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O que é e quais são as causas das retrações gengivais?

causas das recessões gengivaisMuita gente ainda se pergunta: quais são as causas das retrações gengivais?

Segundo a Academia Americana de Periodontologia, a retração gengival  se apresenta quando o tecido da gengiva sofre um recuo em relação ao dente, deixando parte raiz dentária exposta. Dentre os dentistas, isto é conhecido como migração apical da margem gengival. Com a evolução da recessão pode ocorrer também comprometimento estético, visto que o dente apresenta-se mais longo.

As causas das retrações gengivais podem estar associadas ao comprometimento de várias funções. Estruturas importantes do periodonto de proteção (gengiva) e do periodonto de sustentação. São parte do periodonto de sustentação o sistema que liga o dente ao osso alveolar (ligamento periodontal). O tecido mineralizado que recobre a superfície da raiz (cemento). E finalmente, o  tecido ósseo que dá sustentação aos dentes (osso alveolar). Em retrações gengivais essas estruturas podem sofrer dano.

periodontoDevido à exposição do cemento, a recessão gengival pode ocasionar consequências. Como, por exemplo: maior susceptibilidade à cárie radicular e hipersensibilidade dentária. Denomina-se cárie radicular aquela que atinge a raiz dos dentes, cuja superfície não possui o esmalte para proteção da dentina. A dentina é aquele tecido rico em cálcio que recobre a polpa dentária.dente - estrutura

Em 5% dos indivíduos costuma estar exposta na área da junção amelocementária (lugar que termina o esmalte).

O quadro de hipersensibilidade pode levar o paciente a negligenciar o controle do biofilme. O biofilme é uma camada composta por bactérias colonizadoras da cavidade oral. Desse modo há aumento da predisposição a doenças de origem bacteriana, como a cárie e a doença periodontal. A recessão gengival é o resultado de uma combinação de fatores.

Periodontite, posição dentária, oclusão traumática (alterações patológicas que ocorrem no periodonto de sustentação), inserção alta dos freios, bridas ou fibras musculares, deiscências ósseas, pressão labial e reduzida faixa de gengiva inserida, são tidos como potenciais causadores de retrações gengivais. Define-se como freio a dobra formada pela mucosa que se estende do lábio à parede alveolar.

Aqui são discutidos os vários fatores que atuam no desenvolvimento da retração gengival. O profissional assim pode identificar a causa precocemente. O objetivo é controlar a evolução e prevenir a migração apical da margem gengival.

Conhecendo as causas das retrações gengivais

As causas das retrações gengivais que influenciam o desenvolvimento da recessão gengival são classificados em fatores precipitantes e fatores predisponentes. Os fatores precipitantes são a placa bacteriana, o trauma mecânico relacionado com a escovação, a terapia ortodôntica e o trauma químico relacionado como, por exemplo, a exposição ao fumo.

Os fatores predisponentes incluem características anatômicas locais que favorecem a ocorrência das retrações gengivais. Como, por exemplo, a quantidade e qualidade insatisfatória de gengiva inserida, deiscência óssea, vestibularização, inserção alta do freio e oclusão traumática. São defeitos ósseos a fenestração e deiscência. A primeira diz respeito às raízes quando estão proeminentes e a cortical óssea é muito fina. A Deiscência é quando a ponte óssea entre a fenestração e a crista alveolar pode desaparecer e produzir o defeito. O vestíbulo é o espaço localizado entre os lábios e bochechas, externamente, e os dentes e a gengiva, internamente. Dentes vestibularizados são dentes projetados no espaço do vestíbulo.

A recessão gengival corresponde à perda de inserção. Resulta em uma posição mais inferior da margem gengival livre, em qualquer parte da superfície da raiz exposta. Pode estar presente em ambos os arcos, nas faces da parte de frente para os lábios (vestibular) e a parte voltada para língua nos dentes inferiores (lingual) e também em quaisquer dentes.

Alguns fatores são considerados causas importantes no surgimento da recetração gengival. São eles o biofilme bacteriano dentário e sua consequente inflamação gengival. Também a oclusão traumatogênica, o trauma proveniente da escovação ou da inserção alterada do freio labial. E finalmente as características anatômicas locais relacionadas ao posicionamento dentário, espessura da gengiva marginal, altura da faixa de mucosa ceratinizada e tecido ósseo subjacente.inflamação da gengiva

Recessão gengival – Traumas por escovação

Determinados fatores podem contribuir para o desenvolvimento da recessão gengival diante da presença de traumas durante a escovação. Como forma do arco, posicionamento do dente, deficiência alveolar, cerdas duras e movimento errado de escovação (força demasiada). Quanto mais acentuada a convexidade do contorno do arco dental maior a pressão causada na área. Consequentemente, maior o risco de recessão na presença da escovação traumática. Adicionalmente, dentes vestibularizados recebem mais pressão, assim como apresentam uma tábua óssea mais fina. A escovação dental tem tudo a ver com a escova de dentes. Neste artigo aqui do blog Dentalis você poderá conhecer as características de uma boa escova de dental.

O trauma durante a escovação dental contribui como uma das principais causas das retrações gengivais. Este aspecto tem sido abordado de forma constante em estudos epidemiológicos.

A prevalência de recessão gengival é alta. A escovação traumática é um dos principais fatores causadores da perda de inserção. O fator escovação traumática é bastante amplo. Inclui-se aí a duração da escovação, a frequência de escovação, a força exercida durante a escovação, a dureza das cerdas da escova, a técnica de escovação. E também a frequência de troca da escova.

Placa bacteriana e presença de inflamação

Os resultados da investigação sobre recessão gengival revelaram que a recessão da margem gengival estava associada a altas taxas de inflamação decorrente da presença do biofilme, com diminuição de espessura de gengiva inserida e queratinizada e com a dureza das cerdas das escovas dos indivíduos.

O processo inflamatório representa também uma das principais causas das retrações gengivais. Ele é o único responsável pela destruição das fibras colágenas com consequente migração da parte da inserção entre o dente e a gengiva (epitélio juncional).

