crianças

Microbiota oral e obesidade: uma relação muito provável

Estima-se que o corpo humano seja composto por mais de 1014 células das quais 90% são células microbianas. Esse “microbioma humano” apresenta uma atividade metabólica similar ao fígado e é fundamental no desenvolvimento e homeostasia do organismo humano. Apesar do íntimo contato e translocação de micro-organismos entre as diversas superfícies do corpo humano, as microbiotas de diferentes regiões do corpo são distintas. Este fato sugere que a propriedades específicas de cada um destes ambientes determina que microbiota é capaz de se estabelecer nessa região.

Microbiotas complexas

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes, sendo o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação. Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro, sendo extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2 e por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas, como os anticorpos contra o Streptococcus pneumoniae que reagem cruzadamente com pneumococo. Porém alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Biofilme

Atmosferas anaeróbias e aeróbias, ambientes com variações de pH, diferentes superfícies de contato, além de características anatômicas tornam a cavidade oral propícia para formação de biofilme, comunidade polimicrobiana embebida em uma matriz extracelular de componentes orgânicos e inorgânicos, conferindo proteção contra defesas do hospedeiro, antimicrobianos e facilitando a comunicação intermicrobiana. Esse biofilme pode apresentar características patogênicas dependendo da sua composição e localização. Por exemplo, quando essa estrutura é encontrada nos dentes, é chamada de cariogênica, apresentando bactérias capazes de produzir ácidos que diminuem o pH e levam a desmineralização do dente. Já quando encontradas nos tecidos moles como a gengiva, é chamado de periodontopatogênico, tendo bactérias capazes de destruir os tecidos de sustentação do dente. Ambos os casos podem ser evitados com uma boa higiene oral, evitando seu estabelecimento e o desenvolvimento dessas espécies patogênicas.

Microbiota normal vs contaminação externa

Esse balanço entre a microbiota normal e contaminação externa, também é muito importante para evitar manifestações orais de doenças sistêmicas, como a candidíase, e doenças sistêmicas que já foram relatadas com associação a patologias orais, como endocardite e artrite reumatóide devido a produtos lançados na corrente sanguínea ou bacteremia numa simples escovação, uso do fio dental e procedimentos cirúrgicos. Segundo uma publicação de 2010, o microbioma oral pode ser importante no câncer e outras doenças crônicas, através do metabolismo direto de carcinógenos químicos e através de efeitos sistêmicos inflamatórios.

Por isso a higiene bucal é essencial, mantendo os níveis da microbiota normal e impedindo a contaminação com patógenos. Escovação, fio dental, enxaguatórios e uma visita regular ao dentista diminui em até 70% a incidência de doenças bucais, evitando também doenças sistêmicas.

Obesidade infantil

A obesidade infantil em todo o mundo ocidental vem se tornando um problema comum. Em um novo estudo que pode ajudar na compreensão do assunto, cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia começaram a entender como a microbiota oral de crianças de 2 anos de idade poderia ser um indicador de ganho de peso mais tarde na vida. O trabalho é parte de um estudo maior que está buscando evidências se uma intervenção responsiva dos pais durante os primeiros anos de vida da criança pode impedir o desenvolvimento da obesidade.

Sobrepeso: uma em cada três crianças

“Uma em cada três crianças nos Estados Unidos está com sobrepeso ou obesidade”, disse a autora sênior do estudo, Dra. Kateryna Makova, Professora de Biologia da Pentz na Penn State. “Se pudermos encontrar indicadores precoces de obesidade em crianças pequenas, poderemos ajudar os pais e os profissionais de saúde a tomar medidas preventivas”.

Embora variações na microbiota intestinal tenham sido associadas à obesidade em alguns adultos e adolescentes, a potencial relação entre a microbiota bucal e o ganho de peso em crianças não havia sido explorada antes deste estudo. “A microbiota oral é geralmente estudada em relação à doença periodontal, e a doença periodontal tem, em alguns casos, sido associada à obesidade”, disse a primeira autora do estudo, Sarah Craig, pós-doutoranda em biologia na Penn State.

“Aqui, exploramos quaisquer associações diretas potenciais entre a microbiota oral e o ganho de peso da criança. Em vez de simplesmente observar se uma criança estava com sobrepeso aos dois anos de idade, usamos curvas de crescimento nos dois primeiros anos após o nascimento, o que fornece um quadro mais completo de como a criança está crescendo. Essa abordagem é altamente inovadora para um estudo desse tipo e dá maior poder estatístico para detectar relacionamentos ”, continuou ela.

