estudo

Microbiota oral e obesidade: uma relação muito provável

Estima-se que o corpo humano seja composto por mais de 1014 células das quais 90% são células microbianas. Esse “microbioma humano” apresenta uma atividade metabólica similar ao fígado e é fundamental no desenvolvimento e homeostasia do organismo humano. Apesar do íntimo contato e translocação de micro-organismos entre as diversas superfícies do corpo humano, as microbiotas de diferentes regiões do corpo são distintas. Este fato sugere que a propriedades específicas de cada um destes ambientes determina que microbiota é capaz de se estabelecer nessa região.

Microbiotas complexas

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes, sendo o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação. Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro, sendo extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2 e por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas, como os anticorpos contra o Streptococcus pneumoniae que reagem cruzadamente com pneumococo. Porém alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Biofilme

Atmosferas anaeróbias e aeróbias, ambientes com variações de pH, diferentes superfícies de contato, além de características anatômicas tornam a cavidade oral propícia para formação de biofilme, comunidade polimicrobiana embebida em uma matriz extracelular de componentes orgânicos e inorgânicos, conferindo proteção contra defesas do hospedeiro, antimicrobianos e facilitando a comunicação intermicrobiana. Esse biofilme pode apresentar características patogênicas dependendo da sua composição e localização. Por exemplo, quando essa estrutura é encontrada nos dentes, é chamada de cariogênica, apresentando bactérias capazes de produzir ácidos que diminuem o pH e levam a desmineralização do dente. Já quando encontradas nos tecidos moles como a gengiva, é chamado de periodontopatogênico, tendo bactérias capazes de destruir os tecidos de sustentação do dente. Ambos os casos podem ser evitados com uma boa higiene oral, evitando seu estabelecimento e o desenvolvimento dessas espécies patogênicas.

Microbiota normal vs contaminação externa

Esse balanço entre a microbiota normal e contaminação externa, também é muito importante para evitar manifestações orais de doenças sistêmicas, como a candidíase, e doenças sistêmicas que já foram relatadas com associação a patologias orais, como endocardite e artrite reumatóide devido a produtos lançados na corrente sanguínea ou bacteremia numa simples escovação, uso do fio dental e procedimentos cirúrgicos. Segundo uma publicação de 2010, o microbioma oral pode ser importante no câncer e outras doenças crônicas, através do metabolismo direto de carcinógenos químicos e através de efeitos sistêmicos inflamatórios.

Por isso a higiene bucal é essencial, mantendo os níveis da microbiota normal e impedindo a contaminação com patógenos. Escovação, fio dental, enxaguatórios e uma visita regular ao dentista diminui em até 70% a incidência de doenças bucais, evitando também doenças sistêmicas.

Obesidade infantil

A obesidade infantil em todo o mundo ocidental vem se tornando um problema comum. Em um novo estudo que pode ajudar na compreensão do assunto, cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia começaram a entender como a microbiota oral de crianças de 2 anos de idade poderia ser um indicador de ganho de peso mais tarde na vida. O trabalho é parte de um estudo maior que está buscando evidências se uma intervenção responsiva dos pais durante os primeiros anos de vida da criança pode impedir o desenvolvimento da obesidade.

Sobrepeso: uma em cada três crianças

“Uma em cada três crianças nos Estados Unidos está com sobrepeso ou obesidade”, disse a autora sênior do estudo, Dra. Kateryna Makova, Professora de Biologia da Pentz na Penn State. “Se pudermos encontrar indicadores precoces de obesidade em crianças pequenas, poderemos ajudar os pais e os profissionais de saúde a tomar medidas preventivas”.

Embora variações na microbiota intestinal tenham sido associadas à obesidade em alguns adultos e adolescentes, a potencial relação entre a microbiota bucal e o ganho de peso em crianças não havia sido explorada antes deste estudo. “A microbiota oral é geralmente estudada em relação à doença periodontal, e a doença periodontal tem, em alguns casos, sido associada à obesidade”, disse a primeira autora do estudo, Sarah Craig, pós-doutoranda em biologia na Penn State.

“Aqui, exploramos quaisquer associações diretas potenciais entre a microbiota oral e o ganho de peso da criança. Em vez de simplesmente observar se uma criança estava com sobrepeso aos dois anos de idade, usamos curvas de crescimento nos dois primeiros anos após o nascimento, o que fornece um quadro mais completo de como a criança está crescendo. Essa abordagem é altamente inovadora para um estudo desse tipo e dá maior poder estatístico para detectar relacionamentos ”, continuou ela.