Com a exposição radicular é frequente um maior acúmulo de biofilme. Este acúmulo leva à piora do quadro inflamatório e consequente progressão da recessão gengival. O acúmulo de biofilme pode ocorrer devido a uma hipersensibilidade promovida pela exposição dentinária e consequente dificuldade de escovação. O desnivelamento da margem gengival provocado pela retração dificulta o posicionamento da escova. O que acaba comprometendo a efetividade na remoção do biofilme.

Dentes e face mais afetados

Num estudo com 49 pacientes, idades entre 20 e 60 anos, observou-se que os dentes mais afetados pelas retrações gengivais são os incisivos inferiores. A maior ocorrência das retrações gengivais é na face voltada para língua nos dentes inferiores (face vestibular). A presença de biofilme foi o principal fator causador associado às retrações gengivais. Observou-se também um aumento da gravidade das retrações gengivais com o avanço da idade.

Posição dos dentes

O mau posicionamento dos dentes tem sido referido por vários autores como uma das causas das retrações gengivais. A posição na qual o dente vai erupcionar na arcada dentária está diretamente associada à quantidade de gengiva em torno dele. Se o trajeto de erupção resultar numa posição próxima da continuação da gengiva livre porém firmemente aderida ao tecido ósseo (linha mucogengival) haverá pouca ou nenhuma gengiva queratinizada, predispondo à recessão.

Observou-se que a maioria dos dentes com recessão estavam associados a irregularidades como rotação ou deslocamento vestibular. Já dentes posicionados vestibularmente tinham menos gengiva inserida em relação aos dentes posicionados lingualmente.

Dentes que se encontram vestibularizados ou que tenham sofrido rotação têm maior probabilidade de apresentar retrações gengivais.

Inserção do freio

Os freios podem ser considerados como fatores predisponentes. Sua presença próxima à gengiva marginal ou com inserção profunda na papila gengival permite a persistência da inflamação por dificultar a higiene da região.

Quando o freio labial apresentar inserção alta no processo alveolar poderá ocorrer uma redução na largura da faixa de mucosa ceratinizada. Essa condição poderá interferir no processo de escovação. Isso acabará favorecendo o acúmulo de biofilme e a instalação de um processo inflamatório e consequente retração gengival.

A inserção do freio próximo ou na margem gengival promovendo uma tração excessiva deve ser corrigida cirurgicamente.

Espessura da gengiva inserida

Um dos fatores mais importantes como causa das retrações gengivais é a presença de uma margem gengival fina.

Alguns autores ressaltam que a espessura da gengiva marginal é um fator significativo no desenvolvimento da recessão, ao contrário da altura da mucosa ceratinizada. O tecido gengival fino e a presença de raízes dentárias proeminentes em relação à cortical óssea alveolar podem contribuir para o agravamento da resposta periodontal ao movimento ortodôntico. Dependendo da direção do mesmo.

O principal fator predisponente à recessão gengival é a espessura da mucosa ceratinizada. A mucosa delgada está associada á uma faixa fina de tecido conjuntivo e um processo inflamatório neste, aumentando a susceptibilidade à degeneração.

Trauma oclusal

Não existe evidência que implique o traumatismo oclusal como causador direto da recessão gengival. É possível, no entanto, que o trauma associado ao processo inflamatório possa contribuir para a perda de inserção.

O trauma oclusal representa um fator que pode predispor a retrações gengivais, principalmente quando associado à má posição do dente no arco e à presença de tábua óssea e mucosa delgadas, tornando a área mais suscetível à disseminação do processo inflamatório provocado pelo acúmulo de placa bacteriana.

Terapia ortodôntica

Viazis et al. realizaram o relato de um caso clínico abordando a recessão gengival no tratamento ortodôntico. Foi concluído neste relato que o movimento ortodôntico é contra indicado se a má higienização for evidente no paciente. Uma dentição inferior proeminente e uma higienização pobre contribuem para uma recessão gengival generalizada que aparece mais tarde no tratamento.

A partir do momento que o tratamento ortodôntico envolve movimento dentário, uma área localizada de recessão pode ocorrer se esta movimentação for além da tolerância do periodonto.

A recessão gengival associada ao tratamento ortodôntico não ocorre apenas devido à ação de forças. Retrações gengivais podem ser criadas por iatrogenia na utilização de bandas ortodônticas de borracha. Estas podem migrar apicalmente para o sulco gengival, promovendo um processo inflamatório, perda óssea e subsequente recessão gengival.

Resumindo

A retração da margem gengival com subsequente exposição da superfície radicular é uma condição comumente diagnosticada. O aprimoramento do conhecimento sobre os fatores envolvidos como causadores dessa alteração periodontal é crucial. Além da identificação das causas,  se faz necessário a avaliação da extensão, gravidade e características do defeito. Isto permite fazer um planejamento dentro da previsibilidade do tratamento e recobrimento radicular. A classificação de Miller et al. tem sido amplamente utilizada para esse propósito.

A retração gengival tem causas multifatoriais. A associação de fatores anatômicos ou iatrogênicos (fatores predisponentes) e patológicos (fatores primários) culmina na condição clínica citada anteriormente. A frequência e técnica de escovação e dureza das cerdas, apresentam impacto no desenvolvimento da retração juntamente com a escovação traumática.

Não só a escovação traumática, mas também os processos inflamatórios induzidos pelo biofilme estão fortemente associados à recessão gengival.

Neste aspecto, a periodontite está claramente associada à perda óssea, migração apical do epitélio juncional e perda de inserção.

Bruxismo

O bruxismo, caracterizado pelo ranger dos dentes, se apresenta também como mais uma das causas da retração gengival.

Tratamento da retração gengival

Retrações leves ou no seu início apresentam um ótimo prognóstico.
Cabe ao dentista identificar as causas, e a partir daí definir as recomendações. Por exemplo, reavaliar a forma como o paciente costuma escova os dentes e que tipo de escova utiliza. O tempo de uso da escova dental e os hábitos e uso do fio dental. No caso do bruxismo, avaliar a necessidade de uma placa de mordida.

