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Qual a relação entre a vitamina D e o Covid-19?

Qual a relação entre a vitamina D e o Covid-19?

vitamina D e o Covid-19

Vitamina D e o Covid-19 aparentemente não guardam nenhuma relação.
Só aparentemente. Isso porque pesquisadores descobriram uma forte correlação entre a vitamina D e o Covid-19 no que diz respeito às taxas de mortalidade.

Essa é a conclusão de uma equipe e pesquisadores da Northwestern University.

A pesquisa

Os pesquisadores dessa universidade realizaram uma análise estatística de dados de hospitais de nove países.
Dentre esses estão China, França, Alemanha, Itália, Irã, Coréia do Sul, Espanha, Suíça, Reino Unido (Reino Unido) e Estados Unidos.

A correlação entre a vitamina D e o Covid-19 foi observada em pacientes de países com altas taxas de mortalidade por Covid-19. Países como Itália, Espanha e Reino Unido. Pacientes desses países com altas taxas de mortalidade apresentavam níveis mais baixos de vitamina D. Isso quando comparados com pacientes de países não tão gravemente afetados.

Embora a deficiência de vitamina D possa ter relação com a taxa de mortalidade, não necessariamente signifique que todos devam começar a suplementar essa vitamina.
Os pesquisadores constataram uma evidência, e mais estudos se mostram necessários.
É preciso esclarecer o mecanismo que explique essa mortalidade elevada.

Correlação entre os níveis de vitamina D e o Covid-19

A suspeita dos pesquisadores da estranha relação entre os níveis de vitamina D e o Covid-19 se originou ao perceber diferenças inexplicáveis nas taxas de mortalidade por COVID-19 de país para país.

Houve quem levantou a hipótese de que diferenças na qualidade da assistência médica, distribuição de idade na população, taxas de testagem ou diferentes cepas do coronavírus pudessem ser as responsáveis. Um dos pesquisadores envolvidos, no entanto, não acreditou nisso.

Segundo o pesquisador Backman, nenhum desses fatores parece desempenhar um papel significativo.
O sistema de saúde no norte da Itália, por exemplo, é um dos melhores do mundo.
As diferenças de mortalidade existem mesmo que se observe a mesma faixa etária.

E, embora as restrições aos testes realmente variem, as disparidades na mortalidade ainda existem mesmo quando foram analisados países ou populações para os quais se aplicam taxas de teste semelhantes.
Em vez disso, observou-se uma correlação significativa entre a deficiência de vitamina D e o Covid-19 em suas taxas de mortalidade.

Tempestade de citocinas

Ao analisar dados disponíveis de pacientes de todo o mundo, Backman e sua equipe descobriram algo muito curioso. Uma forte correlação entre os níveis de vitamina D e a tempestade de citocinas.
Essa é uma condição hiperinflamatória causada por um sistema imunológico hiperativo. Ao mesmo tempo notou-se uma correlação entre a deficiência de vitamina D e a mortalidade.

A tempestade de citocinas pode danificar gravemente os pulmões e levar à síndrome do desconforto respiratório agudo e à morte dos pacientes.
É o que parece ocasionar a morte da maioria dos pacientes com Covid-19.
Ou seja, não é exatamente o vírus o causador direto da destruição dos pulmões.
O dano mortal é causado pelas complicações decorrentes do incêndio mal direcionado pelo sistema imunológico.

Vitamina D e a taxa de mortalidade pelo Covid-19

A pesquisa em questão demonstra que níveis adequados de vitamina D podem reduzir a taxa de mortalidade de Covid-19 em até 50%.
A vitamina D não impede o paciente de contrair o vírus. Mas pode reduzir as complicações e evitar a morte daqueles que estão infectados.

Crianças e o Covid-19 – um mistério a ser esclarecido

A correlação entre vitamina D e o Covid-19 pode ajudar a explicar os muitos mistérios que cercam essa doença.
Explicar por que as crianças têm menos probabilidade de morte por decorrência do Covid-19.

Crianças ainda não possuem um sistema imunológico totalmente desenvolvido. Esse mesmo sistema imunológico está diretamente envolvido na resposta ao Covid-19 e com maior probabilidade de gerar uma reação exacerbada.
Esse pode ser o grande diferencial entre crianças e adultos na resposta ao Covid-19.

A reação das crianças ao vírus está baseada no seu sistema imunológico inato.
Isso pode explicar por que a taxa de mortalidade delas é mais baixa.

Atenção – cuidados com doses exageradas de vitamina D

Os pesquisadores salientam que as pessoas não devem tomar doses excessivas de vitamina D. Isso porque doses altas podem gerar efeitos colaterais negativos.
São necessárias muito mais pesquisas para se saber como a vitamina D pode ser usada deforma mais eficaz para proteção contra as complicações do Covid-19.

Vitamina D – qual a dose ideal?

É difícil dizer qual dose é mais benéfica para o Covid-19.
No entanto, é claro que a deficiência de vitamina D é prejudicial e pode ser facilmente tratada com a suplementação adequada.
Isso pode ser uma chave para ajudar a proteger populações vulneráveis.
Especialmente pacientes afro-americanos e idosos, que apresentam uma prevalência maior de deficiência de vitamina D.

A solução para a pandemia de Covid-19, como sabemos, virá com a descoberta de uma vacina eficaz contra o Sars-Cov-2, o vírus causador da doença.

Fonte: medRxiv
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A relação entre o consumo de vitamina D e o esmalte dental

vitamina D e o esmalte dental

O consumo de vitamina D e o esmalte dental ao que parece estão relacionados. Isso porque um estudo recente demonstrou que a vitamina D pode ter efeito sobre a formação do esmalte dental.

Nesse estudo observou-se que a suplementação de altas doses de vitamina D nos últimos três meses de gestação apresentou um forte impacto sobre o esmalte dental.  Essa suplementação reduziu em 50% a ocorrência de anomalias no esmalte dos dentes decíduos e definitivos dos filhos das gestantes até aos seis anos. Ou seja, o estudo sugere a existência de um forte vínculo entre os níveis de vitamina D e o esmalte dental.

Essa relação entre o consumo de vitamina D e o esmalte dental foi estabelecida tomando por base uma comparação com uma outra com níveis reduzidos de suplementação da vitamina.
O estudo, contudo, não revelou qualquer alteração na incidência de cárie dentária por parte da vitamina D.

Essas anomalias dizem respeito à quebra do esmalte, opacidade nos molares, entre outros problemas dentários. Problemas esses frequentes em todo o mundo, e que afetam quase 40% das crianças em idade escolar.

Vitamina D e o esmalte dental

A falta de um esmalte resistente traz consequências como dor de dentes, sensibilidade ao ingerir alimentos ou bebidas quentes ou frias. Além disso também pode favorecer o aparecimento e progressão de cáries. Muitas das vezes tal condição pode resultar em aumento da necessidade de extrações dentárias. Aqui no Dentalis já publicamos um artigo que questiona a possibilidade de regeneração do esmalte dental. Clique aqui para acessar esse texto.

O estudo

O estudo em questão contou com 623 participantes, mulheres com 24 semanas de gravidez que receberam 2400 UI de vitamina D desde o início do ensaio até uma semana após o parto. Outro grupo recebeu apenas a suplementação padrão de 400 UI ao dia.

Nesse estudo, 588 crianças, filhas das participantes, também foram acompanhadas.
Aos seis anos de idade, os dentes das crianças foram examinados em 84% dos casos. Atingindo assim um total de 496 crianças.

Observou-se que o risco de defeitos no esmalte foi diminuído em 50%.
Isso tanto para os dentes de leite como nos dentes permanentes.
Não se verificou, no entanto, qualquer alteração no risco de cárie.

Para evitar qualquer viés na composição dos grupos, foram também considerados outros hábitos de higiene bucal.
Hábitos de higiene como a frequência na escovação dos dentes, utilização de pastas com flúor e uso do fio dental.

As diferenças nos hábitos de higiene e seu consequente impacto sobre a prevalência de defeitos no esmalte nos dois grupos foi descartado.

Isso através da análise de eventuais fatores de confusão.
Observou-se pelos resultados que hábitos de estilo de vida, como os acima citados, estavam presentes de forma igual em ambos os grupos.

A exposição à luz solar é fator determinante para garantir a presença de níveis adequados de vitamina D no organismo. Os pacientes em ambos os grupos foram expostos a luz solar em níveis semelhantes.

vitamina D e o esmalte dental

Riscos associado ao consumo em excesso de vitamina D

Inúmeras pesquisas têm mostrado que a vitamina D é mais importante para a nossa saúde do que se pensava. Níveis adequados de vitamina D são essenciais para um envelhecimento saudável.

