relação

Qual a relação entre a menopausa e hipertensão?

menopausa e hipertensão

A perda dentária pode ser o sinal de alerta clínico para a possibilidade do desenvolvimento de hipertensão arterial entre as mulheres após a menopausa.

É o que um estudo publicado no American Journal of Hypertension  sugere pelos resultados apresentados.

O estudo em questão tem o título de “Association of Periodontal Disease and Edentulism With Hypertension Risk in Postmenopausal Women” (Associação da Doença Periodontal e Edentulismo com o Risco de Hipertensão em Mulheres Pós-menopáusicas). É uma pesquisa que envolveu 36.692 mulheres do Women’s Health Initiative-Observational Study , EUA.

O estudo estabelece uma relação direta entre a perda de dentes e o aumento da hipertensão em mulheres pós-menopausa. E com um risco acrescido de 20% , e principalmente em idades mais jovens e com menor Índice da Massa Corporal (IMC).

Sinal de alerta – chegada da menopausa e hipertensão

Com a perda de dentes, as pessoas tendem a ingerir alimentos mais macios e processados. Estas mudanças nos padrões alimentares por si só já podem ser associadas a um maior risco de pressão alta o que explicaria a relação menopausa e hipertensão. A perda de peças dentárias pode assim servir como uma espécie de sinal clínico de alerta para o aumento do risco de hipertensão.

Para quebrar essa triste relação entre menopausa e hipertensão, algumas medidas simples podem ser implementadas. A começar pela melhora da higiene bucal, prática regular de atividade física, adoção de uma dieta mais saudável, perda de peso corporal e monitorização frequente da pressão arterial.

São vários os estudos que apontam para uma relação direta entre a hipertensão e saúde bucal. Um estudo de 2014 do American College of Cardiology – pesquisou a influência da doença periodontal na pressão arterial em pacientes hipertensos já noticiada aqui no blog Dentalis.

Os resultados demonstraram que a pressão arterial era mais elevada em pacientes sujeitos a tratamento para a hipertensão com periodontite do que em pacientes não sujeitos a qualquer tratamento. Quanto maior a severidade da periodontite, maior a resistência à resposta no tratamento da hipertensão.

Hipertensão e outros males

Além da pressão alta, a perda de dentes está associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, AVC e demência.
A relação entre menopausa e hipertensão predispõe também a outros problemas de saúde.
Isso porque a perda de dentes gera consequências. Os alimentos acabam sendo mastigados de forma incompleta e irão causar problemas no estômago. Isso pode ser causa do aparecimento de gastrite e refluxo gastroesofágico numa etapa posterior.
A nível nutricional poderá gerar prejuízos na absorção de nutrientes, e por consequência no metabolismo geral do paciente.

Impacto negativo sobre a estética e o bem estar psicológico

Importante também destacar o impacto que a perda dental poderá ter sobre o componente estético. Como a depressão dos lábios e da região perioral, alterações na fala e de dicção. Isso poderá fazer com que os pacientes sintam inibição em falar, gerando o isolamento social. E como sabemos, o isolamento social, é um dos gatilhos de grande parte dos casos de depressão.

menopausa e hipertensão

A importância crescente da Odontologia

A relação entre menopausa e hipertensão é preocupante. A conexão entre perda dentária e hipertensão é um novo elemento neste mosaico de problemas.
Problemas esses muitas vezes ignorados pela classe médica que, apesar de alertada pelos dentistas, não leva em conta a relevância que uma boa saúde bucal tem para a saúde geral do paciente.
A relação entre problemas de saúde bucal e patologias diversas tem sido a cada dia mais comprovada por diversos estudos.

Observa-se cada vez mais pacientes polimedicados para múltiplas e diversas doenças.

Especialmente em casos assim seria importante a criação de equipes multidisciplinares. O dentista tem um papel fundamental na prevenção e tratamento.

Doenças oncológicas e sistêmicas, problemas cardiovasculares e outros mais têm uma relação direta com o estado da saúde bucal do paciente.

Em muitos casos um tratamento odontológico prévio deveria ser iniciado antes mesmo do tratamento específico de outras patologias.
A relação menopausa e hipertensão é apenas mais uma peça neste quadro cada vez mais complexo ligando a saúde bucal e seus reflexos sobre a saúde do corpo.
O compartilhamento de informações entre médicos e dentistas se mostra fundamental para o sucesso do tratamento. E deveria, assim, ser mais efetiva. Importante também que sejam criados programas de saúde pública adequados para mulheres na menopausa e pós-menopausa.

Riscos associados à saúde bucal de mulheres após a menopausa

As mulheres depois da menopausa estão sujeitas a diversas alterações metabólicas importantes com impactos na saúde bucal.

São alterações que se manifestam em doenças sistêmicas e vasculares.

Condições como boca seca, percepção alterada e sensação queimação (refluxo) são consequências destas doenças sistêmicas. Ou resultado da ingestão de medicamentos para as mesmas. Estudos indicam uma diminuição da secreção salivar, com alterações na viscosidade e no pH da saliva total com relação direta nas alterações orais, desenvolvendo distúrbios na mucosa oral, sendo a xerostomia um achado frequente.

Há ainda que considerar a diminuição da produção de estrogênios. O que trará impacto sobre o metabolismo ósseo, potencializando a osteoporose.
Medicamentos utilizados no tratamento da osteoporose têm um efeito prejudicial na cavidade oral. Podem provocar ou aumentar a osteonecrose óssea, denominada osteonecrose dos maxilares. Isso tem especial relevância para pacientes candidatos à implante dentário.

Fontes: American Journal of Hypertension, SaúdeOral
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Antibióticos e problemas cardíacos: pode ter relação?

antibióticos e problemas cardíacos

Uma ligação entre uma classe de antibióticos e problemas cardíacos foi descoberta por pesquisadores.

É o que aponta um estudo recente publicado no Journal of American College of Cardiology.
É resultado do trabalho de pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC). Em parceria com a Unidade de Avaliação Terapêutica da Provincial Health Services Authority (PHSA),
Eles descobriram um grave problema com os usuários atuais de antibióticos da classe da fluoroquinolona, como a Ciprofloxacina. Eles apresentam um risco 2,4 vezes maior de desenvolver regurgitação aórtica e mitral, onde o sangue flui para o coração. Isso em comparação com pacientes que tomam amoxicilina, um tipo diferente de antibiótico. O maior risco se estende pelo período de 30 dias após o uso.

Estudos recentes também associaram a mesma classe de antibióticos a problemas cardíacos outros.

Alguns profissionais da saúde preferem as fluoroquinolonas a outros antibióticos. Isso devido ao seu amplo espectro de atividade antibacteriana. E também pela sua alta absorção oral, que é tão eficaz quanto o tratamento endovenoso.

Classe de antibióticos e problemas cardíacos

Essa classe de antibióticos é muito conveniente (1 comprimido/dia). Mas para infecções comunitárias não são realmente necessárias. A prescrição inadequada pode causar resistência a antibióticos e também problemas cardíacos graves.

Os pesquisadores esperam que o estudo ajude a alertar os profissionais de saúde para a gravidade dessa descoberta. Isso quando do surgimento de problemas cardíacos em pacientes sem nenhuma outra origem estabelecida. Os antibióticos da classe das fluoroquinolonas podem ser a causa em potencial.

Um dos principais objetivos da Unidade de Avaliação Terapêutica é avaliar diferentes medicamentos e tecnologias de saúde. Isso para determinar se eles melhoram a qualidade dos cuidados prestados pelos programas ou melhoram os resultados dos pacientes. É o que afirma um dos chefes da equipe de pesquisa.

Importância do cuidado na prescrição de antibióticos

Este estudo destaca o grande cuidado que se deve ter ao se prescrever antibióticos.
Especialmente a partir de agora que foi estabelecido um elo entre uma classe de antibióticos e problemas cardíacos graves.

O estudo

Nesse estudo os cientistas analisaram dados do sistema de relatórios adversos da Food and Drug Administration dos EUA.
Eles também analisaram um enorme banco de dados de saúde de seguros privados nos EUA. Foram catalogados dados demográficos, identificação de medicamentos, dose prescrita e duração do tratamento.

Os pesquisadores identificaram 12.505 casos de insuficiência valvar com 125.020 indivíduos controle caso em uma amostra aleatória de mais de nove milhões de pacientes. Eles definiram a exposição atual à fluoroquinolona como uma prescrição ativa ou 30 dias antes do evento adverso. A exposição recente nos dias 31 a 60 dias. E a exposição passada nos 61 a 365 dias antes de um incidente.
Os cientistas compararam o uso de fluoroquinolona com amoxicilina e azitromicina.

Os resultados

Os resultados mostraram que o risco de regurgitação aórtica e mitral, refluxo sanguíneo no coração, é maior com o uso atual, seguido pelo uso recente. Eles não viram aumento do risco de regurgitação aórtica e mitral com uso passado.

Novos estudos são aguardados

Se novos estudos vierem a confirmar a conexão entre essa classe de antibióticos e problemas cardíacos, providências terão de ser tomadas.
Alertas deverão então ser adicionados ao risco do aparecimento de regurgitação aórtica e mitral.
Nesses casos, os profissionais de saúde serão recomendados a optar por outros antibióticos.
Ou seja, outras classes de antibióticos como primeira linha de defesa para infecções não complicadas.