Para casos mais graves, é recomendável o dentista trabalhar em conjunto com um periodontista para decidir a melhor estratégia de ação.
A periodontite é uma das principais causas da retração gengival. Neste caso, seria interessante avaliar a possibilidade de uma limpeza mais profunda, como no caso da raspagem e do polimento radicular.

Para casos ainda mais graves de retração gengival, recomenda-se uma intervenção cirúrgica, realizada através de parceria com um periodontista. Neste caso será necessário um procedimento de enxerto de gengiva.

Concluindo

A causas das recessões gengivais são uma condição atribuída a uma soma de fatores, tais como: inflamatórios, anatômicos e/ou complicações diversas (iatrogênicos). O processo inflamatório decorrente da presença do biofilme bacteriano é uma constante como causa das recessões gengivais. É também o único fator que por si só pode levar a essa condição clínica abordada ao longo deste trabalho.

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Fonte: Etiologia Multifatorial das Recessões Gengivais: uma revisão de literatura
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Cigarro eletrônico causa câncer bucal? O que diz nova pesquisa

Os cigarros eletrônicos estão se tornando cada vez mais populares. Embora sejam vistos por alguns como uma alternativa mais segura ao fumo, seus efeitos ainda são relativamente desconhecidos.

Apresentando suas descobertas no 256º Encontro Nacional e Exposição da Sociedade Americana de Química em Boston, pesquisadores do Centro de Câncer Maçônico da Universidade de Minnesota em Minneapolis descreveram como os cigarros eletrônicos podem modificar o DNA das células orais e aumentar os riscos de câncer.

“Está claro que mais carcinógenos surgem da combustão do tabaco em cigarros comuns do que do vapor dos cigarros eletrônicos”, disse a principal pesquisadora do projeto, Dra. Silvia Balbo. “No entanto, não sabemos realmente o impacto da inalação da combinação de compostos produzidos por este dispositivo. Só porque as ameaças são diferentes, não significa que os cigarros eletrônicos sejam completamente seguros ”.

Metodologia

Para caracterizar as exposições químicas durante a vaping (a inalação e exalação do vapor de cigarros eletrônicos), os pesquisadores recrutaram cinco usuários de cigarros eletrônicos. Eles coletaram amostras salivares antes e depois de uma sessão de vaping de 15 minutos e analisaram as amostras quanto a substâncias químicas que danificam o DNA. Para avaliar os possíveis efeitos a longo prazo do vaping, a equipe avaliou os danos do DNA nas células das bocas dos voluntários. Os pesquisadores usaram métodos baseados em espectrometria de massa que haviam desenvolvido anteriormente para um estudo no qual avaliaram os danos orais do DNA causados pelo consumo de álcool.

Em uma coletiva de imprensa realizada em uma reunião, o pesquisador Dr. Romel Dator disse: “Após 15 minutos de contato com os vapores, os níveis de acroleína dos usuários de cigarros eletrônicos aumentaram na saliva em 30 a 60 vezes”. Em seu estudo, Dator e Balbo identificaram um total de três compostos prejudiciais ao DNA, formaldeído, acroleína e metilglioxal, cujos níveis aumentaram na saliva após o contato com os vapores. O perigo é quando os químicos tóxicos reagem com o DNA e causam danos. Se a célula não reparar o dano para que a replicação normal do DNA possa ocorrer, pode ocorrer câncer. Ou seja o potencial dos cigarros eletrônicos de virem a provocar câncer bucal é muito grande.

Cigarros convencionais vs cigarros eletrônicos

Os pesquisadores planejam acompanhar este estudo preliminar com uma pesquisa mais extensa envolvendo mais usuários e controles de cigarros eletrônicos. Eles também querem ver como o nível de adultos de DNA difere entre usuários de cigarros eletrônicos e fumantes regulares de cigarros. “Comparar cigarros eletrônicos e cigarros de tabaco é como comparar maçãs e laranjas. As exposições são completamente diferentes”, disse Balbo. “Ainda não sabemos exatamente o que esses dispositivos de cigarros eletrônicos estão fazendo e que tipo de efeitos eles podem ter na saúde, mas nossas descobertas sugerem que é preciso olhar mais de perto”.

Cigarros eletrônicos no mundo

Nos países onde a venda do cigarro eletrônico é liberada, as empresas “capturaram” novos consumidores direcionando o foco a pessoas cada vez mais jovens. “O apelo desses produtos é maior entre os jovens e as crianças. O tabagismo pode ser considerado uma doença pediátrica, pois o início do consumo ocorre antes dos 18 anos.

A viciante nicotina

A nicotina é viciante, e pesquisas sugerem que ela pode ser tão viciante quanto heroína, cocaína e álcool.

“Eu não inalo” é uma afirmação comum entre os usuários de charutos ou de cigarros eletrônicos. No entanto, a nicotina tem duas maneiras de ser absorvida: inalação através dos pulmões e absorção através do revestimento da boca. Como há contato direto com os lábios, a boca, a língua e a garganta, essas áreas ficam expostas aos produtos químicos que causam câncer.

Aqui estão algumas dicas que possam auxiliar dependentes em nicotina a colocar um ponto final no vício:

  • Definir uma data e começar a reduzir antes de seu início;
  • Listar as razões pelas quais a pessoa deseja fato parar
  • Dizer às outras pessoas que o usuário está abandonando o vício;
  • Identificar gatilhos: estresse, certas situações sociais, beber café ou álcool
  • Encontrar outras atividades como caminhar ou buscar um novo hobby ou interesse
  • Participar de um programa de suporte ao término da dependência ao tabagismo
Fonte: International Journal of Molecular Sciences e Oral Cancer Foundation, Rogel Cancer Center
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Descoberta assinatura prognóstica do câncer de boca

 

A incidência do câncer de boca no Brasil é considerada uma das mais altas do mundo, sendo a localização mais comum da região de cabeça e pescoço. O perfil da população com maior susceptibilidade ao carcinoma de células escamosas, o tipo mais frequente de câncer de boca, corresponde a indivíduos com idade superior a 50 anos, do sexo masculino, com baixa renda, analfabetos ou com baixa escolaridade e residentes em zonas rurais. Como este tipo de tumor tem comportamento agressivo, com metástase cervical precoce, um dos fatores determinantes de um melhor prognóstico é a atuação rápida dos profissionais de saúde no diagnóstico, encaminhamento e início do tratamento.