Mas há uma ressalva: para elevar seus níveis de vitamina D, preferencialmente tomando Sol moderadamente, é importante não esquecer do magnésio.

Uma revisão publicada pela Associação Osteopática Norte-Americana mostra que a vitamina D não pode ser metabolizada sem níveis suficientes de magnésio, o que significa que a vitamina D permanece armazenada e inativa em até 50% das pessoas.

Riscos dos suplementos de vitamina D

“As pessoas estão tomando suplementos de vitamina D, mas não percebem como ele é metabolizado. Sem magnésio, a vitamina D [na forma de suplementos] não é realmente útil ou segura,” explicam os pesquisadores Anne Marie Uwitonze e Mohammed Razzaque em um artigo publicado no The Journal of the American Osteopathic Association.

Razzaque acrescenta que o consumo de suplementos de vitamina D pode aumentar os níveis de cálcio e fosfato de uma pessoa, mesmo que ela permaneça deficiente em vitamina D. O problema é que as pessoas podem sofrer de calcificação vascular se seus níveis de magnésio não forem suficientemente altos para prevenir a complicação.

Magnésio

O magnésio é o quarto mineral mais abundante no corpo humano, depois do cálcio, potássio e sódio.

A média diária recomendada de ingestão de magnésio é de 420 mg para homens e 320 mg para mulheres.

Os alimentos com alto teor de magnésio incluem amêndoas, bananas, feijão, brócolis, arroz integral, castanha de caju, gema de ovo, óleo de peixe, linhaça, vegetais verdes, leite, cogumelos, nozes, aveia, sementes de abóbora, sementes de gergelim, soja, sementes de girassol, milho, tofu e grãos integrais.

O consumo de magnésio de alimentos naturais diminuiu nas últimas décadas, devido à agricultura industrializada e mudanças nos hábitos alimentares. Os níveis de magnésio são baixos em populações que consomem alimentos processados, que se baseiam mais em grãos refinados, gorduras, fosfatos e açúcar.

Falta de magnésio e vitamina D

Pacientes com níveis ótimos de magnésio exigem menos suplementação de vitamina D para atingir níveis suficientes do composto no organismo. O magnésio também reduz a osteoporose. Ele ajuda a mitigar o risco de fraturas ósseas. Fraturas que podem ser atribuídas a níveis baixos de vitamina D. Conforme destacam os pesquisadores.

A deficiência em qualquer um desses nutrientes – magnésio e vitamina D – está associada a vários distúrbios, incluindo deformidades esqueléticas, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.

Concluindo

As evidências apontam para a estreita relação entre a vitamina D e o esmalte dental e sua formação. Quando houver necessidade de suplementação de vitamina D, deve-se tomar todo o cuidado com os níveis do mineral magnésio.

Fonte: Jama Network
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Química do fio dental pode ser uma ameaça à saúde

química do fio dental

A química do fio dental o torna resistente à água e aos lipídios. Sem esse tratamento químico isso não seria possível.
Algumas das substâncias muitas vezes empregadas como parte da química do fio dental são as Per e polifluoralquilas (PFAS).

Um estudo recente desenvolvido pelo Silent Spring Institute detectou níveis elevados de PFAS em uma das marcas comerciais, dentre as 18 pesquisadas.
Importante destacar que os PFAS são substâncias químicas com efeitos tóxicos para a saúde humana.

O Silent Spring Institute  é uma organização sem fins lucrativos dedicada a estudar e reportar principalmente a prevenção do câncer de mama. Embora sua pesquisa também aborde outros tópicos relacionados à saúde.

PFAS

Os PFAS são usados em uma grande variedade de produtos de consumo. Produtos como embalagens de fast-food, panelas antiaderentes, roupas impermeáveis e tapetes resistentes a manchas. As pessoas podem ser expostas às substâncias diretamente através dos produtos que usam e dos alimentos que ingerem. Eles também podem ser expostos através do ar interno e poeira e água potável contaminada.

O estudo

Os pesquisadores mediram 11 compostos químicos de PFAS em amostras de sangue de 178 mulheres de meia idade. Mulheres essas inscritas nos Estudos de Saúde e Desenvolvimento Infantil do Instituto de Saúde Pública. Esse foi um estudo multigeracional do impacto de produtos químicos ambientais e outros fatores sobre doenças.

Foram realizadas entrevistas nas quais as mulheres foram questionadas sobre seus comportamentos relacionados a exposições mais elevadas de PFAS.
Isso com o objetivo de entender como o comportamento das participantes influenciou sua exposição aos PFAS.

Foram detectados níveis mais elevados de ácido perfluorohexanossulfônico, um tipo de PFAS. E justamente em mulheres que usavam uma marca específica de fio dental dentre aquelas escolhidas para análise. Isso em comparação com mulheres que não fizeram uso do fio dental em questão.
Um total de 18 marcas de fio dental foram analisadas.
Isso levou os pesquisadores a relacionar à química do fio dental, uma marca em particular, à presença de altos níveis de PFAS nas amostras de sangue pesquisadas.

Química do fio dental – preocupação dos pesquisadores

Este é o primeiro estudo que demonstrou que o uso de fio dental contendo PFAS, pode estar associado a uma maior carga corporal desses produtos químicos tóxicos.

Não se pode afirmar que apenas uma determinada marca de fio dental represente risco aos usuários. O que está em excesso em uma determinada marca, pode também estar em excesso em outras.
Novas pesquisas são necessárias e esperadas sobre esse tema. Espera-se também que um universo mais amplo de marcas de fio dental sejam utilizadas em próximos estudos.

Não se pode esquecer que o uso regular do fio dental é importante. E previne uma série de problemas odontológicos, inclusive o câncer de boca.

O que se pode até o momento destacar, é que os consumidores devam preferir os fios dentais que não contenham PFAS.

Mais do que nunca ficar atento às letras miúdas que informam a composição dos fios passou agora a ser algo relevante.

Fonte: Silent Spring Institute
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Fazer exercícios em jejum pode trazer muitos benefícios à saúde

Fazer exercícios em jejum pode trazer muitos benefícios à saúde

exercícios em jejum

Fazer exercícios em jejum logo pela manhã pode trazer muitos ganhos à saúde.
É o que um trabalho recente realizado durante seis semanas com trinta homens classificados como obesos ou sobrepeso demonstrou.

O estudo

Realizou-se uma comparação com dois grupos de intervenção. Aqueles que tomaram café da manhã antes da atividade física ou após os exercícios. Ambos foram comparados com os dados de um grupo controle. O grupo controle não realizou nenhuma alteração no estilo de vida.

Foram avaliados os níveis de glicose no sangue de todos os participantes da pesquisa.

Fazer exercícios em jejum – resultados animadores

Os voluntários que realizaram exercícios antes do café da manhã queimaram o dobro da quantidade de gordura do que o grupo que se exercitou após o café da manhã.

Mas afinal, por que motivo a queima de gordura corporal é maior quando se faz exercícios em jejum?

Os pesquisadores verificaram que o aumento do gasto de gordura estava relacionado diretamente aos níveis mais baixos de insulina durante o exercício.
O grupo que fez exercícios em jejum utilizou uma quantidade muito maior de gordura do tecido adiposo.
Essa gordura, uma vez dentro das células musculares, serviu como combustível para obtenção de energia.

Os benefícios do jejum

O trabalho foi desenvolvido com voluntários homens. A equipe de pesquisa pretende dar prosseguimento aos estudos numa nova etapa, mas desta vez com mulheres.

Os testes foram conduzidos por um curto espaço de tempo de apenas seis semanas. Em razão do pequeno intervalo de tempo não se observaram grandes diferenças na perda de peso corporal.
No entanto, os participantes que realizaram exercícios em jejum obtiveram as melhores respostas corporais à insulina. Os níveis de glicose sanguínea se mantiveram sob controle. Também diminuiu o risco de diabetes e doenças cardíacas.

Concluindo

Os resultados dessa pesquisa demonstraram que o momento em que se ingere alimentos em relação à prática da atividade física pode fazer grande diferença. A realização de exercícios físicos em jejum logo cedo pela manhã pode trazer mudanças muito positivas à saúde corporal.
O grupo de voluntários que realizou exercícios antes do café matinal aumentou grandemente sua resposta à insulina.

