riscos

Adoçantes artificiais e suas consequências no organismo humano

Ao doçura sem as calorias e outros efeitos colaterais deletérios do açúcar, os adoçantes artificiais têm sido frequentemente elogiados por seus supostos benefícios para a saúde do corpo e saúde bucal.

No entanto, a suposta redução do risco de ganho de peso não saudável, a evidência para apoiar isso é conflitante. Alguns estudos relataram uma associação entre o uso de adoçantes sem açúcar e o risco reduzido de Diabetes Tipo 2, excesso de peso e obesidade, permitindo assim um melhor controle do Diabetes e da saúde geral. Outros estudos porém mostraram que adoçantes sem açúcar podem aumentar o risco de excesso de peso, Diabetes e câncer.

A demanda por essas opções é muitas vezes impulsionada por preocupações com a saúde e a qualidade de vida, já que a obesidade e as doenças bucais têm sido repetidamente ligadas a uma ingestão excessiva de açúcar.

Várias alternativas de açúcar foram aprovadas para uso comercial generalizado em inúmeros alimentos e bebidas. Embora eles sejam geralmente percebidos como uma opção mais saudável do que o açúcar, seus benefícios e desvantagens reais não são exatamente claros devido a um corpo de evidências limitado e conflitante.

Revisão sistemática

Uma recente revisão sistemática e metanálises de ensaios controlados randomizados e não randomizados e estudos observacionais objetivaram avaliar a associação entre a ingestão de adoçantes sem açúcar e importantes desfechos de saúde em indivíduos geralmente saudáveis ​​ou adultos e crianças com excesso de peso e obesidade. Os principais desfechos do estudo foram peso corporal ou índice de massa corporal, controle glicêmico, saúde bucal, comportamento alimentar, preferência por sabor doce, câncer, doença cardiovascular, doença renal, humor, comportamento, neurocognição e efeitos adversos.

Adoçantes artificiais e suas consequências no organismo humano

Uma equipe de pesquisadores europeus, liderada pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, teve como objetivo desenvolver sua compreensão desses benefícios e desvantagens, realizando uma revisão sistemática de 56 estudos que compararam um alto consumo de substitutos de açúcar com menor consumo ou abstenção completa.

Os resultados de seu estudo mostraram que, no geral, não houve diferenças estatisticamente ou clinicamente relevantes entre os participantes do estudo que tiveram uma alta ingestão de adoçantes artificiais e aqueles que se abstiveram. Além disso, vários estudos revisados ​​indicaram que houve uma associação entre uma maior ingestão de adoçantes e um pouco mais de ganho de peso, e um ganho de peso um pouco menor para aqueles com menor consumo. No entanto, a certeza dessa evidência foi baixa.

No geral, não houve evidências definitivas de que as alternativas ao açúcar possam ajudar adultos com sobrepeso ou obesos ou crianças que estejam ativamente tentando perder peso.

Refrigerantes com adoçantes: menos cáries, mais erosão dentária

Um porta voz da British Dental Association disse ao British Dental Journal : “Não recomendamos quaisquer alternativas ‘sem açúcar’ para bebidas com gás que não sejam leite e água. Continuamos preocupados com o fato de que muitos refrigerantes utilizam adoçantes ou apresentam altos níveis de acidez que prejudicam a saúde bucal ”.

“Todo Natal, os assessores de imprensa da Coca-Cola tentam ao máximo alegar que há uma ‘opção saudável’ para os dentes enquanto comercializam produtos com baixo ou nenhum açúcar mais ácidos do que o vinagre ou o suco de limão. Quando quase metade dos adolescentes está mostrando sinais de erosão dentária, os dentistas sabem que muitas dessas marcas têm tão pouco espaço como uma tradição festiva quanto seus similares carregados de açúcar ”, continuou o porta voz.

O estudo, intitulado “Associação entre a ingestão de adoçantes sem açúcar e resultados de saúde: revisão sistemática e metanálises de ensaios clínicos randomizados e não randomizados e estudos observacionais”, foi publicado online em 2 de janeiro de 2019 no British Medical Journal.

No conjunto o que se pode afirmar é que adoçantes artificiais fazem mal à saúde. Para tanto, convido vocês à leitura deste outro importante estudo:

Adoçantes artificiais e as alterações da microbiota intestinal

Recentemente a discussão sobre os efeitos dos adoçantes artificiais não calóricos (AANC) na glicemia ganhou destaque na mídia nacional. O artigo científico que despertou esse debate foi publicado no periódico “Nature” e relata os achados de um grupo de pesquisadores israelenses sobre os efeitos de alguns AANC (aspartame, sucralose e sacarina) na saúde metabólica e na microbiota intestinal.

