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Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

câncer de fígado

O Câncer de fígado pode ter ligação com uma má saúde bucal. É o que um grande estudo recente realizado no Reino Unido apresentou evidências. Pessoas que apresentam gengivas doloridas, com sangramento ou com dentes soltos tinham um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado.

Estudos anteriores já haviam estabelecido que gengivas e dentes que estão com problemas de saúde são um fator de risco para várias condições de longo prazo, incluindo acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, diabetes e alguns tipos de câncer.

Os cânceres do sistema digestivo ou gastrointestinal são um importante problema de saúde pública mundial.

Os autores citam um estudo global que estimou que aproximadamente 28% dos novos casos de câncer e 37% das mortes por câncer foram causados por câncer gastrointestinal em 2018.

O número de pessoas com câncer digestivo está aumentando. Populações envelhecidas e aumentos em “certos fatores de risco ambientais e comportamentais” estão entre os possíveis motivos.

Alguns estudos anteriores ligaram a má saúde bucal a cânceres do sistema digestivo. No entanto, até que ponto o tabagismo, a nutrição e o uso de álcool podem influenciar essa relação ainda não estão claros.

Estudo analisou cânceres do sistema digestivo

Os cânceres do sistema digestivo incluem, por exemplo aqueles de esôfago, estômago, intestino delgado, reto, ânus, ductos biliares e pâncreas.

Neste estudo, os pesquisadores incluíram os cânceres de órgãos digestivos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou na 10ª revisão dos códigos de classificação da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) Versão 2016 C15 – C26.

Grande amostragem

Eles utilizaram dados do projeto Biobank do Reino Unido.

A equipe não incluiu indivíduos que relataram detalhes insuficientes sobre sua saúde bucal. E também aqueles que tinham histórico de câncer quando entraram no projeto.

Ao todo, a análise levou dados sobre 469.628 pessoas. Dentre essas, 4.069 desenvolveram câncer gastrointestinal durante um acompanhamento médio de 6 anos.

Dos indivíduos que desenvolveram câncer digestivo, 13% relataram ter má saúde bucal no início do período de estudo.

A partir das outras informações que os participantes deram, os pesquisadores descobriram que aqueles que relataram problemas de saúde bucal eram mais propensos a ter obesidade e serem mulheres, ter idade mais jovem e “viver em áreas socioeconômicas desfavorecidas”. Eles também eram menos propensos a serem não-fumantes e comer mais de duas porções diárias de frutas e legumes.

Os pesquisadores definiram a saúde bucal como “gengivas doloridas, sangramento nas gengivas e / ou com dentes soltos”. Eles rastrearam a incidência de câncer gastrointestinal através de registros de câncer.

Má saúde bucal e o risco de câncer de fígado

A análise não encontrou nenhuma ligação entre a saúde bucal e o risco global de câncer gastrointestinal.

No entanto, quando examinaram os cânceres de órgãos específicos, encontraram ligações entre a má saúde bucal e os cânceres hepatobiliares. Esses cânceres são aqueles que ocorrem no fígado, na vesícula biliar ou nos ductos biliares.

A mais forte dessas ligações foi com o carcinoma hepatocelular, o mais comum dos cânceres adultos que começam no fígado.

A análise mostrou que ter má saúde bucal estava ligada a um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado hepatocelular.

Segundo a American Cancer Society (ACS), a incidência de câncer de fígado nos Estados Unidos “mais do que triplicou desde 1980“.

Os ACS estimam que nos EUA, os médicos diagnosticarão cerca de 42.030 pessoas com cânceres que começam no fígado e perto de 31.780 pessoas morrerão dessas doenças durante 2019.

Ligação má saúde bucal e câncer de fígado – ainda não está clara

O pesquisador líder e seus colegas afirmam que os cientistas não sabem ao certo por que a saúde bucal deficiente pode ter uma ligação tão forte com o câncer de fígado e não com outros tipos de câncer no sistema digestivo.

Eles sugerem que as bactérias do intestino podem oferecer uma explicação. “O fígado”, explica o pesquisador, “contribui para a eliminação de bactérias do corpo humano”.

Talvez, quando doenças como cirrose, câncer e hepatite atinjam o fígado, elas prejudicam sua função, o que, por sua vez, resulta em bactérias que vivem mais e potencialmente causam mais danos.

Existe uma bactéria chamada Fusobacterium nucleatum que habita a boca, mas os cientistas ainda não sabem se ela desempenha um papel no câncer de fígado.

Mais estudos investigando o microbioma e câncer de fígado são, portanto, necessários.

Tudo o que você precisa saber sobre câncer de fígado

O câncer de fígado é um tipo de câncer que começa no fígado. Alguns tipos de câncer se desenvolvem fora do fígado e se espalham para a área. No entanto, apenas os cânceres que começam no fígado são descritos como câncer de fígado.

O fígado, localizado abaixo do pulmão direito e sob a caixa torácica, é um dos maiores órgãos do corpo humano. Ele tem uma gama de funções, incluindo a remoção de toxinas do corpo, e é crucial para a sobrevivência.

O câncer de fígado consiste na presença de tumores hepáticos malignos dispersos na superfície ou internamente no fígado.

Nos Estados Unidos, cerca de 22.000 homens e 9.000 mulheres são diagnosticados com câncer de fígado a cada ano. É fatal em cerca de 17.000 homens e 8.000 mulheres anualmente.

Câncer de fígado – taxa de sobrevivência

  • O câncer de fígado tem uma baixa taxa de sobrevivência;
  • Os principais fatores de risco incluem ingestão excessiva de álcool, hepatite e diabetes;
  • Os sintomas geralmente não aparecem até que o câncer se apresente em estágio avançado;
  • Opções de tratamento para câncer de fígado incluem cirurgia e transplante de fígado.

Câncer de fígado – principais sintomas

O câncer de fígado é extremamente grave, e os sintomas muitas vezes não são óbvios até um estágio avançado da doença.

Câncer de fígado pode desencadear os seguintes efeitos:

  • icterícia;
  • dor abdominal;
  • perda de peso inexplicada;
  • um fígado aumentado;
  • fadiga;
  • náusea;
  • vômito;
  • dor nas costas;
  • coceira;
  • febre.

Câncer de fígado – estágios da doença

Estágios

O câncer de fígado é categorizado em quatro etapas:

  • Estágio I: O tumor está no fígado e não se espalhou para outro órgão ou localização;
  • Estágio II: Existem vários pequenos tumores que permanecem no fígado, ou um tumor que atingiu um vaso sanguíneo;
  • Estágio III: Existem vários tumores grandes ou um tumor que atingiu os principais vasos sanguíneos. O câncer também pode ter atingido a vesícula biliar;
  • Estágio IV: O câncer tem metástase. Isso significa que se espalhou para outras partes do corpo.

Uma vez que o estágio tenha sido encontrado, um curso de tratamento pode ser iniciado.

Câncer de fígado – tratamento

Para as pessoas que têm câncer de fígado em estágio inicial passíveis de tratamento, apenas uma cirurgia que remova completamente os tumores levará a uma chance de recuperação.

São opções cirúrgicas:

Hepatectomia parcial

Quando o tumor é pequeno e ocupa uma pequena parte do fígado, essa parte do fígado pode ser removida cirurgicamente.

No entanto, nos EUA, muitas pessoas com câncer de fígado têm cirrose. Isso significa que a hepatectomia precisa deixar tecido saudável suficiente para o fígado desempenhar suas funções necessárias após o procedimento.

Pode ser decidido durante a cirurgia que este não será o caso. Assim, o procedimento pode ser cancelado até a metade se o risco para o paciente for considerado muito grande.

A hepatectomia parcial é considerada apenas para pessoas com função hepática saudável. Este procedimento muitas vezes não é uma opção, pois o câncer se espalhou para outras partes do fígado ou outros órgãos do corpo.

A cirurgia hepática dessa escala pode levar a sangramentos excessivos e problemas de coagulação do sangue, além de infecções e pneumonia.

Transplante de fígado

Os candidatos a um transplante de fígado não podem ter um tumor maior que 5 cm ou vários tumores maiores que 3 cm. O risco de o câncer retornar é grande demais para justificar um procedimento tão arriscado quanto um transplante se o tumor for maior do que isso.

Com um transplante bem-sucedido, o risco de retorno do câncer é bastante reduzido e a função normal pode ser restaurada.

No entanto, o sistema imunológico pode “rejeitar” o novo órgão, atacando-o como um corpo estranho, e há oportunidades limitadas de realizar transplantes. Apenas cerca de 6.500 fígados estão disponíveis a cada ano nos EUA, e muitos são usados ​​para tratar outras doenças além do câncer de fígado.

As drogas que suprimem o sistema imunológico para acomodar um novo fígado também podem levar a infecções graves e, às vezes, até mesmo à disseminação de tumores já metastatizados.

