doença periodontal

Doença periodontal associada à pressão alta

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A doença periodontal pode ser didaticamente divida em três estágios. Desde o menos grave (gengivite), passando pela periodontite, até o mais avançado, a periodontite avançada.

Mais e mais evidências indicam que a doença periodontal aumenta o risco de outras condições de saúde, incluindo hipertensão.

Uma nova revisão da literatura reforça essa tese. Os dados indicam que quanto mais avançado o estágio da doença periodontal, maior o risco de hipertensão.

É o que revelam dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, o CDC.

Segundo o CDC, 47,2% das pessoas com 30 anos ou mais apresentam alguma forma de doença periodontal. Cerca de 32% de todos os adultos nos Estados Unidos têm pressão alta.

As duas condições podem dar a impressão de não estarem relacionadas. No entanto, estudos recentes reforçam a ideia da ligação entre doença periodontal e pressão alta.

Doença periodontal e pressão alta

Uma revisão recente da literatura trouxe uma importante confirmação.
Ou seja, as evidências apontam que pessoas com periodontite tem maior risco para o desenvolvimento se pressão alta.

Além disso, dados publicados na revista Cardiovascular Research, quanto mais severa a periodontite, maior o risco de hipertensão.

Periodontite, pressão alta, ataques cardíacos e derrames

Pacientes com periodontite podem desenvolver pressão alta. Hipertensão, por sua vez, pode ser a causa de ataques cardíacos e derrames.

Pesquisas anteriores já indicavam uma conexão entre doença periodontal e pressão alta. Igualmente também sugeriam que o tratamento odontológico poderia ajudar no controle da pressão arterial. No entanto, até o momento os resultados são inconclusivos.

Associação direta

Os pesquisadores revisaram e analisaram as evidências apresentadas por 81 estudos de 26 países.
A pesquisa sugeriu que a pressão arterial média tende a ser significativamente maior em indivíduos com doença periodontal.

No detalhe, a pressão arterial sistólica e diastólica apresentaram elevação.
Mais elevada em 4,5 milímetros de mercúrio e 2 mm Hg mais altos, respectivamente, naqueles com doença periodontal do que naqueles sem ela.
A pressão sistólica é aquele verificada durante os batimentos cardíacos. Já a pressão diastólica é aquela observada entre os batimentos cardíacos.

25% maior risco de morte

Essas diferenças não são nada desprezíveis.
Um aumento médio da pressão arterial de 5 mm Hg estaria associado a um risco 25% maior de morte por ataque cardíaco ou derrame.

Grau mais elevado de doença periodontal – maior o risco

Os pesquisadores identificaram uma associação entre doença periodontal com um risco 22% maior para o aparecimento de pressão alta.
Ao mesmo tempo verificaram que a periodontite avançada apresentava um risco 49% maior para o desenvolvimento de hipertensão.

Observa-se uma associação linear. Ou seja, quanto mais grave o grau de doença periodontal, maior a probabilidade de hipertensão.

Os resultados sugerem que os pacientes com doença periodontal devam ser informados sobre a existência desse risco.
Ao mesmo tempo devem ser aconselhados a realizar mudanças em seu estilo de vida de forma a evitar a pressão alta. A prática regular de exercícios físicos combinados a uma dieta saudável são altamente recomendáveis.

doença periodontal

Tratamento da doença periodontal poderia diminuir a pressão arterial?

Os pesquisadores também queriam ver se havia alguma evidência de uma correlação entre o tratamento da doença periodontal e uma redução na pressão sanguínea.

Apenas cinco dos 12 estudos intervencionistas incluídos na revisão verificaram que o tratamento da doença gengival parecia resultar em uma diminuição da pressão arterial.

As evidências, sobre esse aspecto específico, permanecem inconclusivas.

Parece haver conexão entre a saúde bucal e a pressão arterial. Ligação esta observada tanto em estados saudáveis e doentes. No entanto, a hipótese de que terapia da doença periodontal possa reduzir a pressão arterial depende de mais estudos e comprovações.

A inflamação é o elo que falta?

Os pesquisadores acreditam que a inflamação pode estar no centro do elo intrigante entre a saúde bucal e a cardiovascular.
A hipótese de que as bactérias orais responsáveis pela doença periodontal poderiam desencadear essa inflamação, que, por sua vez, tornaria a hipertensão, o elo mais provável.