Já sabíamos que infecções odontogênicas aumentam o risco de doenças cardíacas.
Agora também surge o fantasma do risco atrelado a uma classe de antibióticos e problemas cardíacos decorrentes de seu uso.

Assim que obtivermos acesso a novos dados científicos relacionado a esse tema, estaremos divulgando a todos aqui no blog Dentalis.

Fonte: ScienceDaily
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Doença periodontal associada à pressão alta

doença periodontal

A doença periodontal pode ser didaticamente divida em três estágios. Desde o menos grave (gengivite), passando pela periodontite, até o mais avançado, a periodontite avançada.

Mais e mais evidências indicam que a doença periodontal aumenta o risco de outras condições de saúde, incluindo hipertensão.

Uma nova revisão da literatura reforça essa tese. Os dados indicam que quanto mais avançado o estágio da doença periodontal, maior o risco de hipertensão.

É o que revelam dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano, o CDC.

Segundo o CDC, 47,2% das pessoas com 30 anos ou mais apresentam alguma forma de doença periodontal. Cerca de 32% de todos os adultos nos Estados Unidos têm pressão alta.

As duas condições podem dar a impressão de não estarem relacionadas. No entanto, estudos recentes reforçam a ideia da ligação entre doença periodontal e pressão alta.

Doença periodontal e pressão alta

Uma revisão recente da literatura trouxe uma importante confirmação.
Ou seja, as evidências apontam que pessoas com periodontite tem maior risco para o desenvolvimento se pressão alta.

Além disso, dados publicados na revista Cardiovascular Research, quanto mais severa a periodontite, maior o risco de hipertensão.

Periodontite, pressão alta, ataques cardíacos e derrames

Pacientes com periodontite podem desenvolver pressão alta. Hipertensão, por sua vez, pode ser a causa de ataques cardíacos e derrames.

Pesquisas anteriores já indicavam uma conexão entre doença periodontal e pressão alta. Igualmente também sugeriam que o tratamento odontológico poderia ajudar no controle da pressão arterial. No entanto, até o momento os resultados são inconclusivos.

Associação direta

Os pesquisadores revisaram e analisaram as evidências apresentadas por 81 estudos de 26 países.
A pesquisa sugeriu que a pressão arterial média tende a ser significativamente maior em indivíduos com doença periodontal.

No detalhe, a pressão arterial sistólica e diastólica apresentaram elevação.
Mais elevada em 4,5 milímetros de mercúrio e 2 mm Hg mais altos, respectivamente, naqueles com doença periodontal do que naqueles sem ela.
A pressão sistólica é aquele verificada durante os batimentos cardíacos. Já a pressão diastólica é aquela observada entre os batimentos cardíacos.

25% maior risco de morte

Essas diferenças não são nada desprezíveis.
Um aumento médio da pressão arterial de 5 mm Hg estaria associado a um risco 25% maior de morte por ataque cardíaco ou derrame.

Grau mais elevado de doença periodontal – maior o risco

Os pesquisadores identificaram uma associação entre doença periodontal com um risco 22% maior para o aparecimento de pressão alta.
Ao mesmo tempo verificaram que a periodontite avançada apresentava um risco 49% maior para o desenvolvimento de hipertensão.

Observa-se uma associação linear. Ou seja, quanto mais grave o grau de doença periodontal, maior a probabilidade de hipertensão.

Os resultados sugerem que os pacientes com doença periodontal devam ser informados sobre a existência desse risco.
Ao mesmo tempo devem ser aconselhados a realizar mudanças em seu estilo de vida de forma a evitar a pressão alta. A prática regular de exercícios físicos combinados a uma dieta saudável são altamente recomendáveis.

doença periodontal

Tratamento da doença periodontal poderia diminuir a pressão arterial?

Os pesquisadores também queriam ver se havia alguma evidência de uma correlação entre o tratamento da doença periodontal e uma redução na pressão sanguínea.

Apenas cinco dos 12 estudos intervencionistas incluídos na revisão verificaram que o tratamento da doença gengival parecia resultar em uma diminuição da pressão arterial.

As evidências, sobre esse aspecto específico, permanecem inconclusivas.

Parece haver conexão entre a saúde bucal e a pressão arterial. Ligação esta observada tanto em estados saudáveis e doentes. No entanto, a hipótese de que terapia da doença periodontal possa reduzir a pressão arterial depende de mais estudos e comprovações.

A inflamação é o elo que falta?

Os pesquisadores acreditam que a inflamação pode estar no centro do elo intrigante entre a saúde bucal e a cardiovascular.
A hipótese de que as bactérias orais responsáveis pela doença periodontal poderiam desencadear essa inflamação, que, por sua vez, tornaria a hipertensão, o elo mais provável.

Outra explicação possível pode ser a presença de certas características genéticas.
E ainda, a exposição a fatores de risco comuns tanto à doença periodontal quanto à hipertensão, como hábito de fumar ou obesidade.

Em muitos países do mundo, a saúde bucal não é verificada regularmente. É onde a doença periodontal pode permanecer sem tratamento por muitos anos.
A hipótese é que essa situação de inflamação bucal e sistêmica e resposta a bactérias se acumule sobre os fatores de risco existentes.

Doença periodontal pode gerar pressão alta, ou seria o contrário?

Até o momento se supõe que a doença periodontal possa ser um fator de risco para a pressão alta.
No entanto, a relação pode existir de maneira inversa. Ou seja, a hipertensão pode ser um fator de risco para essa doença bucal.

Mais pesquisas são necessárias para verificar se os pacientes com pressão alta têm uma probabilidade aumentada de doença periodontal.

Parece prudente fornecer conselhos de saúde bucal para os hipertensos “, observa o pesquisador sênior.

O que é consenso entre os especialistas

Está claro que mais pesquisas são necessárias para examinar se os pacientes com pressão alta têm uma probabilidade aumentada de doença periodontal.
Desde já, no entanto, é recomendável reforçar a importância dos cuidados com a saúde bucal entre os hipertensos.

A pressão alta atinge 1 bilhão de pessoas no mundo todo. É um triste e preocupante quadro que dados recentes revelam.

Esse é um tema que muito nos preocupa aqui no Dentalis. Já alertamos os leitores de nosso blog em uma matéria anterior sobre essa preocupante relação entre a doença periodontal e hipertensão.

Em nosso próximo post vamos trazer uma matéria com 15 dicas simples de como manter baixa a sua pressão arterial.
Convidados você a ficar sintonizado com tudo o que acontece no blog Dentalis.

Fonte: MedicalNewsToday,

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Periodontite e o risco de impotência masculina

impotência sexual masculina

A periodontite e o risco de impotência sexual masculina vem sendo avaliada por pesquisadores da Universidade de Granada, Espanha
O estudo em questão relaciona a higiene oral e suas repercussões sobre a saúde dos vasos sanguíneos penianos.
Os dados preliminares dessa pesquisa trazem uma descoberta de grande importância.
Ao que parece os vasos sanguíneos penianos sofrem os efeitos prejudiciais da periodontite anteriormente aos vasos coronarianos.

Os primeiros resultados desse trabalho foram publicados na Journal of Clinical Periodontology. Um outro estudo de 2017 já apontou essa relação.

Periodontite e o risco de impotência sexual masculina – o estudo

O estudo na condição de caso controle foi realizado com 158 pacientes do sexo masculino.
Desse total, 80 casos com disfunção erétil (impotência) e 78 pacientes controle. Testosterona, perfil lipídico, proteína C reativa e parâmetros glicêmicos foram avaliados. Todas as variáveis foram comparadas entre os grupos e foram realizadas análises de regressão.
74% dos pacientes com impotência apresentavam sintomas de periodontite. E aqueles que sofriam de impotência em maior grau, apresentavam também mais lesões periodontais.

impotência sexual masculina

Boa higiene oral é fundamental

O estudo salientou a importância da higiene oral para prevenção da impotência sexual masculina.
O risco apontado pela pesquisa é elevado. Pacientes com periodontite têm 2,28 vezes mais chances de vir a desenvolver impotência sexual masculina. Isso na comparação com pacientes com gengivas saudáveis.

A periodontite a cada dia mais vem sendo associada a outras patologias.

Concluindo

Embora o estudo em questão ainda não tenha terminado, as evidências são claras e fortes.
Pacientes com periodontite e impotência sexual masculina apresentaram pior condição periodontal. A periodontite crônica parece desempenhar um papel fundamental nesse processo.
A periodontite pode ser um fator gerador da impotência sexual masculina. E isso, independente de outras doenças.

O que de fato é a impotência sexual masculina

A impotência sexual masculina (disfunção erétil) é a incapacidade de obter ou manter uma ereção firme o suficiente para ter relações sexuais. A impotência sexual masculina ocasional não é incomum. Muitos homens a vivenciam durante períodos de estresse. A impotência sexual masculina frequente pode ser um sinal de problemas de saúde. Requer atenção e tratamento.
Também pode ser um sinal de problemas emocionais ou de relacionamento que requerem tratamento e atenção profissional.
Nem todos os problemas sexuais masculinos são causados devido à impotência.
Outros tipos de problemas sexuais masculinos incluem: ejaculação precoce, atraso ou ejaculação ausente ou falta de interesse em sexo.