Câncer de fígado em estágios avançados – opções de tratamento

O câncer de fígado avançado tem uma taxa de sobrevivência extremamente baixa.
No entanto, há passos que uma equipe médica pode tomar para tratar os sintomas do câncer e retardar o crescimento do tumor.

  • Terapia ablativa: Substâncias são injetadas diretamente no tumor, como o álcool. Lasers e ondas de rádio também podem ser usados.
  • Radioterapia: A radiação é direcionada ao tumor ou tumores, matando um número significativo deles. Os pacientes podem sentir náuseas, vômitos e fadiga.
  • Quimioterapia: Medicamentos são injetados no fígado para matar as células cancerígenas. Na quimioembolização, o suprimento sanguíneo para o tumor é bloqueado cirurgicamente ou mecanicamente, e drogas anticâncer são administradas diretamente no tumor.
  • Voluntário para estudos clínicos: quando os ensaios chegam ao estágio humano, são chamados de ensaios clínicos. O paciente pode perguntar ao seu médico se há algum disponível em que possa participar.

As opções de tratamento podem variar, dependendo do tipo de câncer de fígado.

Câncer de fígado – Outras causas

Pessoas com diabetes que bebem quantidades excessivas de álcool enfrentam um risco aumentado de câncer de fígado.

A causa exata do câncer de fígado não é conhecida.

No entanto, a maioria dos casos está ligada à cicatrização do fígado, também conhecida como cirrose.

De acordo com a American Cancer Society, a hepatite C é a causa mais comum de câncer de fígado nos EUA.

As pessoas com hepatite B ou C têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de fígado do que outros indivíduos saudáveis. Ambas as formas da doença podem resultar em cirrose.

Algumas doenças hepáticas hereditárias, como a hemocromatose, causam cirrose e também aumentam o risco de câncer hepático.

Outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de fígado incluem:

  • Diabetes tipo 2: Pessoas com diabetes, especialmente se também têm hepatite, ou consomem muito álcool, têm maior probabilidade de desenvolver câncer de fígado;
  • História familiar: Se um parente direto apresentar câncer de fígado, a pessoa corre um risco maior do que os outros de desenvolver o câncer por conta própria;
  • Consumo excessivo de álcool: Consumir álcool regularmente e em quantidades excessivas é uma das principais causas de cirrose nos EUA;
  • Exposição a longo prazo às aflatoxinas: A aflatoxina é uma substância produzida por um fungo. Pode ser encontrado em trigo mofado, amendoim, milho, nozes, soja e amendoim. O risco de câncer de fígado aumenta apenas após a exposição a longo prazo;
  • Baixa imunidade: Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, como aqueles com HIV / AIDS, têm um risco de câncer de fígado que é cinco vezes maior do que outros indivíduos saudáveis;
  • Obesidade: Ser obeso aumenta o risco de desenvolver muitos tipos de câncer, incluindo câncer de fígado.
  • Gênero: uma porcentagem maior de homens tem câncer de fígado em comparação com as mulheres. Alguns especialistas acreditam que isso não se deve ao gênero, mas às características do estilo de vida. Em média, os homens tendem a fumar e a beber mais do que as mulheres.
  • Tabagismo: Indivíduos com hepatite B ou C enfrentam um risco maior de câncer de fígado se fumarem.
  • Arsênico: As pessoas que dependem de poços de água que contêm níveis naturais do arsênio considerados tóxicos podem ter um risco significativamente maior de desenvolver várias condições ou doenças, incluindo câncer de fígado.

Concluindo

Indivíduos de alto risco para câncer de fígado devem fazer exames regulares para câncer de fígado. O câncer de fígado, se não diagnosticado precocemente, é muito mais difícil de curar. A única maneira de saber se alguém tem câncer de fígado no início é através da triagem, porque os sintomas são leves ou inexistentes.

Isso inclui pessoas com hepatite B e C, pacientes com cirrose relacionada ao álcool e aqueles com cirrose como resultado da hemocromatose.

Fontes: Medical News, Medical
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Antidepressivos e o bruxismo: veja a relação entre eles aqui

antidepressivos e o bruxismo

Antidepressivos e o bruxismo parecem ter uma estreita relação. É o que um estudo recente demonstra.

Você recebe em seu consultório a sua paciente de longa data para o seu check-up semestral regular.

Você percebe o desgaste em seus dentes anteriores, os caninos achatados de seus posteriores e as rachaduras do esmalte. Você conversa com ela sobre o seu hábito de morder e lembra o perigo de ranger os dentes à noite durante o sono. São sinais evidentes de que a paciente está sofrendo de bruxismo.

Então ela pergunta: “O aperto de mandíbula e o ranger de dentes podem ser causados por medicação?”

Seu farmacêutico mencionou que poderia ser. Ela acha que o bruxismo só foi um problema desde que ela começou seu antidepressivo. Afinal, antidepressivos e o bruxismo tem alguma ligação?

O bruxismo é uma condição muitas vezes diagnosticada nos consultórios odontológicos.

Porém, o que um artigo recente da Australian Dental Association veio mostrar é que os antidepressivos e o bruxismo estão mesmo relacionados. O fato é que o bruxismo tende a não melhorar enquanto o paciente não cessar o uso da medicação ou, pelo menos, a reduzir.

Um artigo anterior aqui no blog já apresentou uma relação curiosa entre o uso de antidepressivos e a maior incidência de falhas em implantes dentários.

Antidepressivos potencialmente causadores de bruxismo

O bruxismo é definido como “uma atividade repetitiva da mandíbula-músculo caracterizada por apertamento ou ranger dos dentes. Apresenta duas manifestações circadianas distintas: durante o sono (bruxismo do sono) e durante a vigília (bruxismo acordado).

A incidência de bruxismo foi relatada como variando de 14 a 20% em crianças, e aproximadamente 19% em adultos.

As consequências clínicas do bruxismo incluem hipertrofia do músculo da mandíbula; erosão, fratura e falha de dentes, restaurações e implantes; sensibilidade e dor nos dentes, músculos, articulações e deslocamento do disco da articulação temporomandibular.

A causa específica determinante do bruxismo ainda não é bem compreendida. Existem vários fatores de risco identificados. São eles abuso do álcool, drogas recreativas, medicamentos, tabaco, má oclusão, altos níveis de ansiedade e distúrbios psiquiátricos. A relação entre o uso de antidepressivos e o bruxismo é uma descoberta recente.

Antidepressivos e o bruxismo – relação de medicamentos

O uso de antidepressivos e o bruxismo se apresenta mais fortemente associado a determinados fármacos. Os mais comuns são os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

Fazem parte do grupo dos ISRSs o citalopram, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina. São usualmente prescritos para ansiedade e depressão. Foram relatados em vários estudos como causadores de bruxismo iatrogênico*, provavelmente devido a seus efeitos anti-serotoninérgicos e antidopaminérgicos.
* Iatrogenia é uma doença com efeitos e complicações causadas como resultado de um tratamento médico.

Os Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) atomoxetina, venlafaxina e duloxetina também foram associados ao bruxismo.

Uma revisão sistemática recente mostrou que os medicamentos com maiores chances de causarem bruxismo foram fluoxetina, venlafaxina e sertralina.

O tempo médio de início do bruxismo foi de três a quatro semanas ou no escalonamento da dose.
No entanto, relatos de casos sugerem que o efeito pode ocorrer desde a primeira dose.

Tanto os antipsicóticos típicos quanto os antipsicóticos atípicos podem causar movimentos involuntários na região orofacial, incluindo bruxismo, distonia orofacial e discinesia oromandibular. Evidências de surgimento de bruxismo também se mostraram associadas ao medicamento atomoxetina. A atomoxetina é usada para o tratamento do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O bruxismo induzido por medicação é pouco reconhecido na odontologia.
Os dentistas devem conhecer quais medicamentos contribuem para essa condição.

Uma vez que as evidências de bruxismo se apresentem em pacientes em tratamento com essas medicações providências precisam ser tomadas. O manejo deve incluir a consulta com o médico prescritor para que a dose da medicação seja reduzida ou interrompida.
Antidepressivos associados ao bruxismo estão listados a seguir:

  • Antidepressivos: Citalopram, Duloxetina, Escitalopram, Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina, Sertralina, Venlafaxina;
  • Antipsicóticos: Clorpromazina, Flufenazina, Haloperidol;
  • Medicamentos utilizados para tratar o TDAH: Atomoxetina

antideressivos e o bruxismo

Discinesia tardia induzida por drogas

Discinesia tardia é uma condição que afeta o sistema nervoso, muitas vezes causada pelo uso em longo prazo de alguns medicamentos psiquiátricos.
As discinesias tardias são movimentos anormais persistentes e involuntários que podem envolver a face, cabeça, pescoço, membros e tronco.

As discinesias oro bucofaciais são aquelas envolvendo a face, mandíbula, lábios e língua. São essas que frequentemente são a primeira manifestação da discinesia e a forma mais comum.