Adoçantes artificiais têm alto consumo

Os AANC estão entre os aditivos alimentares mais utilizados no mundo, especialmente por conferirem sabor doce aos alimentos, isentando-os do conteúdo calórico associado ao açúcar. Ganharam popularidade por seu custo reduzido, valor calórico baixo e possíveis efeitos na redução do peso e no controle da glicemia. Por essas razões, são cada vez mais utilizados na fabricação de diversos alimentos, tais como refrigerantes diet, cereais e sobremesas sem açúcar e são, ainda, recomendados em planos alimentares para redução de peso e para pessoas com intolerância à glicose e diabetes melito tipo 2.
Nesse sentido, estudos sugerem que o consumo de AANC pode trazer benefícios, tais como a baixa indução da resposta glicêmica. Entretanto, outros trabalhos demonstram associação entre o consumo de AANC e o ganho de peso, bem como com aumento do risco de diabetes tipo 2. A interpretação desses resultados é complicada pelo fato de que os AANC são tipicamente consumidos por indivíduos que já sofrem de alterações metabólicas. A despeito desses dados controversos, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou seis tipos de AANC para uso nos Estados Unidos.

Para determinar os efeitos de AANC sobre a homeostase da glicose sanguínea, o estudo utilizou formulações comerciais de sacarina, aspartame ou sucralose. Esses compostos foram adicionados na água de beber de camundongos adultos. O experimento foi muito bem delineado do ponto de vista metodológico. Na 11ª semana, os três grupos de animais que receberam os AANC (aspartame, sucralose e sacarina) desenvolveram intolerância à glicose marcante, sendo que a sacarina apresentou os efeitos mais pronunciados.

Microbiota alterada

Para entender como os AANC promovem alterações metabólicas, foi levantada a hipótese de que eles atuariam na modulação da microbiota intestinal, uma vez que esta é intimamente relacionada à fisiologia, ao metabolismo e à saúde do hospedeiro. Comparados aos controles, os animais que receberam sacarina apresentaram disbiose. A influência da microbiota na resposta metabólica à sacarina foi confirmada em experimentos subsequentes que trataram camundongos (mantidos com a dieta contendo AANC) com dois tipos de antibióticos – os de amplo espectro e os contra bactérias Gran positivas. Após quatro semanas de tratamento, as alterações metabólicas foram abolidas nos camundongos tratados com os dois tipos de antibióticos, sugerindo que os efeitos são dependentes da microbiota comensal. A relação causal foi confirmada com um experimento de transplante de fezes, tanto de camundongos quanto de seres humanos que consumiram sacarina, para camundongos germ free. Os camundongos receptores das fezes passaram também a apresentar alterações no metabolismo da glicose.

Alterações metabólicas

Para validação dos efeitos dos AANC em seres humanos, foram selecionados indivíduos que consumiam AANC há muito tempo, o que foi avaliado por meio de questionário de frequência alimentar validado. Os pesquisadores encontraram correlações positivas entre consumo de AANC e parâmetros clínicos de alterações metabólicas, incluindo aumento do peso e da relação cintura-quadril (deposição de gordura abdominal), glicemia de jejum elevada, aumento das concentrações de hemoglobina glicada, alterações no teste de tolerância à glicose (TTG) e concentrações séricas elevadas de alanina aminotransferase.

Finalmente, para identificar se os AANC são causadores de alterações nas concentrações plasmáticas de glicose, foram avaliados, durante uma semana, sete voluntários saudáveis (cinco homens e duas mulheres, com idades entre 28-36 anos), que normalmente não consumiam AANC ou alimentos que os continham. Durante esta semana, nos dias dois a sete, os participantes consumiram a dose máxima diária aceita pelo FDA de sacarina comercial (5 mg por kg de peso corporal) dividida em três doses diárias. A glicemia foi monitorada continuamente e o TTG foi realizado uma vez ao dia. Notavelmente, apesar do curto período de exposição, a maioria dos indivíduos (quatro dos sete) desenvolveu respostas glicêmicas significativamente alteradas após cinco a sete dias do consumo de AANC (considerados respondedores aos AANC), em comparação com a resposta glicêmica individual apresentada durante os primeiros quatro dias. Nenhum dos três indivíduos classificados como não-respondedores aos AANC apresentou melhora na tolerância à glicose.

Efeitos metabólicos adversos

Em resumo, os resultados sugerem que o consumo de AANC tanto por camundongos quanto por seres humanos, aumenta o risco de intolerância à glicose e que os efeitos metabólicos adversos são decorrentes da composição e das funções metabólicas da microbiota intestinal. Também sugerem que seres humanos apresentam resposta individualizada aos AANC, possivelmente relacionada a diferenças na composição e nas funções da microbiota.