É interessante observar que a perda de peso entre os grupos se manteve semelhante assim como o nível de condicionamento físico.
O único diferencial foi a hora da ingestão de alimentos.
O verão é uma época do ano ideal pra se exercitar o corpo logo bem cedo. Fica a dica.

Fonte: Oxford Academic
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Os idosos e a falta de uma boa escovação dental

Os idosos e a falta de uma boa escovação dental

escovação dental

Muitas vezes convivem com o isolamento social e uma alimentação não muito adequada.
Além disso, sofrem as consequências que a ausência de uma boa escovação dental pode trazer.
Como todos sabemos a boca é uma importante porta de entrada para o corpo.
O descaso com uma boa escovação dental abre caminhos para que bactérias se tornem o estopim de doenças graves no organismo.

Essa falta de atenção básica é um grande problema para idosos em casas geriátricas. Só nos EUA eles já somam cerca de 1,3 milhão.

Boa escovação dental e saúde bucal – não são prioridades

A preocupação com a saúde bucal dos idosos não figura entre as prioridades da grande maioria dessas instituições.

Um estudo recente publicado na Special Care in Dentistry em 2017 constatou que apenas 10,3% dos pacientes internados em um lar de idosos por um período de cinco anos utilizaram serviços odontológicos dentro da casa ao menos uma vez durante esse período.

Bactérias da boca e o risco aumentado de pneumonia

O fato inconteste é que as bactérias presentes na boca podem afetar a saúde geral dos indivíduos.
Muitas das vezes as bactérias aderidas aos dentes podem acabar sendo inaladas e vir a causar pneumonia. Em pacientes vulneráveis e idosos isso pode ter graves consequências. Em alguns casos de pneumonia muitos pacientes têm de ser entubados em unidades de terapia intensiva (UTI).

Em um estudo, verificou-se que as bactérias cultivadas nos pulmões de pacientes hospitalizados com pneumonia eram idênticas às cultivadas nos dentes dos mesmos pacientes.

O residencial ideal de ninguém

Existem evidências de que a higiene bucal em pacientes hospitalizados e em lares de idosos é frequentemente ignorada ou deficiente.

A falta de atendimento, incluindo uma boa escovação dental, tem sido recorrente na grande maioria dos casos.

Milhares de pessoas por dia que estão em lares de idosos costumam passar o dia sem uma boa escovação dental.
As bactérias que surgem como resultado dos falta de uma boa higiene oral geralmente são resistentes a antibióticos. E acabam contribuindo para infecções que são comumente encontradas nesses locais.

E há evidências consideráveis e consenso geral de que as bactérias que causam pneumonia em casas de saúde podem penetrar nos pulmões pela boca. E acabam causando infecções pulmonares graves.

Esse problema certamente irá se agravar à medida que a população envelhece e mais pessoas estarão residindo em lares de idosos.

Biofilmes orais – o amigo que vira inimigo

O biofilme oral é uma fina película que recobre a superfície do dente.
É constituída por proteínas presentes naturalmente na saliva. Seu objetivo é proteger os dentes do contato com ácidos agressivos para o esmalte dentário. Este biofilme funciona também como uma membrana lubrificante. Assim protege os dentes do efeito abrasivo resultante da mastigação de alimentos e do contato com outros dentes. Nesta primeira fase, a película formada é benéfica para os dentes.

Não tarda muito até as bactérias começarem a aderir a esta película recém-formada. As bactérias começam posteriormente a formar uma massa pegajosa – mais conhecida por placa bacteriana. Formada a partir de açúcares e proteínas resultantes de resíduos alimentares. Numa fase inicial, este biofilme é muito fácil de remover. Uma boa escovação dental resolve plenamente o problema. No entanto, se não for removida rapidamente, a placa bacteriana cresce, ganha estrutura e solidifica. Posteriormente fica depositada por baixo de um novo biofilme. É desta forma que um amigo dos nossos dentes rapidamente se transforma num inimigo.

Risco de pneumonia

Uma das conexões mais bem documentadas entre a cavidade oral, que inclui dentes, língua e gengivas, e a saúde geral é a pneumonia.
Um conjunto substancial de evidências sugere que a atenção à higiene bucal pode reduzir o risco de pneumonia. Isso está especialmente bem documentado no caso de pneumonia adquirida em hospitais e clínicas geriátricas. São formas comuns de pneumonia que matam muitas pessoas e apresentam um grande impacto econômico. As bactérias formam um lar na boca e depois podem ser aspiradas ou inaladas pelos pulmões vindo a causar infecções graves.

As bactérias que normalmente residem na boca crescem como placa dental. Essa placa se liga firmemente aos dentes e superfícies da boca, como a língua. A placa dentária é difícil de remover e as bactérias dentro delas são mais resistentes a soluções antimicrobianas.

Boa escovação dental e o uso do fio dental

Uma boa escovação dental e o uso do fio dental podem remover o biofilme. Já a placa dental, caberá ao dentista sua remoção.
Isso geralmente não acontece, pois o pagamento por esses serviços geralmente não é coberto pelos custos dessas instituições de saúde.

Em alguns locais há a participação de enfermeiros e técnicos que realizam a higienização dental dos pacientes – fio dental e escovação e uso de antissépticos orais.

Uma boa escovação bem como o uso do fio dental devem ser realizados não apenas uma, mas mais de uma vez ao dia. Isso deveria ser uma prática regular em clínicas geriátricas.

A higiene bucal dos idosos em clínicas geriátricas

Pacientes idosos muitas vezes estão doentes e incapacitados para fazer isso sozinhos ou podem não fazê-lo da forma adequada.
Embora enfermeiros e técnicos de enfermagem possam executar essa tarefa, eles geralmente ficam sobrecarregados com outras tarefas.

Realizar uma higiene bucal eficaz toma tempo. Também é muitas vezes desagradável devido ao fato de que os biofilmes orais geralmente produzem odores desagradáveis e podem conter resíduos alimentares.

Como resultado, a higiene bucal é, na melhor das hipóteses, realizada de maneira inadequada nesses pacientes e, na pior, não é realizada.

É um tanto frustrante que propostas para estudar métodos mais eficazes para melhorar a higiene bucal em idosos sejam quase sempre ignoradas pelas equipes de saúde.
As razões para isso não são claras, mas nos perguntamos se existe algum viés contrário à ideia de que o atendimento odontológico vale o custo nesse cenário?

Esperança à vista

Há alguns sinais de esperança. Estudos científicos demonstram que a implementação de estratégias de higiene bucal pode reduzir o nível de infecções graves, como pneumonia.

Um estudo recente verificou que o aprimoramento da higiene bucal antes de uma cirurgia no hospital pode reduzir as taxas de pneumonia. Isso em conjunto com outras medidas auxiliares como o aprimoramento do manejo dos tubos inseridos na traqueia, por exemplo.
Importante que tais informações sejam divulgadas junto aos profissionais de saúde, como enfermeiros, mas também aos médicos, gerentes e, finalmente, proprietários de clínicas geriátricas.

Uma boa escovação dental se inicia a partir de uma boa escova dental. Veja aqui para conhecer quais são as características de uma boa escova dental.

Fonte: MedicalXpress, Curaprox
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Sal pode causar o Alzheimer. Descubra aqui

sal pode causar o Alzheimer

Pesquisa recente nos leva a concluir que uma dieta com excesso de sal pode causar o Alzheimer. Como assim?
De que forma o excesso de sal pode causar o Alzheimer?

Um novo estudo publicado na Nature revelou que uma dieta rica em sal pode afetar negativamente a função cognitiva.
Uma dieta rica em sal pode ocasionar uma deficiência de óxido nítrico. Esse composto é fundamental para a manutenção da saúde vascular do cérebro.
Quando os níveis de são muito baixos, alterações químicas na proteína tau ocorrem no cérebro. Essa condição favorece estados de demência e o Alzheimer.

No estudo, publicado em 23/10/2019 na Nature, os pesquisadores procuraram elucidar a série de eventos que ocorrem entre o consumo de sal e a baixa cognição.
Concluíram que diminuir a ingestão de sal e manter vasos sanguíneos saudáveis no cérebro pode “afastar” o risco de demência e Alzheimer.
O acúmulo de depósitos da proteína tau tem sido relacionada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer em humanos.

Aqui no blog Dentalis já relacionamos o Alzheimer a outras patologias como à doença periodontal como neste artigo.