Prognóstico

Pesquisadores brasileiros identificaram a correlação entre a abundância de proteínas presentes no tecido tumoral e na saliva com a progressão do câncer de boca.

A descoberta surge como um parâmetro capaz de antecipar ou prever a progressão da doença – se há a presença ou ausência de metástase em linfonodo cervical, por exemplo –, além de superar as limitações dos exames clínicos e de imagem utilizados na clínica e orientar a escolha do tipo de tratamento ideal para cada paciente.

Metodologia

O estudo se iniciou na fase de descoberta por meio da análise proteômica de diferentes áreas do tecido tumoral utilizando-se 120 amostras microdissecadas e na fase de verificação as assinaturas de prognóstico foram confirmadas em aproximadamente 800 amostras de tecido por meio da técnica de imuno-histoquímica – localização de antígenos em tecidos, explorando o princípio da ligação específica de anticorpos a antígenos no tecido biológico – e 120 amostras de saliva de pacientes com a doença por proteômica baseada em alvos ou dirigida.

“O conjunto de dados nos levou a ter um resultado robusto e bastante promissor na definição da gravidade da doença. Além de sugerirmos marcadores potenciais da doença em uma primeira fase, também verificamos esses marcadores em uma segunda fase da pesquisa, o que confere mais confiabilidade aos achados, mostrando que esses marcadores são eficientes para classificar o paciente com metástase em linfonodo cervical”, disse Adriana Franco Paes Leme, pesquisadora do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), e autora correspondente de artigo publicado na Nature Communications sobre o estudo.

Parcerias

O trabalho, apoiado pela FAPESP, foi conduzido no CNPEM em parceria com o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e a Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (FOP-Unicamp), o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas e a Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, entre outras instituições nacionais e internacionais.

Câncer bucal

O câncer de boca, também chamado de carcinoma espinocelular (CEC), é o tipo mais comum de tumor maligno de cabeça e pescoço. Tem alta prevalência e mortalidade, com cerca de 300 mil novos casos diagnosticados por ano no mundo e 145 mil mortes. Embora seja relativamente fácil de ser detectado, por feridas na boca identificadas por dentistas, geralmente o diagnóstico é feito quando a doença já está em estágio avançado.

“O estudo levou cinco anos até chegarmos a essa descoberta. Foi dividido em duas fases. Na primeira, usamos a proteômica baseada em descoberta, quando identificamos e quantificamos as proteínas dos tecidos tumorais. Na segunda fase do estudo foram feitas análises por imuno-histoquímica e também por proteômica baseada em alvos ou dirigida – onde sabíamos exatamente quais proteínas precisávamos quantificar”, disse Paes Leme.

A proteômica é o estudo de um conjunto de proteínas em uma amostra, seja em tecido ou célula, por exemplo, onde é possível identificar, quantificar, determinar modificações, localizar, avaliar atividade e interações de proteínas.

Bioinformática

Na primeira fase, os pesquisadores mapearam por microdissecção a laser e proteômica as proteínas no tecido de câncer de boca e correlacionaram com as características clínicas dos pacientes. Essa avaliação permitiu a identificação de várias proteínas, tais como CSTB, NDRG1, LTA4H, PGK1, COL6A1, ITGAV e MB, com padrões de abundância distintos dependendo da área do tumor avaliada e associação com importantes desfechos clínicos.

Na segunda fase, após identificar e quantificar as proteínas nas 120 amostras de tecido tumoral, os pesquisadores utilizaram duas estratégias para a verificação das proteínas.

“Em uma estratégia, avaliamos a abundância das proteínas selecionadas em amostras independentes de tecido de pacientes utilizando anticorpos por meio da imuno-histoquímica. Outra estratégia foi utilizar a saliva de pacientes, na qual monitoramos esses mesmos alvos pré-selecionados”, disse Paes Leme à Agência FAPESP.

Ela explica que o fluido foi escolhido uma vez que a lesão de câncer está localizada na boca, onde as células neoplásicas poderiam secretar proteínas.

“A saliva é uma fonte promissora de marcadores, além de ser um fluido obtido por meio de coleta não invasiva. Para tanto, foram verificadas as proteínas na saliva de 40 pacientes e, para obter maior confiabilidade do resultado nessa fase do estudo, as análises foram feitas em triplicatas técnicas”, disse.

Resultados

Após a análise em amostras de saliva de pacientes, os pesquisadores utilizaram técnicas de bioinformática e de aprendizado de máquina para chegar à assinatura de prognóstico – verificar quais as proteínas ou peptídeos selecionados na primeira fase poderiam separar os pacientes com e sem metástase em linfonodo cervical.

“Além disso, também tínhamos a valiosa informação sobre a evolução clínica dos pacientes que participaram de forma voluntária do estudo, por meio da doação das amostras de saliva”, disse Paes Leme.

A partir desse resultado foi possível definir a assinatura de três peptídeos específicos de LTA4H, COL6A1 e CSTB, capazes de classificar os pacientes com e sem metástase em linfonodos cervicais, com grande potencial de ajudar os clínicos a superar as limitações dos exames e guiar as estratégias de tratamento personalizado.

A equipe de cientistas está dando andamento a uma nova pesquisa que tem por objetivo atuar de forma translacional e acessível na construção de biossensores para detectar essa assinatura de prognóstico na saliva de pacientes. Atualmente, os peptídeos podem ser identificados e quantificados por análise de espectrometria de massas e proteômica, técnicas custosas e incomuns em clínicas e hospitais.

Simplificação do método

“Queremos desenvolver um método mais simples, barato e acessível para profissionais da saúde para avaliar a progressão da doença a partir de testes que poderão ser feitos no consultório odontológico, consultório médico ou em laboratórios clínicos. No trabalho que acabamos de publicar, foi possível identificar essa assinatura de prognóstico por espectrometria de massas. Nossa ideia é desenvolver um biossensor focado na utilização dessa assinatura de prognóstico, para que tenha uso clínico, e orientar a definição do tratamento”, disse Paes Leme.

