radioterapias com intensidade modulada, mas ainda assim é preciso muita atenção. Esse tipo de cárie, que atinge a porção entre dentes e gengivas, se desenvolve muito rapidamente e há um enorme risco de o paciente acabar perdendo o dente.”

Recomendações a serem seguidas durante o tratamento do câncer:

Escovar os dentes com pasta contendo flúor.
Passar fio dental suavemente.
Fazer gargarejos com bicarbonato de sódio.
Remover a dentadura e fazer sua limpeza adequadamente.
Escolher alimentos que exijam pouca ou nenhuma mastigação.
Evitar alimentos ácidos, picantes, salgados e secos.

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Informação amarga sobre o adoçante Sucralose

sucraloseJá discutimos o assunto sobre os riscos associados ao uso do adoçante Sucralose, notadamente quando adicionado a bebidas quentes. Voltamos a esse tema e desta vez numa abordagem mais detalhada por considerá-lo de alta relevância para todos que atuam no segmento odontológico, como importantes formadores de opinião que são.

Não é de hoje que os adoçantes artificiais dividem opiniões. Eles protagonizam com frequência a arena de debates porque, embora sejam valiosos a quem precisa reduzir drasticamente a ingestão de açúcar (caso de pessoas diabéticas ou muito acima do peso), vira e mexe surge uma história de que teriam efeitos adversos sobre o organismo. Esse receio, no entanto, parecia injustificado, já que a maioria dos produtos é aprovada pelos principais órgãos de saúde do planeta. Só que agora a discussão volta a esquentar, e por motivos que nada têm a ver com teorias da conspiração. Um experimento inédito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriu que, quando aquecido, o adoçante mais popular atualmente gera substâncias tóxicas e capazes de se acumular no organismo.

Sucralose: libera substância cancerígena quando exposta ao calor

Em termos científicos, a sucralose é “quimicamente instável”, ou seja, sua composição se altera se ela é exposta a altas temperaturas. Isso acontece quando despejamos o pó ou pingamos as gotas no cafezinho e no chá ou adoçamos a mistura do bolo que vai ao forno. A pesquisa liderada pelo professor Rodrigo Ramos Catharino, da Faculdade de Farmácia da Unicamp, é a primeira a demonstrar que esse tipo de adoçante chega a liberar moléculas primas-irmãs do benzopireno, já comprovadamente cancerígena e encontrada até no cigarro. É ou não é de amargar?

Substâncias nocivas que podem se acumular no corpo

O achado da equipe de Catharino é tão impactante que foi publicado em um dos periódicos da revista Nature, uma das mais prestigiadas no mundo científico. Com ele, soou o alerta: seria realmente perigoso lançar mão da sucralose em bebidas e alimentos quentes? De acordo com Catharino, as moléculas que nascem desse adoçante no momento da quentura seriam ainda mais nocivas que o benzopireno por causa do cloro, componente da fórmula que eleva seu grau de instabilidade. E há outra razão para se preocupar. Tais substratos conseguem se acumular nas reservas de gordura do corpo – assim, não seriam facilmente eliminados do organismo.

Evite adicionar Sucralose a bebidas quentes

As descobertas acionam um alarme, mas pedem cautela. Como as moléculas acabam de ser reveladas, o próximo passo é investigar seus verdadeiros efeitos na saúde humana. Catharino ressalta que os testes comprovaram o perfil instável e potencialmente danoso da sucralose apenas em situações de temperaturas elevadas. “Por ora, a sugestão é não consumir o produto quando ele é aquecido”, orienta. Segundo o farmacêutico, a própria indústria deveria apurar a questão e rever seus rótulos, uma vez que alguns deles estampam que o produto pode ser aquecido e levado ao forno. “O objetivo da nossa pesquisa é tornar o uso do adoçante mais seguro”, justifica. Recorrer à sucralose em um suco, por exemplo, não traria problema algum.

É claro que ainda existem divergências e ponderações no ar. O médico Bruno Geloneze, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), acredita que a sucralose continua segura dentro do cafezinho porque o estudo identificou a instabilidade em temperaturas na casa dos 98 °C. “Na hora em que se coloca o líquido na xícara, mesmo que isso seja super-rápido, ele já terá esfriado um pouco”, raciocina. “Ninguém faz chá ou café colocando o adoçante na água para ferver. Se fazia, agora não pode fazer mais”, brinca o endocrinologista.

