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Cigarro eletrônico aumenta risco de infecção bucal

cigarro eletrônico

Um grande número de pessoas trocaram o cigarro convencional pelo cigarro eletrônico. Muitos adolescentes, iludidos pela sensação de segurança, iniciaram-se no uso do cigarro eletrônico.

O mundo discute a segurança desses dispositivos e seus efeitos à saúde a longo prazo. Já abordamos esse tema aqui no blog Dentalis demonstrando nossa preocupação com esse assunto.

Hoje trazemos uma pesquisa recente da Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova York demonstrando que o uso do cigarro eletrônico pode alterar a flora bacteriana bucal.

Essa alteração pode expor seus usuários a um risco maior de infecção do que os fumantes e não fumantes.

Cigarro eletrônico – componentes tóxicos

Os cigarros eletrônicos se popularizaram nos últimos anos porque oferecem uma maneira de obter nicotina sem os riscos à saúde do tabaco. Ao tabaco são associados danos aos pulmões e maior risco de câncer.

Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que quase 55% dos ex-fumantes de cigarro e 48% dos atuais fumantes de cigarro se tornaram usuários do cigarro eletrônico nos EUA.

Entre adolescentes

Os cigarros eletrônicos também se tornaram populares entre as pessoas que nunca fumaram. Isso se verifica principalmente entre jovens entre 18 e 24 anos.

Mais de 20% dos alunos de Universidade e 5% dos alunos do ensino médio são usuários de cigarros eletrônicos. Um dado norte-americano, de acordo com informações do CDC.

Esse aumento no uso, principalmente entre jovens, é motivo de preocupações. Isso porque não existem dados seguros de longo prazo sobre seus efeitos na saúde.

Existem relatos preocupantes de adolescentes e adultos jovens usuários de cigarro eletrônico.
Já foram identificadas substâncias notadamente tóxicas em cartuchos de cigarro eletrônico. Substâncias como dietilenoglicol e substâncias potencialmente cancerígenas, como aldeídos.

Isso reforça a necessidade de mais pesquisas nessa área.

Bactérias orais

A nova pesquisa avaliou os efeitos desses compostos na primeira parte do corpo que eles atingem: a boca.
A boca é uma via de entrada de ar nos pulmões. E também é uma importante porta de entrada para micróbios.

Ter micróbios na boca não é necessariamente uma coisa ruim. Existem trilhões de bactérias que vivem no corpo – na pele, no intestino e na boca. Nesses locais elas nos ajudam a combater infecções e digerir os alimentos.

Nessa pesquisa os cientistas avaliaram o efeito do cigarro eletrônico na comunidade bacteriana da boca, onde existe em um equilíbrio delicado.
Alterações nessa flora bacteriana podem contribuir para a doença bucal.

Os pesquisadores compararam o microbioma oral de três grupos de pessoas: usuários de cigarros eletrônicos, fumantes e não fumantes.

É importante entender os efeitos dos vapores liberados pelo cigarro eletrônico sobre a flora bacteriana bucal e as respostas inflamatórias do indivíduo.
Isso irá possibilitar uma real compreensão do impacto gerado sobre a saúde humana.

Agentes patogênicos periodontais

Os cientistas analisaram o perfil das comunidades microbianas presentes na saliva de 119 pessoas nos três grupos.

Eles encontraram mudanças significativas no microbioma oral das amostras analisadas.

Em comparação com os fumantes e não fumantes, os usuários de cigarro eletrônico tinham um número maior de bactérias chamadas Porphyromonas e Veillonella.
Ambas estão associadas à doença gengival e refletem uma saúde periodontal comprometida.

Também foram encontrados níveis mais altos de dois marcadores inflamatórios no grupo de usuários de cigarros eletrônicos. Isso sugere que tal prática afeta o sistema imunológico local.

Vulnerabilidade aumentada

Os efeitos dos vapores do cigarro eletrônico em células individuais foram examinados.
Para isso, células de uma faringe humana com bactérias foi exposta aos vapores do cigarro eletrônico em comparação com o ar.

Descobriu-se que muitas outras células foram infectadas pelas bactérias uma vez expostas aos vapores de cigarros eletrônicos.
Essas células também se mostraram mais propensas à inflamação.

Esse estudo sugere que o cigarro eletrônico provoca mudanças no ambiente oral e influencia muito a colonização de biofilmes microbianos complexos. Isso só faz aumentar o risco de inflamação e infecção bucais.

Qual o tamanho do risco?

Especialistas associaram alterações do microbioma oral a doenças que variam de cáries e mau hálito, a diabetes, doenças cardíacas e até câncer.

Este estudo não comprova que o uso de cigarro eletrônico possa causar essas doenças.
Porém, evidencia que está associado a alterações significativas na flora bacteriana da boca.

Esses achados também sugerem que, assim como fumar cigarros convencionais, os vapores do cigarro eletrônico aumentam o risco de infecções orais.

No entanto, é importante lembrar que algumas dessas descobertas vieram de células que os cientistas cultivaram sob condições controladas. Essas células, no entanto, não se comportam da mesma maneira que as células do corpo humano.

Ainda são necessários estudos mais detalhados para entender como os vapores dos cigarros eletrônicos interagem com as chamadas boas bactérias.
E também as implicações que isso pode ter para a saúde bucal, respiratória e cardiovascular.

Fontes: Medical News Today, CDC
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