Além disso, os resultados apontam para a necessidade de desenvolvimento de novas estratégias nutricionais individuais, abrangendo diferenças personalizadas na composição e na função da microbiota intestinal.

A mensagem que deve ser ressaltada mediante a leitura deste excelente trabalho é a de que os principais resultados foram encontrados em experimentos realizados com camundongos, os quais não podem ser diretamente extrapolados para seres humanos. As doses utilizadas para observar efeitos em seres humanos foram relativamente altas, se comparadas ao consumo habitual. Assim, o uso moderado de adoçantes (uma ou duas vezes ao dia – considerando também o consumo de produtos diet e ligth), aliado a alimentação adequada – que estimula a manutenção de uma microbiota intestinal saudável – e a atividade física, possivelmente não trará efeitos adversos. Em contrapartida, o consumo excessivo de AANC pode ser prejudicial e deve ser cuidadosamente avaliado.

Fontes: British Medical Journal, anad, Dental Tribune, Sban

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Colar de dentição para crianças: Não é recomendável

O chamado colar de dentição é um acessório que supostamente teria propriedades analgésicas, mas a agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos não recomenda seu uso por questões de segurança

O FDA alertou pais, cuidadores e profissionais de saúde sobre os riscos de segurança que os colares de dentição usados para aliviar a dor da dentição representam para as crianças.

A agência alertou que eles não devem ser usados para aliviar dores nas crianças ou para fornecer estímulo sensorial a pessoas com necessidades especiais, como autismo ou transtorno de deficit de atenção / hiperatividade (TDAH). O FDA recebeu relatos de morte e ferimentos graves em bebês e crianças, incluindo estrangulamento e asfixia, causados pelos colares de dentição.

Várias formas

Os colares para dentição podem ter várias formas, incluindo um colar, pulseira ou tornozeleira, e podem ser usadas tanto por um adulto quanto por uma criança. Tais produtos são produzidos e vendidos por um grande número de fabricantes e indivíduos. Eles são frequentemente usados pelos pais e cuidadores para aliviar a dor da criança e outras doenças. As jóias para dentição também podem ser usadas por pessoas com necessidades especiais, como autismo ou TDAH, para fornecer estimulação sensorial ou redirecionar a mastigação de roupas ou partes do corpo. Os colares de dentição podem ser feitos a partir de vários materiais, como âmbar, madeira, mármore ou silicone.

“Sabemos que os colares de dentição têm se tornado cada vez mais populares entre pais e cuidadores que desejam proporcionar alívio para a dor da dentição infantil e estimulação sensorial para crianças com necessidades especiais. Estamos preocupados com os riscos que observamos com esses produtos e queremos que os pais saibam que a dentição coloca crianças, incluindo aquelas com necessidades especiais, em risco de ferimentos graves e morte ”, disse o comissário da FDA Scott Gottlieb, MD.

Os riscos

Os riscos do uso de colares para aliviar a dor da dentição incluem asfixia, estrangulamento, lesões na boca e infecção. A asfixia pode acontecer se o colar se romper e uma pequena conta entrar na garganta ou na via aérea da criança. O estrangulamento pode ocorrer se um colar estiver muito apertado em volta do pescoço da criança ou se o colar pegar um objeto como um berço, por exemplo.

Ácido succínico

Outras preocupações incluem lesão na boca ou infecção se uma peça do colar irritar ou perfurar as gengivas da criança. Além das preocupações com asfixia e estrangulamento, os colares de dentição contêm uma substância chamada ácido succínico, que supostamente pode ser liberada na corrente sanguínea de um bebê em quantidades desconhecidas. Os fabricantes desses produtos geralmente alegam que o ácido succínico atua como um anti-inflamatório e alivia a dentição e a dor nas articulações. A FDA não avaliou essas alegações de segurança ou eficácia e recomenda que os pais não usem esses produtos

O FDA emitiu uma comunicação de segurança recentemente depois de receber um certo número de relatórios de ocorrências médicas, incluindo uma morte. Um relato envolveu uma criança de 7 meses que engasgou com as contas de uma pulseira de dentição de madeira enquanto estava sob supervisão dos pais e foi levada para o hospital, e outra envolveu uma criança de 18 meses que foi estrangulada até a morte por seu colar de dentição durante um cochilo.