Geralmente, apresentam-se como movimentos labiais, movimentos rápidos de piscar de olhos e movimentos não coordenados da língua.

As discinesias tardias podem ser estigmatizantes para os pacientes. Podem afetar negativamente tanto a adesão à medicação quanto a qualidade de vida.

Se a medicação implicada não for interrompida prontamente, os sintomas da discinesia tardia podem persistir por muito tempo após a interrupção da medicação ou se tornarem permanentes.
Acredita-se que a fisiopatologia das discinesias decorre de drogas que bloqueiam os receptores centrais de dopamina ao longo das vias dopaminérgicas. Embora outros neurotransmissores possam estar envolvidos.

A discinesia tardia não está associada à dor. Porém, a dor orofacial pode surgir de um trauma causado por movimentos anormais entre próteses e uma mucosa protetora.

Medicamentos antipsicóticos associados ao bruxismo

No passado, os antipsicóticos eram os medicamentos mais frequentemente associados à discinesia tardia devido ao seu bloqueio central dos receptores de dopamina.

Nos últimos 10 a 20 anos foram desenvolvidos antipsicóticos mais seletivos e melhor tolerados, como a ziprasidona, a lurasidona e o aripiprazol. A discinesia tardia agora raramente ocorre com essa classe de medicamentos. Porém eles ainda apresentam um pequeno risco de causar discinesias.

Esses medicamentos são classificados como antipsicóticos. Porém, ao longo dos anos suas indicações se expandiram. Atualmente são utilizados no tratamento de condições como transtorno bipolar, ansiedade, mania, abstinência de álcool, distúrbios comportamentais na demência e autismo.

Metoclopramida

A conhecida metoclopramida é um antagonista potente do receptor central da dopamina-2. Pode causar uma variedade de distúrbios extrapiramidais, sendo a discinesia tardia a mais comum.

A discinesia tardia é sempre um efeito tardio induzido por drogas, geralmente aparecendo meses a anos após o início do tratamento. O risco de discinesia tardia para a metoclopramida aumenta com a dose cumulativa e a duração do tratamento. Além de tomar medicamentos antipsicóticos, outros fatores de risco que aumentam o risco de discinesia tardia incluem interações medicamentosas, gênero e idade avançada.

Antipsicóticos mais antigos ainda são prescritos

Antipsicóticos mais antigos, como a clorpromazina, se tornaram obsoletos em psiquiatria devido à disponibilidade de medicamentos mais novos e mais seguros. No entanto, os dentistas devem estar cientes de que os antipsicóticos mais antigos ainda podem ser prescritos off-label.

Indicações não licenciadas para antipsicóticos mais antigos incluem manejo dos sintomas em cuidados paliativos, íleo paralítico, dor neuropática, soluços intratáveis, tratamento e prevenção da enxaqueca, depressão e ansiedade crônicas e coceira crônica.

Tem sido relatado que a discinesia tardia pode ocorrer em até um terço das pessoas que tomaram um antipsicótico mais antigo por 10 anos ou mais.

Antipsicóticos de primeira geração, haloperidol, flufenazina e trifluoperazina estão associados a maior risco de discinesia tardia. A clozapina apresenta menor risco. É importante salientar que a discinesia tardia induzida por drogas pode persistir por meses ou anos. Nesse caso, provavelmente será permanente mesmo após a retirada da droga.
A lista a seguir apresenta os medicamentos associados à discinesia tardia:

  • Antipsicóticos: Amissulprida, Aripiprazol, Clorpromazina, Clozapina, Droperidol, Flufenazina, Haloperidol, Lurasidona, Olanzapina, Paliperidona, Periciazina, Quetiapina, Risperidona, Trifluoperazina, Ziprasidona, Zuclopentixol.
  • Antagonistas da dopamina: Metoclopramida.

Onde encontrar bruxismo nas informações da bula do produto

Na grande maioria das vezes uma consulta à bula dos produtos não contém nenhuma seção específica dedicada aos efeitos colaterais / bucais / dentais dos medicamentos. Ou quando há alguma menção é feita de forma vaga e inespecífica.
Não é de admirar que o bruxismo seja um efeito colateral pouco reconhecido dos antidepressivos!

Concluindo

Os dentistas devem estar cientes de que os medicamentos antidepressivos, antipsicóticos e antieméticos comumente prescritos estão associados a distúrbios de movimento na região orofacial. Particularmente bruxismo, discinesia e distonia. O uso de antidepressivos e o bruxismo estão de fato relacionados.

Esses medicamentos são prescritos com frequência na comunidade em uma ampla faixa etária para uma longa lista de indicações licenciadas e não licenciadas.

Os distúrbios do movimento induzidos por medicamentos geralmente não melhoram, a menos que a dose de medicação seja reduzida ou interrompida. É provável que os dentistas tenham e venham a encontrar esses distúrbios de movimento induzidos por medicamentos. A identificação e o gerenciamento oportunos de efeitos adversos induzidos por medicamentos são essenciais para uma resolução bem-sucedida.

Fonte: Australian Dental Association
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Periodontite e pressão alta: uma relação muito próxima

periodontite e a pressão altaPeriodontite e a pressão alta. Uma relação que até recentemente pareceria completamente estranha vem se confirmando em estudos recentemente publicados.

A periodontite tem sido associada a um risco maior para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A relação entre periodontite e a pressão alta se evidenciou mais fortemente através de um estudo apresentado por pesquisadores do Eastman Dental Institute, de Londres.

A pesquisa mostra que a periodontite aumenta o risco do desenvolvimento de pressão alta. Ao mesmo tempo o tratamento da periodontite pode reduzir os níveis de pressão arterial. É o que os resultados desse trabalho apontaram.

Assassina silenciosa

A hipertensão pode passar anos sem causar sintomas, até um órgão vital ser lesionado. Por esse motivo a pressão alta é muitas vezes chamada de “assassina silenciosa”.
A hipertensão arterial fora de controle pode ter sérias consequências, como acidente vascular cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca, ataque cardíaco e lesão renal.

Nos Estados Unidos aproximadamente 75 milhões de pessoas sofrem de pressão alta. A hipertensão arterial atinge 41% dos negros em comparação com 28% de brancos e 28% de americanos de origem mexicana. Ela também afeta com frequência pessoas com ascendência chinesa, japonesa e de outras áreas do Leste Asiático ou Pacífico. As consequências da pressão alta são piores em negros e em pessoas de ascendência asiática.

A hipertensão arterial ocorre com mais frequência em pessoas idosas: aproximadamente dois terços das pessoas com 65 anos ou mais em comparação com apenas um quarto das pessoas com idades entre 20 e 74 anos.

Periodontite e a pressão alta: uma relação íntima

A periodontite e a pressão alta afetam milhões de pessoas mundo afora. São doenças que se relacionam de forma independente. A periodontite e a pressão alta assim acabam colaborando para uma maior incidência de problemas cardiovasculares.

A periodontite e a pressão alta acabam assim tendo um grande impacto sobre a saúde pública e seus custos. Além disso, a periodontite e a pressão alta compartilham fatores de risco como diabetes, dietas pouco saudáveis e o tabagismo.

Uma pesquisa semelhante desenvolvida na China, comprovando a relação entre periodontite e pressão alta, já foi destaque em um artigo anterior aqui no blog Dentalis.

Outras causas da hipertensão arterial

  • Distúrbio dos rins;
  • Problemas hormonais;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo
  • Tabagismo;
  • Consumo exagerado de álcool;
  • Consumo excessivo de sal

Resumindo

Está comprovada a ligação entre a periodontite e a pressão alta. É portanto, uma relação causal. Assim, o diagnóstico da periodontite, sua prevenção e o tratamento das doenças gengivais podem contribuir de forma decisiva para a prevenção e tratamento da pressão alta. E assim evitar as devastadoras consequências geradas por um quadro de pressão arterial elevada.

A periodontite e o diabetes

Novas pesquisas sugerem que o tratamento da periodontite também pode ajudar pacientes com diabetes tipo 2. O tratamento da periodontite pode influir positivamente sobre os níveis de glicose sanguínea e de inflamação crônica.

A pesquisa

Mais de 250 pacientes com diabetes descompensada e periodontite ativa participaram do estudo financiado pela Diabetes UK e pelo NIHR Biomedical Research Center.

Após 12 meses, aqueles que se submeteram a terapia da periodontite obtiveram redução do nível de glicose sanguínea em média 0,6%. E isso não é pouco não. Você já vai entender o porquê.

Eles também demostraram redução da inflamação crônica. Essa ação poderia reduzir o risco de complicações graves relacionadas ao diabetes, como doenças cardíacas, derrame e doenças renais.

A periodontite está intimamente relacionada ao diabetes. A periodontite pode elevar os níveis de glicose no sangue. Pode igualmente aumentar a inflamação crônica no corpo. A periodontite e o diabetes podem no longo prazo acabar causando danos aos vasos sanguíneos e rins.