Metodologia do estudo

No estudo, os pesquisadores avaliaram 226 crianças da Pensilvânia central. De acordo com os resultados, a microbiota oral daqueles com rápido ganho de peso infantil – um forte fator de risco para a obesidade infantil – foi menos diversificada, contendo menos grupos de bactérias. Estas crianças também tiveram uma maior proporção de Firmicutes para Bacteroidetes, dois dos grupos bacterianos mais comuns encontrados na microbiota humana.

A menor diversidade e uma maior relação de Firmicutes-to-Bacteroidetes na microbiota intestinal são às vezes observadas como uma característica de adultos e adolescentes com obesidade. No entanto, os pesquisadores não observaram uma relação com o ganho de peso para qualquer uma dessas medidas na microbiota intestinal de crianças de 2 anos de idade, sugerindo que a microbiota intestinal pode não estar completamente estabelecida aos 2 anos de idade e ainda estar sofrendo muitas alterações.

Relação com a microbiota das mães

Outro aspecto interessante do estudo para pesquisadores foi que o ganho de peso em crianças estava relacionado à diversidade da microbiota bucal de suas mães. Isso poderia refletir uma predisposição genética da mãe e da criança a ter uma microbiota similar, ou a mãe e a criança terem uma dieta e um ambiente semelhantes.

“Pode ser uma explicação simples, como uma dieta compartilhada ou genética, mas também pode estar relacionada à obesidade”, disse Makova. “Ainda não sabemos com certeza, mas se há uma assinatura do microbioma oral ligada à dinâmica do ganho de peso na primeira infância, há uma particular urgência em entendê-lo.

Agora estamos usando técnicas adicionais para observar espécies específicas de bactérias, em vez de grupos taxonômicos maiores de bactérias, tanto em mães quanto em crianças, para ver se espécies específicas de bactérias influenciam o ganho de peso e o risco de obesidade. ”

Fontes: Scientific Reports e Instituto de Microbiologia – UFRJ
Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Um risco para crianças que pode ser amenizado

Crianças pequenas que engolem baterias tipo botão – como as usadas em relógios e em muitos brinquedos – representam um problema mundial e, frequentemente, com consequências catastróficas.

A boa notícia é que existe uma forma de minimizar os efeitos desses acidentes bem dentro de casa: o mel.

Uma equipe de especialistas em ouvido, nariz e garganta demonstrou que dar mel à criança depois que ela engoliu uma bateria tipo botão reduz os ferimentos nas crianças, além de dar tempo para chegar ao hospital.

Com base nos resultados em animais de laboratório – não há como fazer esse tipo de experimento em humanos em segurança -, a equipe mostrou que o mel reduz significativamente a mortalidade e a morbidade.

Acidentes frequentes

“As baterias tipo botão são ingeridas por crianças mais 2.500 vezes por ano [apenas] nos Estados Unidos, com um aumento de mais de 12 vezes nos desfechos fatais na última década em comparação com a década anterior. Como um dano grave pode ocorrer dentro de duas horas após a ingestão de uma bateria, o intervalo entre a ingestão e a remoção [da criança para um hospital] é um momento crítico para agir, a fim de reduzir a lesão esofágica,” explicou o Dr. Ian Jacobs, do Hospital Infantil da Filadélfia (EUA).

Mel quando engolir bateria

Para tentar reduzir os danos, os otorrinolaringologistas voltaram sua atenção para alimentos líquidos e mais viscosos que pudessem criar uma barreira protetora entre o tecido e a bateria, além de neutralizar os níveis alcalinos dos componentes tóxicos da bateria.

“Nós exploramos uma variedade de opções comuns de líquidos domésticos e medicinais, e nosso estudo mostrou que o mel e o sucralfato [medicamento usado contra úlceras] demonstraram os efeitos mais protetores contra a lesão por bateria botão, tornando as lesões mais localizadas e superficiais,” disse Kris Jatana, membro da equipe. “As descobertas de nosso estudo serão colocadas imediatamente na prática consultório, incorporadas às mais recentes Diretrizes do Centro Nacional de Envenenamento [dos EUA] para o manejo de ingestões de baterias tipo botão.”