Risco de metemoglobinemia

Além de evitar o uso de colares para aliviar a dor da dentição, o FDA continua a recomendar que os profissionais de saúde evitem usar cremes para dentição, géis de benzocaína, sprays, pomadas, soluções e pastilhas para dor na boca e gengiva. Benzocaína e outros anestésicos locais podem causar metemoglobinemia, uma condição séria na qual a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue é reduzida. Esta condição é fatal e pode resultar em morte.

Monitoramento contínuo

O FDA assegura que irá continuar a monitorar de perto os relatórios de eventos adversos associados a colares usados para aliviar a dor da dentição e se comunicará mais conforme necessário. A agência encoraja os consumidores e profissionais de saúde a relatar lesões ou eventos adversos que ocorram com o uso desses colares através do programa de Informações de Segurança da FDA e Relatório de Eventos Adversos.

O FDA é uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, que tem como missão proteger a saúde pública garantindo a segurança, a eficácia e a segurança de medicamentos para uso humano e veterinário, vacinas e outros produtos biológicos para uso humano e dispositivos médicos. A agência também é responsável pela segurança e proteção do suprimento alimentar de cosméticos, suplementos alimentares, produtos que emitem radiação eletrônica e a regulação de produtos derivados do tabaco.

Como tratar a dor de dente dos bebês

Deve-se considerar seguir as recomendações da American Academy of Pediatrics de formas alternativas para o tratamento da dor na dentição, como massagear as gengivas inflamadas com um dedo limpo ou oferecer um mordedor de gel líquido.
O mordedor deve ser dado para a criança mastigar após ser refrigerado na geladeira. Em último caso, quando a inflamação impede a criança de se alimentar ou dormir, é possível recorrer aos analgésicos orais.

Cabe salientar que nem sempre a dor de dente é a culpada pelo incômodo do bebê em se alimentar ou dormir. Às vezes o motivo é outro, e nesse caso, é recomendável a consulta a um pediatra ou odontopediatra.

Fonte: FDA
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Cuidados da odontologia com pacientes oncológicos

Nos pacientes oncológicos, os cuidados com a saúde bucal são muito importantes.
Pacientes oncológicos têm maiores chances de desenvolver lesões dentárias e que tipo de tratamentos devem procurar no pré, pós e durante os tratamentos oncológicos.
A recomendação de fazer uma avaliação odontológica serve para todo paciente oncológico, não somente aqueles com tumores de cabeça e pescoço.

Um dos fatores a serem avaliados é a presença de algum foco de infecção, que pode ser uma doença periodontal ou cáries muito profundas. A consulta é de extrema importância, porque os pacientes que fazem uso de quimioterápicos ficam com o sistema imunológico mais debilitado, e a existência de uma doença periodontal, por exemplo, que o paciente nem sabia que tinha, poderá se agravar e resultar num grande problema, mas também, com leucemias e linfomas. Alguns dentes com mobilidade poderão ser removidos antes de iniciar o tratamento oncológico.

Por outro lado, quando se iniciam os tratamentos oncológicos podem ocorrer certas problemas orais

Mucosite oral

Frequentemente se manifesta na forma de feridas semelhantes a aftas e que podem ser bastante dolorosas para o paciente, afetando, em alguns casos, a capacidade de mastigação.

Uma das formas de prevenção da mucosite é a laserterapia de baixa intensidade. O laser é um bioestimulador que auxilia na redução do processo inflamatório, modula a dor e auxilia no processo de reparo do tecido lesado. É importante conversar com seu oncologista sobre essa possibilidade.

Xerostomia

Xerostomia é condição razoavelmente predominante, afetando 5.5%−46% da população adulta. A incidência do xerostomia aumenta com idade, com quase metade da queixa idosa da população de ter boca seca. Contudo, permanece obscura se há um relacionamento direto entre a idade avançada e a produção reduzida da saliva ou se este é devido ao número aumentado de medicações tomadas geralmente pelas pessoas idosas.

Papel da saliva

A produção apropriada da saliva é importante para o conforto do paciente e sua higiene dental. A saliva cobre a boca e os dentes com a umidade constante, assim fornecendo a lubrificação e a proteção à cavidade oral. A saliva contem diversas proteínas que funcionam na digestão, na atividade antibacteriana, e na manutenção do pH oral apropriado. A insuficiente produção da saliva pode afetar a mastigação, a absorção, o discurso, o gosto, e a higiene dental. A saliva é muito importante para os dentes por conta da proteção da deterioração dental pelo fato de limitar o crescimento das bactérias, neutralizar ácidos de alimento, e os ajuda a retirar partículas de alimento alojadas nos dentes.