Quais os principais sintomas da impotência sexual masculina

O homem pode estar com impotência sexual quando:

  • Tiver problemas para obter uma ereção;
  • Tiver dificuldades em manter uma ereção;
  • Interesse reduzido em sexo.

Outros problemas sexuais relacionados à impotência:

  • Ejaculação precoce;
  • Ejaculação atrasada;
  • Anorgasmia. Ou seja, a incapacidade de atingir o orgasmo após estimulação.

Diante da manifestação de um ou mais desses sintomas uma ajuda médica deve ser procurada. Especialmente se os sintomas se mantiverem por dois ou mais meses. A consulta médica poderá elucidar a causa original do problema e buscar o tratamento específico.

O que pode provocar a impotência sexual masculina

Além da periodontite crônica, existem outras doenças e condições que podem predispor os homens à impotência sexual:

  • Doenças cardiovasculares;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Hiperlipidemia (colesterol e triglicerídeos elevados);
  • Problemas causados por câncer ou cirurgia (especialmente câncer de próstata);
  • Lesões;
  • Obesidade ou sobre peso;
  • Idade avançada;
  • Estresse e/ou ansiedade;
  • Problemas de relacionamento;
  • Abuso de drogas;
  • Alcoolismo;
  • Tabagismo.

A impotência sexual masculina pode ser causada por apenas um desses fatores ou vários. É por isso que é importante buscar orientação médica para que se possa isolar e tratar o problema.

Fisiologia sexual masculina

A ereção é o resultado do aumento do fluxo sanguíneo pênis.
O fluxo sanguíneo é geralmente estimulado por pensamentos sexuais ou contato direto com o pênis.
Quando um homem fica excitado sexualmente, os músculos do pênis relaxam. Esse relaxamento permite aumentar o fluxo sanguíneo através das artérias penianas. Esse sangue preenche duas câmaras no interior do pênis chamadas corpos cavernosos. À medida que as câmaras se enchem de sangue, o pênis fica rígido. A ereção termina quando os músculos se contraem e o sangue acumulado pode fluir pelas veias penianas. A impotência sexual masculina pode ocorrer devido a problemas em qualquer estágio do processo de ereção.
Por exemplo, as artérias penianas podem estar danificadas demais para abrir adequadamente e permitir a entrada de sangue.

A questão idade

Até 30 milhões de homens americanos são afetados por impotência sexual.
A prevalência da impotência aumenta com a idade. A impotência afeta:

  • 12% dos homens com menos de 60 anos;
  • 22% dos homens na faixa dos 60 anos;
  • 30% dos homens com 70 anos ou mais.

Como se pode ver o risco de impotência aumenta com a idade. No entanto, a impotência não é inevitável à medida que o homem envelhece. Pode ser mais difícil conseguir uma ereção com a idade, mas isso não significa necessariamente que o homem se tornará impotente.
Em geral, quanto mais saudável o homem é, melhor será sua função sexual.

A impotência também pode ocorrer entre homens mais jovens.
Um estudo de 2013 verificou que um em cada quatro homens que procuravam o primeiro tratamento para impotência tinham menos de 40 anos.

Os pesquisadores encontraram uma correlação mais forte entre tabagismo e uso de drogas ilícitas e impotência em homens com menos de 40 anos do que entre homens mais velhos. Isso sugere que as escolhas de estilo de vida podem ser o principal fator contribuinte para a impotência em homens mais jovens.

Uma outra pesquisa fez descobertas interessantes sobre homens com impotência abaixo dos 40 anos de idade. Nesses casos verificou-se que o tabagismo era um fator para a impotência entre 41% dos homens desse público alvo. O diabetes foi o segundo fator de risco mais comum.
Estava ligado à impotência em 27% dos homens com menos de 40 anos.

Mudanças no estilo de vida podem ajudar

Hábitos de vida saudáveis e mudanças no estilo de vida podem evitar a impotência sexual, e em algumas situações, reverter a condição:

  • Exercitar-se regularmente;
  • Manter a pressão arterial controlada;
  • Alimentar-se de forma equilibrada e nutritiva;
  • Manter um peso corporal saudável;
  • Evitar o álcool em excesso;
  • Evitar o cigarro;
  • Reduzir o estresse.
Fontes: NCBI, healthline
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Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

Câncer de fígado pode ter relação com má saúde bucal

câncer de fígado

O Câncer de fígado pode ter ligação com uma má saúde bucal. É o que um grande estudo recente realizado no Reino Unido apresentou evidências. Pessoas que apresentam gengivas doloridas, com sangramento ou com dentes soltos tinham um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado.

Estudos anteriores já haviam estabelecido que gengivas e dentes que estão com problemas de saúde são um fator de risco para várias condições de longo prazo, incluindo acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, diabetes e alguns tipos de câncer.

Os cânceres do sistema digestivo ou gastrointestinal são um importante problema de saúde pública mundial.

Os autores citam um estudo global que estimou que aproximadamente 28% dos novos casos de câncer e 37% das mortes por câncer foram causados por câncer gastrointestinal em 2018.

O número de pessoas com câncer digestivo está aumentando. Populações envelhecidas e aumentos em “certos fatores de risco ambientais e comportamentais” estão entre os possíveis motivos.

Alguns estudos anteriores ligaram a má saúde bucal a cânceres do sistema digestivo. No entanto, até que ponto o tabagismo, a nutrição e o uso de álcool podem influenciar essa relação ainda não estão claros.

Estudo analisou cânceres do sistema digestivo

Os cânceres do sistema digestivo incluem, por exemplo aqueles de esôfago, estômago, intestino delgado, reto, ânus, ductos biliares e pâncreas.

Neste estudo, os pesquisadores incluíram os cânceres de órgãos digestivos que a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou na 10ª revisão dos códigos de classificação da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) Versão 2016 C15 – C26.

Grande amostragem

Eles utilizaram dados do projeto Biobank do Reino Unido.

A equipe não incluiu indivíduos que relataram detalhes insuficientes sobre sua saúde bucal. E também aqueles que tinham histórico de câncer quando entraram no projeto.

Ao todo, a análise levou dados sobre 469.628 pessoas. Dentre essas, 4.069 desenvolveram câncer gastrointestinal durante um acompanhamento médio de 6 anos.

Dos indivíduos que desenvolveram câncer digestivo, 13% relataram ter má saúde bucal no início do período de estudo.

A partir das outras informações que os participantes deram, os pesquisadores descobriram que aqueles que relataram problemas de saúde bucal eram mais propensos a ter obesidade e serem mulheres, ter idade mais jovem e “viver em áreas socioeconômicas desfavorecidas”. Eles também eram menos propensos a serem não-fumantes e comer mais de duas porções diárias de frutas e legumes.

Os pesquisadores definiram a saúde bucal como “gengivas doloridas, sangramento nas gengivas e / ou com dentes soltos”. Eles rastrearam a incidência de câncer gastrointestinal através de registros de câncer.

Má saúde bucal e o risco de câncer de fígado

A análise não encontrou nenhuma ligação entre a saúde bucal e o risco global de câncer gastrointestinal.

No entanto, quando examinaram os cânceres de órgãos específicos, encontraram ligações entre a má saúde bucal e os cânceres hepatobiliares. Esses cânceres são aqueles que ocorrem no fígado, na vesícula biliar ou nos ductos biliares.

A mais forte dessas ligações foi com o carcinoma hepatocelular, o mais comum dos cânceres adultos que começam no fígado.

A análise mostrou que ter má saúde bucal estava ligada a um risco 75% maior de desenvolver câncer de fígado hepatocelular.

Segundo a American Cancer Society (ACS), a incidência de câncer de fígado nos Estados Unidos “mais do que triplicou desde 1980“.

Os ACS estimam que nos EUA, os médicos diagnosticarão cerca de 42.030 pessoas com cânceres que começam no fígado e perto de 31.780 pessoas morrerão dessas doenças durante 2019.

Ligação má saúde bucal e câncer de fígado – ainda não está clara

O pesquisador líder e seus colegas afirmam que os cientistas não sabem ao certo por que a saúde bucal deficiente pode ter uma ligação tão forte com o câncer de fígado e não com outros tipos de câncer no sistema digestivo.

Eles sugerem que as bactérias do intestino podem oferecer uma explicação. “O fígado”, explica o pesquisador, “contribui para a eliminação de bactérias do corpo humano”.

Talvez, quando doenças como cirrose, câncer e hepatite atinjam o fígado, elas prejudicam sua função, o que, por sua vez, resulta em bactérias que vivem mais e potencialmente causam mais danos.

Existe uma bactéria chamada Fusobacterium nucleatum que habita a boca, mas os cientistas ainda não sabem se ela desempenha um papel no câncer de fígado.

Mais estudos investigando o microbioma e câncer de fígado são, portanto, necessários.