O artigo Combining discovery and targeted proteomics reveals a prognostic signature in oral cancer (doi: 10.1038/s41467-018-05696-2), de Carolina Moretto Carnielli, Carolina Carneiro Soares Macedo, Tatiane De Rossi, Daniela Campos Granato, César Rivera, Romênia Ramos Domingues, Bianca Alves Pauletti, Sami Yokoo, Henry Heberle, Ariane Fidelis Busso-Lopes, Nilva Karla Cervigne, Iris Sawazaki-Calone, Gabriela Vaz Meirelles, Fábio Albuquerque Marchi, Guilherme Pimentel Telles, Rosane Minghim, Ana Carolina Prado Ribeiro, Thaís Bianca Brandão, Gilberto de Castro Jr, Wilfredo Alejandro González-Arriagada, Alexandre Gomes, Fabio Penteado, Alan Roger Santos-Silva, Márcio Ajudarte Lopes, Priscila Campioni Rodrigues, Elias Sundquist, Tuula Salo, Sabrina Daniela da Silva, Moulay A. Alaoui-Jamali, Edgard Graner, Jay W. Fox, Ricardo Della Coletta e Adriana Franco Paes Leme, pode ser lido em também na Nature.

Fontes: Agência Fapesp, Nature, Revista Brasileira de Odontologia

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Microbiota oral e obesidade: uma relação muito provável

Estima-se que o corpo humano seja composto por mais de 1014 células das quais 90% são células microbianas. Esse “microbioma humano” apresenta uma atividade metabólica similar ao fígado e é fundamental no desenvolvimento e homeostasia do organismo humano. Apesar do íntimo contato e translocação de micro-organismos entre as diversas superfícies do corpo humano, as microbiotas de diferentes regiões do corpo são distintas. Este fato sugere que a propriedades específicas de cada um destes ambientes determina que microbiota é capaz de se estabelecer nessa região.

Microbiotas complexas

A cavidade oral apresenta uma das mais diversas e complexas microbiotas do organismo humano, resultante da grande variedade de determinantes ecológicos ali presentes, sendo o maior reservatório de micro-organismos para contágio e um sistema aberto para contaminação. Essa microbiota encontra-se normalmente em harmonia com o hospedeiro, sendo extremamente importante na proteção contra patógenos externos com produção de bacteriocinas, surfactantes e H2O2 e por serem adaptadas ao ambiente, levam vantagens na competição por nutrientes em relação a micro-organismos externos e auxiliam no desenvolvimento do sistema imune mucoso por reações cruzadas, como os anticorpos contra o Streptococcus pneumoniae que reagem cruzadamente com pneumococo. Porém alterações locais e/ou sistêmicas como diminuição da saliva, alteração da dieta e antibióticos, podem resultar no desequilíbrio dessa relação e na manifestação clínica de doenças.

Biofilme

Atmosferas anaeróbias e aeróbias, ambientes com variações de pH, diferentes superfícies de contato, além de características anatômicas tornam a cavidade oral propícia para formação de biofilme, comunidade polimicrobiana embebida em uma matriz extracelular de componentes orgânicos e inorgânicos, conferindo proteção contra defesas do hospedeiro, antimicrobianos e facilitando a comunicação intermicrobiana. Esse biofilme pode apresentar características patogênicas dependendo da sua composição e localização. Por exemplo, quando essa estrutura é encontrada nos dentes, é chamada de cariogênica, apresentando bactérias capazes de produzir ácidos que diminuem o pH e levam a desmineralização do dente. Já quando encontradas nos tecidos moles como a gengiva, é chamado de periodontopatogênico, tendo bactérias capazes de destruir os tecidos de sustentação do dente. Ambos os casos podem ser evitados com uma boa higiene oral, evitando seu estabelecimento e o desenvolvimento dessas espécies patogênicas.

Microbiota normal vs contaminação externa

Esse balanço entre a microbiota normal e contaminação externa, também é muito importante para evitar manifestações orais de doenças sistêmicas, como a candidíase, e doenças sistêmicas que já foram relatadas com associação a patologias orais, como endocardite e artrite reumatóide devido a produtos lançados na corrente sanguínea ou bacteremia numa simples escovação, uso do fio dental e procedimentos cirúrgicos. Segundo uma publicação de 2010, o microbioma oral pode ser importante no câncer e outras doenças crônicas, através do metabolismo direto de carcinógenos químicos e através de efeitos sistêmicos inflamatórios.

Por isso a higiene bucal é essencial, mantendo os níveis da microbiota normal e impedindo a contaminação com patógenos. Escovação, fio dental, enxaguatórios e uma visita regular ao dentista diminui em até 70% a incidência de doenças bucais, evitando também doenças sistêmicas.

Obesidade infantil

A obesidade infantil em todo o mundo ocidental vem se tornando um problema comum. Em um novo estudo que pode ajudar na compreensão do assunto, cientistas da Universidade Estadual da Pensilvânia começaram a entender como a microbiota oral de crianças de 2 anos de idade poderia ser um indicador de ganho de peso mais tarde na vida. O trabalho é parte de um estudo maior que está buscando evidências se uma intervenção responsiva dos pais durante os primeiros anos de vida da criança pode impedir o desenvolvimento da obesidade.

Sobrepeso: uma em cada três crianças

“Uma em cada três crianças nos Estados Unidos está com sobrepeso ou obesidade”, disse a autora sênior do estudo, Dra. Kateryna Makova, Professora de Biologia da Pentz na Penn State. “Se pudermos encontrar indicadores precoces de obesidade em crianças pequenas, poderemos ajudar os pais e os profissionais de saúde a tomar medidas preventivas”.

Embora variações na microbiota intestinal tenham sido associadas à obesidade em alguns adultos e adolescentes, a potencial relação entre a microbiota bucal e o ganho de peso em crianças não havia sido explorada antes deste estudo. “A microbiota oral é geralmente estudada em relação à doença periodontal, e a doença periodontal tem, em alguns casos, sido associada à obesidade”, disse a primeira autora do estudo, Sarah Craig, pós-doutoranda em biologia na Penn State.