Sintomas

Os sintomas do xerostomia podem incluir uma boca seca persistente e densamente ou a saliva mucoso carregado. Os dentistas podem reconhecer a insuficiente associação da saliva na boca durante exames dentais. Muitos sofredores de xerostomia relatam mudanças no gosto e na dificuldade de engolir o alimento quando o mastigam, especialmente alimentos secos tais como biscoitos ou produtos como o pão. A necessidade e o desejo de beber frequentemente a água se mostram aumentados. Alguns pacientes com xerostomia igualmente experimentam um burning ou uma sensação de formigamento na língua ou na boca.

A xerostomia pode ter efeitos severos na saúde dental; geralmente aumenta no número de cavidades dentais, de doenças gengivais, e de mau hálito. Os sofredores de Xerostomia que vestem dentaduras tipicamente têm o problema de mantê-las no lugar e queixam-se de dores oriundos do uso da dentadura.

Uma xerostomia não tratada pode conduzir às infecções bucais, infecções da glândula salivar, e língua com rachaduras devido à secura.
Consequentemente, a detecção precoce e o tratamento da xerostomia são importantes para a saúde e o bem estar do paciente.

Muitas vezes, o paciente em tratamento oncológico precisa tomar opiáceos e antidepressivos. Alguns ainda tomam outros medicamentos, porque possuem outras doenças associadas, como pressão alta, diabetes e doença renal. Por conta disso, é extremamente comum surgir um quadro de xerostomia.
O paciente com boca seca tem mais placas bacterianas, o que acumula mais agentes agressivos e produz mais toxinas, aumentando o risco da mucosite, referida anteriormente.

Cárie de radiação

Causada pelo efeito da radioterapia, provoca efeitos diretamente nos dentes, principalmente sobre os odontoblastos, diminuindo a capacidade de produção de dentina reacional. O esmalte também sofre alterações e torna-se mais vulnerável à cárie. Atua indiretamente aumentando a suscetibilidade de cárie por meio de diminuição ou até interrupção da salivação. Tais alterações propiciam o desenvolvimento desse tipo de cárie que ocorre principalmente no terço cervical, iniciando-se pela face vestibular e posteriormente pela lingual progredindo ao redor do dente, como uma lesão anelar, que pode levar à amputação da coroa.

Gengivite

Com o baixo número de plaquetas ele pode acontecer, inclusive, de forma espontânea. Mas também pode ser advindo de uma retenção maior da placa bacteriana causada pela higiene, ou falta dela. Consequência ou não de mucosite e xerostomia, por exemplo.

Periodontite

A perda dos dentes não costuma ser comum em pacientes em tratamento do câncer, porém pode acontecer caso os cuidados de higiene não sejam realizados corretamente ou não haja um histórico de controle periódico e visita regular ao dentista.

Perda do paladar

O tratamento causa alterações importantes no organismo, entre elas as que ocorrem nas papilas gustativas, fazendo com que o paciente não sinta os sabores de alguns alimentos.

Infecções oportunistas (bacterianas, viróticas ou fúngicas)

A baixa imunidade deixa o paciente bem susceptível, por isso todo cuidado é pouco quando o assunto são as infecções.

Osteorradionecrose

Sequela de ocorrência tardia, com incidência maior nos primeiros três anos pós-radioterapia. Pode ser provocada por traumas como exodontias, procedimentos invasivos e cirúrgicos, próteses mal adaptadas e infecções periodontais e periapicais por toda a região irradiada previamente, sendo a mandíbula o osso mais comumente envolvido. Provoca uma redução da atividade dos osteoblastos e alteração nos vasos sanguíneos, tornando o osso menos irrigado e, consequentemente, mais vulnerável a infecção e com menor capacidade de reparação. Acomete pacientes submetidos à radioterapia.

Prevenção e tratamento

Para tratar e amenizar os problemas bucais, é fundamental, antes de tudo, que durante todo o tratamento e até mesmo antes de começá-lo, o paciente tenha um acompanhamento odontológico. A higiene bucal não pode ser deixada de lado, mesmo que a região da boca esteja dolorida. Nesse momento é mais indicado o uso de escovas extra macias e bochechos com soluções antissépticas sem álcool.

Recomendações a serem seguidas durante o tratamento do câncer:

  • Escovar os dentes com pasta contendo flúor;
  • Passar fio dental suavemente;
  • Fazer gargarejos com bicarbonato de sódio;
  • Escolher alimentos que exijam pouca ou nenhuma mastigação;
  • Evitar alimentos ácidos, picantes, salgados e secos.