Outra explicação possível pode ser a presença de certas características genéticas.
E ainda, a exposição a fatores de risco comuns tanto à doença periodontal quanto à hipertensão, como hábito de fumar ou obesidade.

Em muitos países do mundo, a saúde bucal não é verificada regularmente. É onde a doença periodontal pode permanecer sem tratamento por muitos anos.
A hipótese é que essa situação de inflamação bucal e sistêmica e resposta a bactérias se acumule sobre os fatores de risco existentes.

Doença periodontal pode gerar pressão alta, ou seria o contrário?

Até o momento se supõe que a doença periodontal possa ser um fator de risco para a pressão alta.
No entanto, a relação pode existir de maneira inversa. Ou seja, a hipertensão pode ser um fator de risco para essa doença bucal.

Mais pesquisas são necessárias para verificar se os pacientes com pressão alta têm uma probabilidade aumentada de doença periodontal.

Parece prudente fornecer conselhos de saúde bucal para os hipertensos “, observa o pesquisador sênior.

O que é consenso entre os especialistas

Está claro que mais pesquisas são necessárias para examinar se os pacientes com pressão alta têm uma probabilidade aumentada de doença periodontal.
Desde já, no entanto, é recomendável reforçar a importância dos cuidados com a saúde bucal entre os hipertensos.

A pressão alta atinge 1 bilhão de pessoas no mundo todo. É um triste e preocupante quadro que dados recentes revelam.

Esse é um tema que muito nos preocupa aqui no Dentalis. Já alertamos os leitores de nosso blog em uma matéria anterior sobre essa preocupante relação entre a doença periodontal e hipertensão.

Em nosso próximo post vamos trazer uma matéria com 15 dicas simples de como manter baixa a sua pressão arterial.
Convidados você a ficar sintonizado com tudo o que acontece no blog Dentalis.

Fonte: MedicalNewsToday,

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Vitamina D e doença periodontal, existe relação?

vitamina D e doença periodontalPesquisas recentes evidenciam a possibilidade de uma importante relação entre a vitamina D e doença periodontal.

A doença periodontal avançada é uma condição inflamatória do periodonto desenvolvida a partir de biofilmes microbianos que se formam nos dentes.

Os produtos bacterianos, assim como a resposta imune do hospedeiro a esses produtos, resultam na destruição dos tecidos que sustentam os dentes, incluindo o osso alveolar.

Devido a essa destruição tecidual, a doença periodontal avançada é uma das principais causas de perda dental em adultos.

A prevenção dessa doença é importante porque a perda dentária pode afetar o estado nutricional e a qualidade de vida.

A doença periodontal avançada também tem sido associada a condições sistêmicas. Condições como doença cardiovascular e diabetes mellitus tipo II.

vitamina d e doença periodontal

A vitamina D

A vitamina D é uma vitamina solúvel em gordura obtida da exposição à luz solar, dieta e suplementos nutricionais.

A vitamina D é metabolizada no fígado em 25-hidroxivitamina D e depois metabolizada nos rins para sua forma ativa, 1,25-di-hidroxivitamina D. Embora não haja consenso sobre os níveis de hidroxivitamina D, a maioria dos especialistas define <50 nmol / L (20 ng / mL) como insuficiência de vitamina D.

Evidências recentes sugerem que os níveis de hidroxivitamina D podem precisar ser tão altos quanto 75 nmol / L ( 30 ng / mL) para atingir o status ideal de vitamina D.

O papel da vitamina D no organismo

A vitamina D está envolvida na regulação da absorção de cálcio pelos intestinos, mantendo a concentração do cálcio plasmático e a mineralização óssea.
Estudos encontraram associações positivas significativas entre os níveis de hidroxivitamina D e a densidade mineral óssea ideal. A suplementação de vitamina D, quando necessária, diminui o risco de fraturas.

Vitamina D e o sistema imunológico

Evidências mais recentes indicam que a vitamina D também tem um efeito regulatório na resposta imunológica.
Ela estimula a resposta imunológica às vezes, enquanto a inibe em outras.

Um estudo demonstrou que a capacidade de produzir vitamina D ativa melhorou a atividade bactericida. Por outro lado existem muitos exemplos da capacidade da vitamina D de inibir a resposta imunitária.

Vitamina D e doença periodontal

A doença periodontal avançada é caracterizada pela perda óssea desencadeada por uma reação de resposta imune do hospedeiro à placa bacteriana.
A deficiência de vitamina D pode ter um efeito sobre o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal.