“Nossa recomendação é que os pais e cuidadores ofereçam o mel em intervalos regulares até que a criança possa chegar ao hospital, enquanto os médicos em um ambiente hospitalar podem usar o sucralfato antes de remover a bateria,” detalhou Jacobs.

Danos causados pela ingestão de baterias

Por causa de seu tamanho, forma de doce e superfície metálica brilhante, as baterias de botão representam um risco para as crianças há décadas. Quando a bateria reage com a saliva e o tecido do esôfago, ela cria uma solução alcalina, rica em hidróxido, que essencialmente dissolve o tecido biológico.

As crianças com uma bateria botão no esôfago podem apresentar sintomas de dor de garganta, tosse, febre, dificuldade em engolir, má ingestão oral ou respiração ruidosa. Isso pode causar complicações graves, como perfuração esofágica, paralisia das cordas vocais e erosão nas vias aéreas ou nos principais vasos sanguíneos – nos casos mais graves, as crianças tipicamente morrem por hemorragia devido à corrosão dos tecidos internos.

Quanto mais tempo demorar para a bateria ser removida, maior o risco para essas crianças, particularmente aquelas sem acesso a hospitais com anestesistas e endoscopistas especializados e com experiência na remoção de objetos estranhos. A maioria dos casos fatais ocorre quando os pais não percebem que a criança engoliu a bateria, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com os causados por uma intoxicação alimentar.​

Dentalis Software – colabora com o seu sorriso e de seus pacientes

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Consumo exagerado de açúcares por crianças e a importância do dentista na orientação

Cerca de metade dos açúcares consumidos pelas crianças vem de lanches pouco saudáveis e bebidas açucaradas, revelou recentemente a Public Health England. De acordo com a publicação Dentistry.co.uk, a entidade pretende, por isso, reforçar as medidas que encorajem os pais a limitar o acesso das crianças aos lanches pouco saudáveis.

Nesse âmbito será iniciada uma campanha intitulada Change4life, que pretende encorajar os pais a limitarem o consumo de alimentos por parte dos seus filhos a lanches com apenas 100 calorias duas vezes por dia.

Sandra White, responsável pela saúde bucal pública no Reino Unido, informa que esta campanha tem como objetivo fazer com que seja mais fácil para os pais “reduzir o consumo de açúcares por parte dos seus filhos”, ao mesmo tempo que ajuda os profissionais de odontologia a apoiarem as famílias, sugerindo-lhes escolhas mais saudáveis.

Consumo exagerado de açúcares

De acordo com os dados apresentados pela Public Health England, em média, as crianças britânicas consomem pelo menos três lanches e bebidas açucaradas por dia, com um terço a consumir quatro ou mais.

Os números revelam ainda que, por ano, cada criança britânica consome cerca de 400 bolachas, mais de 120 bolos, cerca de 100 porções de doces, cerca de 70 barras de chocolate e 70 gelados e mais de 150 sumos ou bebidas açucaradas.

Dentalis Software – colabora com o seu sorriso e de seus pacientes

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Relação entre aleitamento materno e cáries em crianças

Um estudo conduzido na Universidade de Adelaide tem sugerido que crianças amamentadas por no mínimo dois anos poderiam apresentar maior risco para o desenvolvimento de cáries. Os pesquisadores consideraram essa descoberta contrapondo-a ao padrão de açúcar consumido em alimentos.

O objetivo do estudo foi investigar o efeito da amamentação prolongada em crianças com dentes. A pesquisadora responsável pelo estudo, Dra. Karen Glazer Peres da Faculdade de Odontologia de Adelaide, explicou que crianças amamentadas na idade igual ou superior a 2 anos tiveram risco aumentado de desenvolver problemas odontológicos, incluindo dentes ausentes, com sinais de cáries ou com obturação.

De acordo com o estudo, o risco de terem cáries severas na primeira infância era 2,4 vezes maior comparado com as crianças amamentadas até um ano de idade. Entretanto, os pesquisadores descobriram que a amamentação até os 13–23 meses não teve efeito na incidência de cáries.

No geral, 1.129 crianças nascidas em 2004 em Pelotas/RS, uma cidade suprida com água pública fluorada, foram incluídas no estudo. Os dados da amamentação foram coletados no nascimento, quando as crianças estavam com 3 meses, 1 ano e 2 anos de idade. Adicionalmente, dados do consumo de açúcar foram coletados nas idades de 2, 4 e 5 anos.