Este é o primeiro estudo randomizado de longo prazo que mostra um benefício substancial do tratamento da periodontite no controle do diabetes.

Uma redução de 0,6% pode parecer pouco. No entanto, a redução do nível de glicose no sangue em 0,6% equivale à prescrição de um medicamento adicional para diminuição do nível de glicose no sangue de um diabético.

Os pesquisadores ficaram encantando com a melhoria na saúde e qualidade de vida daqueles no grupo de teste em comparação com aqueles no grupo de controle.

Os pesquisadores vem trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do NHS. O objetivo é aumentar a conscientização sobre a ligação entre a periodontite e o diabetes entre médicos.
A ideia é conscientizá-los da necessidade de avaliações odontológicas periódicas de seus pacientes diabéticos.

periodontite e pressão alta

Periodontite e diabetes: uma relação bidirecional

A associação entre diabetes e periodontite tem sido estudada extensivamente. A relação entre essas duas condições parece não apenas bidirecional, mas cíclica.

O diabetes não apenas predispõe o indivíduo à doença bucal, mas também à periodontite, uma vez estabelecida, exacerba o diabetes e agrava o controle metabólico.

Mais de 30% dos pacientes com periodontite podem estar abrigando um pré-diabetes ou diabetes ainda desconhecido.

Quanto mais tempo permanecem não diagnosticados, mais fáceis desenvolvem as complicações. Além disso, o diabetes não tratado pode estar associado a complicações maiores relacionadas ao manejo da própria periodontite.

Alguns dos pacientes poderiam se beneficiar de um exame periodontal de rotina no início de seu diabetes, e isso poderia ter evitado complicações graves. A

Além disso, pode ser a oportunidade para que os endocrinologistas encaminham seus pacientes mais frequentemente aos periodontistas. Isso para fins de organização dos planos de tratamento.

A prevenção e o tratamento da periodontite podem diminuir a pressão arterial. E também reduzir os níveis de glicose no sangue. A ciência dia após dia vem evidenciando o quanto o dentista tem um papel fundamental para a garantia da saúde não só da boca, mas da vida das pessoas.

Fontes: Eastman Dental InstituteThe Lancet, Manual MSD
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Vitamina D e doença periodontal, existe relação?

vitamina D e doença periodontalPesquisas recentes evidenciam a possibilidade de uma importante relação entre a vitamina D e doença periodontal.

A doença periodontal avançada é uma condição inflamatória do periodonto desenvolvida a partir de biofilmes microbianos que se formam nos dentes.

Os produtos bacterianos, assim como a resposta imune do hospedeiro a esses produtos, resultam na destruição dos tecidos que sustentam os dentes, incluindo o osso alveolar.

Devido a essa destruição tecidual, a doença periodontal avançada é uma das principais causas de perda dental em adultos.

A prevenção dessa doença é importante porque a perda dentária pode afetar o estado nutricional e a qualidade de vida.

A doença periodontal avançada também tem sido associada a condições sistêmicas. Condições como doença cardiovascular e diabetes mellitus tipo II.

vitamina d e doença periodontal

A vitamina D

A vitamina D é uma vitamina solúvel em gordura obtida da exposição à luz solar, dieta e suplementos nutricionais.

A vitamina D é metabolizada no fígado em 25-hidroxivitamina D e depois metabolizada nos rins para sua forma ativa, 1,25-di-hidroxivitamina D. Embora não haja consenso sobre os níveis de hidroxivitamina D, a maioria dos especialistas define <50 nmol / L (20 ng / mL) como insuficiência de vitamina D.

Evidências recentes sugerem que os níveis de hidroxivitamina D podem precisar ser tão altos quanto 75 nmol / L ( 30 ng / mL) para atingir o status ideal de vitamina D.

O papel da vitamina D no organismo

A vitamina D está envolvida na regulação da absorção de cálcio pelos intestinos, mantendo a concentração do cálcio plasmático e a mineralização óssea.
Estudos encontraram associações positivas significativas entre os níveis de hidroxivitamina D e a densidade mineral óssea ideal. A suplementação de vitamina D, quando necessária, diminui o risco de fraturas.

Vitamina D e o sistema imunológico

Evidências mais recentes indicam que a vitamina D também tem um efeito regulatório na resposta imunológica.
Ela estimula a resposta imunológica às vezes, enquanto a inibe em outras.

Um estudo demonstrou que a capacidade de produzir vitamina D ativa melhorou a atividade bactericida. Por outro lado existem muitos exemplos da capacidade da vitamina D de inibir a resposta imunitária.

Vitamina D e doença periodontal

A doença periodontal avançada é caracterizada pela perda óssea desencadeada por uma reação de resposta imune do hospedeiro à placa bacteriana.
A deficiência de vitamina D pode ter um efeito sobre o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal.

Dois grandes estudos transversais encontraram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e marcadores de doença periodontal.

No entanto, o maior estudo prospectivo até o momento, bem como o estudo transversal mais recente, não encontraram relação entre a vitamina D e doença periodontal.

Está claro que mais pesquisas são necessárias para determinar o impacto que o status da vitamina D tem sobre a progressão da doença periodontal.

A pesquisa

Os dados foram obtidos de pessoas de 6 a 79 anos participando do ciclo 1 da pesquisa.
O ciclo 1, realizado de 2007 a 2009, foi uma pesquisa nacional, transversal, realizada pela Statistics Canada, de uma amostra representativa de 97% da população canadense em todas as províncias e territórios.

A coleta de dados envolveu medidas físicas e entrevistas. Foram entrevistados 5.604 participantes.
Todos os participantes forneceram consentimento informado. O CHMS excluiu membros em tempo integral das Forças Canadenses e residentes das Primeiras Nações, terras da Coroa, certas regiões remotas do Canadá e instituições.

O objetivo deste estudo foi explorar a relação entre a concentração de vitamina D e doença periodontal. As medições levaram em conta o índice gengival (GI) e outros parâmetros definidos pelo Canadian Health Measures Survey (CHMS).

Os exames odontológicos foram realizados por 14 dentistas das forças canadenses. Os parâmetros foram definidos de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) .

Os resultados

Os participantes com concentrações de hidroxivitamina D <50 nmol / L e <75 nmol / L tiveram um aumento significativo nas chances de apresentar quadros de doença periodontal.

Aqueles que tomam suplementos de vitamina D tiveram chances significativamente mais baixas para para a infecção gengival. Já aqueles com diabetes aumentaram as chances de apresentar doença periodontal nos graus moderado a grave.

A média do IMC foi significativamente maior entre aqueles com pior quadro de doença periodontal.

Enquanto isso, aqueles que relataram frequentar um dentista ≥ 1 vez ao ano, escovando os dentes duas vezes ao dia e usando fio dental diariamente tiveram chances significativamente menores de doença periodontal.

Aumento dos índices de placa foram associados com o aumento da probabilidade de moderada a grave de doença periodontal. Os homens tiveram um aumento nas chances de doença periodontal em comparação com as mulheres.

Já aqueles nas categorias de renda mais alta tiveram menores chances de doença periodontal do que aqueles nas categorias de renda mais baixa.

As mulheres apresentaram menor chance de doença periodontal moderada a grave.
Enquanto valores altos para o índice de placa aumentaram as chances de doença periodontal moderada a grave.

Pacientes com níveis abaixo do limite padrão de vitamina D foram associados a um aumento da probabilidade de risco para doença periodontal grave.

Discussão

Apesar dos dados indicativos da presente pesquisa, atualmente existem evidências conflitantes na literatura sobre a relação entre vitamina D e doença periodontal.

Os resultados do estudo contêm evidências que apoiam uma associação entre baixos níveis de vitamina D e doença periodontal.

É provável que jovens e adultos mais jovens tenham uma melhor saúde bucal do que adultos mais velhos. Isto pode ter afetado a análise de medidas selecionadas de resultados periodontais.

Os pontos fortes deste estudo incluem o grande tamanho e a natureza representativa da amostra.
Outra vantagem é a disponibilidade dos atuais níveis de hidroxivitamina D, que é o padrão ouro reconhecido na determinação do status geral de vitamina D de um indivíduo.

Conclusão

O estudo foi realizado com uma amostra representativa de adultos canadenses. Forneceu evidências modestas que suportam uma relação entre baixas concentrações de vitamina D e doença periodontal.

É provável que estudos prospectivos com seguimento mais longo sejam necessários para elucidar completamente o efeito.
Se isso se confirmar, vitamina D e doença periodontal irá entrar definitivamente para a lista de causas dessa grave patologia.

Tem sido comum nos dias atuais as pessoas começarem a tomar suplementos de vitamina D. Fica o alerta para o risco de ingestão de doses elevadas dessa vitamina, que tem efeito cumulativo no organismo. Isso devido a sua liposolubilidade. Mais detalhes podem ser obtidos neste artigo já anteriormente publicado aqui no blog Dentalis.