Mucosite oral

Para aliviar a mucosite oral, o paciente pode utilizar soluções isotônicas e anti-inflamatórios. O tratamento com laser de baixa potência também foi relatado como eficiente na diminuição da severidade e duração das mucosites em pacientes que foram irradiados ou submetidos ao tratamento quimioterápico. É importante fornecer também orientação quanto à dieta e manutenção da hidratação. Nos casos mais graves, considerar o uso de antimicrobianos tópicos e sistêmicos.

Xerostomia

Recomenda-se estimular o fluxo salivar por meio de gomas de mascar sem açúcar. O uso de saliva artificial contendo íons essenciais, componentes com mucina e pH entre 6 e 7, também pode ser sugerido. O uso de fluoretos (gel ou solução) e reposição de líquidos também. Quanto aos lábios, pode-se usar protetor labial à base de lanolina.

Cáries

O tratamento das lesões de cárie pode ser realizado por meio de ART (Atraumatic Restorative Treatment), ou seja, remoção de tecido cariado por meio de curetas e colocação de cimentos ionoméricos.

O amálgama é contraindicado como material restaurador, pois é fonte secundária de radiação quando o paciente é submetido à radioterapia em região de cabeça e pescoço.

Nos casos de lesões de cárie avançada, demonstrando possível comprometimento pulpar, o tratamento endodôntico é recomendado para dentes permanentes. Já para dentes decíduos recomendamos a exodontia dos elementos dentários envolvidos.

Gengivite

O sangramento nas gengivas também pode estar associado à placa bacteriana, que causa uma inflamação no local. Para evitá-lo, o profissional deve acompanhar com o paciente a forma correta de realizar a escovação e, se for necessário, remover essas placas através do tratamento periodontal.

Periodontite

Os casos de comprometimento periodontal, o tratamento de raspagem e alisamento radicular é indicado. Entretanto, dentes apresentando bolsa periodontal (≥ 6 mm) e/ou mobilidade excessiva podem ser extraídos pois, além de serem fontes infecciosas, podem ser fatores complicadores caso seja necessária a realização de exodontia após a radioterapia, em função do risco de osteorradionecrose. As pessoas que fazem radioterapia na região da cabeça e do pescoço ou que fizeram uso dos medicamentos do grupo de bifosfonatos (utilizados no combate a problemas ósseos), tem restrição à colocação de implantes.

Infecções oportunistas

Exigem todo o cuidado possível. Para tratá-las, são indicados medicamentos tópicos ou orais, que só devem ser utilizados com o acompanhamento médico e do dentista.

Uso de aparelhos ortodônticos

Deve ser suspenso durante o tratamento para evitar sangramentos e possíveis infecções. Apenas após dois anos de remissão pode ser feito o tratamento ortodôntico normalmente. Havendo presença de qualquer infecção, a antibioticoterapia deverá ser realizada. O uso de sialogogos sistêmicos também pode ser recomendado, como o cloridrato de prilocarpina, mas é importante avaliar suas contraindicações.

A prevenção é a grande arma para evitar quadros graves, muitas vezes incuráveis e até incontroláveis, do ponto de vista local e sistêmico, que levam a um forte impacto na qualidade de vida do paciente comprometendo sua saúde, deve ser realizada uma avaliação completa antes do início da radioterapia, verificando as condições dos dentes e o prognóstico do paciente.

A correta compreensão desses sinais e sua correlação com sintomas e drogas ou radiação utilizadas nos tratamentos oncológicos tornam esses tipos de manifestações mais previsíveis, o que facilita a prevenção e o tratamento dessas condições, oferecendo uma melhor qualidade de vida a esses pacientes, sendo de grande importância a integração da odontologia na equipe médica de oncologia.

Fontes: News Medical Life Sciences , Dental Cremer , Revista Onco
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O tabagismo e a endodontia

Os impactos negativos do hábito de fumar sobre a saúde são amplamente conhecidos. Aqui neste link você pode conferir 8 prejuízos causados pelo tabagismo no entanto, poucas são as pesquisas sobre suas consequências em relação à endodontia.

Em um novo estudo realizado por cientistas da Faculdade de Odontologia da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, pesquisadores descobriram que o fumo enfraquece a capacidade da polpa dentária de combater doenças.

Falando sobre a pesquisa, a Dra. Anita Aminoshariae, Professora Associada de Endodontia e diretora do Pré-doutorado na Case Western, disse: “Isso pode explicar por que os fumantes têm resultados endodônticos mais fracos e apresentam atraso na cicatrização quando comparados aos não fumantes.
Imagine que TNF-α [fator de necrose tumoral α] e hBD-2 [beta-defensina humana 2] estão entre os soldados em uma última linha de defesa fortificando um castelo. Fumar mata esses soldados antes que eles tenham a chance de montar uma defesa sólida ”.