Os pesquisadores descobriram que o consumo do açúcar só foi associado a maior risco de desenvolvimento de cárie severa na primeira infância quando as crianças o consumiam em alta quantidade, isso comparado as que consumiam menos.

Amamentação prolongada – fator de risco para cáries

Considerando o consumo de açúcar das crianças, a análise mostrou que a amamentação prolongada era um fator de risco independente para cárie e deterioração severas, dentes ausentes ou obturados.

“A amamentação é um recurso inquestionável à nutrição da criança. Os dentistas deveriam encorajar as mães a amamentar e, do mesmo modo, aconselhá-las sobre o risco. Recomendações gerais como o consumo de água fluorada e a higienização dos dentes da criança com pasta de dente com flúor antes de irem dormir podem ajudar na prevenção de cáries”, disse Peres.

O estudo, intitulado “Impact of prolonged breastfeeding on dental caries: A population-based birth cohort study”, foi publicado na edição de junho da revista Pediatrics. Ele foi conduzido com colaboração dos pesquisadores da Universidade de Pelotas e Universidade de São Paulo.

Posted by Victor in Estudos, 2 comments

Aberto caminho para detecção de crianças com alto potencial para cáries

Pesquisadores da Universidade de Umeå, na Suécia, fizeram uma nova descoberta conectando tipos altamente virulentos da bactéria da cárie Streptococcus mutans e sua função de aderência para crianças com cáries desenfreadas e aumento do risco de cárie dentária. Segundo os pesquisadores, os resultados podem conduzir a uma melhor maneira de identificar pacientes de alto risco e melhorar o tratamento.

Para os cinco anos do estudo, a saliva de 390 crianças com 12 anos de idade no começo foi analisada e sua saúde dentária monitorada. Após a análise das amostras de saliva e estirpes bacterianas isoladas, as crianças foram divididas em vários grupos de risco com base no tipo genético da bactéria da cárie dentária que possuíam. Depois de cinco anos de acompanhamento, os pesquisadores puderam ver como a cárie tinha se desenvolvido nos diversos grupos de risco.

Através de estudos bioquímicos, os pesquisadores encontraram uma ligação entre as proteínas adesivas SpaP B e Cnm e sua adesão a saliva e DMBT1, uma proteína da saliva. Eles também mostraram que a capacidade superior de ligação levou ao aumento de cárie ao longo dos cinco anos de estudo. Com base nos resultados, os pesquisadores estabeleceram que crianças de alto risco têm variantes mais virulentas de S. mutans, cuja função adesiva torna-os mais agressivos e mais sobreviventes.

“A cárie é um estilo de vida frequentemente causado pela comida e hábitos de higiene oral, que levam a um pH ácido na boca. O valor do pH tem um efeito prejudicial sobre o esmalte e ainda promove o crescimento de bactérias produtoras de ácido tais como Streptococcus mutans“, disse o Prof. Nicklas Strömberg, chefe do Departamento de Cariologia na universidade e principal autor do estudo.

Detecção precoce a partir de biomarcadores

“Este novo conhecimento dos tipos de bactérias identificadas e como iniciam a cárie pode ser usado para melhorar o atendimento odontológico individualizado. A presença das bactérias poderia ser utilizada como biomarcadores para detecção precoce de pacientes de alto risco. Além disso, a sua função adesiva pode constituir novos alvos para o tratamento”, disse Strömberg.

Segundo Strömberg, em um trabalho ainda a ser publicado, sua equipe descobriu que outras crianças de alto risco têm defeitos genéticos em seus receptores salivares para bactérias, e os genes afetados podem envolver os associados com doenças auto-imunes. No entanto, ele declarou: “Ainda é importante enfatizar que a cárie em muitos indivíduos de baixo a moderado risco ainda é modulada por comida e hábitos de higiene oral”.

O estudo, intitulado “Streptococcus mutans biótipos de adesina que correspondem e predizem o desenvolvimento de cárie individual”, foi publicado recentemente no EBioMedicine Journal.

Dentalis software – gerencia seu consultório e garante mais tempo para atenção ao seu paciente

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Tempo de amamentação e a incidência de cáries em crianças

Um estudo conduzido na Universidade de Adelaide tem sugerido que crianças amamentadas por no mínimo dois anos poderiam ter maior risco de terem cáries. Os pesquisadores consideraram essa descoberta contrapondo-a ao padrão de açúcar consumido em alimentos.