Metodologia do estudo

No estudo, os pesquisadores avaliaram 226 crianças da Pensilvânia central. De acordo com os resultados, a microbiota oral daqueles com rápido ganho de peso infantil – um forte fator de risco para a obesidade infantil – foi menos diversificada, contendo menos grupos de bactérias. Estas crianças também tiveram uma maior proporção de Firmicutes para Bacteroidetes, dois dos grupos bacterianos mais comuns encontrados na microbiota humana.

A menor diversidade e uma maior relação de Firmicutes-to-Bacteroidetes na microbiota intestinal são às vezes observadas como uma característica de adultos e adolescentes com obesidade. No entanto, os pesquisadores não observaram uma relação com o ganho de peso para qualquer uma dessas medidas na microbiota intestinal de crianças de 2 anos de idade, sugerindo que a microbiota intestinal pode não estar completamente estabelecida aos 2 anos de idade e ainda estar sofrendo muitas alterações.

Relação com a microbiota das mães

Outro aspecto interessante do estudo para pesquisadores foi que o ganho de peso em crianças estava relacionado à diversidade da microbiota bucal de suas mães. Isso poderia refletir uma predisposição genética da mãe e da criança a ter uma microbiota similar, ou a mãe e a criança terem uma dieta e um ambiente semelhantes.

“Pode ser uma explicação simples, como uma dieta compartilhada ou genética, mas também pode estar relacionada à obesidade”, disse Makova. “Ainda não sabemos com certeza, mas se há uma assinatura do microbioma oral ligada à dinâmica do ganho de peso na primeira infância, há uma particular urgência em entendê-lo.

Agora estamos usando técnicas adicionais para observar espécies específicas de bactérias, em vez de grupos taxonômicos maiores de bactérias, tanto em mães quanto em crianças, para ver se espécies específicas de bactérias influenciam o ganho de peso e o risco de obesidade. ”

Fontes: Scientific Reports e Instituto de Microbiologia – UFRJ
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Alimentos influenciam hálito e paladar

São vários os componentes alimentares que contribuem diretamente para o sabor característico de alimentos e bebidas por meio de seu próprio gosto, aroma ou tempero.

No entanto, muitos desses componentes influenciam indiretamente o sentido do paladar através de outros mecanismos bioquímicos ainda pouco elucidados.

Na busca de uma melhor compreensão, uma equipe de pesquisa da Universidade Técnica de Munique pesquisou os efeitos dos componentes dos alimentos nas moléculas dissolvidas na saliva.

Análises e novos produtos

Através da análise de amostras de saliva e hálito coletadas de voluntários, o estudo mostrou que o composto principal do gengibre, o 6-gingerol, estimula uma enzima contida na saliva que decompõe os compostos contendo mau cheiro de enxofre. Assim, reduz o sabor residual de muitos alimentos, como o café. “Como resultado, nosso hálito também cheira melhor”, explicou o pesquisador Prof. Thomas Hofmann, Presidente da Food Chemistry and Molecular Sensory Science da universidade.

Segundo ele, a descoberta desse mecanismo poderia contribuir para o desenvolvimento futuro de novos produtos de higiene bucal.
Eles descobriram que o gengibre influencia o cheiro do hálito e o ácido cítrico afeta o paladar. Os resultados do estudo poderiam ser aplicados ao desenvolvimento de novos produtos de higiene bucal.

Ácido cítrico e o paladar

Já o ácido cítrico influencia nossa percepção do paladar através de um mecanismo completamente diferente. Como se sabe por experiência pessoal, alimentos ácidos como o suco de limão estimulam a salivação.

A quantidade de minerais dissolvidos na saliva também aumenta proporcionalmente a quantidade de saliva. Segundo Hofmann, o nível de íons de sódio na saliva aumenta rapidamente em aproximadamente um fator de 11 após a estimulação com ácido cítrico. Este efeito torna as pessoas menos sensíveis ao sal de cozinha. “O sal de mesa não é senão o cloreto de sódio, e os íons sódio desempenham um papel fundamental no sabor do sal. Se a saliva já contém concentrações mais altas de íons de sódio, as amostras provadas devem ter um conteúdo de sal significativamente maior para serem comparativamente salgadas”, acrescentou Hofmann.
A adição excessiva de sal pode representar um risco, especialmente para pacientes hipertensos.