“Aqui, exploramos quaisquer associações diretas potenciais entre a microbiota oral e o ganho de peso da criança. Em vez de simplesmente observar se uma criança estava com sobrepeso aos dois anos de idade, usamos curvas de crescimento nos dois primeiros anos após o nascimento, o que fornece um quadro mais completo de como a criança está crescendo. Essa abordagem é altamente inovadora para um estudo desse tipo e dá maior poder estatístico para detectar relacionamentos ”, continuou ela.

Metodologia do estudo

No estudo, os pesquisadores avaliaram 226 crianças da Pensilvânia central. De acordo com os resultados, a microbiota oral daqueles com rápido ganho de peso infantil – um forte fator de risco para a obesidade infantil – foi menos diversificada, contendo menos grupos de bactérias. Estas crianças também tiveram uma maior proporção de Firmicutes para Bacteroidetes, dois dos grupos bacterianos mais comuns encontrados na microbiota humana.

A menor diversidade e uma maior relação de Firmicutes-to-Bacteroidetes na microbiota intestinal são às vezes observadas como uma característica de adultos e adolescentes com obesidade. No entanto, os pesquisadores não observaram uma relação com o ganho de peso para qualquer uma dessas medidas na microbiota intestinal de crianças de 2 anos de idade, sugerindo que a microbiota intestinal pode não estar completamente estabelecida aos 2 anos de idade e ainda estar sofrendo muitas alterações.

Relação com a microbiota das mães

Outro aspecto interessante do estudo para pesquisadores foi que o ganho de peso em crianças estava relacionado à diversidade da microbiota bucal de suas mães. Isso poderia refletir uma predisposição genética da mãe e da criança a ter uma microbiota similar, ou a mãe e a criança terem uma dieta e um ambiente semelhantes.

“Pode ser uma explicação simples, como uma dieta compartilhada ou genética, mas também pode estar relacionada à obesidade”, disse Makova. “Ainda não sabemos com certeza, mas se há uma assinatura do microbioma oral ligada à dinâmica do ganho de peso na primeira infância, há uma particular urgência em entendê-lo.

Agora estamos usando técnicas adicionais para observar espécies específicas de bactérias, em vez de grupos taxonômicos maiores de bactérias, tanto em mães quanto em crianças, para ver se espécies específicas de bactérias influenciam o ganho de peso e o risco de obesidade. ”

Fontes: Scientific Reports e Instituto de Microbiologia – UFRJ
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Alimentos influenciam hálito e paladar

São vários os componentes alimentares que contribuem diretamente para o sabor característico de alimentos e bebidas por meio de seu próprio gosto, aroma ou tempero.

No entanto, muitos desses componentes influenciam indiretamente o sentido do paladar através de outros mecanismos bioquímicos ainda pouco elucidados.

Na busca de uma melhor compreensão, uma equipe de pesquisa da Universidade Técnica de Munique pesquisou os efeitos dos componentes dos alimentos nas moléculas dissolvidas na saliva.

Análises e novos produtos

Através da análise de amostras de saliva e hálito coletadas de voluntários, o estudo mostrou que o composto principal do gengibre, o 6-gingerol, estimula uma enzima contida na saliva que decompõe os compostos contendo mau cheiro de enxofre. Assim, reduz o sabor residual de muitos alimentos, como o café. “Como resultado, nosso hálito também cheira melhor”, explicou o pesquisador Prof. Thomas Hofmann, Presidente da Food Chemistry and Molecular Sensory Science da universidade.

Segundo ele, a descoberta desse mecanismo poderia contribuir para o desenvolvimento futuro de novos produtos de higiene bucal.
Eles descobriram que o gengibre influencia o cheiro do hálito e o ácido cítrico afeta o paladar. Os resultados do estudo poderiam ser aplicados ao desenvolvimento de novos produtos de higiene bucal.

Ácido cítrico e o paladar

Já o ácido cítrico influencia nossa percepção do paladar através de um mecanismo completamente diferente. Como se sabe por experiência pessoal, alimentos ácidos como o suco de limão estimulam a salivação.

A quantidade de minerais dissolvidos na saliva também aumenta proporcionalmente a quantidade de saliva. Segundo Hofmann, o nível de íons de sódio na saliva aumenta rapidamente em aproximadamente um fator de 11 após a estimulação com ácido cítrico. Este efeito torna as pessoas menos sensíveis ao sal de cozinha. “O sal de mesa não é senão o cloreto de sódio, e os íons sódio desempenham um papel fundamental no sabor do sal. Se a saliva já contém concentrações mais altas de íons de sódio, as amostras provadas devem ter um conteúdo de sal significativamente maior para serem comparativamente salgadas”, acrescentou Hofmann.
A adição excessiva de sal pode representar um risco, especialmente para pacientes hipertensos.

O professor acredita que ainda é preciso fazer muita pesquisa para entender a complexa interação entre as moléculas presentes nos alimentos que criam sabor, os processos bioquímicos que ocorrem na saliva e no sentido do paladar. Usando uma abordagem de biologia de sistemas, Hofmann visa desenvolver uma nova base científica para a produção de alimentos com perfis funcionais e componentes que satisfaçam as necessidades de saúde e sensoriais dos consumidores.

O estudo, intitulado “Quimiosensível-modulação induzida do proteoma salivar e metaboloma altera a percepção sensorial de sal e odor-tióis ativos”, foi publicado em 25 de julho de 2018 no Journal of Agricultural and Food Chemistry. Em tempo: Proteoma é o conjunto de proteínas e variantes de proteínas que podem ser encontrados numa célula específica quando esta está sujeita a um certo estímulo. Metaboloma é o conjunto de metabólitos presentes produzidos e/ou modificados no organismo.

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Periodontite e diabetes: estudo indica existência de ligação

Um novo artigo chama a atenção para conexões interessantes entre infecções de gengiva, um nível reduzido de vitamina D e o diabetes.
É a primeira vez que os efeitos conjuntos da periodontite e da deficiência de vitamina D no diabetes foram examinados.