Dois grandes estudos transversais encontraram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e marcadores de doença periodontal.

No entanto, o maior estudo prospectivo até o momento, bem como o estudo transversal mais recente, não encontraram relação entre a vitamina D e doença periodontal.

Está claro que mais pesquisas são necessárias para determinar o impacto que o status da vitamina D tem sobre a progressão da doença periodontal.

A pesquisa

Os dados foram obtidos de pessoas de 6 a 79 anos participando do ciclo 1 da pesquisa.
O ciclo 1, realizado de 2007 a 2009, foi uma pesquisa nacional, transversal, realizada pela Statistics Canada, de uma amostra representativa de 97% da população canadense em todas as províncias e territórios.

A coleta de dados envolveu medidas físicas e entrevistas. Foram entrevistados 5.604 participantes.
Todos os participantes forneceram consentimento informado. O CHMS excluiu membros em tempo integral das Forças Canadenses e residentes das Primeiras Nações, terras da Coroa, certas regiões remotas do Canadá e instituições.

O objetivo deste estudo foi explorar a relação entre a concentração de vitamina D e doença periodontal. As medições levaram em conta o índice gengival (GI) e outros parâmetros definidos pelo Canadian Health Measures Survey (CHMS).

Os exames odontológicos foram realizados por 14 dentistas das forças canadenses. Os parâmetros foram definidos de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) .

Os resultados

Os participantes com concentrações de hidroxivitamina D <50 nmol / L e <75 nmol / L tiveram um aumento significativo nas chances de apresentar quadros de doença periodontal.

Aqueles que tomam suplementos de vitamina D tiveram chances significativamente mais baixas para para a infecção gengival. Já aqueles com diabetes aumentaram as chances de apresentar doença periodontal nos graus moderado a grave.

A média do IMC foi significativamente maior entre aqueles com pior quadro de doença periodontal.

Enquanto isso, aqueles que relataram frequentar um dentista ≥ 1 vez ao ano, escovando os dentes duas vezes ao dia e usando fio dental diariamente tiveram chances significativamente menores de doença periodontal.

Aumento dos índices de placa foram associados com o aumento da probabilidade de moderada a grave de doença periodontal. Os homens tiveram um aumento nas chances de doença periodontal em comparação com as mulheres.

Já aqueles nas categorias de renda mais alta tiveram menores chances de doença periodontal do que aqueles nas categorias de renda mais baixa.

As mulheres apresentaram menor chance de doença periodontal moderada a grave.
Enquanto valores altos para o índice de placa aumentaram as chances de doença periodontal moderada a grave.

Pacientes com níveis abaixo do limite padrão de vitamina D foram associados a um aumento da probabilidade de risco para doença periodontal grave.

Discussão

Apesar dos dados indicativos da presente pesquisa, atualmente existem evidências conflitantes na literatura sobre a relação entre vitamina D e doença periodontal.

Os resultados do estudo contêm evidências que apoiam uma associação entre baixos níveis de vitamina D e doença periodontal.

É provável que jovens e adultos mais jovens tenham uma melhor saúde bucal do que adultos mais velhos. Isto pode ter afetado a análise de medidas selecionadas de resultados periodontais.

Os pontos fortes deste estudo incluem o grande tamanho e a natureza representativa da amostra.
Outra vantagem é a disponibilidade dos atuais níveis de hidroxivitamina D, que é o padrão ouro reconhecido na determinação do status geral de vitamina D de um indivíduo.

Conclusão

O estudo foi realizado com uma amostra representativa de adultos canadenses. Forneceu evidências modestas que suportam uma relação entre baixas concentrações de vitamina D e doença periodontal.

É provável que estudos prospectivos com seguimento mais longo sejam necessários para elucidar completamente o efeito.
Se isso se confirmar, vitamina D e doença periodontal irá entrar definitivamente para a lista de causas dessa grave patologia.

Tem sido comum nos dias atuais as pessoas começarem a tomar suplementos de vitamina D. Fica o alerta para o risco de ingestão de doses elevadas dessa vitamina, que tem efeito cumulativo no organismo. Isso devido a sua liposolubilidade. Mais detalhes podem ser obtidos neste artigo já anteriormente publicado aqui no blog Dentalis.

Fonte: Dental News
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Estresse: mais um fator de risco para a doença periodontal

estresse e doença periodontalEstresse e doença periodontal podem parecer coisas complemente desconexas, mas existe uma relação forte entre elas.