Tudo o que você precisa saber sobre câncer de fígado

O câncer de fígado é um tipo de câncer que começa no fígado. Alguns tipos de câncer se desenvolvem fora do fígado e se espalham para a área. No entanto, apenas os cânceres que começam no fígado são descritos como câncer de fígado.

O fígado, localizado abaixo do pulmão direito e sob a caixa torácica, é um dos maiores órgãos do corpo humano. Ele tem uma gama de funções, incluindo a remoção de toxinas do corpo, e é crucial para a sobrevivência.

O câncer de fígado consiste na presença de tumores hepáticos malignos dispersos na superfície ou internamente no fígado.

Nos Estados Unidos, cerca de 22.000 homens e 9.000 mulheres são diagnosticados com câncer de fígado a cada ano. É fatal em cerca de 17.000 homens e 8.000 mulheres anualmente.

Câncer de fígado – taxa de sobrevivência

  • O câncer de fígado tem uma baixa taxa de sobrevivência;
  • Os principais fatores de risco incluem ingestão excessiva de álcool, hepatite e diabetes;
  • Os sintomas geralmente não aparecem até que o câncer se apresente em estágio avançado;
  • Opções de tratamento para câncer de fígado incluem cirurgia e transplante de fígado.

Câncer de fígado – principais sintomas

O câncer de fígado é extremamente grave, e os sintomas muitas vezes não são óbvios até um estágio avançado da doença.

Câncer de fígado pode desencadear os seguintes efeitos:

  • icterícia;
  • dor abdominal;
  • perda de peso inexplicada;
  • um fígado aumentado;
  • fadiga;
  • náusea;
  • vômito;
  • dor nas costas;
  • coceira;
  • febre.

Câncer de fígado – estágios da doença

Estágios

O câncer de fígado é categorizado em quatro etapas:

  • Estágio I: O tumor está no fígado e não se espalhou para outro órgão ou localização;
  • Estágio II: Existem vários pequenos tumores que permanecem no fígado, ou um tumor que atingiu um vaso sanguíneo;
  • Estágio III: Existem vários tumores grandes ou um tumor que atingiu os principais vasos sanguíneos. O câncer também pode ter atingido a vesícula biliar;
  • Estágio IV: O câncer tem metástase. Isso significa que se espalhou para outras partes do corpo.

Uma vez que o estágio tenha sido encontrado, um curso de tratamento pode ser iniciado.

Câncer de fígado – tratamento

Para as pessoas que têm câncer de fígado em estágio inicial passíveis de tratamento, apenas uma cirurgia que remova completamente os tumores levará a uma chance de recuperação.

São opções cirúrgicas:

Hepatectomia parcial

Quando o tumor é pequeno e ocupa uma pequena parte do fígado, essa parte do fígado pode ser removida cirurgicamente.

No entanto, nos EUA, muitas pessoas com câncer de fígado têm cirrose. Isso significa que a hepatectomia precisa deixar tecido saudável suficiente para o fígado desempenhar suas funções necessárias após o procedimento.

Pode ser decidido durante a cirurgia que este não será o caso. Assim, o procedimento pode ser cancelado até a metade se o risco para o paciente for considerado muito grande.

A hepatectomia parcial é considerada apenas para pessoas com função hepática saudável. Este procedimento muitas vezes não é uma opção, pois o câncer se espalhou para outras partes do fígado ou outros órgãos do corpo.

A cirurgia hepática dessa escala pode levar a sangramentos excessivos e problemas de coagulação do sangue, além de infecções e pneumonia.

Transplante de fígado

Os candidatos a um transplante de fígado não podem ter um tumor maior que 5 cm ou vários tumores maiores que 3 cm. O risco de o câncer retornar é grande demais para justificar um procedimento tão arriscado quanto um transplante se o tumor for maior do que isso.

Com um transplante bem-sucedido, o risco de retorno do câncer é bastante reduzido e a função normal pode ser restaurada.

No entanto, o sistema imunológico pode “rejeitar” o novo órgão, atacando-o como um corpo estranho, e há oportunidades limitadas de realizar transplantes. Apenas cerca de 6.500 fígados estão disponíveis a cada ano nos EUA, e muitos são usados ​​para tratar outras doenças além do câncer de fígado.

As drogas que suprimem o sistema imunológico para acomodar um novo fígado também podem levar a infecções graves e, às vezes, até mesmo à disseminação de tumores já metastatizados.

Câncer de fígado em estágios avançados – opções de tratamento

O câncer de fígado avançado tem uma taxa de sobrevivência extremamente baixa.
No entanto, há passos que uma equipe médica pode tomar para tratar os sintomas do câncer e retardar o crescimento do tumor.

  • Terapia ablativa: Substâncias são injetadas diretamente no tumor, como o álcool. Lasers e ondas de rádio também podem ser usados.
  • Radioterapia: A radiação é direcionada ao tumor ou tumores, matando um número significativo deles. Os pacientes podem sentir náuseas, vômitos e fadiga.
  • Quimioterapia: Medicamentos são injetados no fígado para matar as células cancerígenas. Na quimioembolização, o suprimento sanguíneo para o tumor é bloqueado cirurgicamente ou mecanicamente, e drogas anticâncer são administradas diretamente no tumor.
  • Voluntário para estudos clínicos: quando os ensaios chegam ao estágio humano, são chamados de ensaios clínicos. O paciente pode perguntar ao seu médico se há algum disponível em que possa participar.

As opções de tratamento podem variar, dependendo do tipo de câncer de fígado.

Câncer de fígado – Outras causas

Pessoas com diabetes que bebem quantidades excessivas de álcool enfrentam um risco aumentado de câncer de fígado.

A causa exata do câncer de fígado não é conhecida.

No entanto, a maioria dos casos está ligada à cicatrização do fígado, também conhecida como cirrose.

De acordo com a American Cancer Society, a hepatite C é a causa mais comum de câncer de fígado nos EUA.

As pessoas com hepatite B ou C têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de fígado do que outros indivíduos saudáveis. Ambas as formas da doença podem resultar em cirrose.

Algumas doenças hepáticas hereditárias, como a hemocromatose, causam cirrose e também aumentam o risco de câncer hepático.

Outros fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de fígado incluem:

  • Diabetes tipo 2: Pessoas com diabetes, especialmente se também têm hepatite, ou consomem muito álcool, têm maior probabilidade de desenvolver câncer de fígado;
  • História familiar: Se um parente direto apresentar câncer de fígado, a pessoa corre um risco maior do que os outros de desenvolver o câncer por conta própria;
  • Consumo excessivo de álcool: Consumir álcool regularmente e em quantidades excessivas é uma das principais causas de cirrose nos EUA;
  • Exposição a longo prazo às aflatoxinas: A aflatoxina é uma substância produzida por um fungo. Pode ser encontrado em trigo mofado, amendoim, milho, nozes, soja e amendoim. O risco de câncer de fígado aumenta apenas após a exposição a longo prazo;
  • Baixa imunidade: Pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos, como aqueles com HIV / AIDS, têm um risco de câncer de fígado que é cinco vezes maior do que outros indivíduos saudáveis;
  • Obesidade: Ser obeso aumenta o risco de desenvolver muitos tipos de câncer, incluindo câncer de fígado.
  • Gênero: uma porcentagem maior de homens tem câncer de fígado em comparação com as mulheres. Alguns especialistas acreditam que isso não se deve ao gênero, mas às características do estilo de vida. Em média, os homens tendem a fumar e a beber mais do que as mulheres.
  • Tabagismo: Indivíduos com hepatite B ou C enfrentam um risco maior de câncer de fígado se fumarem.
  • Arsênico: As pessoas que dependem de poços de água que contêm níveis naturais do arsênio considerados tóxicos podem ter um risco significativamente maior de desenvolver várias condições ou doenças, incluindo câncer de fígado.

Concluindo

Indivíduos de alto risco para câncer de fígado devem fazer exames regulares para câncer de fígado. O câncer de fígado, se não diagnosticado precocemente, é muito mais difícil de curar. A única maneira de saber se alguém tem câncer de fígado no início é através da triagem, porque os sintomas são leves ou inexistentes.

Isso inclui pessoas com hepatite B e C, pacientes com cirrose relacionada ao álcool e aqueles com cirrose como resultado da hemocromatose.

Fontes: Medical News, Medical
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Antidepressivos e o bruxismo: veja a relação entre eles aqui

antidepressivos e o bruxismo

Antidepressivos e o bruxismo parecem ter uma estreita relação. É o que um estudo recente demonstra.

Você recebe em seu consultório a sua paciente de longa data para o seu check-up semestral regular.

Você percebe o desgaste em seus dentes anteriores, os caninos achatados de seus posteriores e as rachaduras do esmalte. Você conversa com ela sobre o seu hábito de morder e lembra o perigo de ranger os dentes à noite durante o sono. São sinais evidentes de que a paciente está sofrendo de bruxismo.

Então ela pergunta: “O aperto de mandíbula e o ranger de dentes podem ser causados por medicação?”

Seu farmacêutico mencionou que poderia ser. Ela acha que o bruxismo só foi um problema desde que ela começou seu antidepressivo. Afinal, antidepressivos e o bruxismo tem alguma ligação?