Fonte: Dental News
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Bactérias orais tem relação com o AVC? Descubra aqui

bactérias orais e avcBactérias orais e AVC parecem coisas completamente desconexas. Mas uma pesquisa recente mostra exatamente o contrário.

Os autores do estudo demonstram uma relação muito próxima entre bactérias orais e AVC. É provável que uma boa higiene oral seja importante não apenas para a saúde dos dentes, mas também para a prevenção de derrames.
É a conclusão a que chegaram pesquisadores após terem encontrado traços de DNA de bactérias orais em amostras de coágulos sanguíneos causadores de derrames.

Essa descoberta afinal de contas prova que bactérias orais e podem causar AVC? Existe de fato tal conexão? É o que este artigo convida você a descobrir…

É um trabalho de pesquisadores da Universidade de Tampere, na Finlândia. Eles analisaram amostras de coágulos de 75 pessoas vítimas de AVC. Todos os pacientes receberam tratamento de emergência por AVC isquêmico na Unidade de Acute Stroke do Hospital Universitário de Tampere.

Os pacientes foram submetidos a trombectomia. Esse procedimento busca remover coágulos sanguíneos por meio de cateteres introduzidos pelas artérias.
Os cateteres podem implantar os stent retrievers e aspiradores para reduzir ou remover o coágulo.

A análise dos coágulos sanguíneos obtidos pela técnica anteriormente descrita revelou algo surpreendente. Os pesquisadores descobriram que 79% dos coágulos tinham traços de DNA de bactérias orais comuns.

A maioria das bactérias era do tipo “Streptococcus mitis“. Essa bactéria pertence a um grupo que os cientistas chamam de estreptococos viridans.

Os níveis das bactérias orais foram muito mais elevados nas amostras de coágulos do que nas outras amostras que os cirurgiões retiraram dos mesmos pacientes.

A Universidade de Tampere  vem pesquisando há 10 anos sobre o papel das bactérias nas doenças cardiovasculares. O presente estudo faz parte desta investigação.

Já se descobriu, por exemplo, que os coágulos sanguíneos que causaram ataques cardíacos, aneurismas cerebrais e tromboses nas veias e nas artérias da perna contêm bactérias orais. Principalmente por estreptococos viridans. Também mostrou que essas bactérias podem causar endocardite infecciosa, um tipo de infecção cardíaca. Aqui no blog Dentalis já noticiamos essa associação.

Os pesquisadores acreditam que o novo estudo é o primeiro a implicar estreptococos viridans no AVC isquêmico agudo.

O que é um AVC

Um AVC ou acidente vascular cerebral é quando o cérebro repentinamente experimenta uma interrupção em seu suprimento de sangue.
Isso priva as células de oxigênio essencial e nutrientes. E pode resultar em danos nos tecidos e perda de função cerebral.

O tipo mais comum de derrame é um acidente vascular cerebral isquêmico. Isso ocorre quando um coágulo sanguíneo reduz o suprimento de sangue em uma artéria que alimenta o cérebro.

De acordo com dados da World Stroke Organization, cerca de 1 em cada 6 pessoas em todo o mundo provavelmente sofrerá um derrame ao longo da vida.

bactérias orais e avc

Principais causas do AVC isquêmico

Uma das principais causas de acidente vascular cerebral é uma condição chamada aterosclerose. Nessa condição as placas se formam nas paredes das artérias e fazem com que elas se estreitem e endureçam com o tempo. As placas são depósitos de resíduos celulares, gordura, colesterol e outros materiais.

Dependendo de onde as placas se formam, a aterosclerose pode aumentar o risco de doença cardíaca, angina, doença da artéria carótida e doença arterial periférica.

Partes das placas podem se desprender da parede das artérias ou mesmo atrair coágulos. Caso isso aconteça em uma artéria que alimente o cérebro, pode desencadear um derrame isquêmico.

Tipos de AVC isquêmico

  • Aterotrombótico: provocado por doença que causa formação de placas nos vasos sanguíneos maiores (aterosclerose). Causa a oclusão do vaso sanguíneo ou formação de êmbolos;
  • Cardioembólico: ocorre quando o êmbolo causador do derrame parte do coração;
  • Isquêmico de outra etiologia: é mais comum em pessoas jovens e pode estar relacionado a distúrbios de coagulação no sangue.

Entendendo o AVC hemorrágico

O AVC hemorrágico ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia.
Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge.
É responsável por 15% de todos os casos de AVC. No entanto, pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico.

bactérias orais e avc

Causas do AVC hemorrágico

  • Hipertensão descontrolada e a ruptura de um aneurisma (causa principal);
  • Hemofilia ou outros distúrbios coagulação do sangue;
  • Ferimentos na cabeça ou no pescoço;
  • Tratamento com radiação para câncer no pescoço ou cérebro;
  • Arritmias cardíacas;
  • Doenças das válvulas cardíacas;
  • Defeitos cardíacos congênitos;
  • Vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos), que pode ser provocada por infecções a partir de doenças como sífilis, doença de Lyme, vasculite e tuberculose;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infarto agudo do miocárdio.

Principais causas para o AVC (isquêmico e hemorrágico)

  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Colesterol elevado;
  • Sobrepeso e obesidade;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Idade avançada;
  • Sedentarismo;
  • Uso de drogas ilícitas;
  • Histórico familiar;
  • Ser do sexo masculino.

Qual a diferença entre o AVC hemorrágico e o AVC isquêmico?

Não há uma maneira clínica segura, eficaz e definitiva para identificar se o AVC é hemorrágico ou isquêmico.
O fundamental é iniciar o tratamento com urgência. Exames de imagem poderão revelar a causa do acidente vascular cerebral.

Sabe-se que o AVC hemorrágico costuma apresentar sintomas graves mais rapidamente. Rebaixamento de consciência progressivo, perda da consciência (desmaio), deterioração súbita de reflexos neurológicos e convulsão podem indicar um AVC hemorrágico.

Sinais e sintomas de um AVC

Existem alguns sinais que o corpo dá que ajudam a reconhecer um Acidente Vascular Cerebral. São eles:

  • Sorriso: peça para a pessoa sorrir. Se o sorriso sair torto ou se a boca entortar, pode ser AVC;
  • Abraço: peça para a pessoa levantar os braços. Se a pessoa tiver alguma dificuldade para levantar um deles ou se após levantar os dois um deles cair bruscamente, pode ser AVC;
  • Frase: peça para a pessoa repetir uma frase ou uma mensagem qualquer. Se a pessoa não conseguir compreender ou não conseguir repetir a frase ou mensagem, pode ser AVC;
  • Urgência: havendo qualquer um desses sinais, o SAMU 192 deve ser chamado imediatamente.

Bactérias orais e AVC – fazem ou não parte do evento

O autores do estudo refletiram sobre os resultados encontrados. Os pesquisadores observam que bactérias estreptococos da boca, quando entram na corrente sanguínea, podem causar infecção grave, como as válvulas cardíacas.

Há também evidências de que as bactérias podem ativar diretamente as plaquetas sanguíneas. Por isso conclui-se que bactérias orais e AVC guardam sim uma relação.

Este poderia ser uma via possível para aumentar o risco de derrame?

“Plaquetas ativadas” acionam células que promovem a aterosclerose e “aceleram o desenvolvimento de lesões aterotrombóticas”, escrevem eles.

“Proteínas de superfície bacteriana de S. mitis“, eles acrescentam, “podem se ligar diretamente a vários receptores de plaquetas”.

Em relação às descobertas recentes, os pesquisadores fizeram uma importante observação. Segundo eles as bactérias orais estão sim envolvidas, ou seja, bactérias orais e AVC tem uma relação.

Mas qual o tipo de relação que existe? Bactérias orais e AVC podem representar ter relação de causa e efeito?

Ainda não está claro se elas causam derrames ou se “seu papel é apenas de espectadoras” do processo.

Os mesmos cientistas sugerem: “O atendimento odontológico regular deve ser enfatizado na prevenção primária do AVC isquêmico agudo.”

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Fontes: Journal of the American Heart Association, MedicalNewsToday, Ministério da Saúde

 

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Qual a relação entre periodontite e o diabetes?

periodontite e o diabetesA Periodontite e o diabetes podem parecer patologias sem nenhuma ligação entre si. No entanto, a ciência nos mostra exatamente o contrário.
Hoje vamos descobrir qual a relação existente entre a periodontite e o diabetes. E o interessante é que vocês irão observar que é uma via de mão dupla.

Doença metabólica

A diabetes é uma doença metabólica, importante causa de morbidade e mortalidade.
Estimativas atuais indicam que 382 milhões no mundo sofrem de diabetes mellitus (8,3%). Esse número poderá chegar a incríveis 592 milhões em 2035.