Em 2015, estima-se que quase um em cada 10 adultos tenha diabetes. Existem cerca de 1,5 milhão de novos diagnósticos por ano nos EUA.

Embora existam alguns fatores de risco bem conhecidos para o diabetes, como obesidade e pressão alta, ainda há muito a se descobrir.

O Diabetes é uma doença complexa e envolve vários sistemas.

Descobrir toda a gama de fatores de risco em potencial pode ajudar a prevenir o diabetes em alguns indivíduos e ajudar os outros a lidar com os sintomas de maneira mais eficaz.

Recentemente, uma equipe da Universidade de Toronto, no Canadá, investigou a potencial influência da deficiência de vitamina D e sua relação com a periodontite.

Diabetes e periodontite

Estudos anteriores demostraram que o diabetes aumenta o risco de periodontite, que como todos sabemos é uma doença inflamatória induzida por bactérias que pode danificar tecidos moles e ossos.

Essa relação é bidirecional, o que significa que a periodontite também exerce influência negativa sobre o diabetes, o que torna o controle do diabetes tipo 2 ainda mais desafiador.

A principal autora do estudo, Aleksandra Zuk, explica por que a vitamina D também interessava aos pesquisadores.

“Sabemos que a vitamina D não é apenas útil para a saúde óssea”, observa ela, “mas também mostra efeitos antimicrobianos e anti-inflamatórios. Níveis suficientes de vitamina D podem potencialmente diminuir a inflamação e afetar as bactérias bucais relacionadas à doença da gengiva”.

Além do papel da vitamina D no combate às infecções e na redução da inflamação, algumas pesquisas mostraram que os receptores da vitamina D estão diretamente associados à periodontite.

Analisando a interação

Para se aprofundar na rede de conexões, os cientistas coletaram informações da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição de 2009-2010.

A amostra incluiu dados de 1.631 pessoas com diabetes tipo 2 e 1.369 sem a doença. Todos os participantes tinham mais de 30 anos de idade, e cada indivíduo foi submetido a um exame odontológico e foi avaliado para os níveis de vitamina D e medidas de glicose em jejum e insulina.

Os resultados intrigantes dos pesquisadores já foram publicados no BMJ Open Diabetes Research & Care. Após sua análise, os autores chegaram a uma conclusão.

Resultados da análise

Os dados mostraram que, separadamente, a periodontite e a deficiência de vitamina D aumentam o risco de diabetes tipo 2. Os autores também descobriram que, quando os dois fatores eram combinados, o risco era “maior que a soma dos efeitos individuais”.

Como cerca de metade dos adultos dos EUA tem doença gengival e mais de 40% são deficientes em vitamina D, as conclusões do estudo podem ser extremamente importantes.

Mais pesquisas são necessárias para confirmar os resultados e aprofundar um pouco os mecanismos envolvidos. Este estudo é o primeiro a examinar os efeitos simultâneos da periodontite e da insuficiência de vitamina D sobre o diabetes.

Se as descobertas forem replicadas, poderão oferecer uma nova maneira de abordagem do diabetes em alguns casos. Por exemplo, para adultos com diabetes tipo 2 e periodontite, o aumento dos níveis de vitamina D para os níveis sugeridos poderia ajudá-los a controlar sua condição.

Como a pesquisadora Zuk afirma: “Porque é o primeiro estudo, nós realmente precisamos olhar para essas duas exposições novamente em outros estudos e populações. Isso pode impactar ainda mais a pesquisa sobre o diabetes”.

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Sensor que analisa alimentos ingeridos

Um grupo de pesquisadores norte-americanos desenvolveu um pequeno sensor que pode ser coloca nos dentes e que se comunica com dispositivos móveis para transmitir informação sobre os alimentos ingeridos pelos usuários, especialmente dados sobre a glicose, sal ou álcool ingerido.

A ideia é de cientistas da Universidade de Tufts e pretende monitorar o que acontece ao organismo do ser humano quando consome determinado tipo de produtos. O sensor tem apenas 2 mm de largura e de altura e pode ser colocado num dente, recolhendo dados que depois são transmitidos em tempo real para um dispositivo móvel através de radiofrequências.

De acordo com os cientistas, o sensor é composto por três camadas que, juntas, atuam como uma antena para recolher dados, em especial informações nutricionais sobre os produtos consumidos como quantidades de sal ou níveis de glicose.

Obtenção de dados facilitada

Até agora, a obtenção deste tipo de dados estava dependente de dispositivos vestíveis que tinham como limitações o fato de necessitarem de substituição ou alvo de manutenção frequente.

Em 2013, um grupo de pesquisadores da Universidade de Taiwan já tinha desenvolvido um sistema vestível que reconhecia quando alguém estava a mastigando, bebendo, falando ou mesmo tossindo.

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Molécula presente na saliva humana é resposta a uma grande dúvida

Um estudo publicado no The FASEB Journal investiga o fato misterioso de que as feridas na cavidade bucal se curam mais rapidamente e com mais eficiência do que as aquelas localizadas em outros lugares do corpo humano. Até agora, se pensava que a saliva desempenhava um papel no processo de cicatrização de ferimentos, embora a extensão de seu papel fosse desconhecida. O estudo examinou os efeitos do peptídeo salivar histamina-1 na angiogênese (formação de vasos sanguíneos), que é fundamental para a eficiência da cicatrização de feridas. Os pesquisadores descobriram que a histamina-1 promove a angiogênese, bem como adesão celular e migração.

“Essas descobertas abrem novas perspectivas para entender melhor a biologia subjacente às diferenças entre a cicatrização oral e cutânea”, disse Vicente A. Torres, Ph.D., professor associado do Instituto de Pesquisa em Odontologia da Faculdade de Odontologia da Universidade do Chile em Santiago. “Acreditamos que o estudo poderia ajudar na concepção de melhores abordagens para melhorar a cicatrização de feridas em outros tecidos além da boca.”