Quando você lê ou ouve a palavra estresse logo lembra de algo que pode ser ruim ou prejudicial, não é mesmo?
O estresse é algo inerente à condição humana e é parte de nossas vidas. Em situações de perigo ou ameaça nosso corpo libera adrenalina e cortisol. Esse aporte hormonal aumenta o fluxo sanguíneo para o músculos e para o cérebro. É uma reação natural do corpo e fundamental a nossa sobrevivência. É uma reação do corpo nos preparando para a luta ou fuga.

Os seres humanos primitivos viviam sob condições muito mais estressantes do que nós atualmente.
A sobrevivência sua e de seu grupo era constantemente colocada em risco. Eles tinham que caçar para sobreviver e eram obrigados a lutar ou fugir. As reações geradas pelo estresse eram uma fonte de energia. Isso lhes possibilitava sobreviver em um mundo selvagem em que viviam. A energia era imediatamente canalizada para a ação.
No mundo atual, a agressão é evidentemente mais verbal e é impossível lutar ou fugir de uma prova, entrevista ou reunião com seu chefe.

Estresse bom e ruim

O estresse bom é aquele caracterizado pelo “friozinho na barriga” que aumenta a nossa concentração. Nos prepara para a prova de um concurso, uma entrevista de emprego ou um encontro importante. Se não contássemos com estresse algum para enfrentar essas situações certamente teríamos sérios problemas.

O problema não é o estresse normal, e sim o excesso dele.
Quando dá um “branco” na hora de uma prova é porque o estresse está acentuado à ponto de gerar um bloqueio mental que nos paralisa.
O estresse ruim é também aquele que se prolonga, mesmo quando o momento estressante já passou. É também aquele em que a pessoa traz para o presente situações ruins e as revive continuamente. O estresse geralmente dura mais e é mais intenso (intimidação no trabalho, por exemplo). É aqui que a patologia se torna arraigada.

Danos causados pelo estresse ruim

O estresse ruim ou crônico traz prejuízos à saúde. Pode provocar insônia, baixa da resistência imunológica, dores de cabeça constantes, dificuldades de concentração, irritabilidade, hipertensão, depressão. Em casos mais graves, até mesmo síndrome do pânico.
Quando o estresse é acentuado e se prolonga por muito tempo o corpo padece. Os níveis hormonais permanecem elevados.

O estresse em fases

O estresse pode ser dividido em três fases de acordo com as respostas fisiológicas.

Fase de alarme

É aquela quando a pessoa se vê diante de uma situação difícil. Neste momento o corpo mobiliza recursos. A glicose é liberada, a respiração se acelera e a gordura começa a ser queimada em maior intensidade. Os batimentos cardíacos aumentam. As mãos ficam suadas. Os cinco sentidos ficam mais nítidos.
A produção de saliva diminui e a digestão é interrompida. Músculos e cérebro viram prioridade para o organismo.

Fase de resistência

Acontece quando nosso organismo tenta se reequilibrar e voltar ao estado original. Aqui há uma utilização muito grande de energia. Daí surgem alguns sintomas como cansaço, mal estar generalizado, tontura, formigamento nas extremidades e também problemas com a memória. Depois de certo tempo, e pela repetição continuada do processo, o organismo fica ligado de uma vez por todas. Essa é a principal característica da fase de resistência.

Fase de exaustão

Esta condição se caracteriza pelas defesas do organismo não terem conseguido trazer o organismo de volta ao estado normal após uma situação estressante. É geralmente nesta fase que as doenças começam a aparecer.
É uma forma que o corpo utiliza para comunicar algo muito importante. Ou seja, para avisar que não está conseguindo lidar com a carga estressante.
Há exaustão física e mental, insônia, ansiedade, irritabilidade, angústia e hipersensibilidade emotiva, entre outros sintomas e doenças.

estresse e doença periodontalQual a conexão entre estresse e doença periodontal?

Estresse e doença periodontal tem uma relação próxima, embora à primeira vista pareça não haver qualquer tipo de conexão.
Uma análise histórica apresenta evidências muito fortes dessa relação.
Os soldados de Alexandre, o Grande, sofriam de doença periodontal.
Esse foi um dos primeiros registros históricos a associar estresse e doença periodontal.
Um outro relatado pela história foram mais tarde os soldados na Primeira Guerra Mundial a padecer dessa doença.
Nessa época foi apelidada de “Doença das trincheiras”.