O bruxismo é uma condição muitas vezes diagnosticada nos consultórios odontológicos.

Porém, o que um artigo recente da Australian Dental Association veio mostrar é que os antidepressivos e o bruxismo estão mesmo relacionados. O fato é que o bruxismo tende a não melhorar enquanto o paciente não cessar o uso da medicação ou, pelo menos, a reduzir.

Um artigo anterior aqui no blog já apresentou uma relação curiosa entre o uso de antidepressivos e a maior incidência de falhas em implantes dentários.

Antidepressivos potencialmente causadores de bruxismo

O bruxismo é definido como “uma atividade repetitiva da mandíbula-músculo caracterizada por apertamento ou ranger dos dentes. Apresenta duas manifestações circadianas distintas: durante o sono (bruxismo do sono) e durante a vigília (bruxismo acordado).

A incidência de bruxismo foi relatada como variando de 14 a 20% em crianças, e aproximadamente 19% em adultos.

As consequências clínicas do bruxismo incluem hipertrofia do músculo da mandíbula; erosão, fratura e falha de dentes, restaurações e implantes; sensibilidade e dor nos dentes, músculos, articulações e deslocamento do disco da articulação temporomandibular.

A causa específica determinante do bruxismo ainda não é bem compreendida. Existem vários fatores de risco identificados. São eles abuso do álcool, drogas recreativas, medicamentos, tabaco, má oclusão, altos níveis de ansiedade e distúrbios psiquiátricos. A relação entre o uso de antidepressivos e o bruxismo é uma descoberta recente.

Antidepressivos e o bruxismo – relação de medicamentos

O uso de antidepressivos e o bruxismo se apresenta mais fortemente associado a determinados fármacos. Os mais comuns são os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS).

Fazem parte do grupo dos ISRSs o citalopram, escitalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina. São usualmente prescritos para ansiedade e depressão. Foram relatados em vários estudos como causadores de bruxismo iatrogênico*, provavelmente devido a seus efeitos anti-serotoninérgicos e antidopaminérgicos.
* Iatrogenia é uma doença com efeitos e complicações causadas como resultado de um tratamento médico.

Os Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) atomoxetina, venlafaxina e duloxetina também foram associados ao bruxismo.

Uma revisão sistemática recente mostrou que os medicamentos com maiores chances de causarem bruxismo foram fluoxetina, venlafaxina e sertralina.

O tempo médio de início do bruxismo foi de três a quatro semanas ou no escalonamento da dose.
No entanto, relatos de casos sugerem que o efeito pode ocorrer desde a primeira dose.

Tanto os antipsicóticos típicos quanto os antipsicóticos atípicos podem causar movimentos involuntários na região orofacial, incluindo bruxismo, distonia orofacial e discinesia oromandibular. Evidências de surgimento de bruxismo também se mostraram associadas ao medicamento atomoxetina. A atomoxetina é usada para o tratamento do transtorno de deficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O bruxismo induzido por medicação é pouco reconhecido na odontologia.
Os dentistas devem conhecer quais medicamentos contribuem para essa condição.

Uma vez que as evidências de bruxismo se apresentem em pacientes em tratamento com essas medicações providências precisam ser tomadas. O manejo deve incluir a consulta com o médico prescritor para que a dose da medicação seja reduzida ou interrompida.
Antidepressivos associados ao bruxismo estão listados a seguir:

  • Antidepressivos: Citalopram, Duloxetina, Escitalopram, Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina, Sertralina, Venlafaxina;
  • Antipsicóticos: Clorpromazina, Flufenazina, Haloperidol;
  • Medicamentos utilizados para tratar o TDAH: Atomoxetina

antideressivos e o bruxismo

Discinesia tardia induzida por drogas

Discinesia tardia é uma condição que afeta o sistema nervoso, muitas vezes causada pelo uso em longo prazo de alguns medicamentos psiquiátricos.
As discinesias tardias são movimentos anormais persistentes e involuntários que podem envolver a face, cabeça, pescoço, membros e tronco.

As discinesias oro bucofaciais são aquelas envolvendo a face, mandíbula, lábios e língua. São essas que frequentemente são a primeira manifestação da discinesia e a forma mais comum.

Geralmente, apresentam-se como movimentos labiais, movimentos rápidos de piscar de olhos e movimentos não coordenados da língua.

As discinesias tardias podem ser estigmatizantes para os pacientes. Podem afetar negativamente tanto a adesão à medicação quanto a qualidade de vida.

Se a medicação implicada não for interrompida prontamente, os sintomas da discinesia tardia podem persistir por muito tempo após a interrupção da medicação ou se tornarem permanentes.
Acredita-se que a fisiopatologia das discinesias decorre de drogas que bloqueiam os receptores centrais de dopamina ao longo das vias dopaminérgicas. Embora outros neurotransmissores possam estar envolvidos.

A discinesia tardia não está associada à dor. Porém, a dor orofacial pode surgir de um trauma causado por movimentos anormais entre próteses e uma mucosa protetora.

Medicamentos antipsicóticos associados ao bruxismo

No passado, os antipsicóticos eram os medicamentos mais frequentemente associados à discinesia tardia devido ao seu bloqueio central dos receptores de dopamina.

Nos últimos 10 a 20 anos foram desenvolvidos antipsicóticos mais seletivos e melhor tolerados, como a ziprasidona, a lurasidona e o aripiprazol. A discinesia tardia agora raramente ocorre com essa classe de medicamentos. Porém eles ainda apresentam um pequeno risco de causar discinesias.

Esses medicamentos são classificados como antipsicóticos. Porém, ao longo dos anos suas indicações se expandiram. Atualmente são utilizados no tratamento de condições como transtorno bipolar, ansiedade, mania, abstinência de álcool, distúrbios comportamentais na demência e autismo.

Metoclopramida

A conhecida metoclopramida é um antagonista potente do receptor central da dopamina-2. Pode causar uma variedade de distúrbios extrapiramidais, sendo a discinesia tardia a mais comum.

A discinesia tardia é sempre um efeito tardio induzido por drogas, geralmente aparecendo meses a anos após o início do tratamento. O risco de discinesia tardia para a metoclopramida aumenta com a dose cumulativa e a duração do tratamento. Além de tomar medicamentos antipsicóticos, outros fatores de risco que aumentam o risco de discinesia tardia incluem interações medicamentosas, gênero e idade avançada.

Antipsicóticos mais antigos ainda são prescritos

Antipsicóticos mais antigos, como a clorpromazina, se tornaram obsoletos em psiquiatria devido à disponibilidade de medicamentos mais novos e mais seguros. No entanto, os dentistas devem estar cientes de que os antipsicóticos mais antigos ainda podem ser prescritos off-label.

Indicações não licenciadas para antipsicóticos mais antigos incluem manejo dos sintomas em cuidados paliativos, íleo paralítico, dor neuropática, soluços intratáveis, tratamento e prevenção da enxaqueca, depressão e ansiedade crônicas e coceira crônica.

Tem sido relatado que a discinesia tardia pode ocorrer em até um terço das pessoas que tomaram um antipsicótico mais antigo por 10 anos ou mais.

Antipsicóticos de primeira geração, haloperidol, flufenazina e trifluoperazina estão associados a maior risco de discinesia tardia. A clozapina apresenta menor risco. É importante salientar que a discinesia tardia induzida por drogas pode persistir por meses ou anos. Nesse caso, provavelmente será permanente mesmo após a retirada da droga.
A lista a seguir apresenta os medicamentos associados à discinesia tardia:

  • Antipsicóticos: Amissulprida, Aripiprazol, Clorpromazina, Clozapina, Droperidol, Flufenazina, Haloperidol, Lurasidona, Olanzapina, Paliperidona, Periciazina, Quetiapina, Risperidona, Trifluoperazina, Ziprasidona, Zuclopentixol.
  • Antagonistas da dopamina: Metoclopramida.

Onde encontrar bruxismo nas informações da bula do produto

Na grande maioria das vezes uma consulta à bula dos produtos não contém nenhuma seção específica dedicada aos efeitos colaterais / bucais / dentais dos medicamentos. Ou quando há alguma menção é feita de forma vaga e inespecífica.
Não é de admirar que o bruxismo seja um efeito colateral pouco reconhecido dos antidepressivos!

Concluindo

Os dentistas devem estar cientes de que os medicamentos antidepressivos, antipsicóticos e antieméticos comumente prescritos estão associados a distúrbios de movimento na região orofacial. Particularmente bruxismo, discinesia e distonia. O uso de antidepressivos e o bruxismo estão de fato relacionados.

Esses medicamentos são prescritos com frequência na comunidade em uma ampla faixa etária para uma longa lista de indicações licenciadas e não licenciadas.

Os distúrbios do movimento induzidos por medicamentos geralmente não melhoram, a menos que a dose de medicação seja reduzida ou interrompida. É provável que os dentistas tenham e venham a encontrar esses distúrbios de movimento induzidos por medicamentos. A identificação e o gerenciamento oportunos de efeitos adversos induzidos por medicamentos são essenciais para uma resolução bem-sucedida.