Proteína Tau e beta-amiloide – entendendo os marcadores biológicos do Alzheimer

Os marcadores biológicos do Alzheimer são as proteínas beta-amiloide e tau.
A proteína beta-amiloide é produzida normalmente no cérebro. Há evidências de que quantidades muito pequenas dela são necessárias para manter os neurônios funcionais.
No caso do Alzheimer sua produção se eleva muito e o seu acúmulo leva à alteração das sinapses. É a primeira etapa para uma série de eventos que ocasiona a perda de neurônios e o aparecimento dos sintomas da doença.

A proteína beta-amiloide é eliminada normalmente pelo liquor. No Alzheimer seu acúmulo no cérebro faz com que sua concentração no liquor caia. Simultaneamente, ocorre fosforilação da proteína tau, que forma os emaranhados neurofibrilares dentro dos neurônios. Essa é outra alteração patológica conhecida do Alzheimer.
Com a morte de neurônios, a proteína tau é eliminada pelo liquor, aumentando também sua concentração.

O estudo

O estudo propõe um novo mecanismo pelo qual o sal está ligado ao comprometimento cognitivo. Também fornece mais evidências de uma ligação entre hábitos alimentares e função cognitiva.
O novo estudo baseia-se em pesquisa publicada na Nature Neuroscience pelos cientistas doutores Faraco, Costantino Iadecola e pela professorade Neurologia Anne Parrish Titzell da Weill Cornell Medicine.

O estudo evidenciou que uma dieta rica em sal causou demência em ratos.
Os ratos foram alimentados com uma dieta que continha entre 8 e 16 vezes a quantidade normal de sal. Posteriormente fora realizados testes cognitivos. Após dois meses de dieta, os ratos não conseguiram reconhecer novos objetos que os foram apresentados. Os roedores tornaram-se incapazes de concluir tarefas da vida diária, como construir seus ninhos.
Também se mostraram muito mais lentos na saída de um labirinto do que aqueles em uma dieta normal.
Também tiveram problemas em passar nos testes de memória.

A equipe de pesquisa determinou que a dieta rica em sal estava fazendo com que as células do intestino delgado liberassem a molécula interleucina-17.
Essa molécula promove a inflamação como parte da resposta imune do corpo.

O excesso de sal pode causar o Alzheimer – a escassez de óxido nítrico

A interleucina entrou na corrente sanguínea e impediu que as células nas paredes dos vasos sanguíneos que alimentavam o cérebro produzissem óxido nítrico.
O óxido nítrico age relaxando e alargando os vasos sanguíneos. Possibilita que o sangue flua de forma adequada.
Por outro lado, uma escassez de óxido nítrico pode restringir o fluxo sanguíneo.

Com base nessas descobertas, o Dr. Iadecola, o Dr. Faraco e seus colegas teorizaram que o sal provavelmente causou demência em ratos.
Ou seja, que o excesso de sal pode causar o Alzheimer.

Isso porque o sal contribuiu para restringir o fluxo sanguíneo para o cérebro.
No entanto, eles perceberam que o fluxo sanguíneo restrito nos ratos não era grave o suficiente para impedir o funcionamento adequado do cérebro.

Achamos que talvez houvesse algo mais acontecendo aqui ‘”, disse o Dr. Iadecola.

Em seu novo estudo da Nature, os pesquisadores descobriram que a produção reduzida de óxido nítrico nos vasos sanguíneos afeta a estabilidade das proteínas tau nos neurônios.
A proteína tau fornece estrutura para os “andaimes”. Esse “andaime”, também chamado de citoesqueleto, ajuda a transportar materiais e nutrientes através dos neurônios para garantir seu adequado funcionamento.

sal pode causar o Alzheimer

A proteína tau se desprende do citoesqueleto

A proteína tau se torna instável e se desprende do citoesqueleto, o que causa problemas. Isso porque a tau não deveria estar livre na célula.
Uma vez que a proteína estando fora do citoesqueleto ela acaba se acumulando no cérebro. Isso é o estopim para os problemas cognitivos.
Os pesquisadores determinaram que níveis saudáveis de óxido nítrico controlam a tau.
Isso freia a atividade causada por uma série de enzimas que levam à patologia da doença da proteína tau.

Proteína tau e demência

Para evidenciar ainda mais a importância da proteína tau na demência, os pesquisadores deram a ratos uma dieta rica em sal. Também restringiram o fluxo sanguíneo ao cérebro e de um anticorpo que promove a estabilidade da tau. Apesar do fluxo sanguíneo restrito, os pesquisadores observaram cognição normal nesses ratos. Isso demonstrou que o que realmente está causando a demência. Ou seja foi a proteína tau e não a falta de fluxo sanguíneo, disse um dos pesquisadores.
No geral, este estudo destaca como a saúde vascular é importante para o cérebro. Como demonstrado, há mais de uma maneira em que os vasos sanguíneos mantêm o cérebro saudável. O excesso de sal pode causar o Alzheimer à medida em que compromete a saúde vascular.

Um alerta importante

São necessárias pesquisas sobre ingestão de sal e os efeitos sobre a cognição em humanos. Mas o atual estudo com ratos é um alerta para as pessoas regularem o consumo de sal no dia a dia.
E o que é ruim para nós não vem de um saleiro, vem de alimentos processados e de restaurante. Ou seja, o chamado sal oculto em muitos alimentos industrializados.
Temos que manter o sal sob controle. Ele pode alterar os vasos sanguíneos do cérebro e fazê-lo de maneira cruel.
Se pudéssemos resumir em poucas palavras essa pesquisa seria reafirmando que o excesso de sal pode causar o Alzheimer.

Fontes: Nature, ScienceDaily, ABRAz
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Por que meninas têm mais cáries dentárias?

cáries dentárias em meninas

Cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Até agora já se tinha conhecimento de que mulheres apresentam maior incidência de cáries dentárias. Uma quantidade proporcionalmente maior de cáries dentárias em meninas surpreendeu os pesquisadores. É uma novidade a descoberta de que a maior incidência de cáries dentárias em meninas seja um fato, e também uma propensão cientificamente verificada.

É o que a pesquisadora Stephanie Ortiz, da Oregon Health & Science University, Oregon, EUA, evidenciou em sua pesquisa.
Fruto de um trabalho recentemente publicado, ela revelou diferenças dos micro-organismos presentes na flora bacteriana bucal de meninas e meninos.
Essas diferenças explicariam a maior incidência de cáries dentárias em meninas.

A cárie dentária

A cárie dentária representa uma das doenças crônicas mais comuns encontradas em crianças pequenas. É uma doença multifatorial que envolve complexas interações de fatores de risco microbiológicos, genéticos e socioeconômicos.

As mulheres apresentem maior incidência de cárie que os homens. Porém, até agora não estava claro se essa disparidade poderia ser estendida às crianças. A pesquisadora e coautores procuraram determinar diferenças específicas de gênero no microbioma salivar em crianças com cárie ativa. Para tanto, coletaram e testaram espécimes de saliva.

A pesquisa

Amostras de saliva foram coletadas de 85 crianças, 41 meninos e 44 meninas, entre as idades de dois a 14 anos.

O DNA microbiano foi isolado, submetido à amplificação e posterior sequenciamento. As bibliotecas e os perfis da microbiota oral foram posteriormente submetidas a análises bioestatísticas adicionais na Oregon Health & Science University, em Portland, EUA.

Resultados

Diferenças significativas na microbiota bucal foram encontradas entre meninos com cárie ativa versus meninas. Os principais gêneros microbianos associados à cárie em crianças pequenas incluem Actinobaculum, Atopobium, Aggregatibacter e Streptococcus. Actinobaculum, Veillonella parvula e o Lactococcus lactis produtor de ácido.

cáries dentárias em meninas

Microbiota bucal

A microbiota bucal é o conjunto dos micro-organismos que habitam a boca, principalmente bactérias.

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes.

É o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação.

Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro. É extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2.

Por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas.

Porém, alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Cáries dentárias em meninas

Todos os micro-organismos associados à cárie dentária foram encontrados em prevalência muito maior em meninas com cárie ativa do que em meninos. Uma clara indicação de que esses micro-organismos podem explicar o motivo pelo qual observa-se uma maior incidência de cáries dentárias em meninas.

Por que crianças de forma geral estão mais suscetíveis à caries dentárias

Toda criança apresenta risco para o desenvolvimento de cáries dentárias. O esmalte dentário da criança é muito mais fino e macio nos dentes do bebê. Isso os coloca em maior risco de deterioração. A boa notícia é que a cárie dentária é prevenível.