Metodologia do estudo

O estudo envolveu experimentos em três níveis: (1) células endoteliais, ou formadoras de vasos sanguíneos, em cultura, (2) embriões de galinha como modelos animais, e (3) amostras de saliva obtidas de doadores saudáveis. Usando estes três modelos, histamina-1 e saliva foram combinados para aumentar a formação de vasos sanguíneos. Os pesquisadores agora estão dando o próximo passo nesta linha de estudo – usando essas moléculas para gerar materiais e implantes para ajudar na cicatrização de feridas.

Avanço terapêutico à vista

“Os evidentes resultados do presente estudo abrem uma ampla caminho para um avanço terapêutico. Eles também trazem à mente o possível significado de animais, e muitas vezes crianças, ‘lambendo suas feridas'”, disse Thoru Pederson, Ph.D., Editor- chefe do The FASEB Journal.​

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Os efeitos psicológicos dos analgésicos

Analgésicos como o Paracetamol e Ibuprofeno podem influenciar a forma como as pessoas processam informações, como elas experienciam sentimentos de perda e como reagem a imagens emocionalmente evocativas.

Essa conexão inesperada entre analgésicos e comportamentos negativos e efeitos psicológicos foi revelada por Kyle Ratner, Amanda Kaczmarek e Youngki Hong, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (EUA), e está descrita em um artigo publicado na revista científica Policy Insights das Behavioral and Brain Sciences.

A conclusão veio depois que a equipe revisou todas as pesquisas anteriores sobre o assunto. Os dados sugerem que os analgésicos podem influenciar os indivíduos de várias maneiras.

Aumento da sensibilidade a experiências emocionalmente dolorosas

Em comparação com aquelas que tomaram placebos, mulheres que tomaram uma dose de ibuprofeno relataram menos sentimentos de dor emocional ante experiências emocionalmente dolorosas, como serem excluídas de um jogo ou quando escreviam sobre um episódio passado em que foram traídas. Os homens mostraram o padrão oposto.

Capacidade de simpatizar com a dor dos outros

Em comparação com aqueles que tomaram placebos, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol ficaram menos emocionados quando leram sobre uma pessoa com dor física ou emocional, e relataram menos consideração pela pessoa em sofrimento.

Capacidade de processar informações

Em comparação com aqueles que tomaram placebos, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol cometeram mais erros de omissão em um jogo no qual deviam, em várias ocasiões, realizar ou não realizar uma tarefa.

O aumento no número de erros cometidos também foi verificado com o paracetamol.

Reações a objetos emocionais

Indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol avaliaram fotografias agradáveis e desagradáveis de forma menos extrema do que aqueles que tomaram placebos.

Desconforto de se separar de bens materiais

Quando solicitados a definir um preço de venda de um objeto que possuíam, indivíduos que tomaram uma dose de Paracetamol colocaram preços que eram mais baratos do que os preços estabelecidos por indivíduos que tomaram placebos.

Resultados alarmantes

“De muitas maneiras, os resultados revisados são alarmantes,” escreveu a equipe. “Os consumidores assumem que, quando tomam uma medicação para dor sem exigência de receita médica, aliviarão seus sintomas físicos, mas não preveem efeitos psicológicos mais amplos”.

A equipe também afirma que, embora esses medicamentos possam ter um novo potencial para ajudar as pessoas a lidar com sentimentos feridos, é necessário realizar mais pesquisas para examinar a eficácia e determinar se haveria efeitos negativos quando combinados com outros medicamentos ou para pessoas com depressão e que têm dificuldade em sentir prazer.​

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Ligação entre obesidade, sexo e saúde periodontal

Embora os pesquisadores tenham previamente investigado e analisado a relação entre periodontite e obesidade, pouca atenção tem sido dada ao papel que o sexo biológico de um indivíduo pode desempenhar neste contexto.

Um trabalho recentemente publicado, estudo de cinco anos, de indivíduos, em Porto Alegre, Brasil, retificou este esquecimento e descobriu que mulheres obesas são muito mais propensas a sofrer com a progressão da perda de inserção periodontal (PAL) do que homens obesos.

Metodologia

A equipe de pesquisa do estudo entrevistou 582 pessoas que tinham sido entrevistadas e clinicamente examinadas cinco anos antes e encontraram seus critérios de inclusão. Esses indivíduos foram pesados e o seu índice de massa corporal foi calculado de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde, com 19 por cento da amostra a sendo classificada como obesa.

Resultados

Os pesquisadores descobriram que indivíduos obesos apresentaram maior probabilidade de experimentar a progressão da doença periodontal do que os de peso normal. No entanto, seus resultados também demonstraram que mulheres obesas tiveram um risco 64 por cento maior para PAL, considerando que não houve aumento no risco para homens obesos.

“Obesidade e doença periodontal são importantes problemas de saúde pública”, explicou o Dr. Eduardo José Gaio, o principal autor do estudo.

“Periodontite afeta mais de 50 por cento dos adultos em todo o mundo e a prevalência de sobrepeso e obesidade em indivíduos é de cerca de 60 por cento. Este é um dos poucos estudos longitudinais que avalia o efeito da obesidade na saúde periodontal e o primeiro a investigar a possibilidade de que o sexo pode modificar este relacionamento.”

O estudo de Gaio é um dos finalistas do Perio Link Award inaugural, uma competição organizada pela SUNSTAR Foundation. Julgados por um comitê de peritos em odontologia, a competição foi projetada de forma a sensibilizar a opinião pública para a importância da investigação que está sendo realizada sobre a ligação entre saúde bucal e sistêmica. O vencedor do Perio Link Award irá ganhar uma viagem para o congresso EuroPerio9, organizado pela European Federation of Periodontology em Amsterdam, de 20 a 23 de junho de 2018. O vencedor será formalmente reconhecido em uma cerimônia de premiação no evento e receberá um premio em dinheiro de €1.000.

O estudo, intitulado “O efeito da obesidade na progressão da perda de inserção periodontal: cinco anos de estudo prospectivo de base populacional”, foi publicado on-line em março de 2017 no Journal of Clinical Periodontology Digest.

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