O professor acredita que ainda é preciso fazer muita pesquisa para entender a complexa interação entre as moléculas presentes nos alimentos que criam sabor, os processos bioquímicos que ocorrem na saliva e no sentido do paladar. Usando uma abordagem de biologia de sistemas, Hofmann visa desenvolver uma nova base científica para a produção de alimentos com perfis funcionais e componentes que satisfaçam as necessidades de saúde e sensoriais dos consumidores.

O estudo, intitulado “Quimiosensível-modulação induzida do proteoma salivar e metaboloma altera a percepção sensorial de sal e odor-tióis ativos”, foi publicado em 25 de julho de 2018 no Journal of Agricultural and Food Chemistry. Em tempo: Proteoma é o conjunto de proteínas e variantes de proteínas que podem ser encontrados numa célula específica quando esta está sujeita a um certo estímulo. Metaboloma é o conjunto de metabólitos presentes produzidos e/ou modificados no organismo.

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Periodontite e diabetes: estudo indica existência de ligação

Um novo artigo chama a atenção para conexões interessantes entre infecções de gengiva, um nível reduzido de vitamina D e o diabetes.
É a primeira vez que os efeitos conjuntos da periodontite e da deficiência de vitamina D no diabetes foram examinados.

Em 2015, estima-se que quase um em cada 10 adultos tenha diabetes. Existem cerca de 1,5 milhão de novos diagnósticos por ano nos EUA.

Embora existam alguns fatores de risco bem conhecidos para o diabetes, como obesidade e pressão alta, ainda há muito a se descobrir.

O Diabetes é uma doença complexa e envolve vários sistemas.

Descobrir toda a gama de fatores de risco em potencial pode ajudar a prevenir o diabetes em alguns indivíduos e ajudar os outros a lidar com os sintomas de maneira mais eficaz.

Recentemente, uma equipe da Universidade de Toronto, no Canadá, investigou a potencial influência da deficiência de vitamina D e sua relação com a periodontite.

Diabetes e periodontite

Estudos anteriores demostraram que o diabetes aumenta o risco de periodontite, que como todos sabemos é uma doença inflamatória induzida por bactérias que pode danificar tecidos moles e ossos.

Essa relação é bidirecional, o que significa que a periodontite também exerce influência negativa sobre o diabetes, o que torna o controle do diabetes tipo 2 ainda mais desafiador.

A principal autora do estudo, Aleksandra Zuk, explica por que a vitamina D também interessava aos pesquisadores.

“Sabemos que a vitamina D não é apenas útil para a saúde óssea”, observa ela, “mas também mostra efeitos antimicrobianos e anti-inflamatórios. Níveis suficientes de vitamina D podem potencialmente diminuir a inflamação e afetar as bactérias bucais relacionadas à doença da gengiva”.

Além do papel da vitamina D no combate às infecções e na redução da inflamação, algumas pesquisas mostraram que os receptores da vitamina D estão diretamente associados à periodontite.

Analisando a interação

Para se aprofundar na rede de conexões, os cientistas coletaram informações da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição de 2009-2010.

A amostra incluiu dados de 1.631 pessoas com diabetes tipo 2 e 1.369 sem a doença. Todos os participantes tinham mais de 30 anos de idade, e cada indivíduo foi submetido a um exame odontológico e foi avaliado para os níveis de vitamina D e medidas de glicose em jejum e insulina.

Os resultados intrigantes dos pesquisadores já foram publicados no BMJ Open Diabetes Research & Care. Após sua análise, os autores chegaram a uma conclusão.

Resultados da análise

Os dados mostraram que, separadamente, a periodontite e a deficiência de vitamina D aumentam o risco de diabetes tipo 2. Os autores também descobriram que, quando os dois fatores eram combinados, o risco era “maior que a soma dos efeitos individuais”.

Como cerca de metade dos adultos dos EUA tem doença gengival e mais de 40% são deficientes em vitamina D, as conclusões do estudo podem ser extremamente importantes.

Mais pesquisas são necessárias para confirmar os resultados e aprofundar um pouco os mecanismos envolvidos. Este estudo é o primeiro a examinar os efeitos simultâneos da periodontite e da insuficiência de vitamina D sobre o diabetes.