Os dentes de leite ajudam as crianças a comer e a falar. Eles também guiam os dentes permanentes do adulto para a posição adequada. O cuidado com a dentição das crianças deve acontecer desde o início.

Causas da cárie dentária em crianças pequenas

Bactérias na boca se alimentam de açúcares de alimentos e bebidas.
Essas bactérias produzem ácido, que danifica a superfície externa do dente (o esmalte). A saliva ajuda a reparar esse dano. Mas se ao longo do tempo houver mais dano do que o reparo, ele deixará uma cavidade ou “orifício” no dente.

Processo de cárie dentária na primeira infância

O processo de cárie dentária também é chamado de “cárie”. Nos estágios iniciais, os dentes podem desenvolver áreas brancas e calcárias. Nos estágios posteriores, os dentes têm áreas marrons ou pretas. Os quatro dentes da frente superiores são mais comumente afetados.

Outros nomes usados para se referir a essa condição incluem “cáries de mamadeira” e “cáries de alimentação infantil”.
Esses nomes são usados porque as evidências sugerem que a cárie precoce da infância pode ocorrer quando bebês e crianças são colocados para dormir com uma mamadeira de leite ou fórmula (ou outras bebidas doces).

O leite pode acumular-se na boca e o açúcar da lactose do leite serve de alimento às bactérias que causam cáries durante o período de sono do bebê. O fluxo de saliva diminui durante o sono e, portanto, não protege contra danos.

Sinais de cárie dentária na primeira infância

A cárie precoce na infância se desenvolve ao longo do tempo e pode ser de difícil identificação nos estágios iniciais.

A cárie dentária pode se mostrar como:

  •  Uma faixa branca na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Este é o primeiro sinal e geralmente não é detectado pelos pais;
  •  Uma faixa amarela, marrom ou preta na superfície do dente mais próxima da linha da gengiva. Isso indica progressão para cárie dentária;

Importância da detecção precoce da cárie dentária em crianças pequenas

Nos primeiros estágios, a cárie precoce da infância pode ser revertida com o tratamento odontológico adequado. Infelizmente em seus estágios iniciais as cáries podem ser difíceis de  serem identificadas pelos pais.
Assim, na maioria das vezes, a cárie dentária da primeira infância não é detectada até os estágios posteriores, mais graves. Neste momento, não pode ser revertida e a criança pode ter se ser submetida a um procedimento de tratamento de canal.

Prevenção da cárie dentária em crianças pequenas

Os pais podem ajudar a prevenir a cárie dentária em crianças pequenas. Seja através de uma alimentação saudável como também de bons hábitos de limpeza desde o início.
Vale o lembrete do quanto importante é evitar bebidas doces, como sucos de frutas, bebidas quentes ou refrigerantes. Também evitar alimentos e bebidas açucarados, especialmente entre as refeições.

Bons hábitos alimentares ajudam a prevenir a cárie dentária

Para prevenir a cárie dentária:

  •  Quando o bebé terminar de mamar, retire-o da mama ou da mamadeira;
  •  Não coloque o bebê para dormir com uma mamadeira;
  •  Nunca coloque bebidas doces na mamadeira de um bebê;
  • Importante ensinar a criança a beber de água de uma xícara a partir dos seis meses de idade. Por volta dos 12 meses, eles devem aprender a beber apenas de um copo ou xícara. Isso como forma de descontinuar o uso da mamadeira.

Para crianças com mais de 12 meses, a água é a bebida principal. O leite integral integral também é uma opção de bebida saudável. As crianças podem beber leite com baixo teor de gordura a partir dos dois anos de idade. Suco de frutas não é necessário ou recomendado para crianças devido ao seu alto teor de açúcar e acidez.

As crianças podem começar a comer alimentos sólidos a partir dos seis meses de idade.
É importante oferecer uma ampla variedade de alimentos nutritivos com uma variedade de texturas e sabores.

Além disso:

  •  Jamais mergulhe chupetas em substâncias doces, como mel, geleia ou açúcar;
  •  Faça uso de medicamentos, quando necessários, sem açúcar, sempre que possível;
  •  Importante os pais fazerem revisões periódicas na boca dos seus filhos na busca de sinais precoces de cárie dentária.
  •  Higiene adequada e regular é fundamental na prevenção da cárie dentária.

Limpar ou escovar os dentes da criança ajuda na remoção de bactérias causadoras de cáries.

  •  Iniciar a limpeza dos dentes do bebê assim que o primeiro dente aflorar.
    Para tanto, usar um pano úmido ou uma escova de dentes infantil pequena com água.
  •  Dos 18 meses aos seis anos de idade, usar uma pequena quantidade de creme dental infantil com baixo teor de flúor em uma pequena escova macia;
  •  Aos seis anos de idade, as crianças podem usar uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme dental com flúor padrão;
  •  Em regiões que não recebem flúor na água potável, o odontopediatra deverá ser procurado pelos pais para a devida orientação;
  •  Consultas odontológicas podem detectar os primeiros sinais de cárie dentária, e portanto são altamente recomendáveis;
  •  Recomenda-se que as crianças façam um exame dentário no momento em que completarem dois anos. Isso deve ser feito por um odontopediatra .
  •  Importante que as crianças mais velhas continuem a fazer check-ups. É essencial que os pais se certifiquem junto ao seu odontopediatra com que frequência a criança precisa fazer um check-up odontológico.
  •  Escovar os dentes e ao longo da linha das gengivas ao menos três vezes por dia. Sempre observar a higiene bucal depois das principais refeições, ou após a ingestão de alimentos, especialmente aqueles açucarados.
  •  As crianças precisarão de um adulto para ajudá-las a escovar os dentes até que elas consigam fazer isso de forma independente (geralmente, cerca de oito anos de idade).

Hipomineralização

É uma alteração muito frequente entre as crianças. Acontece quando o dente nasce com manchas de uma cor que oscila do branco giz ao amarelo-marrom. O mais comum é que afete a um ou vários molares dos seis anos (primeiros molares definitivos).
Às vezes em combinação afetando os incisivos definitivos.
Por isso se for vista uma mancha com essas características em um incisivo, o mais provável é que algum molar também esteja afetado.

O esmalte é mais poroso. São dentes que podem fraturar com mais facilidade e são muito sensíveis às cáries. Muitas vezes a criança se queixa de dores toda vez que se expõe a mudanças de temperatura. É muito importante ficar atento a esses relatos e levar a criança ao odontopediatra para que um tratamento seja iniciado.

O estudo, tema principal desse artigo, nos traz a informação de que cáries dentárias em meninas são mais comuns do que em meninos. Essa predisposição, como vimos, está muito associada à composição da microbiota da cavidade bucal. No entanto, fatores como alimentação e práticas de higiene bucal podem contribuir para evitar ou mesmo agravar o risco da maior incidência de cáries dentárias em meninas. Há que se destacar que existem muitos alimentos que contém elevadas concentrações de açúcar e que muitas vezes passam despercebidos dos pais. Esse açúcar “adicionado” foi destaque em um artigo anterior aqui do blog Dentalis.

Fontes: EurekAlert , BetterHealth, guiainfantil, Instituto de Microbiologia
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Vitamina D e doença periodontal, existe relação?

vitamina D e doença periodontalPesquisas recentes evidenciam a possibilidade de uma importante relação entre a vitamina D e doença periodontal.

A doença periodontal avançada é uma condição inflamatória do periodonto desenvolvida a partir de biofilmes microbianos que se formam nos dentes.

Os produtos bacterianos, assim como a resposta imune do hospedeiro a esses produtos, resultam na destruição dos tecidos que sustentam os dentes, incluindo o osso alveolar.

Devido a essa destruição tecidual, a doença periodontal avançada é uma das principais causas de perda dental em adultos.

A prevenção dessa doença é importante porque a perda dentária pode afetar o estado nutricional e a qualidade de vida.

A doença periodontal avançada também tem sido associada a condições sistêmicas. Condições como doença cardiovascular e diabetes mellitus tipo II.

vitamina d e doença periodontal

A vitamina D

A vitamina D é uma vitamina solúvel em gordura obtida da exposição à luz solar, dieta e suplementos nutricionais.

A vitamina D é metabolizada no fígado em 25-hidroxivitamina D e depois metabolizada nos rins para sua forma ativa, 1,25-di-hidroxivitamina D. Embora não haja consenso sobre os níveis de hidroxivitamina D, a maioria dos especialistas define <50 nmol / L (20 ng / mL) como insuficiência de vitamina D.