Em 2013 estima-se que 5,1 milhões de pessoas com idade entre 20 e 79 anos morreram por consequência do diabetes.
O Brasil ocupa a quarta posição neste ranking mundial. Em 2013 a estatística reportou um total de 11,9 milhões de pacientes diabéticos.

O diabetes se caracteriza por níveis elevados de glicose no sangue. A hiperglicemia apresenta efeitos deletérios em várias partes do organismo humano.
Os efeitos danosos podem atingir o sistema vascular periférico, alterar resposta inflamatória e impactar o sistema imunológico.
Essas alterações resultam em danos à capacidade de regeneração tecidual.

Tipos de diabetes

Os tipos mais comuns de diabetes estão: o diabetes tipo I, tipo II e gestacional.

Diabetes tipo 1

Normalmente se manifesta durante a infância.
Pode estar relacionado com a produção de autoanticorpos que atuam no pâncreas. Isso gera redução da produção da insulina endógena.

Diabetes tipo 2

Está relacionado com a resistência das células à insulina e inicia-se normalmente na idade adulta.

Diabetes gestacional

Tem seu início durante a gravidez, podendo regredir após o parto.

Nos três principais tipos de diabetes, ocorre a redução da entrada de glicose nas células. Isso ocasiona um aumento do nível de glicose no sangue.
Os efeitos danosos de um quadro hiperglicêmico acabam modificando a susceptibilidade do indivíduo às infecções de um modo geral. Isso também vale para aquelas observadas na boca, como a periodontite.

A periodontite e o diabetes

A periodontite é uma infecção crônica que acomete as estruturas de suporte do dente. Quando não tratada pode levar à perda dentária. A periodontite é muito comum em indivíduos diabéticos.

Pacientes com glicose elevada podem apresentar muitos abcessos periodontais. Isso pode levar à destruição rápida do suporte ósseo ao redor dos dentes.
Em geral, nos diabéticos a resposta ao tratamento periodontal é pior do que aquela observada nos não diabéticos.

A periodontite favorece o aumento da glicemia no indivíduo diabético. Já o tratamento periodontal traz benefícios à estabilização da glicemia nesses indivíduos.
A periodontite faz parte das complicações mais comuns associadas ao diabetes.

Alterações bucais outras e bem comuns em pacientes diabéticos:

  • diminuição do fluxo salivar;
  • queimação da boca e/ou língua.

São condições que podem predispor às infecções oportunistas. Como por exemplo, infecção causada pelo fungo Candida albicans.
Outro aspecto a destacar é que a hiperglicemia presente no diabetes apresenta influencia sobre a flora bacteriana bucal.

periodontite e o diabetesRetroalimentação

Periodontite e o diabetes apresentam uma relação de mão dupla. Esse aspecto já foi destaque em um artigo anterior do blog Dentalis.

Pacientes diabéticos têm resposta imunológica deficiente. Apresentam alterações na vascularização periodontal, e nos níveis de glicose do sulco gengival. São condições que favorecem ou agravam um quadro de periodontite em pacientes com diabetes.

Nos últimos anos resultados de inúmeros estudos epidemiológicos indicaram que os dois tipos principais de diabetes (I e II) aumentam a prevalência, incidência e severidade da doença periodontal. Os mesmos estudos sugerem que tal condição sistêmica predispõem os indivíduos à periodontite.

Pacientes portadores de Diabetes tipo I apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal com o passar da idade, gravidade e duração de seu estado diabético.

Ao mesmo tempo, outros estudos mostraram que são 3 a 4 vezes maiores as chances de indivíduos portadores de Diabetes tipo II desenvolverem periodontites severas.

Além disso, o diabetes quando associado a outras condições pode modificar o curso da doença periodontal. A taxa de progressão da periodontite pode aumentar 2,9 vezes, quando o indivíduo apresenta taxas de Hemoglobina glicada em níveis superiores a 6,5%. Em torno de 3,7 vezes, quando o paciente é diabético e fumante. E 4,1 vezes, quando mais de 30% dos sítios bucais apresentam sangramento.

Do outro ponto de vista, a inflamação gengival também dificulta a absorção de insulina. Isso pode ser uma fator gerador de uma descompensação glicêmica nos portadores de diabetes. Já quanto à perda dental, esses valores são de 3,1 vezes, quando as taxas de Hemoglobina glicada estão acima de 6,5%. E 4,1 vezes mais chance de perda dos dentes, quando o paciente é diabético e fumante.

Desconhecimento eleva riscos à saúde

Dados epidemiológicos indicam que a grande maioria dos pacientes com hiperglicemia desconhece a relação existente periodontite e o diabetes. Na grande maioria das vezes não vão regularmente ao dentista. Também não contam com o acompanhamento de um especialista em periodontia.
Muitas das vezes a doença periodontal, assim como o diabetes, age de forma silenciosa.
Uma vez diagnosticada a periodontite, já pode ser muito tarde, e pode resultar em perda dentária.

Prevenção e tratamento

O tratamento da periodontite pode reduzir os níveis de agentes inflamatórios. Por consequência também causar diminuição do nível de inflamação crônica tão comum a pacientes diabéticos.
Isso pode trazer benefícios tanto ao controle glicêmico como também na redução do dano a outros órgãos.

Concluindo

É fundamental que o dentista faça parte da equipe multidisciplinar responsável pelo acompanhamento de pacientes com diabetes. O objetivo não será apenas o de curar processos instalados, mas também da prevenção de danos.
Isso, sem dúvida, irá proporcionar melhor qualidade de vida a esses pacientes.

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Fontes: American Diabetes Association, Journal of Indian Society of Periodontology, cro sp, UFRGS, Revista Brasileira de Epidemiologia

 

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Estresse: mais um fator de risco para a doença periodontal

estresse e doença periodontalEstresse e doença periodontal podem parecer coisas complemente desconexas, mas existe uma relação forte entre elas.

Quando você lê ou ouve a palavra estresse logo lembra de algo que pode ser ruim ou prejudicial, não é mesmo?
O estresse é algo inerente à condição humana e é parte de nossas vidas. Em situações de perigo ou ameaça nosso corpo libera adrenalina e cortisol. Esse aporte hormonal aumenta o fluxo sanguíneo para o músculos e para o cérebro. É uma reação natural do corpo e fundamental a nossa sobrevivência. É uma reação do corpo nos preparando para a luta ou fuga.

Os seres humanos primitivos viviam sob condições muito mais estressantes do que nós atualmente.
A sobrevivência sua e de seu grupo era constantemente colocada em risco. Eles tinham que caçar para sobreviver e eram obrigados a lutar ou fugir. As reações geradas pelo estresse eram uma fonte de energia. Isso lhes possibilitava sobreviver em um mundo selvagem em que viviam. A energia era imediatamente canalizada para a ação.
No mundo atual, a agressão é evidentemente mais verbal e é impossível lutar ou fugir de uma prova, entrevista ou reunião com seu chefe.

Estresse bom e ruim

O estresse bom é aquele caracterizado pelo “friozinho na barriga” que aumenta a nossa concentração. Nos prepara para a prova de um concurso, uma entrevista de emprego ou um encontro importante. Se não contássemos com estresse algum para enfrentar essas situações certamente teríamos sérios problemas.

O problema não é o estresse normal, e sim o excesso dele.
Quando dá um “branco” na hora de uma prova é porque o estresse está acentuado à ponto de gerar um bloqueio mental que nos paralisa.
O estresse ruim é também aquele que se prolonga, mesmo quando o momento estressante já passou. É também aquele em que a pessoa traz para o presente situações ruins e as revive continuamente. O estresse geralmente dura mais e é mais intenso (intimidação no trabalho, por exemplo). É aqui que a patologia se torna arraigada.

Danos causados pelo estresse ruim

O estresse ruim ou crônico traz prejuízos à saúde. Pode provocar insônia, baixa da resistência imunológica, dores de cabeça constantes, dificuldades de concentração, irritabilidade, hipertensão, depressão. Em casos mais graves, até mesmo síndrome do pânico.
Quando o estresse é acentuado e se prolonga por muito tempo o corpo padece. Os níveis hormonais permanecem elevados.

O estresse em fases

O estresse pode ser dividido em três fases de acordo com as respostas fisiológicas.

Fase de alarme

É aquela quando a pessoa se vê diante de uma situação difícil. Neste momento o corpo mobiliza recursos. A glicose é liberada, a respiração se acelera e a gordura começa a ser queimada em maior intensidade. Os batimentos cardíacos aumentam. As mãos ficam suadas. Os cinco sentidos ficam mais nítidos.
A produção de saliva diminui e a digestão é interrompida. Músculos e cérebro viram prioridade para o organismo.

Fase de resistência

Acontece quando nosso organismo tenta se reequilibrar e voltar ao estado original. Aqui há uma utilização muito grande de energia. Daí surgem alguns sintomas como cansaço, mal estar generalizado, tontura, formigamento nas extremidades e também problemas com a memória. Depois de certo tempo, e pela repetição continuada do processo, o organismo fica ligado de uma vez por todas. Essa é a principal característica da fase de resistência.

