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Obesidade e periodontite – uma estranha conexão

A obesidade e periodontite estão entre as doenças não transmissíveis mais comuns nos Estados Unidos.

Estudos epidemiológicos mostram que essas condições crônicas podem estar relacionadas.
Este novo estudo explora o efeito da obesidade no cuidado periodontal não cirúrgico. Avalia possíveis caminhos que podem comprovar a conexão entre a obesidade e periodontite.

Obesidade e periodontite – não é uma simples relação de causa efeito

A conexão entre obesidade e periodontite não é uma simples de causa e efeito.
O que as aproxima e ao mesmo tempo conecta é o que ambas têm em comum: inflamação.

Pela análise de uma infinidade de estudos existentes, os pesquisadores descobriram algo muito interessante. Eles verificaram a existência de uma relação muito curiosa.
Os dados que mostram o aumento do índice de massa corporal, a circunferência da cintura e a porcentagem de gordura corporal se mostram associados a um risco aumentado para o desenvolvimento de periodontite.
A maioria dos estudos até então analisou dados de subconjuntos populacionais em um determinado momento. Ao invés de estudar a mesma população por um período mais longo de tempo.

Mudanças químicas no corpo – efeitos sobre o metabolismo

Eles concluíram que mudanças na química do corpo afetam o metabolismo, o que, por sua vez, causa inflamação.
Condição presente na obesidade e periodontite.

A periodontite ocorre em pacientes mais suscetíveis à inflamação. Pacientes esses que também se mostram mais suscetíveis à obesidade.

São conhecimentos novos que podem guiar os profissionais de saúde ao planejarem tratamentos para pacientes que sofrem de obesidade e / ou periodontite.

Saúde do corpo e saúde bucal

Os dentistas precisam estar cientes da complexidade desta nova relação entre obesidade e periodontite.
É importante na abordagem e aconselhamento dos pacientes sobre a importância de um peso corporal adequado e a prática de uma boa higiene bucal.

Hipótese importante que precisa ser validada

Do ponto de vista clínico, será que se você tratar um dos problemas, isso poderá impactar o outro? Essa é a grande questão.

Por exemplo, se tratarmos a obesidade com sucesso, isso afetará a periodontite a ponto de ter relevância clínica em comparação à população controle?

São ainda poucos os ensaios clínicos que nos permita responder essa pergunta. Como tudo em ciência, são necessárias mais pesquisas sobre a relação entre obesidade e periodontite. Neste momento, existem evidências ainda limitadas para recomendar mudanças no planejamento do tratamento odontológico.

É uma questão que ainda permanece no terreno das suspeitas, mas que nos leva a pensar.

O simples fato de tratar a obesidade trará prognósticos favoráveis à saúde individual. Agora o quanto isso irá afetar a saúde bucal, e em particular a condição da periodontite é algo que carece de maior investigação.

obesidade e periodontite

Obesidade complica a saúde bucal

Existem estudos mostrando que indivíduos afetados pela obesidade têm mais problemas de saúde bucal do que outros em geral.

Os resultados publicados indicam que esses pacientes com necessidades especiais têm níveis mais altos de cárie dentária, mais dentes ausentes e menos restaurações dentárias necessárias.

Sabe-se que os indivíduos afetados pela obesidade visitam um dentista com menos frequência, têm mais dificuldades para acessar atendimento odontológico regularmente e provavelmente só procuram um dentista quando surge um problema.

Pacientes obesos tendem a ter mais problemas de cáries dentárias. Condição essa que é agravada pelo uso continuado de medicamentos que podem causar xerostomia (boca seca). Dietas inadequadas – lanches rápidos, doces e refrigerantes, afetam a saúde bucal. E o refluxo gastroesofágico, associado a vômitos frequentes e má higiene dental, podem causar um verdadeiro desastre à saúde bucal.

Cada paciente deve tomar consciência da natureza complexa das doenças odontológicas e de como elas progridem silenciosamente.

Prevenção e reconhecimento precoce são o melhor método para proteger e preservar a boa saúde bucal. Ter uma boa saúde bucal é essencial para a sua saúde geral.

Melhorando a saúde bucal para obesos – o que se pode fazer

Quebrar o ciclo da má higiene bucal, da erosão e desmineralização requer orientação e cuidados regulares da sua equipe de saúde bucal.
O dentista pode criar uma estratégia de atendimento preventivo adaptada às necessidades individuais.