Geloneze avalia, no entanto, que devemos aceitar uma das lições do trabalho: evitar o emprego da sucralose em receitas que passam pelo forno – nessa circunstância, é alta a probabilidade de o produto sofrer aquelas transformações químicas. Aliás, para os diabéticos e sujeitos acima do peso que não querem se arriscar enquanto aguardam as novas respostas da ciência, o membro da Sbem lembra que o açúcar branco não configura uma boa alternativa. A melhor saída nesses casos continua sendo outros adoçantes não calóricos ou com baixo teor energético.

A defesa da Indústria

O fato é que o experimento da Unicamp já começou a repercutir. “Muitas pessoas têm falado pra mim que pararam de usar adoçante”, relata Catharino. Mas a indústria rebate os receios e um eventual alarmismo. “Não temos nenhuma dúvida sobre a segurança para consumo da sucralose. Não podemos mudar a conduta baseados apenas em um estudo”, diz a nutricionista Elaine Moreira, consultora da Linea, uma das principais fabricantes de sucralose no país. A especialista conta que a segurança do produto está comprovada até mesmo no processo de pasteurização, que submete a comida a altas temperaturas e depois a resfria. “Mais pesquisas precisam ser feitas, inclusive sobre a interação do adoçante com outros alimentos. Devemos considerar, porém, que a quantidade de sucralose nas receitas é muito pequena”, pondera.

O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Para Fins Especiais e Congêneres, Carlos Gouvêa, ressalta que a sucralose é aprovada tanto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como pela Joint Expert Comission of Food Aditives, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Sobre os achados da Unicamp, Gouvêa acredita que, apesar dos resultados, o ingrediente permanece seguro. “O adoçante normalmente é adicionado à bebida e logo consumido. Não haveria tempo para que ocorresse qualquer decomposição”, afirma.

Recomendação da SBD

Enquanto a indústria ainda digere as informações, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) se adiantou para emitir um parecer em cima das revelações da pesquisa. Em texto assinado pela nutricionista Débora Bohnen Guimarães, a SBD recomenda o uso da sucralose em baixas temperaturas e uma “alimentação livre de aditivos”. Ainda declara que, caso seja necessário o uso de adoçantes artificiais, “estes devem ser consumidos com moderação e conforme indicado, respeitando um rodízio dos tipos de adoçantes existentes no mercado para não ocorrer grande exposição a uma só substância”.

Nota do Conselho Federal de Nutricionistas

Nessa linha, o Conselho Federal de Nutricionistas divulgou uma nota neste ano orientando os profissionais a receitarem “adoçante artificial apenas a pacientes com necessidade consultório específica”. O posicionamento saiu depois de o Instituto Nacional de Câncer (Inca) ter declarado que o consumo de adoçantes artificiais “está associado ao desenvolvimento de algumas doenças, inclusive o câncer”. Recentemente, a própria sucralose foi apontada, com alta prioridade, para passar por avaliação do Grupo Consultivo da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, que se debruça sobre o perfil de risco de diversos compostos.

Discussões à parte, não dá pra negar que os adoçantes têm um papel a cumprir quando falamos na perda de peso e no controle da glicemia. Os levantamentos mais recentes registram um aumento contínuo nos índices de obesidade e diabete – e o Brasil se encontra particularmente em situação crítica. Manter o açúcar na dieta muitas vezes não é uma opção a essa parcela da população. Daí a necessidade de estabelecer um uso inteligente dos adoçantes, respeitando indicações e peculiaridades. Outro caminho é reeducar o paladar e se adaptar a receitas menos doces, ao azedinho do suco e, por que não, ao amargo do café.

O natural é a melhor opção?

O maior representante da classe é o estévia, que tem forte apelo com o público e é priorizado por alguns especialistas. A última cartilha sobre adoçantes da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres diz, porém, que os naturais não são necessariamente melhores que os artificiais. Todos precisam passar por testes para provar perfil de segurança. O estévia não é calórico e estudos associam seu uso a menos cáries e melhor controle da pressão. “Não temos nenhum relato de alguém que consumiu o produto e passou mal”, diz Airton Goto, diretor industrial da fabricante Stevita. A desvantagem recai no preço, cerca de 50% mais caro que o da sucralose.

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