No estudo, os cientistas buscaram compreender melhor por que os fumantes apresentam uma maior possibilidade para o desenvolvimento de doença periodontal e são quase duas vezes mais propensos a necessitar de terapia de canal radicular.

Metodologia

Das câmaras pulpares de 32 fumantes e 37 não fumantes, todos diagnosticados com pulpite irreversível normal ou sintomática ou pulpite irreversível assintomática, a equipe coletou amostras e mediu os níveis de interleucina (IL) 1β, TNF-α, hBD-2 e hBD-3. “Hipotetizamos que as defesas naturais seriam reduzidas em fumantes; não esperávamos que eles as esgotassem completamente ”, explicou Aminoshariae .

De acordo com os resultados do estudo, as concentrações pulpares de TNF-α e hBD-2 foram significativamente menores entre os fumantes, enquanto não houve diferença significativa em IL-1β ou hBD-3. A análise bidirecional da covariância também revelou que a condição de tabagismo, e não o diagnóstico endodôntico (estado pulpar), afetou significativamente os níveis de TNF-α e hBD-2.

Parar de fumar pode fazer diferença

Embora os resultados do estudo forneçam mais um argumento contra o tabagismo, um resultado encorajador da pesquisa foi que dois dos pacientes no estudo que pararam de fumar experimentaram um retorno dos mecanismos de defesa necessários para combater a pulpite.

O estudo, intitulado “Comparação da expressão de IL-1β, TNF-α, hBD-2 e hBD-3 na polpa dentária de fumantes versus não fumantesD”, foi publicado na edição de dezembro de 2017 do Journal of Endodontics.

Dicas para parar de fumar

Os benefícios de parar de fumar são percebidos rapidamente. Em cerca de três semanas, você já nota diferenças – percebe melhor cheiros e paladares e respira com mais facilidade. Além disso, a pressão e o nível de oxigênio no sangue são normalizados. Apesar de parecer que parar de fumar é difícil, se você adotar uma estratégia, pode ser mais fácil.

O primeiro passo para parar de fumar é escolher uma data. Você tem mais chances de sucesso se escolher uma que seja nos próximos trinta dias. Assim, até lá, você pode diminuir gradativamente o número de cigarros que fuma por dia ou atrasar o horário do primeiro cigarro. Isso é importante para você se preparar para a mudança.

Como passar os primeiros dias sem fumar?

Mesmo se você se preparar até a data escolhida, os primeiros dias sem fumar podem ser os mais difíceis. Fazer pequenas mudanças na sua rotina, como um caminho diferente para ir trabalhar, trocar o café por chá ou almoçar em um lugar diferente podem te ajudar a assimilar a mudança de parar de fumar.

Você também deve se livrar de todo o estoque de cigarros que tiver em casa, no trabalho ou no carro e não ficar perto de pessoas que estão fumando ou em situações que o desejo de fumar é maior. Se não puder evitar esses momentos, substitua o cigarro por algo saudável, como biscoitos com fibra extra, por exemplo.

Ocupar o tempo livre com exercícios físicos ou atividades divertidas, manter-se hidratado com água e suco e evitar bebidas alcoólicas também são mudanças na rotina que podem te ajudar a se adaptar ao novo estilo de vida.

Apoio de familiares, amigos e médicos ajuda a parar de fumar

Além de ajudar a acompanhar os benefícios para a saúde que a decisão de parar de fumar traz, o médico também pode indicar medicamentos que ajudem no processo. Amigos e familiares também podem ajudar nos dias de preparação e dar incentivos nos dias mais difíceis.

Como lidar com a abstinência do cigarro

Em muitos momentos, você terá vontade de acender um cigarro. Quando isso acontecer, tente encontrar outras formas de aliviar a tensão. Concentre-se em coisas que te causam satisfação e pense nos benefícios que essa escolha está proporcionando para a sua saúde.

Fontes: Pubmed, Mayo Clinic e Pfizer

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Uma luta constante e diária que depende de nós

Como todos sabemos os antimicrobianos são fármacos que têm como finalidade tratar ou prevenir infecções causadas por microrganismos, eliminando-os ou impedindo que estes se multipliquem.

Uma das grandes questões que se tem debatido ao longo dos anos é o uso excessivo de antimicrobianos e a falta de consciencialização da população para os seus efeitos na saúde.

Quanto mais elevado for o seu consumo, maior é a probabilidade de os microrganismos desenvolverem mecanismos de resistência ao medicamento que, inicialmente, os eliminava. O crescente aumento de bactérias multirresistentes é uma realidade que requer uma ação conjunta dos profissionais de saúde, instituições governamentais e sociedade.