A doença periodontal é multifatorial e inflamatória. Na periodontite necrótica, o estresse é reconhecido como um importante fator de risco.

estresse e doença periodontal

Estresse é considerado um fator predisponente?

Estresse e doença periodontal guardam uma estreita relação. São duas as principais razões que explicam tal fato. Um deles é que o estresse desencadeia uma mudança de comportamento. O outro é a consequente diminuição da resposta imunológica.

A adoção de bons hábitos de higiene bucal dependem muito do estado de saúde mental do paciente. Tem sido relatado que distúrbios psicológicos podem levar os pacientes a negligenciarem a higiene bucal. O acúmulo resultante de placa acaba sendo prejudicial ao tecido periodontal.

O tônus da musculatura lisa dos vasos sanguíneos na gengiva pode ser alterado pelas emoções. Isso como consequência do sistema nervoso autônomo. O estresse contínuo gera uma constrição constante dos vasos sanguíneos podendo alterar o suprimento de oxigênio e nutrientes para os tecidos.

Tanto o aumento quanto a diminuição do fluxo salivar, decorrente de distúrbios emocionais, podem afetar adversamente o periodonto.
A angústia emocional também pode produzir alterações no pH da saliva e na composição química, como a secreção de IgA. Esses eventos mostram que a saúde periodontal é influenciada por mudanças salivares.

A influência de fatores diversos

Como descrito anteriormente, o estresse e seus mediadores bioquímicos podem modificar a resposta imunológica. Um sistema imune forte é a melhor arma contra a doença periodontal inflamatória. Sob estresse, a liberação de adrenalina e noradrenalina pode não apenas induzir uma diminuição no fluxo sanguíneo. Também podem influir negativamente na ação as células de defesa e seus mediadores sobre as bactérias relacionadas à doença. Os glicocorticoides, liberados durante o estresse, podem prolongar essa resposta vascular.

O bruxismo é também considerado um fator predisponente à doença periodontal como já noticiado aqui no blog Dentalis.

Também já se comprovou que pacientes com depressão tendem a se alimentar mal, a consumir mais álcool, cigarros e bebidas alcoólicas. Também se cuidam menos e negligenciam a higiene dental.
O descaso com a higiene dental aumenta a quantidade de biofilme e altera a sua composição.

Deficiências nutricionais também contribuem para redução da imunidade. O tabagismo é também um conhecido fator de risco para a doença periodontal.

Esses fatores uma vez somados aumentam consideravelmente o risco do desenvolvimento de uma periodontite. Todos são elementos que corroboram a relação entre estresse e doença periodontal.

Estresse diminui a eficiência do nosso sistema de defesa

O estresse age ativando o hipotálamo. Esse libera uma substância chamada CRF (fator de produção no córtex). O CRF é um mensageiro que estimula a glândula hipófise. A hipófise então produz o ACTH (hormônio adrenocorticotrófico). O principal alvo do ACTH são as glândulas suprarrenais. A partir desse estímulo as glândulas suprarrenais produzem o cortisol.
O cortisol é um hormônio fundamental na regulação do metabolismo da glicose, proteínas e lipídeos.
No fígado o ACTH age transformando o glicogênio em glicose. Essa glicose uma vez na corrente sanguínea fornece energia aos músculos para que a resposta instintiva de luta ou fuga aconteça.
Ao mesmo tempo as suprarrenais recebem diretamente do cérebro um outro estímulo. Um estímulo nervoso para a produção de adrenalina e noradrenalina. Ambas aumentam de sobremaneira a disposição e energia em todo o organismo.

Como lidar com o estresse?

Aos pacientes com estresse, devemos recomendar a busca por terapeutas especializados. Porém nossos pacientes não são os únicos a sofrer desse mal. Não podemos esquecer que a Odontologia é uma profissão muito estressante.
Adotar algumas das medidas simples e práticas a seguir pode reduzir o nível de estresse no dia a dia:

  • Praticar esportes rotineiramente. A atividade física libera a energia acumulada por situações estressantes;
  • Praticar ioga ou exercícios de meditação e relaxamento;
  • Buscar interações sociais, evitando o isolamento;
  • Parar ao menos 5 minutos por dia pra relaxar pode fazer toda a diferença.

O estresse excessivo é um sinal de alarme do nosso corpo. É importante estarmos atentos aos seus sinais.
O estresse na medida certa pode continuar sendo nosso amigo.
No entanto, se ignorarmos os sinais de alerta e não conseguirmos recuperar o equilíbrio interno, ele poderá rapidamente se tornar nosso pior inimigo. Saber controlar o estresse é sinal de inteligência emocional. Inteligência emocional é certamente o melhor remédio para quebrar o elo entre estresse e doença periodontal.

