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Obesidade e saúde bucal: existe uma conexão?

obesidade e saúde bucal

Será que a Obesidade e saúde bucal guardam alguma relação?
Essa é a pergunta que vamos tentar responder.

Em todo o mundo, a obesidade está se tornando um problema a cada dia mais grave e que preocupa os governos. Em muitos países é considerada uma epidemia.

Além disso, um estudo faz a correlação alarmante entre obesidade e saúde bucal.

Observou-se a presença de sinais claros de doença periodontal em indivíduos com um IMC (índice de massa corporal) superior a 30.

Tem-se que se considerar que existem alguns aspectos desse estudo que tornam as descobertas um pouco obscuras, como como gênero, idade, histórico de tabagismo e genética. Porém, existem várias razões para considerar a importância de uma mudança no estilo de vida.

A resposta pode estar na mesa

Os participantes do estudo que estavam no grupo obeso apresentaram níveis mais altos de consumo de alimentos açucarados. É bem sabido que alimentos doces estimulam a doença periodontal.

Quando a dieta é preenchida com todas essas calorias vazias, acaba não sobrando espaço no cardápio para alimentos que forneçam micronutrientes. Micronutrientes são importantes para a saúde da gengiva e para prevenção das cáries.
Observou-se uma relação entre o excesso de tecido adiposo e o aparecimento de doença periodontal entre os participantes. Extrapolando tal descoberta podemos acreditar que doenças periodontais sejam prevalentes em obesos. Tal relação corrobora a existência de uma relação entre obesidade e saúde bucal.

Obesidade e saúde bucal: dados da pesquisa

A saliva de um grupo de mulheres com um IMC entre 27 e 32 foi enviada para análise. O resultado apontou a presença de uma bactéria, Selenomonas noxia, em 98,4% das amostras.

Uma dieta com alto índice glicêmico está diretamente relacionada à presença dessa bactéria.
Alimentos com alto índice glicêmico são também mais frequentemente associados ao sobrepeso ou obesidade. Os carboidratos refinados estão no topo da lista, junto com os alimentos que já são açúcares.

Mudança no estilo de vida

Uma das maneiras mais rápidas de combater a prevalência dessa e de outras bactérias orais e a própria obesidade em si é fazer certas mudanças no estilo de vida.
Essas mudanças incluem a troca de alimentos que fermentam facilmente e são açucarados por outros não cariogênicos.

Alimentos não cariogênicos

Alimentos não cariogênicos são também chamados de cariostáticos.
Ou seja, são aqueles que protegem os dentes do aparecimento de cáries.

Seguem alguns exemplos desses alimentos:

1. Alimentos proteicos

Alimentos ricos em proteínas são as carnes em geral, peixes, ovos. Também podemos incluir as leguminosas e oleaginosas.
As proteínas auxiliam no fortalecimento do esmalte dentário. E também protegem da erosão dentária decorrente da ação da placa bacteriana, causadora da cárie.

2. Alimentos fibrosos

Tem como representantes os legumes, verduras e hortaliças. Algumas frutas também podem prevenir a formação de placa bacteriana, como a maçã. Porém, merecem alerta pela quantidade de açúcar (frutose).

Alimentos fibrosos ajudam a eliminar o biofilme da placa bacteriana por sua textura e densidade mais dura.
A mastigação de alimentos com fibra aumentam também o fluxo salivar. E a saliva tem efeito protetor contra as cáries.

3. Alimentos ricos em gorduras

As gorduras também não colaboram para o aparecimento de cáries.
Isso porque formam uma película oleosa nos dentes. Fazem parte desta categoria os laticínios não açucarados, como os queijos de cura, que também ajudam na elevação do pH. Um pH mais alcalino (alto) auxilia na prevenção da cárie.
Além disso, a caseína, proteína do leite, também ajuda na reparação do esmalte dos dentes.

4. Alimentos com xilitol

O milho é é um alimento rico em xilitol. O xilitol age estimulando o fluxo salivar. Isso promove uma melhor limpeza dos dentes, elevação do pH e neutralização dos ácidos causadores da cárie.

Conexão obesidade e saúde bucal – começa na infância

Um dos aspectos mais perturbadores desse estudo é a revelação de a ligação obesidade e saúde bucal começa na infância.

Um estudo constatou que os adolescentes que se enquadram nas categorias de sobrepeso e obesidade têm um número maior de cáries do que aqueles considerados com IMC normal.

Outros estudos, no entanto, não encontraram uma ligação entre o IMC e a cárie em crianças. Isso coloca uma levanta dúvidas em vincular a saúde bucal à obesidade em crianças.

No entanto, existem estudos que demonstraram que uma dieta rica em açúcar e carboidratos refinados afeta tanto a higiene dental quanto o nível de obesidade em crianças.

A educação, portanto, é um componente importante na manutenção geral da saúde bucal e na manutenção da massa corporal dentro dos limites normais.

Para aqueles que lutam contra a obesidade saber da existência dessa conexão pode ser um estímulo extra para se mudar a dieta e o estilo de vida.

Embora os estudos ainda não sejam conclusivos, ficar atento em relação ao consumo de açúcar e carboidratos refinados é fundamental.
Uma dieta saudável pode reduzir a presença de bactérias nocivas na boca. E também colaborar para a redução do peso corporal.

Fontes: NCBI, Vix
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Diabetes e câncer bucal: uma conexão cada vez mais evidente e perigosa

Uma nova pesquisa revelou que mulheres que sofrem de diabetes enfrentam uma chance aumentada para o desenvolvimento do câncer bucal.

A pesquisa, publicada na revista especializada Diabetologia, mostrou que as mulheres têm uma chance 13% maior de vir a desenvolver câncer oral se forem acometidas de diabetes.