Evidências recentes sugerem que os níveis de hidroxivitamina D podem precisar ser tão altos quanto 75 nmol / L ( 30 ng / mL) para atingir o status ideal de vitamina D.

O papel da vitamina D no organismo

A vitamina D está envolvida na regulação da absorção de cálcio pelos intestinos, mantendo a concentração do cálcio plasmático e a mineralização óssea.
Estudos encontraram associações positivas significativas entre os níveis de hidroxivitamina D e a densidade mineral óssea ideal. A suplementação de vitamina D, quando necessária, diminui o risco de fraturas.

Vitamina D e o sistema imunológico

Evidências mais recentes indicam que a vitamina D também tem um efeito regulatório na resposta imunológica.
Ela estimula a resposta imunológica às vezes, enquanto a inibe em outras.

Um estudo demonstrou que a capacidade de produzir vitamina D ativa melhorou a atividade bactericida. Por outro lado existem muitos exemplos da capacidade da vitamina D de inibir a resposta imunitária.

Vitamina D e doença periodontal

A doença periodontal avançada é caracterizada pela perda óssea desencadeada por uma reação de resposta imune do hospedeiro à placa bacteriana.
A deficiência de vitamina D pode ter um efeito sobre o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal.

Dois grandes estudos transversais encontraram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e marcadores de doença periodontal.

No entanto, o maior estudo prospectivo até o momento, bem como o estudo transversal mais recente, não encontraram relação entre a vitamina D e doença periodontal.

Está claro que mais pesquisas são necessárias para determinar o impacto que o status da vitamina D tem sobre a progressão da doença periodontal.

A pesquisa

Os dados foram obtidos de pessoas de 6 a 79 anos participando do ciclo 1 da pesquisa.
O ciclo 1, realizado de 2007 a 2009, foi uma pesquisa nacional, transversal, realizada pela Statistics Canada, de uma amostra representativa de 97% da população canadense em todas as províncias e territórios.

A coleta de dados envolveu medidas físicas e entrevistas. Foram entrevistados 5.604 participantes.
Todos os participantes forneceram consentimento informado. O CHMS excluiu membros em tempo integral das Forças Canadenses e residentes das Primeiras Nações, terras da Coroa, certas regiões remotas do Canadá e instituições.

O objetivo deste estudo foi explorar a relação entre a concentração de vitamina D e doença periodontal. As medições levaram em conta o índice gengival (GI) e outros parâmetros definidos pelo Canadian Health Measures Survey (CHMS).

Os exames odontológicos foram realizados por 14 dentistas das forças canadenses. Os parâmetros foram definidos de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) .

Os resultados

Os participantes com concentrações de hidroxivitamina D <50 nmol / L e <75 nmol / L tiveram um aumento significativo nas chances de apresentar quadros de doença periodontal.

Aqueles que tomam suplementos de vitamina D tiveram chances significativamente mais baixas para para a infecção gengival. Já aqueles com diabetes aumentaram as chances de apresentar doença periodontal nos graus moderado a grave.

A média do IMC foi significativamente maior entre aqueles com pior quadro de doença periodontal.

Enquanto isso, aqueles que relataram frequentar um dentista ≥ 1 vez ao ano, escovando os dentes duas vezes ao dia e usando fio dental diariamente tiveram chances significativamente menores de doença periodontal.

Aumento dos índices de placa foram associados com o aumento da probabilidade de moderada a grave de doença periodontal. Os homens tiveram um aumento nas chances de doença periodontal em comparação com as mulheres.

Já aqueles nas categorias de renda mais alta tiveram menores chances de doença periodontal do que aqueles nas categorias de renda mais baixa.

As mulheres apresentaram menor chance de doença periodontal moderada a grave.
Enquanto valores altos para o índice de placa aumentaram as chances de doença periodontal moderada a grave.

Pacientes com níveis abaixo do limite padrão de vitamina D foram associados a um aumento da probabilidade de risco para doença periodontal grave.

Discussão

Apesar dos dados indicativos da presente pesquisa, atualmente existem evidências conflitantes na literatura sobre a relação entre vitamina D e doença periodontal.

Os resultados do estudo contêm evidências que apoiam uma associação entre baixos níveis de vitamina D e doença periodontal.

É provável que jovens e adultos mais jovens tenham uma melhor saúde bucal do que adultos mais velhos. Isto pode ter afetado a análise de medidas selecionadas de resultados periodontais.

Os pontos fortes deste estudo incluem o grande tamanho e a natureza representativa da amostra.
Outra vantagem é a disponibilidade dos atuais níveis de hidroxivitamina D, que é o padrão ouro reconhecido na determinação do status geral de vitamina D de um indivíduo.

Conclusão

O estudo foi realizado com uma amostra representativa de adultos canadenses. Forneceu evidências modestas que suportam uma relação entre baixas concentrações de vitamina D e doença periodontal.

É provável que estudos prospectivos com seguimento mais longo sejam necessários para elucidar completamente o efeito.
Se isso se confirmar, vitamina D e doença periodontal irá entrar definitivamente para a lista de causas dessa grave patologia.

Tem sido comum nos dias atuais as pessoas começarem a tomar suplementos de vitamina D. Fica o alerta para o risco de ingestão de doses elevadas dessa vitamina, que tem efeito cumulativo no organismo. Isso devido a sua liposolubilidade. Mais detalhes podem ser obtidos neste artigo já anteriormente publicado aqui no blog Dentalis.

Fonte: Dental News
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Pastas de dentes de carvão ativado: benefício ou risco?

Pastas de dentes de carvão ativado: benefício ou risco?

pastas de dente de carvão ativado

Pastas de dente de carvão ativado tem sido utilizadas por muitos como uma fórmula fácil e rápida de clarear os dentes.
Um grupo de dentistas ingleses, no entanto, desaconselha a utilização de pastas de dente à base de carvão ativado. E por que?

Cientistas concluíram que não há benefícios comprovados para as pastas de dente de carvão ativado.
O que a pesquisa mostrou é que pastas de dente de carvão ativado podem aumentar o risco de cáries e de manchas nos dentes.
Esta pesquisa do British Dental Journal se antepõe ao marketing comercial. Marketing que garante que pastas de dente de carvão ativado têm efeito clareador e são antibacterianas.

São alegações infundadas, e você vai descobrir o porquê!

Pastas de dente de carvão ativado ganharam popularidade em vários países nos últimos anos. Fazem sucesso no Reino Unido, EUA, Japão, Índia, Tailândia, Lituânia, Austrália, Hong Kong, China, Coreia e Suíça. Essa tendência mundial já foi noticiada aqui no blog Dentalis. Aqui mesmo no Brasil é fácil encontrarmos em farmácias pastas de dente de carvão ativado.

Ao longo da história

O uso de carvão para limpar os dentes não é um conceito novo. Os antigos gregos usaram carvão pela primeira vez para remover manchas dos dentes e disfarçar odores de gengivas não saudáveis.

Agora, uma extensa revisão resume os resultados de 15 estudos anteriores. Assim obtemos uma visão geral do que sabemos atualmente sobre os produtos dentários à base de carvão vegetal.

O estudo

A pesquisa analisou 50 pastas de dente de carvão ativado. Revelou que apenas 8% contêm flúor. Isso demonstra que oferecem uma proteção muito limitada contra as cáries dentais.

Riscos para os dentes

Além de não apresentarem propriedades clareadoras e antibacterianas, há um risco extra.
Pastas de dente de carvão ativado são abrasivas, Isto pode trazer desgastar o esmalte dentário, gerar recuo das gengivas e provocar sensibilidade dental.

Propaganda: o suposto efeito branqueador das pastas de dente de carvão ativado

Campanhas de marketing geralmente usam o vocabulário “natural” para evocar um senso de naturalidade e pureza.
Pesquisadores observaram que termos atraentes como “ecológico”, “vegetal”, “natural”, “orgânico” e “puro” são usados para anunciar 88% dos produtos à base de carvão ativado. Grande parte das marcas estudadas usaram dois ou mais desses termos em suas campanhas de marketing.

Pastas de dente de carvão ativado são todas iguais?

A pesquisa demonstrou que apenas 8% dos 50 cremes dentais analisados continham flúor.
Mais de 50% dos produtos ofereciam benefícios terapêuticos e 96% alegavam ajudar a clarear os dentes.