Fontes: Dental Tribune, Psicologias do Brasil, Conceito Zen, NCBI
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Bactéria causadora de doença periodontal pode ser um estopim para o Alzheimer

A exposição prolongada a bactérias da doença periodontal provoca inflamação e degeneração de neurônios cerebrais em camundongos que se mostra semelhante aos efeitos da doença de Alzheimer em humanos, de acordo com um novo estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois, em Chicago.

Os resultados, publicados no PLoS ONE, sugerem que a doença periodontal, uma infecção de gengiva comum, mas evitável, pode ser um iniciador da doença de Alzheimer, que atualmente não tem tratamento ou cura.

“Outros estudos demonstraram uma estreita associação entre periodontite e comprometimento cognitivo, mas este é o primeiro estudo a mostrar que a exposição à bactéria periodontal resulta na formação de placas senis que aceleram o desenvolvimento da neuropatologia encontrada em pacientes com Alzheimer”, disse Dr. Keiko Watanabe, professor de periodontia na Faculdade de Odontologia da UIC e autor correspondente do estudo.

“Foi uma grande surpresa”, disse Watanabe. “Não esperávamos que o patógeno periodontal tivesse tanta influência sobre o cérebro, ou que os efeitos se assemelhasse tanto à doença de Alzheimer”.

Metodologia do estudo

Para estudar o impacto das bactérias na saúde do cérebro, Watanabe e seus colegas – incluindo o Dr. Vladimir Ilievski, professor assistente de pesquisa da UIC e coautor do artigo – estabeleceram um quadro de periodontite crônica, que é caracterizada por danos nos tecidos moles e perda óssea. cavidade bucal, em 10 camundongos do tipo selvagem. Outros 10 ratos serviram como grupo de controle. Após 22 semanas de aplicação oral repetida das bactérias ao grupo de estudo, os pesquisadores estudaram o tecido cerebral dos camundongos e compararam a saúde do cérebro.

Os pesquisadores descobriram que os ratos cronicamente expostos à bactéria tinham quantidades significativamente maiores de beta-amilóide acumulada – uma placa senil encontrada no tecido cerebral dos pacientes de Alzheimer. O grupo de estudo também teve mais inflamação cerebral e menos neurônios intactos devido à degeneração.

Esses achados foram ainda apoiados pela análise da proteína beta amilóide, e análise de RNA que mostrou maior expressão de genes associados à inflamação e degeneração no grupo de estudo. O DNA das bactérias periodontais também foi encontrado no tecido cerebral de camundongos no grupo de estudo, e uma proteína bacteriana foi observada dentro de seus neurônios.

Conclusão do estudo

“Nossos dados não apenas demonstram o movimento de bactérias da boca para o cérebro, mas também que a infecção crônica leva a efeitos neurais semelhantes aos da doença de Alzheimer”, disse Watanabe.

Os pesquisadores dizem que essas descobertas são poderosas, em parte porque usaram um modelo de rato do tipo selvagem; A maioria dos sistemas modelo utilizados para estudar a doença de Alzheimer baseiam-se em camundongos transgênicos, que foram geneticamente alterados para expressar mais fortemente os genes associados à placa senil e permitir o desenvolvimento de Alzheimer.

Estudo de qualidade e força

“Usando um modelo de camundongo do tipo selvagem adicionou força ao nosso estudo, porque estes ratos não foram preparados para desenvolver a doença, e o uso deste modelo dá peso adicional às nossas descobertas que as bactérias periodontais podem iniciar o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, Watanabe. disse.

Os pesquisadores dizem que entender a causalidade e os fatores de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer é crítico para o desenvolvimento de tratamentos, particularmente quando se trata de doença esporádica ou tardia, que constitui mais de 95% dos casos e tem causas e mecanismos desconhecidos. .

Embora os resultados sejam significativos para a comunidade científica, Watanabe disse que há lições para todos.

Saúde bucal: Fundamental

“A higiene bucal é um importante preditor da doença, incluindo doenças que acontecem fora da boca”, disse ela. “As pessoas podem fazer muito por sua saúde pessoal levando a saúde bucal a sério”.