Fonte: Australian Dental Association
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Periodontite e pressão alta: uma relação muito próxima

periodontite e a pressão altaPeriodontite e a pressão alta. Uma relação que até recentemente pareceria completamente estranha vem se confirmando em estudos recentemente publicados.

A periodontite tem sido associada a um risco maior para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A relação entre periodontite e a pressão alta se evidenciou mais fortemente através de um estudo apresentado por pesquisadores do Eastman Dental Institute, de Londres.

A pesquisa mostra que a periodontite aumenta o risco do desenvolvimento de pressão alta. Ao mesmo tempo o tratamento da periodontite pode reduzir os níveis de pressão arterial. É o que os resultados desse trabalho apontaram.

Assassina silenciosa

A hipertensão pode passar anos sem causar sintomas, até um órgão vital ser lesionado. Por esse motivo a pressão alta é muitas vezes chamada de “assassina silenciosa”.
A hipertensão arterial fora de controle pode ter sérias consequências, como acidente vascular cerebral, aneurisma, insuficiência cardíaca, ataque cardíaco e lesão renal.

Nos Estados Unidos aproximadamente 75 milhões de pessoas sofrem de pressão alta. A hipertensão arterial atinge 41% dos negros em comparação com 28% de brancos e 28% de americanos de origem mexicana. Ela também afeta com frequência pessoas com ascendência chinesa, japonesa e de outras áreas do Leste Asiático ou Pacífico. As consequências da pressão alta são piores em negros e em pessoas de ascendência asiática.

A hipertensão arterial ocorre com mais frequência em pessoas idosas: aproximadamente dois terços das pessoas com 65 anos ou mais em comparação com apenas um quarto das pessoas com idades entre 20 e 74 anos.

Periodontite e a pressão alta: uma relação íntima

A periodontite e a pressão alta afetam milhões de pessoas mundo afora. São doenças que se relacionam de forma independente. A periodontite e a pressão alta assim acabam colaborando para uma maior incidência de problemas cardiovasculares.

A periodontite e a pressão alta acabam assim tendo um grande impacto sobre a saúde pública e seus custos. Além disso, a periodontite e a pressão alta compartilham fatores de risco como diabetes, dietas pouco saudáveis e o tabagismo.

Uma pesquisa semelhante desenvolvida na China, comprovando a relação entre periodontite e pressão alta, já foi destaque em um artigo anterior aqui no blog Dentalis.

Outras causas da hipertensão arterial

  • Distúrbio dos rins;
  • Problemas hormonais;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo
  • Tabagismo;
  • Consumo exagerado de álcool;
  • Consumo excessivo de sal

Resumindo

Está comprovada a ligação entre a periodontite e a pressão alta. É portanto, uma relação causal. Assim, o diagnóstico da periodontite, sua prevenção e o tratamento das doenças gengivais podem contribuir de forma decisiva para a prevenção e tratamento da pressão alta. E assim evitar as devastadoras consequências geradas por um quadro de pressão arterial elevada.

A periodontite e o diabetes

Novas pesquisas sugerem que o tratamento da periodontite também pode ajudar pacientes com diabetes tipo 2. O tratamento da periodontite pode influir positivamente sobre os níveis de glicose sanguínea e de inflamação crônica.

A pesquisa

Mais de 250 pacientes com diabetes descompensada e periodontite ativa participaram do estudo financiado pela Diabetes UK e pelo NIHR Biomedical Research Center.

Após 12 meses, aqueles que se submeteram a terapia da periodontite obtiveram redução do nível de glicose sanguínea em média 0,6%. E isso não é pouco não. Você já vai entender o porquê.

Eles também demostraram redução da inflamação crônica. Essa ação poderia reduzir o risco de complicações graves relacionadas ao diabetes, como doenças cardíacas, derrame e doenças renais.

A periodontite está intimamente relacionada ao diabetes. A periodontite pode elevar os níveis de glicose no sangue. Pode igualmente aumentar a inflamação crônica no corpo. A periodontite e o diabetes podem no longo prazo acabar causando danos aos vasos sanguíneos e rins.

Este é o primeiro estudo randomizado de longo prazo que mostra um benefício substancial do tratamento da periodontite no controle do diabetes.

Uma redução de 0,6% pode parecer pouco. No entanto, a redução do nível de glicose no sangue em 0,6% equivale à prescrição de um medicamento adicional para diminuição do nível de glicose no sangue de um diabético.

Os pesquisadores ficaram encantando com a melhoria na saúde e qualidade de vida daqueles no grupo de teste em comparação com aqueles no grupo de controle.

Os pesquisadores vem trabalhando em estreita colaboração com as autoridades do NHS. O objetivo é aumentar a conscientização sobre a ligação entre a periodontite e o diabetes entre médicos.
A ideia é conscientizá-los da necessidade de avaliações odontológicas periódicas de seus pacientes diabéticos.

periodontite e pressão alta

Periodontite e diabetes: uma relação bidirecional

A associação entre diabetes e periodontite tem sido estudada extensivamente. A relação entre essas duas condições parece não apenas bidirecional, mas cíclica.

O diabetes não apenas predispõe o indivíduo à doença bucal, mas também à periodontite, uma vez estabelecida, exacerba o diabetes e agrava o controle metabólico.

Mais de 30% dos pacientes com periodontite podem estar abrigando um pré-diabetes ou diabetes ainda desconhecido.

Quanto mais tempo permanecem não diagnosticados, mais fáceis desenvolvem as complicações. Além disso, o diabetes não tratado pode estar associado a complicações maiores relacionadas ao manejo da própria periodontite.

Alguns dos pacientes poderiam se beneficiar de um exame periodontal de rotina no início de seu diabetes, e isso poderia ter evitado complicações graves. A

Além disso, pode ser a oportunidade para que os endocrinologistas encaminham seus pacientes mais frequentemente aos periodontistas. Isso para fins de organização dos planos de tratamento.

A prevenção e o tratamento da periodontite podem diminuir a pressão arterial. E também reduzir os níveis de glicose no sangue. A ciência dia após dia vem evidenciando o quanto o dentista tem um papel fundamental para a garantia da saúde não só da boca, mas da vida das pessoas.

Fontes: Eastman Dental InstituteThe Lancet, Manual MSD
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Vitamina D e doença periodontal, existe relação?

vitamina D e doença periodontalPesquisas recentes evidenciam a possibilidade de uma importante relação entre a vitamina D e doença periodontal.

A doença periodontal avançada é uma condição inflamatória do periodonto desenvolvida a partir de biofilmes microbianos que se formam nos dentes.

Os produtos bacterianos, assim como a resposta imune do hospedeiro a esses produtos, resultam na destruição dos tecidos que sustentam os dentes, incluindo o osso alveolar.

Devido a essa destruição tecidual, a doença periodontal avançada é uma das principais causas de perda dental em adultos.

A prevenção dessa doença é importante porque a perda dentária pode afetar o estado nutricional e a qualidade de vida.

A doença periodontal avançada também tem sido associada a condições sistêmicas. Condições como doença cardiovascular e diabetes mellitus tipo II.

vitamina d e doença periodontal

A vitamina D

A vitamina D é uma vitamina solúvel em gordura obtida da exposição à luz solar, dieta e suplementos nutricionais.

A vitamina D é metabolizada no fígado em 25-hidroxivitamina D e depois metabolizada nos rins para sua forma ativa, 1,25-di-hidroxivitamina D. Embora não haja consenso sobre os níveis de hidroxivitamina D, a maioria dos especialistas define <50 nmol / L (20 ng / mL) como insuficiência de vitamina D.

Evidências recentes sugerem que os níveis de hidroxivitamina D podem precisar ser tão altos quanto 75 nmol / L ( 30 ng / mL) para atingir o status ideal de vitamina D.

O papel da vitamina D no organismo

A vitamina D está envolvida na regulação da absorção de cálcio pelos intestinos, mantendo a concentração do cálcio plasmático e a mineralização óssea.
Estudos encontraram associações positivas significativas entre os níveis de hidroxivitamina D e a densidade mineral óssea ideal. A suplementação de vitamina D, quando necessária, diminui o risco de fraturas.

Vitamina D e o sistema imunológico

Evidências mais recentes indicam que a vitamina D também tem um efeito regulatório na resposta imunológica.
Ela estimula a resposta imunológica às vezes, enquanto a inibe em outras.

Um estudo demonstrou que a capacidade de produzir vitamina D ativa melhorou a atividade bactericida. Por outro lado existem muitos exemplos da capacidade da vitamina D de inibir a resposta imunitária.

Vitamina D e doença periodontal

A doença periodontal avançada é caracterizada pela perda óssea desencadeada por uma reação de resposta imune do hospedeiro à placa bacteriana.
A deficiência de vitamina D pode ter um efeito sobre o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal.

Dois grandes estudos transversais encontraram uma associação entre baixos níveis de vitamina D e marcadores de doença periodontal.

No entanto, o maior estudo prospectivo até o momento, bem como o estudo transversal mais recente, não encontraram relação entre a vitamina D e doença periodontal.

Está claro que mais pesquisas são necessárias para determinar o impacto que o status da vitamina D tem sobre a progressão da doença periodontal.