Se as descobertas forem replicadas, poderão oferecer uma nova maneira de abordagem do diabetes em alguns casos. Por exemplo, para adultos com diabetes tipo 2 e periodontite, o aumento dos níveis de vitamina D para os níveis sugeridos poderia ajudá-los a controlar sua condição.

Como a pesquisadora Zuk afirma: “Porque é o primeiro estudo, nós realmente precisamos olhar para essas duas exposições novamente em outros estudos e populações. Isso pode impactar ainda mais a pesquisa sobre o diabetes”.

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Sensor que analisa alimentos ingeridos

Um grupo de pesquisadores norte-americanos desenvolveu um pequeno sensor que pode ser coloca nos dentes e que se comunica com dispositivos móveis para transmitir informação sobre os alimentos ingeridos pelos usuários, especialmente dados sobre a glicose, sal ou álcool ingerido.

A ideia é de cientistas da Universidade de Tufts e pretende monitorar o que acontece ao organismo do ser humano quando consome determinado tipo de produtos. O sensor tem apenas 2 mm de largura e de altura e pode ser colocado num dente, recolhendo dados que depois são transmitidos em tempo real para um dispositivo móvel através de radiofrequências.

De acordo com os cientistas, o sensor é composto por três camadas que, juntas, atuam como uma antena para recolher dados, em especial informações nutricionais sobre os produtos consumidos como quantidades de sal ou níveis de glicose.

Obtenção de dados facilitada

Até agora, a obtenção deste tipo de dados estava dependente de dispositivos vestíveis que tinham como limitações o fato de necessitarem de substituição ou alvo de manutenção frequente.

Em 2013, um grupo de pesquisadores da Universidade de Taiwan já tinha desenvolvido um sistema vestível que reconhecia quando alguém estava a mastigando, bebendo, falando ou mesmo tossindo.

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Molécula presente na saliva humana é resposta a uma grande dúvida

Um estudo publicado no The FASEB Journal investiga o fato misterioso de que as feridas na cavidade bucal se curam mais rapidamente e com mais eficiência do que as aquelas localizadas em outros lugares do corpo humano. Até agora, se pensava que a saliva desempenhava um papel no processo de cicatrização de ferimentos, embora a extensão de seu papel fosse desconhecida. O estudo examinou os efeitos do peptídeo salivar histamina-1 na angiogênese (formação de vasos sanguíneos), que é fundamental para a eficiência da cicatrização de feridas. Os pesquisadores descobriram que a histamina-1 promove a angiogênese, bem como adesão celular e migração.

“Essas descobertas abrem novas perspectivas para entender melhor a biologia subjacente às diferenças entre a cicatrização oral e cutânea”, disse Vicente A. Torres, Ph.D., professor associado do Instituto de Pesquisa em Odontologia da Faculdade de Odontologia da Universidade do Chile em Santiago. “Acreditamos que o estudo poderia ajudar na concepção de melhores abordagens para melhorar a cicatrização de feridas em outros tecidos além da boca.”

Metodologia do estudo

O estudo envolveu experimentos em três níveis: (1) células endoteliais, ou formadoras de vasos sanguíneos, em cultura, (2) embriões de galinha como modelos animais, e (3) amostras de saliva obtidas de doadores saudáveis. Usando estes três modelos, histamina-1 e saliva foram combinados para aumentar a formação de vasos sanguíneos. Os pesquisadores agora estão dando o próximo passo nesta linha de estudo – usando essas moléculas para gerar materiais e implantes para ajudar na cicatrização de feridas.

Avanço terapêutico à vista

“Os evidentes resultados do presente estudo abrem uma ampla caminho para um avanço terapêutico. Eles também trazem à mente o possível significado de animais, e muitas vezes crianças, ‘lambendo suas feridas'”, disse Thoru Pederson, Ph.D., Editor- chefe do The FASEB Journal.​

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Os efeitos psicológicos dos analgésicos

Analgésicos como o Paracetamol e Ibuprofeno podem influenciar a forma como as pessoas processam informações, como elas experienciam sentimentos de perda e como reagem a imagens emocionalmente evocativas.

Essa conexão inesperada entre analgésicos e comportamentos negativos e efeitos psicológicos foi revelada por Kyle Ratner, Amanda Kaczmarek e Youngki Hong, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (EUA), e está descrita em um artigo publicado na revista científica Policy Insights das Behavioral and Brain Sciences.