Fase de exaustão

Esta condição se caracteriza pelas defesas do organismo não terem conseguido trazer o organismo de volta ao estado normal após uma situação estressante. É geralmente nesta fase que as doenças começam a aparecer.
É uma forma que o corpo utiliza para comunicar algo muito importante. Ou seja, para avisar que não está conseguindo lidar com a carga estressante.
Há exaustão física e mental, insônia, ansiedade, irritabilidade, angústia e hipersensibilidade emotiva, entre outros sintomas e doenças.

estresse e doença periodontalQual a conexão entre estresse e doença periodontal?

Estresse e doença periodontal tem uma relação próxima, embora à primeira vista pareça não haver qualquer tipo de conexão.
Uma análise histórica apresenta evidências muito fortes dessa relação.
Os soldados de Alexandre, o Grande, sofriam de doença periodontal.
Esse foi um dos primeiros registros históricos a associar estresse e doença periodontal.
Um outro relatado pela história foram mais tarde os soldados na Primeira Guerra Mundial a padecer dessa doença.
Nessa época foi apelidada de “Doença das trincheiras”.

A doença periodontal é multifatorial e inflamatória. Na periodontite necrótica, o estresse é reconhecido como um importante fator de risco.

estresse e doença periodontal

Estresse é considerado um fator predisponente?

Estresse e doença periodontal guardam uma estreita relação. São duas as principais razões que explicam tal fato. Um deles é que o estresse desencadeia uma mudança de comportamento. O outro é a consequente diminuição da resposta imunológica.

A adoção de bons hábitos de higiene bucal dependem muito do estado de saúde mental do paciente. Tem sido relatado que distúrbios psicológicos podem levar os pacientes a negligenciarem a higiene bucal. O acúmulo resultante de placa acaba sendo prejudicial ao tecido periodontal.

O tônus da musculatura lisa dos vasos sanguíneos na gengiva pode ser alterado pelas emoções. Isso como consequência do sistema nervoso autônomo. O estresse contínuo gera uma constrição constante dos vasos sanguíneos podendo alterar o suprimento de oxigênio e nutrientes para os tecidos.

Tanto o aumento quanto a diminuição do fluxo salivar, decorrente de distúrbios emocionais, podem afetar adversamente o periodonto.
A angústia emocional também pode produzir alterações no pH da saliva e na composição química, como a secreção de IgA. Esses eventos mostram que a saúde periodontal é influenciada por mudanças salivares.

A influência de fatores diversos

Como descrito anteriormente, o estresse e seus mediadores bioquímicos podem modificar a resposta imunológica. Um sistema imune forte é a melhor arma contra a doença periodontal inflamatória. Sob estresse, a liberação de adrenalina e noradrenalina pode não apenas induzir uma diminuição no fluxo sanguíneo. Também podem influir negativamente na ação as células de defesa e seus mediadores sobre as bactérias relacionadas à doença. Os glicocorticoides, liberados durante o estresse, podem prolongar essa resposta vascular.

O bruxismo é também considerado um fator predisponente à doença periodontal como já noticiado aqui no blog Dentalis.

Também já se comprovou que pacientes com depressão tendem a se alimentar mal, a consumir mais álcool, cigarros e bebidas alcoólicas. Também se cuidam menos e negligenciam a higiene dental.
O descaso com a higiene dental aumenta a quantidade de biofilme e altera a sua composição.

Deficiências nutricionais também contribuem para redução da imunidade. O tabagismo é também um conhecido fator de risco para a doença periodontal.

Esses fatores uma vez somados aumentam consideravelmente o risco do desenvolvimento de uma periodontite. Todos são elementos que corroboram a relação entre estresse e doença periodontal.

Estresse diminui a eficiência do nosso sistema de defesa

O estresse age ativando o hipotálamo. Esse libera uma substância chamada CRF (fator de produção no córtex). O CRF é um mensageiro que estimula a glândula hipófise. A hipófise então produz o ACTH (hormônio adrenocorticotrófico). O principal alvo do ACTH são as glândulas suprarrenais. A partir desse estímulo as glândulas suprarrenais produzem o cortisol.
O cortisol é um hormônio fundamental na regulação do metabolismo da glicose, proteínas e lipídeos.
No fígado o ACTH age transformando o glicogênio em glicose. Essa glicose uma vez na corrente sanguínea fornece energia aos músculos para que a resposta instintiva de luta ou fuga aconteça.
Ao mesmo tempo as suprarrenais recebem diretamente do cérebro um outro estímulo. Um estímulo nervoso para a produção de adrenalina e noradrenalina. Ambas aumentam de sobremaneira a disposição e energia em todo o organismo.

Como lidar com o estresse?

Aos pacientes com estresse, devemos recomendar a busca por terapeutas especializados. Porém nossos pacientes não são os únicos a sofrer desse mal. Não podemos esquecer que a Odontologia é uma profissão muito estressante.
Adotar algumas das medidas simples e práticas a seguir pode reduzir o nível de estresse no dia a dia:

  • Praticar esportes rotineiramente. A atividade física libera a energia acumulada por situações estressantes;
  • Praticar ioga ou exercícios de meditação e relaxamento;
  • Buscar interações sociais, evitando o isolamento;
  • Parar ao menos 5 minutos por dia pra relaxar pode fazer toda a diferença.

O estresse excessivo é um sinal de alarme do nosso corpo. É importante estarmos atentos aos seus sinais.
O estresse na medida certa pode continuar sendo nosso amigo.
No entanto, se ignorarmos os sinais de alerta e não conseguirmos recuperar o equilíbrio interno, ele poderá rapidamente se tornar nosso pior inimigo. Saber controlar o estresse é sinal de inteligência emocional. Inteligência emocional é certamente o melhor remédio para quebrar o elo entre estresse e doença periodontal.

Fontes: Dental Tribune, Psicologias do Brasil, Conceito Zen, NCBI
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Genética e cáries dentais: a genética pode favorecer as cáries?

Genética e cáries dentais: a genética pode favorecer as cáries?

genética e cáries dentais

Ao que parece genética e cáries dentais não guardam relação. Foi o que um estudo australiano recente evidenciou. Demonstrando que a composição genética não predispõe as pessoas às cáries dentais.
No entanto, a pesquisa descobriu que crianças com mães com excesso de peso são mais propensas a ter cáries.

Este estudo foi baseado em um artigo publicado na última edição da revista Pediatrics. Estima que uma em cada três crianças australianas tem cáries no momento em que começam a frequentar a escola.

Metodologia do estudo – relação da genética e cáries dentais

O estudo analisou os dentes de 173 pares de gêmeos (idênticos e não-idênticos). Do período da gravidez até os seis anos de idade.

A relação entre a genética e cáries dentais não tem sido muito estudada.

O estudo em questão é o primeiro que analisa a genética de gêmeos e sua relação com doença e estilo de vida.

Descobrimos que gêmeos idênticos, com genomas idênticos, têm graus variados de cárie.
Assim, fatores ambientais, como a falta de flúor na água, parecem ser a principal causa de cáries dentais e não da genética.

Influência da mãe na saúde bucal da criança

A pesquisa encontrou uma ligação entre a saúde e o estilo de vida da mãe durante a gravidez e a futura saúde bucal da criança.
A obesidade na gravidez aparece como um marcador de risco aumentado de cárie dentária infantil nesta pesquisa.

A relação entre obesidade materna e cárie dentária infantil é complexa.
Talvez o peso da mãe tenha uma influência biológica no feto em desenvolvimento. Ou talvez o risco de cáries se eleve devido ao aumento do consumo de açúcares por parte das crianças.

Resultados – em números

Um em cada três dos gêmeos estudados (32,2 %) apresentou cárie dentária. Quase um em cada quatro (24,1 %) apresentou cáries em estágio avançado.

O pesquisador reafirma que as pessoas não devem levar em conta a relação da genética com as cáries dentais.

Pessoas que acham que a saúde de seus dentes está ligada à sua genética estão equivocadas.
Acreditando na hipótese genética, as pessoas podem assim não estar preparadas para fazer mudanças importantes no estilo de vida. Afirmou o pesquisador.

Educação em saúde

Os resultados reforçam o quanto importante é para dentistas e pais a educação das crianças nos primeiros anos de vida.

Educação para com os cuidados preventivos a fim de prevenir o aparecimento das cáries dentais.

Cuidar da saúde bucal é cuidar da saúde do corpo

A cárie dentária é um sério problema de saúde. Existem fortes evidências da ligação entre cáries infantis e o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares mais tarde na vida. Já destacamos aqui no blog Dentalis neste artigo a relação entre uma saúde bucal precária e os consequentes riscos à saúde do corpo.

A cárie dental também é a principal causa de internação hospitalar evitável em crianças australianas, o estudo apontou.