O objetivo do estudo foi investigar o efeito da amamentação prolongada em crianças com dentes. A elaboradora conceitual do estudo, Dra. Karen Glazer Peres da Faculdade de Odontologia de Adelaide, explicou que crianças amamentadas na idade igual ou superior a 2 anos tiveram risco aumentado de desenvolver problemas odontológicos, incluindo dentes ausentes, com sinais de cáries ou com obturação. De acordo com o estudo, o risco de terem cáries severas na primeira infância era 2.4 vezes maior comparado com as crianças amamentadas até um ano de idade. Entretanto, os pesquisadores descobriram que a amamentação até os 13–23 meses não teve efeito na incidência de cáries.

No geral, 1.129 crianças nascidas em 2004 em Pelotas/RS, uma cidade suprida com água pública fluorada, foram incluídas no estudo. Os dados da amamentação foram coletados no nascimento, quando as crianças estavam com 3 meses, 1 ano e 2 anos de idade. Adicionalmente, dados do consumo de açúcar foram coletados nas idades de 2, 4 e 5 anos.

Os pesquisadores descobriram que o consumo do açúcar só foi associado a maior risco de obtenção de cárie severa na primeira infância quando as crianças o consumiam em alta quantidade, isso comparado as que consumiam menos. Considerando o consumo de açúcar das crianças, a análise mostrou que a amamentação prolongada era um fator de risco independente para cárie e deterioração severas, dentes ausentes ou obturados.

Amamentar sim…mas ter certos cuidados é importante

“A amamentação é um recurso inquestionável à nutrição da criança. Os dentistas deveriam encorajar as mães a amamentar e, do mesmo modo, aconselhá-las sobre o risco. Recomendações gerais como o consumo de água fluorada e a higienização dos dentes da criança com pasta de dente com flúor antes de irem dormir podem ajudar na prevenção de cáries”, disse Peres.

O estudo, intitulado “Impact of prolonged breastfeeding on dental caries: A population-based birth cohort study”, foi publicado na edição de junho da revista Pediatrics. Ele foi conduzido com colaboração dos pesquisadores da Universidade de Pelotas e Universidade de São Paulo.

Dentalis Software – colabora com o seu sorriso e de seus pacientes

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Suspeita: Paracetamol durante gravidez pode reduzir características masculinas dos filhos

O paracetamol é um dos medicamentos mais populares para aliviar a dor. Mas, se a mulher estiver grávida, deve pensar duas vezes antes de tomar o medicamento.

Como não seria aceitável fazer a pesquisa em humanos, cientistas usaram um modelo animal, e descobriram que o paracetamol, prejudica fortemente o desenvolvimento da fisiologia e dos comportamentos masculinos, o que eles afirmam que é “muito preocupante”.

“A área do cérebro que controla o desejo sexual – o núcleo dimórfico sexual – tinha metade dos neurônios nos camundongos que receberam paracetamol em relação aos camundongos de controle. A inibição da testosterona também levou a uma redução pela metade da atividade em uma área do cérebro que é significativa para características masculinas,” explicou o Dr. David Mobjerg Kristensen, da Universidade de Copenhague (Dinamarca).

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o paracetamol pode inibir o desenvolvimento do hormônio sexual masculino – testosterona – nos fetos masculinos, aumentando assim o risco de má-formação dos testículos. Mas um nível reduzido de testosterona na fase fetal também é significativo para os comportamentos dos machos adultos.

“Nós demonstramos que um nível reduzido de testosterona significa que as características masculinas não se desenvolvem como deveriam. Isso também afeta o desejo sexual. Em um experimento, os camundongos expostos ao paracetamol no estágio fetal simplesmente não conseguiram copular da mesma maneira que nossos animais de controle. A programação masculina não foi adequadamente estabelecida durante o desenvolvimento fetal, o que pode ser visto muito tempo depois na vida adulta. É muito preocupante,” disse Kristensen.

Não dá para testar em humanos

A dosagem administrada aos camundongos foi muito próxima da dosagem recomendada para mulheres grávidas. Como os ensaios ficaram restritos a camundongos, os resultados não podem ser transferidos diretamente para humanos.