A conclusão veio depois que a equipe revisou todas as pesquisas anteriores sobre o assunto. Os dados sugerem que os analgésicos podem influenciar os indivíduos de várias maneiras.

Aumento da sensibilidade a experiências emocionalmente dolorosas

Em comparação com aquelas que tomaram placebos, mulheres que tomaram uma dose de ibuprofeno relataram menos sentimentos de dor emocional ante experiências emocionalmente dolorosas, como serem excluídas de um jogo ou quando escreviam sobre um episódio passado em que foram traídas. Os homens mostraram o padrão oposto.

Capacidade de simpatizar com a dor dos outros

Em comparação com aqueles que tomaram placebos, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol ficaram menos emocionados quando leram sobre uma pessoa com dor física ou emocional, e relataram menos consideração pela pessoa em sofrimento.

Capacidade de processar informações

Em comparação com aqueles que tomaram placebos, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol cometeram mais erros de omissão em um jogo no qual deviam, em várias ocasiões, realizar ou não realizar uma tarefa.

O aumento no número de erros cometidos também foi verificado com o paracetamol.

Reações a objetos emocionais

Indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol avaliaram fotografias agradáveis e desagradáveis de forma menos extrema do que aqueles que tomaram placebos.

Desconforto de se separar de bens materiais

Quando solicitados a definir um preço de venda de um objeto que possuíam, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol colocaram preços que eram mais baratos do que os preços estabelecidos por indivíduos que tomaram placebos.

Resultados alarmantes

“De muitas maneiras, os resultados revisados são alarmantes,” escreveu a equipe. “Os consumidores assumem que, quando tomam uma medicação para dor sem exigência de receita médica, aliviarão seus sintomas físicos, mas não preveem efeitos psicológicos mais amplos”.

A equipe também afirma que, embora esses medicamentos possam ter um novo potencial para ajudar as pessoas a lidar com sentimentos feridos, é necessário realizar mais pesquisas para examinar a eficácia e determinar se haveria efeitos negativos quando combinados com outros medicamentos ou para pessoas com depressão e que têm dificuldade em sentir prazer.​

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Ligação entre obesidade, sexo e saúde periodontal

Embora os pesquisadores tenham previamente investigado e analisado a relação entre periodontite e obesidade, pouca atenção tem sido dada ao papel que o sexo biológico de um indivíduo pode desempenhar neste contexto.

Um trabalho recentemente publicado, estudo de cinco anos, de indivíduos, em Porto Alegre, Brasil, retificou este esquecimento e descobriu que mulheres obesas são muito mais propensas a sofrer com a progressão da perda de inserção periodontal (PAL) do que homens obesos.

Metodologia

A equipe de pesquisa do estudo entrevistou 582 pessoas que tinham sido entrevistadas e clinicamente examinadas cinco anos antes e encontraram seus critérios de inclusão. Esses indivíduos foram pesados e o seu índice de massa corporal foi calculado de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde, com 19 por cento da amostra a sendo classificada como obesa.

Resultados

Os pesquisadores descobriram que indivíduos obesos apresentaram maior probabilidade de experimentar a progressão da doença periodontal do que os de peso normal. No entanto, seus resultados também demonstraram que mulheres obesas tiveram um risco 64 por cento maior para PAL, considerando que não houve aumento no risco para homens obesos.

“Obesidade e doença periodontal são importantes problemas de saúde pública”, explicou o Dr. Eduardo José Gaio, o principal autor do estudo.

“Periodontite afeta mais de 50 por cento dos adultos em todo o mundo e a prevalência de sobrepeso e obesidade em indivíduos é de cerca de 60 por cento. Este é um dos poucos estudos longitudinais que avalia o efeito da obesidade na saúde periodontal e o primeiro a investigar a possibilidade de que o sexo pode modificar este relacionamento.”

O estudo de Gaio é um dos finalistas do Perio Link Award inaugural, uma competição organizada pela SUNSTAR Foundation. Julgados por um comitê de peritos em odontologia, a competição foi projetada de forma a sensibilizar a opinião pública para a importância da investigação que está sendo realizada sobre a ligação entre saúde bucal e sistêmica. O vencedor do Perio Link Award irá ganhar uma viagem para o congresso EuroPerio9, organizado pela European Federation of Periodontology em Amsterdam, de 20 a 23 de junho de 2018. O vencedor será formalmente reconhecido em uma cerimônia de premiação no evento e receberá um premio em dinheiro de €1.000.