Em 2011, no Departamento de Saúde de Victoria (Austrália), mais de 26.000 australianos com menos de 15 anos de idade tiveram internação hospitalar para tratamento de cárie dental.

Estudo com gêmeos

O estudo demonstrou as vantagens da pesquisa com gêmeos. Possibilita a descoberta da relação entre as condições de saúde, efeitos da vida precoce e fatores de risco. Além, é claro, da relação entre a herança genética e cáries dentais.

É importante que essa pesquisa seja replicada em outros estudos que acompanham crianças até a idade adulta. Importante também que outros fatores de risco para a cárie dentária sejam analisados.

Estudo – quem foram os pesquisados

Este último estudo coletou dados sobre os gêmeos com 24 e 36 semanas de idade gestacional, no nascimento, 18 meses e seis anos de idade. Isso incluiu um exame odontológico aos seis anos de idade.

Questionários sobre o peso da mãe, doenças, uso de medicamentos, níveis de vitamina D, estresse, consumo de álcool e tabagismo foram coletados durante a gravidez.

genética e cáries dentais

O Outro lado

A pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Odontopediatria da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, Erika Calvano Kuchler, investigou marcadores genéticos específicos do DNA.

Marcadores que mostram as diferenças entre duas ou mais pessoas da população brasileira, para avaliar se existe relação entre genética e cáries dentais.

O objeto do estudo foi identificar a possibilidade de que a variação em microRNAs pode estar envolvida na susceptibilidade de uma pessoa apresentar cárie dentária. Os microRNAs são estruturas genéticas conservadas ao longo da evolução que regulam a expressão do DNA.
É possível que microRNAs funcionem como um biomarcador para a cárie, de acordo com o perfil genético do paciente.
Isso explicaria o fato de existirem pessoas que sofram de cáries dentais mesmo tendo cuidados com a higiene bucal, segundo a pesquisadora.

A pesquisa

Foram selecionadas 222 crianças de Ribeirão Preto, 678 do Rio de Janeiro e 90 de Manaus. Elas tiveram saliva coletada como fonte de DNA genômico. Os resultados preliminares do estudo nessas três populações apresentaram diferenças genéticas entre as crianças para propensão à cárie dental.
Ao que parece o ambiente em que a criança está inserida pode influenciar na doença, assim como a genética.
Para alcançar uma informação mais relevante possível, a pesquisadora deseja ampliar o estudo para toda a população nacional.

Quando ocorrer a finalização dos estudos que investigam genética e cárie dentais, será possível identificar o conjunto de genes que são associados ao maior risco de aparecimento das cáries. Assim como detectar bem cedo crianças com maior predisposição, além de possibilitar que o tratamento seja feito de forma mais intensa e preventiva.

Os resultados dos trabalhos da pesquisadora Erika Calvano Kuchler, que faz parte do projeto Jovem Pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), podem ser encontrados em artigos na revista Caries Research e na Archives of Oral Biology.

Concluindo

Analisando os dois trabalhos chega-se à uma conclusão.
A cárie dental seria o resultado de uma dupla influência: genética e ambiental.
O quanto em termos percentuais cada uma delas contribui em maior proporção para o desenvolvimento das cáries dentais é algo que futuras pesquisas irão esclarecer.

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Fontes: ScienceDaily e Jornal da USP
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Mulheres pós-menopausa com periodontite tem um motivo a mais para se preocupar

Um novo estudo no American Journal of Hypertension mostra que as mulheres pós-menopáusicas que sofreram perda de dentes estão em maior risco de desenvolver pressão alta. Vários estudos já demonstraram uma relação observacional entre doença periodontal e perda de dentes com hipertensão, mas a relação permanece obscura.

O estudo

Os participantes do estudo foram 36.692 mulheres pós-menopáusicas no Estudo de Observação da Iniciativa de Saúde da Mulher, nos Estados Unidos, que foram acompanhadas anualmente através de uma avaliação periodontal inicial em 1998 até 2015 para hipertensão recentemente diagnosticada.

O estudo observou uma associação positiva entre perda de dentes e risco de hipertensão entre mulheres na pós-menopausa. Especificamente, essas mulheres tiveram um risco aproximadamente 20% maior de desenvolver hipertensão durante o acompanhamento em comparação com outras mulheres. A associação foi mais forte entre as mulheres mais jovens e aquelas com menor IMC.

Hipóteses

Existem várias razões possíveis para a associação observada. Uma possível explicação é que, à medida que as pessoas perdem dentes, elas podem mudar suas dietas para alimentos mais macios e processados. Essas mudanças nos padrões alimentares podem estar associadas a um maior risco de hipertensão.
Até o momento no entanto não se detectou um fator objetivo que represente uma associação direta (relação causa e consequência) entre doença periodontal e hipertensão.

Medidas profiláticas

O estudo sugere que mulheres mais velhas na pós-menopausa que estão perdendo os dentes podem representar um grupo com maior risco de desenvolver hipertensão. Como tal, os pesquisadores envolvidos no estudo acreditam que a melhoria da higiene dental entre aquelas em risco de perda dentária, bem como medidas preventivas, como monitoramento mais próximo da pressão arterial, modificação da dieta, atividade física e perda de peso podem reduzir o risco de hipertensão. Os resultados também sugerem que a perda dentária pode servir como um sinal clínico de alerta indicativo para o aumento do risco de hipertensão.

Sinal de alerta

“Essas descobertas sugerem que a perda de dentes pode ser um fator importante no desenvolvimento da hipertensão”, disse o autor sênior do estudo, Jean Wactawski-Wende. “Mais pesquisas podem nos ajudar a determinar os mecanismos subjacentes pelos quais essas duas doenças comuns estão associadas”.

Fonte: ScienceDaily

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Má higiene dental pode afetar fertilidade masculina

Se quisermos aumentar as chances de engravidar e gerar uma criança que seja o mais saudável possível, faz sentido que tanto o homem quanto a mulher sejam tão saudáveis ​​quanto possível. Então, isso levanta a questão: a fertilidade masculina pode ser afetada pela má saúde bucal?

A resposta é um SIM definitivo, diz o Dr. Lewis Ehrlich, do Centro Odontológico Holístico de Sydney. Isso pode ser um choque para muitos de nós, já que a boca é tantas vezes vista isolada do resto do corpo. No entanto, com o passar do tempo, estamos vendo muitas conexões entre o modo como sua saúde bucal afeta sua saúde geral.

Inflamação crônica – condição de alto risco

Tomemos a doença gengival para ilustrar esta relação. A doença da gengiva, que é uma das patologias mais comuns em todo o mundo, está ligada a condições como doenças cardíacas, diabetes, derrame e câncer (só para citar algumas). O denominador comum em todas essas condições de saúde é a inflamação crônica. Isso é extremamente prejudicial à saúde, e nossas gengivas (se não estivermos cuidando delas) são um dos locais mais comuns de inflamação crônica no corpo. A redução dos níveis de inflamação de deve ser um dos objetivos se estivermos falando sobre fertilidade e evitando dificuldades com a concepção.

Um estudo recente no Journal of Clinical Periodontology mostrou que altos níveis de placa bacteriana e sangramento nas gengivas são um fator de risco para a baixa motilidade e contagem dos espermatozoides. Para piorar ainda mais a coisa para os homens, um estudo recente no Journal Of Human Reproductive Science mostrou uma correlação clara entre a doença gengival crônica e a disfunção erétil.

Disfunção erétil

“As evidências estabeleceram um link positivo na periodontite crônica e disfunção erétil”, indicaram os resultados. “Também foi sugerido que a periodontite crônica deveria ser considerada fator de risco para a disfunção erétil e o tratamento da periodontite poderia ser útil na melhora da disfunção erétil. A importância da saúde bucal deve ser considerada pelo dentista e pelo médico como uma forma de tratamento preventivo não apenas para a disfunção erétil, mas também doenças sistêmicas mais graves no melhor interesse da saúde do paciente “.

Quando se trata de saúde dental e sua influência sobre a fertilidade masculina e saúde genital, a boa notícia é que grande parte do controle desses problemas potenciais dependem do indivíduo. Seguir estas recomendações do Dr. Ehrlich significa afastar riscos em potencial e ótimas dicas para os seus pacientes:

  • Escove os dentes usando técnica adequada ao menos três vezes por dia durante 2 minutos;
  • Faça uso do fio dental 1 a 2 vezes por dia, certificando-se de passar o fio dental sob as gengivas de forma a evitar a formação de tártaro;
  • Pratique Oil pulling (“bochecho com óleo” em tradução livre), o ideal são 15 minutos;
  • Evite o consumo de carboidratos refinados / processados;
  • Coma alimentos diariamente que sejam sazonais, locais, orgânicos e ricos em ômega-3, vitamina C, D, antioxidantes e fibras;
  • Consultar o dentista para fazer check-ups e realizar profilaxias ao menos a cada 6 meses.

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