As propriedades de desintoxicação foram descritas em 46 por cento das pastas de dente à base de carvão ativado. Propriedades antibacterianas e antissépticas em 44 por cento. Remineralização, fortalecimento e fortificação estavam entre as propriedades de 30 por cento dessas pastas dentais. Alegações de baixa abrasividade foram feitas em 28 por cento das pastas dentais. E propriedades antifúngicas em 12 por cento delas.

Apenas 10% das pastas dentais tinham alguma forma de endosso por um profissional da área odontológica. Nenhuma dos supostos benefícios anteriores foi comprovado.

Juntamente com o uso de linguagem atraente, o apoio de celebridades são frequentemente usados para atrair consumidores. Muitos fabricantes acabam escondendo dos consumidores os reais efeitos desses produtos.

Na maior parte das vezes os artistas que fazem propaganda de pastas de dente de carvão apresentam dentes bem brancos. Acontece que seus sorrisos brancos não são uma consequência direta do uso do produto que anunciam. De uma perspectiva de branqueamento, pode haver indícios casuais de seu potencial de clareamento, mas qualquer efeito que eles tenham provavelmente terá sido apenas superficial.

Muitos cremes dentais que alegam branquear os dentes estão simplesmente removendo manchas superficiais. Eles não garantem sorrisos brancos duradouros que muitos usuários podem estar procurando. São apenas um artifício de publicidade.

É imprescindível que os consumidores verifiquem os ingredientes na embalagem dos produtos à base de carvão antes de usá-los. É fundamental que ao menos eles incluam flúor, cálcio e fosfato para fortalecimento e proteção do esmalte dos dentes.

pastas de dente de carvão ativado

Riscos reais

A nova pesquisa descobriu que as pastas dentais à base de carvão vegetal podem trazer prejuízo à saúde bucal.
Especialmente pelo fato de não conter ingredientes essenciais à proteção contra as cáries.

Um creme dental deve conter 1.350 a 1.500 ppm de flúor para proteger os dentes contra a cárie dental. Muitas pastas de dente à base de carvão não contêm flúor neste nível. Assim, os usuários estão mais expostos aos riscos de desenvolvimento e de cáries.

Além disso, alguns cremes dentais com carvão podem ser “excessivamente abrasivos”. Dessa forma desgastam o esmalte dos dentes, resultando em dentes sensíveis.

Quando usados com muita frequência em pessoas com restaurações, pode acabar aderindo a elas e as pigmentando.
As partículas de carvão também podem ficar presas nas gengivas e irritá-las.

Pastas dentais à base de carvão não são a solução para quem busca um sorriso perfeito. Importante não esquecer dos riscos que apresentam. Então não acredite em propaganda.
Qualquer pessoa preocupada com manchas ou dentes descoloridos que não podem ser mudados por uma mudança na dieta, ou melhorias na sua higiene bucal, deve consultar seu dentista.

Afinal, o que é o carvão ativado?

É obtido a partir da queima de matérias orgânicas. Como por exemplo , cascas de coco e alguns tipos de madeira. O material é exposto à altas temperaturas em ambiente de baixo teor de oxigênio. Isso leva à abertura de poros através dos quais as impurezas podem ser removidas. Apresenta características de um ótimo adsorvente.

Uso do carvão ativado na medicina

É uma forma de carbono puro de grande porosidade. Tem a propriedade de unir substâncias à sua superfície.
Pode fixar toxinas bacterianas, químicas irritantes e gases. Atua também como protetor das mucosas.

O carvão ativado não é absorvido pelo trato gastrintestinal. Pode-se ingeri-lo até três horas após a ingestão da substância tóxica.

Riscos de interação medicamentosa com o carvão ativado

Não se recomenda a ingestão de carvão ativado juntamente com outros medicamentos.
Isso se deve ao risco de outros fármacos serem adsorvidos pelo carvão ativado.

Dentalis Software – a sua melhor escolha em software para odontologia

Fontes: News Medical, Saúde oral, British Dental Journal
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O que é e quais são as causas das retrações gengivais?

causas das recessões gengivaisMuita gente ainda se pergunta: quais são as causas das retrações gengivais?

Segundo a Academia Americana de Periodontologia, a retração gengival  se apresenta quando o tecido da gengiva sofre um recuo em relação ao dente, deixando parte raiz dentária exposta. Dentre os dentistas, isto é conhecido como migração apical da margem gengival. Com a evolução da recessão pode ocorrer também comprometimento estético, visto que o dente apresenta-se mais longo.

As causas das retrações gengivais podem estar associadas ao comprometimento de várias funções. Estruturas importantes do periodonto de proteção (gengiva) e do periodonto de sustentação. São parte do periodonto de sustentação o sistema que liga o dente ao osso alveolar (ligamento periodontal). O tecido mineralizado que recobre a superfície da raiz (cemento). E finalmente, o  tecido ósseo que dá sustentação aos dentes (osso alveolar). Em retrações gengivais essas estruturas podem sofrer dano.

periodontoDevido à exposição do cemento, a recessão gengival pode ocasionar consequências. Como, por exemplo: maior susceptibilidade à cárie radicular e hipersensibilidade dentária. Denomina-se cárie radicular aquela que atinge a raiz dos dentes, cuja superfície não possui o esmalte para proteção da dentina. A dentina é aquele tecido rico em cálcio que recobre a polpa dentária.dente - estrutura

Em 5% dos indivíduos costuma estar exposta na área da junção amelocementária (lugar que termina o esmalte).

O quadro de hipersensibilidade pode levar o paciente a negligenciar o controle do biofilme. O biofilme é uma camada composta por bactérias colonizadoras da cavidade oral. Desse modo há aumento da predisposição a doenças de origem bacteriana, como a cárie e a doença periodontal. A recessão gengival é o resultado de uma combinação de fatores.

Periodontite, posição dentária, oclusão traumática (alterações patológicas que ocorrem no periodonto de sustentação), inserção alta dos freios, bridas ou fibras musculares, deiscências ósseas, pressão labial e reduzida faixa de gengiva inserida, são tidos como potenciais causadores de retrações gengivais. Define-se como freio a dobra formada pela mucosa que se estende do lábio à parede alveolar.

Aqui são discutidos os vários fatores que atuam no desenvolvimento da retração gengival. O profissional assim pode identificar a causa precocemente. O objetivo é controlar a evolução e prevenir a migração apical da margem gengival.

Conhecendo as causas das retrações gengivais

As causas das retrações gengivais que influenciam o desenvolvimento da recessão gengival são classificados em fatores precipitantes e fatores predisponentes. Os fatores precipitantes são a placa bacteriana, o trauma mecânico relacionado com a escovação, a terapia ortodôntica e o trauma químico relacionado como, por exemplo, a exposição ao fumo.

Os fatores predisponentes incluem características anatômicas locais que favorecem a ocorrência das retrações gengivais. Como, por exemplo, a quantidade e qualidade insatisfatória de gengiva inserida, deiscência óssea, vestibularização, inserção alta do freio e oclusão traumática. São defeitos ósseos a fenestração e deiscência. A primeira diz respeito às raízes quando estão proeminentes e a cortical óssea é muito fina. A Deiscência é quando a ponte óssea entre a fenestração e a crista alveolar pode desaparecer e produzir o defeito. O vestíbulo é o espaço localizado entre os lábios e bochechas, externamente, e os dentes e a gengiva, internamente. Dentes vestibularizados são dentes projetados no espaço do vestíbulo.

A recessão gengival corresponde à perda de inserção. Resulta em uma posição mais inferior da margem gengival livre, em qualquer parte da superfície da raiz exposta. Pode estar presente em ambos os arcos, nas faces da parte de frente para os lábios (vestibular) e a parte voltada para língua nos dentes inferiores (lingual) e também em quaisquer dentes.

Alguns fatores são considerados causas importantes no surgimento da recetração gengival. São eles o biofilme bacteriano dentário e sua consequente inflamação gengival. Também a oclusão traumatogênica, o trauma proveniente da escovação ou da inserção alterada do freio labial. E finalmente as características anatômicas locais relacionadas ao posicionamento dentário, espessura da gengiva marginal, altura da faixa de mucosa ceratinizada e tecido ósseo subjacente.inflamação da gengiva

Recessão gengival – Traumas por escovação

Determinados fatores podem contribuir para o desenvolvimento da recessão gengival diante da presença de traumas durante a escovação. Como forma do arco, posicionamento do dente, deficiência alveolar, cerdas duras e movimento errado de escovação (força demasiada). Quanto mais acentuada a convexidade do contorno do arco dental maior a pressão causada na área. Consequentemente, maior o risco de recessão na presença da escovação traumática. Adicionalmente, dentes vestibularizados recebem mais pressão, assim como apresentam uma tábua óssea mais fina. A escovação dental tem tudo a ver com a escova de dentes. Neste artigo aqui do blog Dentalis você poderá conhecer as características de uma boa escova de dental.