O estudo, intitulado “O efeito da obesidade na progressão da perda de inserção periodontal: cinco anos de estudo prospectivo de base populacional”, foi publicado on-line em março de 2017 no Journal of Clinical Periodontology Digest.

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Câncer de língua: descobertas para fins de diagnóstico precoce

Novas descobertas por uma equipe de pesquisa americana referente a certas bactérias e fungos podem abrir caminho para o desenvolvimento de um teste de precaução para os pacientes que carregam um alto risco para carcinoma de células escamosas da língua, também conhecido como câncer de língua. Os cientistas têm como objetivo fornecer novas ferramentas para diagnóstico precoce e tratamento antes do início da dor ou sintomas físicos, como lesões, presentes. Uma das razões para um mau prognóstico para os pacientes é a detecção tardia.

Em um novo estudo, pesquisadores da Case Western Reserve University School of Medicine, Cleveland Clinic e University Hospitals Cleveland Medical Center descobriram que a diversidade bacteriana e riqueza bacteriana e fúngica são significativamente reduzidas no tecido tumoral em comparação com tecido não tumoral congênere. Isto levanta a possibilidade de que bactérias e fungos, em quantidade suficiente e, possivelmente formas interativas, podem desempenhar um papel no desenvolvimento do câncer de língua. Pesquisas anteriores mostraram que as bactérias podem estimular o câncer colorretal e gástrico e que interação fungo-bacteriana pode contribuir para, ou exacerbar, Doença de Crohn.

“Nossos achados significam que pode ser possível realizar testes de precaução em pacientes de alto risco para câncer oral de língua”, disse o coautor sênior, Mahmoud A. Ghannoum, professor do Department of Dermatology da Case Western Reserve School of Medicine e University Hospitals Cleveland Medical Center. “Se os padrões que encontramos estão presentes em pessoas que ainda não estão mostrando sinais de lesões, podemos iniciar o tratamento precocemente, oferecendo a possibilidade de melhores resultados para os pacientes.”

Maus hábitos de saúde tem tudo a ver

Câncer de língua, que surge nos dois terços anteriores da língua, tem aumentado rapidamente e agora é a segunda neoplasia maligna mais comum na cavidade oral. Enquanto o papilomavírus humano (HPV) causa cerca de noventa por cento de tumores de base-de-língua, o HPV é raramente encontrado (apenas 2,3%), em casos de câncer de língua. As causas do câncer de língua não são claras, no entanto, mutações genéticas, provavelmente desempenham um papel importante, enquanto que o hábito de fumar e a mastigação de tabaco, de álcool e má higiene dental também estão ligados ao desenvolvimento deste tipo de câncer.

“Pobre higiene oral tem sido associada com o câncer oral, sugerindo que o bacterioma oral (comunidade bacteriana) e microbioma (comunidade fúngica) poderia desempenhar um papel”, disse o coautor sênior Dr. Charis Eng, professor e vice-presidente do Department of Genetics and Genome Sciences na Case Western Reserve School of Medicine e Hardis Endowed Chair of the Genomic Medicine Institute na Cleveland Clinic.

Enquanto o bacterioma está sendo cada vez mais reconhecido em desempenhar um papel ativo na saúde, o papel do microbioma não foi minuciosamente estudado e nunca antes, no caso de câncer de língua. No novo estudo, os pesquisadores extraíram DNA do tecido de 39 tumores emparelhados e tecidos normais adjacentes de pacientes com câncer de língua. A análise mostrou que Firmicutes foi o filo bacteriano mais abundante e foi significativamente mais abundante no tecido tumoral em comparação com tecido não tumoral – 48% e 40%, respectivamente. No total, a abundância de 22 bacterianas e 7 gêneros fúngicos (tipos) foi significativamente diferente entre o tumor e o tecido normal adjacente, incluindo Streptococcus, que foi significativamente maior no grupo de tumores (34 por cento contra 22 por cento em tecido normal).

Bactérias e fungos: uma parceria pró-câncer

“Estudos estão começando a surgir, demonstrando as interações entre bactérias e fungos na formação da doença”, disse Ghannoum. “Assim, são necessárias pesquisas adicionais, com o objetivo de compreender como estas duas comunidades influenciam ou são influenciadas em configurações de doenças como o câncer oral de língua.”