No entanto, os pesquisadores afirmam que a certeza que eles têm sobre os efeitos prejudiciais do paracetamol para a masculinidade significa que seria eticamente inaceitável realizar os mesmos ensaios em humanos.

Testosterona

A testosterona é o principal hormônio sexual masculino, que ajuda a desenvolver o corpo masculino e a programação masculina do cérebro.

Os comportamentos masculinos observados pelos pesquisadores nos camundongos envolveram agressividade a outros camundongos, capacidade de copular e a necessidade de marcação territorial. Os animais submetidos ao medicamento na fase fetal reagiram significativamente mais passivamente do que o normal para os três parâmetros. Eles não atacavam outros machos, não conseguiam copular e se comportavam mais como as fêmeas quando se tratava da marcação territorial pela urina.

Risco do paracetamol para mulheres

O estudo centrou-se no efeito do paracetamol nas características masculinas, mas os pesquisadores ressaltam que o paracetamol durante a gravidez também tem o potencial de influenciar as vidas subsequentes das camundongos fêmeas. Em 2016, eles já haviam publicado um estudo mostrando que camundongos fêmeas tinham menos ovos em seus ovários se suas mães tivessem tomado paracetamol durante a gravidez.

Este novo estudo foi publicado na revista científica Reproduction (DOI: 10.1530/REP-17-0165).

Dentalis Software – colabora com o seu sorriso e de seus pacientes

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

Descoberta relação direta entre o diabetes tipo 2 e a saúde bucal de crianças

criança no dentistaCrianças obesas com diabetes tipo 2 têm maiores probabilidades de sofrer de problemas de saúde bucal do que aquelas com um peso normal ou obesas sem diabetes. A conclusão é de um estudo recentemente publicado na revista científica Plos One e demonstra, pela primeira vez, uma relação direta entre a diabetes tipo 2 e a saúde bucal das crianças.

Para chegar a esta conclusão, o estudo avaliou 19 crianças com um peso normal, 14 crianças obesas e 16 crianças obesas com diabetes tipo 2, todas com idades entre os 10 e os 19 anos. Além das participação na pesquisa sobre a sua saúde bucal, todos os participantes foram submetidos a um check-up dentário e a uma análise da presença de marcadores inflamatórios na saliva.

Os resultados, agora publicados, mostram que as taxas de dentes em falta, com cáries ou tratados eram muito semelhantes entre os grupos analisados, contudo, a severidade da inflamação da gengiva era mais elevada no grupo de crianças com diabetes tipo 2. Além disso, o estudo demonstrou que nos grupos de crianças com peso normal e de crianças obesas sem diabetes existiam crianças com uma saúde gengival excelente ou boa, contudo, no grupo de crianças com diabetes, nenhuma apresentava uma saúde gengival excelente. Importante ainda dizer que, de acordo com o estudo, as crianças com diabetes foram também aquelas em que se registou menor probabilidade de terem ido ao dentista nos últimos seis meses.

Conclusão

“A mais importante descoberta deste estudo é que, como nos adultos, as crianças com diabetes tipo 2 aparentam ser mais vulneráveis à inflamação periodontal do que as crianças com um peso normal ou as crianças obesas. Isto justifica a necessidade de prestar atenção adicional à higiene oral das crianças com diabetes tipo 2”, refere Frank A. Scannapieco, um dos autores do estudo.

Posted by Victor in Estudos, 0 comments

FDA recomenda uso mais restrito da codeína e do tramadol, saiba os motivos

comunicado fdaA Food and Drug Administration (FDA) está restringindo o uso de codeína e tramadol em crianças. A codeína é aprovada para tratar a dor e a tosse, o tramadol é aprovado para tratar a dor, ambos apenas para uso em adultos. Estes medicamentos apresentam sérios riscos, incluindo respiração lenta ou difícil e morte, que parecem ser um risco maior em crianças com menos de 12 anos, e não devem ser utilizados nesta faixa etária. Estes medicamentos também devem ser limitados em algumas crianças mais velhas.

Também recomenda-se contra o uso de codeína e tramadol em mães que estejam amamentando devido a possíveis danos aos seus bebês.

As novas recomendações limitam ainda mais o uso destes medicamentos, para além da restrição feita em 2013 do uso de codeína em crianças com menos de 18 anos para tratar a dor após cirurgia para remoção das tonsilas e/ou adenoides.