O trauma durante a escovação dental contribui como uma das principais causas das retrações gengivais. Este aspecto tem sido abordado de forma constante em estudos epidemiológicos.

A prevalência de recessão gengival é alta. A escovação traumática é um dos principais fatores causadores da perda de inserção. O fator escovação traumática é bastante amplo. Inclui-se aí a duração da escovação, a frequência de escovação, a força exercida durante a escovação, a dureza das cerdas da escova, a técnica de escovação. E também a frequência de troca da escova.

Placa bacteriana e presença de inflamação

Os resultados da investigação sobre recessão gengival revelaram que a recessão da margem gengival estava associada a altas taxas de inflamação decorrente da presença do biofilme, com diminuição de espessura de gengiva inserida e queratinizada e com a dureza das cerdas das escovas dos indivíduos.

O processo inflamatório representa também uma das principais causas das retrações gengivais. Ele é o único responsável pela destruição das fibras colágenas com consequente migração da parte da inserção entre o dente e a gengiva (epitélio juncional).

Com a exposição radicular é frequente um maior acúmulo de biofilme. Este acúmulo leva à piora do quadro inflamatório e consequente progressão da recessão gengival. O acúmulo de biofilme pode ocorrer devido a uma hipersensibilidade promovida pela exposição dentinária e consequente dificuldade de escovação. O desnivelamento da margem gengival provocado pela retração dificulta o posicionamento da escova. O que acaba comprometendo a efetividade na remoção do biofilme.

Dentes e face mais afetados

Num estudo com 49 pacientes, idades entre 20 e 60 anos, observou-se que os dentes mais afetados pelas retrações gengivais são os incisivos inferiores. A maior ocorrência das retrações gengivais é na face voltada para língua nos dentes inferiores (face vestibular). A presença de biofilme foi o principal fator causador associado às retrações gengivais. Observou-se também um aumento da gravidade das retrações gengivais com o avanço da idade.

Posição dos dentes

O mau posicionamento dos dentes tem sido referido por vários autores como uma das causas das retrações gengivais. A posição na qual o dente vai erupcionar na arcada dentária está diretamente associada à quantidade de gengiva em torno dele. Se o trajeto de erupção resultar numa posição próxima da continuação da gengiva livre porém firmemente aderida ao tecido ósseo (linha mucogengival) haverá pouca ou nenhuma gengiva queratinizada, predispondo à recessão.

Observou-se que a maioria dos dentes com recessão estavam associados a irregularidades como rotação ou deslocamento vestibular. Já dentes posicionados vestibularmente tinham menos gengiva inserida em relação aos dentes posicionados lingualmente.

Dentes que se encontram vestibularizados ou que tenham sofrido rotação têm maior probabilidade de apresentar retrações gengivais.

Inserção do freio

Os freios podem ser considerados como fatores predisponentes. Sua presença próxima à gengiva marginal ou com inserção profunda na papila gengival permite a persistência da inflamação por dificultar a higiene da região.

Quando o freio labial apresentar inserção alta no processo alveolar poderá ocorrer uma redução na largura da faixa de mucosa ceratinizada. Essa condição poderá interferir no processo de escovação. Isso acabará favorecendo o acúmulo de biofilme e a instalação de um processo inflamatório e consequente retração gengival.

A inserção do freio próximo ou na margem gengival promovendo uma tração excessiva deve ser corrigida cirurgicamente.

Espessura da gengiva inserida

Um dos fatores mais importantes como causa das retrações gengivais é a presença de uma margem gengival fina.

Alguns autores ressaltam que a espessura da gengiva marginal é um fator significativo no desenvolvimento da recessão, ao contrário da altura da mucosa ceratinizada. O tecido gengival fino e a presença de raízes dentárias proeminentes em relação à cortical óssea alveolar podem contribuir para o agravamento da resposta periodontal ao movimento ortodôntico. Dependendo da direção do mesmo.

O principal fator predisponente à recessão gengival é a espessura da mucosa ceratinizada. A mucosa delgada está associada á uma faixa fina de tecido conjuntivo e um processo inflamatório neste, aumentando a susceptibilidade à degeneração.

Trauma oclusal

Não existe evidência que implique o traumatismo oclusal como causador direto da recessão gengival. É possível, no entanto, que o trauma associado ao processo inflamatório possa contribuir para a perda de inserção.

O trauma oclusal representa um fator que pode predispor a retrações gengivais, principalmente quando associado à má posição do dente no arco e à presença de tábua óssea e mucosa delgadas, tornando a área mais suscetível à disseminação do processo inflamatório provocado pelo acúmulo de placa bacteriana.

Terapia ortodôntica

Viazis et al. realizaram o relato de um caso clínico abordando a recessão gengival no tratamento ortodôntico. Foi concluído neste relato que o movimento ortodôntico é contra indicado se a má higienização for evidente no paciente. Uma dentição inferior proeminente e uma higienização pobre contribuem para uma recessão gengival generalizada que aparece mais tarde no tratamento.

A partir do momento que o tratamento ortodôntico envolve movimento dentário, uma área localizada de recessão pode ocorrer se esta movimentação for além da tolerância do periodonto.

A recessão gengival associada ao tratamento ortodôntico não ocorre apenas devido à ação de forças. Retrações gengivais podem ser criadas por iatrogenia na utilização de bandas ortodônticas de borracha. Estas podem migrar apicalmente para o sulco gengival, promovendo um processo inflamatório, perda óssea e subsequente recessão gengival.

Resumindo

A retração da margem gengival com subsequente exposição da superfície radicular é uma condição comumente diagnosticada. O aprimoramento do conhecimento sobre os fatores envolvidos como causadores dessa alteração periodontal é crucial. Além da identificação das causas,  se faz necessário a avaliação da extensão, gravidade e características do defeito. Isto permite fazer um planejamento dentro da previsibilidade do tratamento e recobrimento radicular. A classificação de Miller et al. tem sido amplamente utilizada para esse propósito.

A retração gengival tem causas multifatoriais. A associação de fatores anatômicos ou iatrogênicos (fatores predisponentes) e patológicos (fatores primários) culmina na condição clínica citada anteriormente. A frequência e técnica de escovação e dureza das cerdas, apresentam impacto no desenvolvimento da retração juntamente com a escovação traumática.

Não só a escovação traumática, mas também os processos inflamatórios induzidos pelo biofilme estão fortemente associados à recessão gengival.

Neste aspecto, a periodontite está claramente associada à perda óssea, migração apical do epitélio juncional e perda de inserção.

Bruxismo

O bruxismo, caracterizado pelo ranger dos dentes, se apresenta também como mais uma das causas da retração gengival.

Tratamento da retração gengival

Retrações leves ou no seu início apresentam um ótimo prognóstico.
Cabe ao dentista identificar as causas, e a partir daí definir as recomendações. Por exemplo, reavaliar a forma como o paciente costuma escova os dentes e que tipo de escova utiliza. O tempo de uso da escova dental e os hábitos e uso do fio dental. No caso do bruxismo, avaliar a necessidade de uma placa de mordida.

Para casos mais graves, é recomendável o dentista trabalhar em conjunto com um periodontista para decidir a melhor estratégia de ação.
A periodontite é uma das principais causas da retração gengival. Neste caso, seria interessante avaliar a possibilidade de uma limpeza mais profunda, como no caso da raspagem e do polimento radicular.

Para casos ainda mais graves de retração gengival, recomenda-se uma intervenção cirúrgica, realizada através de parceria com um periodontista. Neste caso será necessário um procedimento de enxerto de gengiva.

Concluindo

A causas das recessões gengivais são uma condição atribuída a uma soma de fatores, tais como: inflamatórios, anatômicos e/ou complicações diversas (iatrogênicos). O processo inflamatório decorrente da presença do biofilme bacteriano é uma constante como causa das recessões gengivais. É também o único fator que por si só pode levar a essa condição clínica abordada ao longo deste trabalho.

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Fonte: Etiologia Multifatorial das Recessões Gengivais: uma revisão de literatura
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