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Bruxismo pode agravar doença periodontal

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Okayama, no Japão, publicou um estudo que revela que o excesso de atividade dos músculos masséteres, normalmente utilizados na mastigação e para ranger os dentes, pode estar associado a doenças bucais, como a periodontite.

Já vários estudos tentaram estabelecer a relação entre a periodontite e a atividade dos músculos masséteres (que fazem com que a maxila se movimente), mas até agora ainda não tinha sido possível demonstrar a existência de uma relação direta. O estudo agora publicado mostra, no entanto, que o bruxismo pode estar relacionado com um agravamento da doença periodontal.

Metodologia

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores contaram com uma amostragem de 31 indivíduos, 16 dos quais sem periodontite ou com periodontite ligeira (grupo NMP) e 15 com casos de periodontite moderada ou severa (grupo MSP).

Além de terem que andar com um dispositivo para medir a atividade muscular, os indivíduos tiveram que manter um registro diário das suas atividades, especialmente as refeições.

Os resultados agora publicados mostram que “a atividade muscular dos masséteres pode estar relacionada com a gravidade da periodontite”, apesar de ainda não ser possível estabelecer uma relação causal direta entre os casos de bruxismo e o desenvolvimento de periodontite.

Mais detalhes sobre o estudo em questão pode ser acessado aqui.

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Doença periodontal e coronariana tem a mesma origem genética

A doença periodontal pode ter a mesma base genética que a doença coronariana. A conclusão é de um estudo realizado na Universidade de Berlim, na Alemanha, e apresentado no EuroPerio9, que se realizou nas últimas semanas em Amsterdã.

Gene VAMP8

Segundo o estudo, o gene VAMP8 é significativamente mais frequente em pacientes com doença coronária e periodontite do que em pacientes saudáveis, o que indica que este gene pode estar na base de ambas as patologias.

Conheça o estudo em detalhe aqui.

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Bactéria associada à doença periodontal pode ter relação com câncer de esôfago

A bactéria bucal responsável pela doença periodontal pode estar associada ao câncer de esôfago. A conclusão consta de um estudo recente publicado na revista científica Cancer Research, que depois de analisar a saúde bucal de 122 mil norte-americanos durante dez anos mostra que a presença de bactérias relacionadas com a doença periodontal pode levar a um aumento ou diminuição do risco para o desenvolvimento deste tipo de carcinoma.

De acordo com os autores do estudo, a bactéria bucal Tannerella forsythia está associada a um aumento de 21% na probabilidade de desenvolvimento de tumores no esôfago.

Anthony Starpoli, especialista em cancro do esôfago, defende que “ainda não é claro se a presença desta bactéria ou a doença periodontal resultante são responsáveis pelo desenvolvimento do câncer”.

Não são apenas noticias ruins

Importante também citar que algumas das bactérias bucais analisadas pelos pesquisadores no âmbito deste estudo foram associadas a uma diminuição do risco de desenvolvimento de câncer bucal, o que sugere que enquanto algumas bactérias podem ser responsáveis pelo desenvolvimento deste carcinoma altamente mortal, outras podem ajudar a diminuir as chances de seu desenvolvimento.

Esta não é a primeira vez que as bactérias bucais são associadas ao desenvolvimento de outras patologias, especialmente doenças oncológicas. No final do ano passado, um estudo japonês já havia relacionado as bactérias orais com o câncer de esôfago.

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Um novo recurso para detecção da doença periodontal

Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos da América, vem desenvolvendo um novo método de detecção por imagem da doença periodontal que recorre a tinta de lula.

Trata-se de uma mistura de tinta de lula, água e amido de milho que permite, com o apoio de luz e ultrassons, que possibilita detectar de forma mais eficiente e menos invasiva, casos de doença periodontal.

“Na última vez que estive no dentista percebi que as ferramentas de detecção por imagem para os dentes e gengivas que atualmente são utilizadas poderiam se beneficiar de uma atualização (…) Com o nosso método é como ligar todos os interruptores de uma única vez para conseguir ver a sala toda de uma vez”, observa Jesse Jokerst, pesquisador e líder deste estudo.

Com esta nova metodologia a boca é ‘enxaguada’ com uma pasta feita à base de tinta de lula, água e amido de milho. Esta solução serve como agente de contraste para uma técnica de detecção por imagem chamada de ‘ultrassom fotoacústico’.