A FDA acrescenta agora as seguintes restrições:

✓Contraindica, com recomendação em bula, o uso de codeína e tramadol em crianças alertando que a codeína não deve ser usada para tratar dor ou tosse e o tramadol não deve ser usado para tratar a dor em crianças menores de 12 anos.

✓Uma nova contraindicação na bula do tramadol adverte contra o seu uso em crianças menores de 18 anos para tratar a dor após a cirurgia para remoção das amígdalas2 e/ou adenoides.

✓Um novo aviso nas bulas de codeína e tramadol recomenda contra o seu uso em adolescentes, entre 12 e 18 anos, que são obesos ou têm condições como apneia obstrutiva do sono3 ou doença pulmonar grave, o que pode aumentar o risco de problemas respiratórios graves.

✓Um reforço nas advertências para as mães de que o aleitamento materno não é recomendado quando se tomam medicamentos com codeína ou tramadol, devido ao risco de reações adversas graves em lactentes5 amamentados. Estes podem incluir o excesso de sonolência, a dificuldade de amamentar ou problemas respiratórios graves que poderiam resultar em morte.

É recomendado que todos observem atentamente os sinais de problemas respiratórios em uma criança de qualquer idade que esteja fazendo uso destes medicamentos ou em crianças expostas à codeína ou ao tramadol através do leite materno. Estes sinais incluem respiração lenta ou superficial, dificuldade respiratória ou respiração barulhenta, confusão mental, sonolência maior do que o usual, dificuldade para amamentar ou fraqueza muscular. Caso algum destes sinais sejam notados, recomenda-se parar com a medicação e procurar assistência médica imediatamente em hospital de emergência.

A codeína e o tramadol são medicamentos narcóticos chamados de opioides. A codeína é usada para tratar a dor leve a moderada e também para reduzir a tosse, aprovada para uso em adultos. É geralmente combinada a outros medicamentos, como o paracetamol, em remédios para dor, gripe ou resfriado. O tramadol é um medicamento aprovado apenas para uso em adultos para tratar dor moderada a moderadamente grave. No entanto, os dados mostram que estão sendo usados em crianças e adolescentes, apesar de não serem aprovados para uso nesses pacientes.

Fonte: FDA

Dentalis software – gerencia seu consultório e garante mais tempo para atenção ao seu paciente

Posted by Victor in Dicas, Estudos, 0 comments

O Temperamento das crianças pode pode estar relacionado ao sucesso na sedação com óxido nitroso

mascara de óxido nitroso em criançaO óxido nitroso é frequentemente utilizado na sedação de pacientes infantis quando submetidos a tratamentos dentários com o objetivo de que isso facilite a cooperação das criança nos tratamentos. Ainda assim, em alguns pacientes este tipo de sedação não é eficaz. Agora, uma equipe de pesquisadores pode ter descoberto um dos fatores pode vir a explicar o motivo dessa ineficácia: o temperamento da criança.

O estudo foi publicado na revista científica ‘Anesthesia Progress’ e revela que o temperamento da criança desempenha um papel importante no sucesso deste tipo de procedimento, que se mostrou mais eficaz em crianças, por exemplo, que apresentam melhores níveis de concentração.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram 48 crianças que receberam tratamentos dentários de restauração que exigiram a administração de anestesia local com óxido nitroso. Por outro lado, para avaliar o temperamento das crianças, os seus responsáveis foram convidados a responder um questionário.

Os resultados agora publicados mostram que a taxa de sucesso da sedação foi de cerca de 85,4%, sem evidências de que a idade, gênero ou tipo de tratamento estivessem associados com o resultado final.

Crianças que mantém o foco respondem mais facilmente à sedação

Contudo, os resultados revelaram que o sucesso deste tipo de sedação estava significativamente relacionada com a capacidade de manter a concentração durante um longo período de tempo. Além disso, aquelas crianças que mesmo quando aborrecidas facilmente retornavam ao estado de calma ou com níveis de frustração baixos também foram consideradas mais fáceis de tratar.

No decorrer do procedimento odontológico, verificou-se maior índice de sucesso entre as crianças que apresentaram maior capacidade de manter o foco de forma mais persistente, ainda que muitas vezes isso seja uma tarefa difícil.

O estudo está disponível aos interessados neste link.

Posted by Victor in Estudos, 0 comments