A pesquisa

Os dados foram obtidos de pessoas de 6 a 79 anos participando do ciclo 1 da pesquisa.
O ciclo 1, realizado de 2007 a 2009, foi uma pesquisa nacional, transversal, realizada pela Statistics Canada, de uma amostra representativa de 97% da população canadense em todas as províncias e territórios.

A coleta de dados envolveu medidas físicas e entrevistas. Foram entrevistados 5.604 participantes.
Todos os participantes forneceram consentimento informado. O CHMS excluiu membros em tempo integral das Forças Canadenses e residentes das Primeiras Nações, terras da Coroa, certas regiões remotas do Canadá e instituições.

O objetivo deste estudo foi explorar a relação entre a concentração de vitamina D e doença periodontal. As medições levaram em conta o índice gengival (GI) e outros parâmetros definidos pelo Canadian Health Measures Survey (CHMS).

Os exames odontológicos foram realizados por 14 dentistas das forças canadenses. Os parâmetros foram definidos de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS) .

Os resultados

Os participantes com concentrações de hidroxivitamina D <50 nmol / L e <75 nmol / L tiveram um aumento significativo nas chances de apresentar quadros de doença periodontal.

Aqueles que tomam suplementos de vitamina D tiveram chances significativamente mais baixas para para a infecção gengival. Já aqueles com diabetes aumentaram as chances de apresentar doença periodontal nos graus moderado a grave.

A média do IMC foi significativamente maior entre aqueles com pior quadro de doença periodontal.

Enquanto isso, aqueles que relataram frequentar um dentista ≥ 1 vez ao ano, escovando os dentes duas vezes ao dia e usando fio dental diariamente tiveram chances significativamente menores de doença periodontal.

Aumento dos índices de placa foram associados com o aumento da probabilidade de moderada a grave de doença periodontal. Os homens tiveram um aumento nas chances de doença periodontal em comparação com as mulheres.

Já aqueles nas categorias de renda mais alta tiveram menores chances de doença periodontal do que aqueles nas categorias de renda mais baixa.

As mulheres apresentaram menor chance de doença periodontal moderada a grave.
Enquanto valores altos para o índice de placa aumentaram as chances de doença periodontal moderada a grave.

Pacientes com níveis abaixo do limite padrão de vitamina D foram associados a um aumento da probabilidade de risco para doença periodontal grave.

Discussão

Apesar dos dados indicativos da presente pesquisa, atualmente existem evidências conflitantes na literatura sobre a relação entre vitamina D e doença periodontal.

Os resultados do estudo contêm evidências que apoiam uma associação entre baixos níveis de vitamina D e doença periodontal.

É provável que jovens e adultos mais jovens tenham uma melhor saúde bucal do que adultos mais velhos. Isto pode ter afetado a análise de medidas selecionadas de resultados periodontais.

Os pontos fortes deste estudo incluem o grande tamanho e a natureza representativa da amostra.
Outra vantagem é a disponibilidade dos atuais níveis de hidroxivitamina D, que é o padrão ouro reconhecido na determinação do status geral de vitamina D de um indivíduo.

Conclusão

O estudo foi realizado com uma amostra representativa de adultos canadenses. Forneceu evidências modestas que suportam uma relação entre baixas concentrações de vitamina D e doença periodontal.

É provável que estudos prospectivos com seguimento mais longo sejam necessários para elucidar completamente o efeito.
Se isso se confirmar, vitamina D e doença periodontal irá entrar definitivamente para a lista de causas dessa grave patologia.

Tem sido comum nos dias atuais as pessoas começarem a tomar suplementos de vitamina D. Fica o alerta para o risco de ingestão de doses elevadas dessa vitamina, que tem efeito cumulativo no organismo. Isso devido a sua liposolubilidade. Mais detalhes podem ser obtidos neste artigo já anteriormente publicado aqui no blog Dentalis.

Fonte: Dental News
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Bactérias orais tem relação com o AVC? Descubra aqui

bactérias orais e avcBactérias orais e AVC parecem coisas completamente desconexas. Mas uma pesquisa recente mostra exatamente o contrário.

Os autores do estudo demonstram uma relação muito próxima entre bactérias orais e AVC. É provável que uma boa higiene oral seja importante não apenas para a saúde dos dentes, mas também para a prevenção de derrames.
É a conclusão a que chegaram pesquisadores após terem encontrado traços de DNA de bactérias orais em amostras de coágulos sanguíneos causadores de derrames.

Essa descoberta afinal de contas prova que bactérias orais e podem causar AVC? Existe de fato tal conexão? É o que este artigo convida você a descobrir…

É um trabalho de pesquisadores da Universidade de Tampere, na Finlândia. Eles analisaram amostras de coágulos de 75 pessoas vítimas de AVC. Todos os pacientes receberam tratamento de emergência por AVC isquêmico na Unidade de Acute Stroke do Hospital Universitário de Tampere.

Os pacientes foram submetidos a trombectomia. Esse procedimento busca remover coágulos sanguíneos por meio de cateteres introduzidos pelas artérias.
Os cateteres podem implantar os stent retrievers e aspiradores para reduzir ou remover o coágulo.

A análise dos coágulos sanguíneos obtidos pela técnica anteriormente descrita revelou algo surpreendente. Os pesquisadores descobriram que 79% dos coágulos tinham traços de DNA de bactérias orais comuns.

A maioria das bactérias era do tipo “Streptococcus mitis“. Essa bactéria pertence a um grupo que os cientistas chamam de estreptococos viridans.

Os níveis das bactérias orais foram muito mais elevados nas amostras de coágulos do que nas outras amostras que os cirurgiões retiraram dos mesmos pacientes.

A Universidade de Tampere  vem pesquisando há 10 anos sobre o papel das bactérias nas doenças cardiovasculares. O presente estudo faz parte desta investigação.

Já se descobriu, por exemplo, que os coágulos sanguíneos que causaram ataques cardíacos, aneurismas cerebrais e tromboses nas veias e nas artérias da perna contêm bactérias orais. Principalmente por estreptococos viridans. Também mostrou que essas bactérias podem causar endocardite infecciosa, um tipo de infecção cardíaca. Aqui no blog Dentalis já noticiamos essa associação.

Os pesquisadores acreditam que o novo estudo é o primeiro a implicar estreptococos viridans no AVC isquêmico agudo.

O que é um AVC

Um AVC ou acidente vascular cerebral é quando o cérebro repentinamente experimenta uma interrupção em seu suprimento de sangue.
Isso priva as células de oxigênio essencial e nutrientes. E pode resultar em danos nos tecidos e perda de função cerebral.

O tipo mais comum de derrame é um acidente vascular cerebral isquêmico. Isso ocorre quando um coágulo sanguíneo reduz o suprimento de sangue em uma artéria que alimenta o cérebro.

De acordo com dados da World Stroke Organization, cerca de 1 em cada 6 pessoas em todo o mundo provavelmente sofrerá um derrame ao longo da vida.

bactérias orais e avc

Principais causas do AVC isquêmico

Uma das principais causas de acidente vascular cerebral é uma condição chamada aterosclerose. Nessa condição as placas se formam nas paredes das artérias e fazem com que elas se estreitem e endureçam com o tempo. As placas são depósitos de resíduos celulares, gordura, colesterol e outros materiais.

Dependendo de onde as placas se formam, a aterosclerose pode aumentar o risco de doença cardíaca, angina, doença da artéria carótida e doença arterial periférica.

Partes das placas podem se desprender da parede das artérias ou mesmo atrair coágulos. Caso isso aconteça em uma artéria que alimente o cérebro, pode desencadear um derrame isquêmico.

Tipos de AVC isquêmico

  • Aterotrombótico: provocado por doença que causa formação de placas nos vasos sanguíneos maiores (aterosclerose). Causa a oclusão do vaso sanguíneo ou formação de êmbolos;
  • Cardioembólico: ocorre quando o êmbolo causador do derrame parte do coração;
  • Isquêmico de outra etiologia: é mais comum em pessoas jovens e pode estar relacionado a distúrbios de coagulação no sangue.

Entendendo o AVC hemorrágico

O AVC hemorrágico ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia.
Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge.
É responsável por 15% de todos os casos de AVC. No entanto, pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico.

bactérias orais e avc

Causas do AVC hemorrágico

  • Hipertensão descontrolada e a ruptura de um aneurisma (causa principal);
  • Hemofilia ou outros distúrbios coagulação do sangue;
  • Ferimentos na cabeça ou no pescoço;
  • Tratamento com radiação para câncer no pescoço ou cérebro;
  • Arritmias cardíacas;
  • Doenças das válvulas cardíacas;
  • Defeitos cardíacos congênitos;
  • Vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos), que pode ser provocada por infecções a partir de doenças como sífilis, doença de Lyme, vasculite e tuberculose;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infarto agudo do miocárdio.

Principais causas para o AVC (isquêmico e hemorrágico)

  • Hipertensão;
  • Diabetes;
  • Colesterol elevado;
  • Sobrepeso e obesidade;
  • Tabagismo;
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Idade avançada;
  • Sedentarismo;
  • Uso de drogas ilícitas;
  • Histórico familiar;
  • Ser do sexo masculino.