Uma estratégia sólida baseada nas evidências mais atuais deve abordar cinco intervenções:

  1. Modificação da dieta alimentar;
  2. Hidratação e lubrificação da cavidade bucal;
  3. Neutralização do ataque ácido bucal;
  4. Remineralização das superfícies dentais danificadas;
  5. Desinfecção da boca.

1. Modificação na dieta alimentar

Recomenda-se uma dieta rica em sementes, nozes, soja, frutos do mar e espinafre.
Isso elimina as bactérias produtoras de decomposição e reduz os níveis de acidez na boca.
Reduzir os alimentos ácidos (pães, massas, cereais refinados, café, chocolate, sucos de frutas, vinho) e refrigerantes com gás (refrigerantes e bebidas esportivas).
Aumente a ingestão de queijos e laticínios para fornecer cálcio e fósforo necessários para a remineralização dentária e neutralizar alimentos ácidos.
O controle da azia e refluxo ácido são altamente recomendáveis.

2. Hidratação e lubrificação

É importante aumentar o consumo de água da torneira fluoretada. A água engarrafada é acidificada para aumentar a vida útil e normalmente não possui flúor.
Sabe-se que os produtos adoçados com xilitol reduzem a placa dental, mas a dieta deve incluir 6 a 10 gramas de adoçante por dia para demonstrar a atividade anticárie.

Mastigar chiclete de xilitol ou balas de xilitol de dissolução lenta três vezes por dia fornece o benefício máximo enquanto estimula o fluxo natural de saliva.

Deve-se ter cuidado ao aumentar o uso de adoçantes de poliol (xilitol, sorbitol, manitol, maltitol).

Pacientes bariátricos relataram diarreia osmótica como efeito colateral se esses substitutos do açúcar forem ingeridos em grande quantidade.

3. Neutralização

Para combater os desequilíbrios ácidos, uma boa estratégia é aumentar o pH da boca com bicarbonato de sódio ao menos duas vezes ao dia.

Mergulhe a escova de dentes úmida e cubra-a com bicarbonato de sódio para um tratamento neutralizante rápido é uma possibilidade. Outra opção é bochechar uma solução de bicarbonato de sódio umas quatro a cinco vezes ao dia.

A mudança para um creme dental com bicarbonato de sódio é uma alternativa, mas produz menos efeito tampão.
Existem outros agentes tamponantes comerciais disponíveis na forma de enxaguatórios e pastilhas. Mas o bicarbonato de sódio padrão direto da caixa é ótimo para se contrapor às bactérias orais e é um composto tamponante altamente eficaz e barato.

4. Remineralização

A terapia com flúor tem sido a base para a mineralização dental profissional desde a década de 1940.
Esse elemento aprimora a remineralização, formando um verniz de baixa solubilidade na superfície do dente. Isso inibe as vias metabólicas bacterianas, difundindo-se para as células onde impede a reprodução dos germes.

Pastas, géis, lavagens e vernizes especializados com alto teor de fluoreto são frequentemente dispensados ou prescritos pela equipe odontológica quando um problema agressivo de desmineralização é identificado.

Algumas das novas pastas são especialmente formuladas com níveis precisos de flúor, cálcio e fósforo, para que todos os elementos necessários para reformar a estrutura dental sejam aplicados diretamente nas áreas danificadas.

5. Desinfecção

Reduzir a contagem geral de bactérias bucais causadoras de doenças é um problema muito difícil. Isso porque esses germes são altamente adaptados a essa região específica do nosso corpo.

Produtos químicos antibacterianos de alta potência geralmente irritam tecidos orais delicados. Portanto é altamente recomendável uma orientação profissional.

Geralmente, muitos dentistas continuam endossando o enxágue diário com um colutório por 30 segundos, duas vezes ao dia antes do uso do fio e escovação dental.

A clorexidina prescrita em solução a 0,12%, bochechada duas vezes por dia, é uma alternativa aceitável. Porém muitos pacientes sofrem alterações no paladar e manchas fortes nos dentes decorrentes do uso rotineiro desse produto.

Algumas fórmulas probióticas foram introduzidas recentemente para superar as bactérias da placa, mas os estudos sobre sua eficácia ainda não são conclusivos.

A eliminação diária e eficaz da placa pelo uso de boas técnicas de limpeza continua sendo o melhor método de controle bacteriano.

Fontes: Nature, OAC
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