Numa visão geral, as mulheres apresentam um chance 27% maior para o desenvolvimento de qualquer tipo de câncer caso sejam portadoras de diabetes, enquanto os homens também enfrentavam um aumento de 19% para o mesmo risco, de acordo com o estudo.

Com pesquisas anteriores mostrando conexões próximas entre o diabetes e o desenvolvimento do câncer de boca, assim como outras formas da doença, a organização de saúde pública Oral Health Foundation vem alertando as pessoas quando às ligações perigosas entre a saúde bucal e a saúde corporal e as sérias consequências que isso pode vir a ter.

O CEO da ONG Nigel Carter OBE, que trabalha incansavelmente na divulgação científica buscando aumentar a conscientização da sociedade sobre o câncer de boca, acredita que a pesquisa poderia ajudar a identificar indivíduos que apresentam riscos aumentados para o seu desenvolvimento.

O Dr. Carter disse: “Esta poderia ser uma pesquisa muito significativa e que poderia ajudar a salvar vidas. O diabetes já foi relacionado à saúde bucal precária, mas esta nova pesquisa mostra uma ligação específica com o câncer de boca.

“Isso torna as visitas odontológicas regulares uma necessidade absoluta. Se os dentistas sabem que seu paciente é diabético, eles farão verificações mais frequentes da boca de seus pacientes.
Há muitos anos sabemos que os pacientes diabéticos têm maior probabilidade de contrair doenças nas gengivas e precisam de atendimento odontológico extra, mas esse é mais um motivo para verificações regulares.”

Sintomas iniciais

“É importante, não apenas para os diabéticos, mas para todos estarem cientes de quais são os sinais e sintomas do câncer de boca. Fique atento a úlceras que não cicatrizam dentro de três semanas, manchas vermelhas e brancas na boca e caroços ou inchaços incomuns na área da cabeça e pescoço.”

Detecção precoce e a taxa de sobrevida

“Mais pessoas perdem suas vidas por câncer de boca todos os anos na Inglaterra do que por câncer cervical e testicular combinados. Sem detecção precoce, a taxa de sobrevivência de cinco anos para o câncer de boca é de apenas 50%, mas se for detectada precocemente, as taxas de sobrevida podem melhorar drasticamente em até 90%, assim como a qualidade de vida dos sobreviventes aumenta significativamente.”

“Fumar, beber álcool em excesso, dieta pobre e o vírus do papiloma humano (HPV), muitas vezes transmitidos via sexo oral, são opções de estilo de vida que aumentam o risco de desenvolver a doença. Como o diabetes já foi mostrado como sendo outro potencial fator de risco, alterações do estilo de vida são fundamentais para diminuição da incidência de câncer bucal.

No Reino Unido, estima-se que mais de quatro milhões de pessoas vivam com diabetes, com muitos casos não diagnosticados. O diabetes tipo 2, que está intimamente ligado ao estilo de vida e dieta, vem aumentando rapidamente nos últimos anos e é hoje uma das condições de saúde de longo prazo mais comuns no mundo.

Fonte: 1. Ohkuma, T., Peters, S. and Woodward, M. (2018). Sex differences in the association between diabetes and cancer: a systematic review and meta-analysis of 121 cohorts including 20 million individuals and one million events. Diabetologia.

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Ligação entre saúde bucal e estado cognitivo: ainda incerto

idoso sendo atendidoUm número de estudos têm sugerido que a higiene oral e visitas regulares ao dentista pode desempenhar um papel no abrandamento do declínio cognitivo com o envelhecimento. Porém a associação entre saúde oral e cognição não é totalmente entendida. Uma revisão sistemática publicada recentemente realizada na Universidade de Duke nos Estados Unidos demonstrou agora que a evidência de que um causa o outro não é definitivo.
“Evidências consultórios sugerem que a frequência de problemas de saúde oral aumenta significativamente na deficiência cognitiva em idosos, especialmente aqueles com demência,” disse o prof. Bei Wu, um gerontologista da Escola de Enfermagem da Duke. “Além disso, muitos dos fatores associados com má saúde oral, tais como a má nutrição e doenças sistêmicas como diabetes e doença cardiovascular, também estão associados com uma pobre função cognitiva”.

Análise de estudos

Wu e seus colegas analisaram 56 estudos transversais e longitudinais relevantes publicados entre 1993 e 2013. Enquanto alguns estudos encontraram que medidas de saúde oral, tais como o número de dentes, o número de cavidades e a presença de doença periodontal foram associados com um risco aumentado de declínio cognitivo ou demência, outros não foram capazes de confirmar qualquer associação. Da mesma forma, declínio cognitivo não foi consistentemente associado com maior perda de dentes ou número de dentes cariados. Os pesquisadores afirmaram que é provável que as limitações metodológicas podem desempenhar um papel importante para explicar as conclusões inconsistentes.
“Não há evidências suficientes até o momento para concluir que existe a associação causal entre a função cognitiva e saúde bucal”, Wu concluiu. “Para a futura pesquisa, recomendamos que investigadores recolham dados de uma maior amostra representativa da população, use avaliações cognitivas padrão e medidas de saúde oral e use análises de dados mais sofisticadas”.
É previsto que a população de americanos com 65 anos de idade ou mais duplique nas próximas duas décadas para cerca de 72 milhões. Até 2030, adultos mais velhos representarão cerca de 20 por cento da população dos Estados Unidos. De acordo com estimativas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 16 milhões de pessoas nos Estados Unidos têm comprometimento cognitivo.
O estudo intitulado “Associação entre saúde bucal e estado cognitivo: Uma revisão sistemática”, foi publicado on-line em 1 de abril no Journal of the American Geriatrics Society antes da versão impressa.
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