O estudo, intitulado “Bacterioma e microbioma associações em câncer oral de língua “, foi publicado em 19 de outubro de 2017, no Oncotarget Journal.

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Bactérias da mucosa oral ligadas à Arteriosclerose

Já vários estudos tinham conseguido demonstrar que existe uma relação entre as bactérias orais e a prevalência de doenças cardíacas. Contudo, um estudo agora publicado pela Universidade do Connecticut, nos Estados Unidos da América, revela que as bactérias presentes na mucosa oral e no trato gastrointestinal podem ser uma das principais responsáveis pela arteriosclerose.

Como explicam os autores do estudo, “os lípidos desse grupo de bactérias danificam os vasos sanguíneos de duas formas: o sistema imune as vê como um sinal de invasão bacteriana e as enzimas as destroem causando um processo inflamatório”.

O risco

Os pesquisadores informam também que “essas bactérias não são uma espécie invasora, uma vez que habitualmente estão presentes na cavidade oral e no trato gastrointestinal. Se as condições forem as adequadas, podem causar doenças gengivais, mas não infectam os vasos sanguíneos. Contudo, os lípidos que produzem podem facilmente passar através das paredes celulares e entrar na corrente sanguínea”.

Mais detalhes sobre o estudo podem ser obtidos aqui.

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Estudo liga uso prolongado de Omeprazol à risco de câncer de estômago

Um estudo da Universidade de Hong Kong e da University College London mostrou que o uso prolongado de inibidores de bomba de próton (IBP), como Omeprazol e Pantoprazol, podem aumentar 2,4 vezes o risco de desenvolver câncer de estômago. Os IBPs reduzem a quantidade de ácido produzido pelo estômago e são usados para tratamento de refluxo ácido e úlceras estomacais. A pesquisa foi publicada no jornal científico Gut na última terça-feira, 31, e considerou uma base de dados de saúde em todo o território de Hong Kong.

A ligação entre o uso desses medicamentos com o risco de desenvolver câncer de estômago já havia sido identificada pelos acadêmicos, mas ainda não havia sido controlada a presença da bactéria a Helicobacter pylori, mais conhecida como H pylori, suspeita de influenciar no desenvolvimento da doença. Depois de eliminar a bactéria, descobriu-se que o risco de desenvolver a doença ainda estava relacionado com a dose e a duração do tratamento com medicamentos IBP.

O Estudo

Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 63.397 pessoas e compararam o uso de IBP com outro medicamento, conhecido como H2, que também limita a produção de ácido no estômago. Os participantes foram tratados com terapia tripla, que combina IBP e antibióticos para matar a bactéria H pylori, entre 2003 e 2012. Os cientistas monitoraram todos até que desenvolvessem câncer de estômago, morressem ou chegassem ao final do estudo, em 2015.

Durante esse período, 3.271 pessoas receberam IBP por quase três anos enquanto 21.729 tomaram H2. Entre os selecionados para o estudo, 153 desenvolveram câncer de estômago durante o acompanhamento médio de 7,6 anos. Nenhum deles testou positivo para H pylori, mas todos tiveram problemas de longo prazo com inflamação estomacal. Quem consumiu IBPs teve um risco de 2,4 vezes maior de desenvolver câncer do que quem usou medicamentos H2, que não foram associados a um aumento do risco da doença.

Chance de desenvolvimento de câncer

A chance de desenvolver esse tipo de câncer cresce de acordo com o tempo de ingestão do medicamento. O uso diário de IBP aumenta 4,55 vezes o risco de desenvolvê-la se comparado com aqueles que fazem uso semanal. Da mesma forma, se a pessoa tomar o medicamento por mais de um ano, o risco de câncer de estômago aumenta cinco vezes e pode chegar oito vezes após três anos ou mais de consumo.

O estudo, porém, concluiu que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito, mas recomendou aos médicos “ter cautela quando prescrevem IBP de longo prazo, mesmo após a erradicação da H plyori”, disse ao jornal The Guardian Stephen Evans, professor de farmacoepidemiologia da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

“Muitos estudos observacionais encontraram efeitos adversos associados aos IBPs. A explicação mais plausível para a totalidade da evidência nesse estudo é que aqueles que recebem IBPs, especialmente aqueles que continuam a longo prazo, tendem a ficar mais doentes de várias maneiras do que aqueles para quem os remédios não foram prescritos”, disse.

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