Mapeamento eficiente

Os autores do estudo explicam que a tinta de lula contém de nanopartículas de melanina, que absorve a luz e que durante o processo de enxaguamento da cavidade oral do paciente fica retida nas ‘bolsas’ entre os dentes e as gengivas. Depois de iluminada com um laser, esta pasta aquece e cria pressão nestas ‘bolsas’. Isto permite ‘mapear’ a profundidade das bolsas em cada um dos dentes, facilitando o diagnóstico da doença.

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O objetivo dos pesquisadores é agora trabalhar no desenvolvimento do sabor da mistura de tinta de lula, água e amido de milho e por substituir as luzes laser utilizadas por um sistema mais barato.

Essa é mais uma ferramenta a contribuir com a odontologia e seu sistema que busca melhorar a qualidade e segurança do atendimento aos pacientes.

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Bactéria associada à doença periodontal pode interferir com a gravidez de mulheres jovens

O estudo foi publicado na revista científica Journal of Oral Microbiology e contou com a participação de 256 mulheres entre os 19 e os 42 anos de idade que haviam deixado de recorrer a todos os métodos contraceptivos com o objetivo de engravidar.

Além de entrevistas sobre o histórico médico, hábitos de consumo de tabaco, higiene bucal, consultas odontológicas e situação socioeconômica, o estudo colocou seu foco sobre o estado de saúde bucal de cada uma das pesquisadas, através de check-ups dentários que avaliaram a presença de cáries dentárias e de doença periodontal.

Por outro lado, e para detectar a presença de patóegenos associados com a doença periodontal, cada uma das pacientes pesquisadas foi submetida a uma coleta de saliva e a exames ginecológicos. Depois, cada uma das pacientes foi acompanhada durante um período de 12 meses para verificar se haviam engravidado ou não.

Resultados

Os resultados agora conhecidos mostram que a presença do agente patogênico “Porphyromonas gingivalis” na saliva revelou-se mais comum entre as pacientes que não engravidaram do que nas pacientes que acabaram por engravidar no decorrer do estudo (8,3% vs 2,1%). Além disso, é importante dizer que os níveis de anticorpos salivares contra esse agente patogênico eram significativamente superiores nas mulheres que não engravidaram.

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Evitar doença periodontal pode ser garantia de maior expectativa de vida

idoso escovando os dentesUm novo estudo sugeriu que a mortalidade global da população em geral e em especial as mulheres mais velhas poderia ser reduzida com a melhoria de saúde periodontal. Avaliando os dados sobre mais de 57.000 mulheres na pós-menopausa, pesquisadores da Universidade de Buffalo verificou que a presença de periodontite e perda de dente está associada a um risco significativamente maior de morte.

As mulheres no estudo tinham idade entre 55 e 89 anos, não tinham eventos de doença cardiovascular conhecida e foram originalmente inscritas no estudo observacional Women’s Health Initiative. No estudo da população, a prevalência de periodontite e edentação foi de 26% e 5,9%, respectivamente.

Durante um período de seguimento médio de 6,7 anos, os pesquisadores registraram 3.589 eventos de doença cardiovascular e 3.816 mortes. Eles também descobriram que a história de doença periodontal foi associada com 12% maior risco de morte e a perda de todos os dentes naturais foi associada com um risco maior de 17%.

Em mulheres que visitaram o dentista menos de uma vez ao ano, a edentação foi mais fortemente associada com eventos de doença cardiovascular em comparação com aquelas com mais visitas ao dentista por ano.

Doença periodontal – melhor remédio é a prevenção

“Nossos achados sugerem que as mulheres mais velhas podem estar em maior risco de morte por causa de sua condição periodontal e podem se beneficiar de medidas de rastreio oral mais intensiva”, disse o doutor Michael J. LaMonte, autor líder e professor pesquisador associado do Department of Epidemiology and Environmental Health da universidade. “No entanto, estudos de intervenções destinadas a melhorar a saúde periodontal são necessários para determinar se o risco de morte é reduzido entre aquelas que receberam a intervenção em comparação com aquelas que não o fazem. Nosso estudo não foi capaz de estabelecer uma relação direta de causa e efeito”.

De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention, quase 50 por cento dos adultos nos Estados Unidos com 30 anos ou mais têm alguma forma de doença periodontal. É estimado que cerca de vinte por cento dos adultos com idade igual ou superior a 65 no país sejam edentados.

O estudo intitulado “História do diagnóstico da periodontite e edentação como preditores de doença cardiovascular, AVC e mortalidade em mulheres na pós-menopausa,” foi publicado na edição de abril do Journal of the American Heart Association.

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