Qual a diferença entre o AVC hemorrágico e o AVC isquêmico?

Não há uma maneira clínica segura, eficaz e definitiva para identificar se o AVC é hemorrágico ou isquêmico.
O fundamental é iniciar o tratamento com urgência. Exames de imagem poderão revelar a causa do acidente vascular cerebral.

Sabe-se que o AVC hemorrágico costuma apresentar sintomas graves mais rapidamente. Rebaixamento de consciência progressivo, perda da consciência (desmaio), deterioração súbita de reflexos neurológicos e convulsão podem indicar um AVC hemorrágico.

Sinais e sintomas de um AVC

Existem alguns sinais que o corpo dá que ajudam a reconhecer um Acidente Vascular Cerebral. São eles:

  • Sorriso: peça para a pessoa sorrir. Se o sorriso sair torto ou se a boca entortar, pode ser AVC;
  • Abraço: peça para a pessoa levantar os braços. Se a pessoa tiver alguma dificuldade para levantar um deles ou se após levantar os dois um deles cair bruscamente, pode ser AVC;
  • Frase: peça para a pessoa repetir uma frase ou uma mensagem qualquer. Se a pessoa não conseguir compreender ou não conseguir repetir a frase ou mensagem, pode ser AVC;
  • Urgência: havendo qualquer um desses sinais, o SAMU 192 deve ser chamado imediatamente.

Bactérias orais e AVC – fazem ou não parte do evento

O autores do estudo refletiram sobre os resultados encontrados. Os pesquisadores observam que bactérias estreptococos da boca, quando entram na corrente sanguínea, podem causar infecção grave, como as válvulas cardíacas.

Há também evidências de que as bactérias podem ativar diretamente as plaquetas sanguíneas. Por isso conclui-se que bactérias orais e AVC guardam sim uma relação.

Este poderia ser uma via possível para aumentar o risco de derrame?

“Plaquetas ativadas” acionam células que promovem a aterosclerose e “aceleram o desenvolvimento de lesões aterotrombóticas”, escrevem eles.

“Proteínas de superfície bacteriana de S. mitis“, eles acrescentam, “podem se ligar diretamente a vários receptores de plaquetas”.

Em relação às descobertas recentes, os pesquisadores fizeram uma importante observação. Segundo eles as bactérias orais estão sim envolvidas, ou seja, bactérias orais e AVC tem uma relação.

Mas qual o tipo de relação que existe? Bactérias orais e AVC podem representar ter relação de causa e efeito?

Ainda não está claro se elas causam derrames ou se “seu papel é apenas de espectadoras” do processo.

Os mesmos cientistas sugerem: “O atendimento odontológico regular deve ser enfatizado na prevenção primária do AVC isquêmico agudo.”

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Fontes: Journal of the American Heart Association, MedicalNewsToday, Ministério da Saúde

 

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Qual a relação entre periodontite e o diabetes?

periodontite e o diabetesA Periodontite e o diabetes podem parecer patologias sem nenhuma ligação entre si. No entanto, a ciência nos mostra exatamente o contrário.
Hoje vamos descobrir qual a relação existente entre a periodontite e o diabetes. E o interessante é que vocês irão observar que é uma via de mão dupla.

Doença metabólica

A diabetes é uma doença metabólica, importante causa de morbidade e mortalidade.
Estimativas atuais indicam que 382 milhões no mundo sofrem de diabetes mellitus (8,3%). Esse número poderá chegar a incríveis 592 milhões em 2035.

Em 2013 estima-se que 5,1 milhões de pessoas com idade entre 20 e 79 anos morreram por consequência do diabetes.
O Brasil ocupa a quarta posição neste ranking mundial. Em 2013 a estatística reportou um total de 11,9 milhões de pacientes diabéticos.

O diabetes se caracteriza por níveis elevados de glicose no sangue. A hiperglicemia apresenta efeitos deletérios em várias partes do organismo humano.
Os efeitos danosos podem atingir o sistema vascular periférico, alterar resposta inflamatória e impactar o sistema imunológico.
Essas alterações resultam em danos à capacidade de regeneração tecidual.

Tipos de diabetes

Os tipos mais comuns de diabetes estão: o diabetes tipo I, tipo II e gestacional.

Diabetes tipo 1

Normalmente se manifesta durante a infância.
Pode estar relacionado com a produção de autoanticorpos que atuam no pâncreas. Isso gera redução da produção da insulina endógena.

Diabetes tipo 2

Está relacionado com a resistência das células à insulina e inicia-se normalmente na idade adulta.

Diabetes gestacional

Tem seu início durante a gravidez, podendo regredir após o parto.

Nos três principais tipos de diabetes, ocorre a redução da entrada de glicose nas células. Isso ocasiona um aumento do nível de glicose no sangue.
Os efeitos danosos de um quadro hiperglicêmico acabam modificando a susceptibilidade do indivíduo às infecções de um modo geral. Isso também vale para aquelas observadas na boca, como a periodontite.

A periodontite e o diabetes

A periodontite é uma infecção crônica que acomete as estruturas de suporte do dente. Quando não tratada pode levar à perda dentária. A periodontite é muito comum em indivíduos diabéticos.

Pacientes com glicose elevada podem apresentar muitos abcessos periodontais. Isso pode levar à destruição rápida do suporte ósseo ao redor dos dentes.
Em geral, nos diabéticos a resposta ao tratamento periodontal é pior do que aquela observada nos não diabéticos.

A periodontite favorece o aumento da glicemia no indivíduo diabético. Já o tratamento periodontal traz benefícios à estabilização da glicemia nesses indivíduos.
A periodontite faz parte das complicações mais comuns associadas ao diabetes.

Alterações bucais outras e bem comuns em pacientes diabéticos:

  • diminuição do fluxo salivar;
  • queimação da boca e/ou língua.

São condições que podem predispor às infecções oportunistas. Como por exemplo, infecção causada pelo fungo Candida albicans.
Outro aspecto a destacar é que a hiperglicemia presente no diabetes apresenta influencia sobre a flora bacteriana bucal.

periodontite e o diabetesRetroalimentação

Periodontite e o diabetes apresentam uma relação de mão dupla. Esse aspecto já foi destaque em um artigo anterior do blog Dentalis.

Pacientes diabéticos têm resposta imunológica deficiente. Apresentam alterações na vascularização periodontal, e nos níveis de glicose do sulco gengival. São condições que favorecem ou agravam um quadro de periodontite em pacientes com diabetes.

Nos últimos anos resultados de inúmeros estudos epidemiológicos indicaram que os dois tipos principais de diabetes (I e II) aumentam a prevalência, incidência e severidade da doença periodontal. Os mesmos estudos sugerem que tal condição sistêmica predispõem os indivíduos à periodontite.

Pacientes portadores de Diabetes tipo I apresentam maior risco de desenvolver doença periodontal com o passar da idade, gravidade e duração de seu estado diabético.

Ao mesmo tempo, outros estudos mostraram que são 3 a 4 vezes maiores as chances de indivíduos portadores de Diabetes tipo II desenvolverem periodontites severas.

Além disso, o diabetes quando associado a outras condições pode modificar o curso da doença periodontal. A taxa de progressão da periodontite pode aumentar 2,9 vezes, quando o indivíduo apresenta taxas de Hemoglobina glicada em níveis superiores a 6,5%. Em torno de 3,7 vezes, quando o paciente é diabético e fumante. E 4,1 vezes, quando mais de 30% dos sítios bucais apresentam sangramento.

Do outro ponto de vista, a inflamação gengival também dificulta a absorção de insulina. Isso pode ser uma fator gerador de uma descompensação glicêmica nos portadores de diabetes. Já quanto à perda dental, esses valores são de 3,1 vezes, quando as taxas de Hemoglobina glicada estão acima de 6,5%. E 4,1 vezes mais chance de perda dos dentes, quando o paciente é diabético e fumante.

Desconhecimento eleva riscos à saúde

Dados epidemiológicos indicam que a grande maioria dos pacientes com hiperglicemia desconhece a relação existente periodontite e o diabetes. Na grande maioria das vezes não vão regularmente ao dentista. Também não contam com o acompanhamento de um especialista em periodontia.
Muitas das vezes a doença periodontal, assim como o diabetes, age de forma silenciosa.
Uma vez diagnosticada a periodontite, já pode ser muito tarde, e pode resultar em perda dentária.

Prevenção e tratamento

O tratamento da periodontite pode reduzir os níveis de agentes inflamatórios. Por consequência também causar diminuição do nível de inflamação crônica tão comum a pacientes diabéticos.
Isso pode trazer benefícios tanto ao controle glicêmico como também na redução do dano a outros órgãos.

Concluindo

É fundamental que o dentista faça parte da equipe multidisciplinar responsável pelo acompanhamento de pacientes com diabetes. O objetivo não será apenas o de curar processos instalados, mas também da prevenção de danos.
Isso, sem dúvida, irá proporcionar melhor qualidade de vida a esses pacientes.

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Fontes: American Diabetes Association, Journal of Indian Society of Periodontology, cro sp, UFRGS, Revista Brasileira de Epidemiologia

 

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