A Organização Mundial de Saúde estima que já ocorram, a nível global, cerca de 700 mil mortes causadas por bactérias multirresistentes, um número que a mesma entidade prevê que aumente para os 10 milhões até 2050.

Educação constante e no dia a dia

O primeiro passo de todos é a conscientização: é importante desmistificar, junto à população, que os antibióticos apenas tratam, e por vezes previnem, infecções bacterianas. Devemos informar às pessoas que antibióticos jamais deverão ser administrados em casos de infecções causadas por vírus, como gripes ou constipações. Além disto, convém destacar que este tipo de medicamentos só deve ser usado quando for prescrito por um profissional de saúde e jamais por conta própria.

Contudo, a conscientização deve ser igualmente estendida junto aos profissionais de saúde, para que antimicrobianos sejam prescritos de forma o mais racional possível aliada a uma duração adequada da terapia.

O Programa de Apoio à Prescrição Antimicrobiana (PAPA) visa orientar, uniformizar, verificar e validar a antibioticoterapia, tendo como meta final preservar a sua eficácia e o melhor tratamento do paciente.

Para uma antibioticoterapia correta, o profissional de saúde deve refletir, num primeiro momento, sobre qual a origem da infecção, qual o foco mais provável e quais os fatores modificadores ou de risco para as resistências.

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Bruxismo pode agravar doença periodontal

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Okayama, no Japão, publicou um estudo que revela que o excesso de atividade dos músculos masséteres, normalmente utilizados na mastigação e para ranger os dentes, pode estar associado a doenças bucais, como a periodontite.

Já vários estudos tentaram estabelecer a relação entre a periodontite e a atividade dos músculos masséteres (que fazem com que a maxila se movimente), mas até agora ainda não tinha sido possível demonstrar a existência de uma relação direta. O estudo agora publicado mostra, no entanto, que o bruxismo pode estar relacionado com um agravamento da doença periodontal.

Metodologia

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores contaram com uma amostragem de 31 indivíduos, 16 dos quais sem periodontite ou com periodontite ligeira (grupo NMP) e 15 com casos de periodontite moderada ou severa (grupo MSP).

Além de terem que andar com um dispositivo para medir a atividade muscular, os indivíduos tiveram que manter um registro diário das suas atividades, especialmente as refeições.

Os resultados agora publicados mostram que “a atividade muscular dos masséteres pode estar relacionada com a gravidade da periodontite”, apesar de ainda não ser possível estabelecer uma relação causal direta entre os casos de bruxismo e o desenvolvimento de periodontite.

Mais detalhes sobre o estudo em questão pode ser acessado aqui.

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Colesterol HDL alto demais pode representar um risco

O excesso do chamado “bom colesterol” pode aumentar o risco de ataques cardíacos e morte, de acordo com um estudo apresentado no dia 25 de agosto de 2018, na conferência da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Munique.

A lipoproteína de alta densidade (HDL) é amplamente considerada como um colesterol “bom” porque ajuda a impedir que as artérias sejam bloqueadas, transportando outras formas de colesterol do sangue e das paredes dos vasos sanguíneos para o fígado e para fora do corpo. Estudos anteriores associaram baixos níveis de colesterol HDL a artérias obstruídas e doenças cardíacas. Já os efeitos dos níveis excessivos de HDL são menos compreendidos.

Metodologia

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade Emory, orientados pelo Dr. Marc Allard-Ratick, autor do estudo e médico hospitalista da Escola de Medicina da Universidade Emory, estudaram os níveis de colesterol e o risco de ataque cardíaco e morte em 5.965 pessoas. A maioria dos participantes tinha doença cardíaca e idade média de 63 anos.

Os pesquisadores usaram essas informações para dividir os participantes em cinco níveis de HDL, classificados de baixo a alto:

  • Menos de 30 mg/dl (0,78 mmol/L)
  • 31-40 mg/dl (0,8-1 mmol/L)
  • 41 a 50 mg/dl (1,1-1,3 mmol/L)
  • 51-60 mg/dl (1,3-1,5 mmol/L)
  • Maior que 60 mg/dl (1,5 mmol/L)

Após quatro anos, 769 participantes do estudo morreram de ataque cardíaco ou de doença cardíaca. Os resultados produziram uma curva em forma de U, mostrando aqueles com baixos níveis de HDL e níveis muito altos em risco de morte. Um nível de HDL maior que 60 mg/dl acarretou um risco quase 50% maior de morrer de um problema cardíaco quando comparado àqueles com níveis entre 41 e 60 mg/dl.

Os resultados espelham as descobertas de um estudo publicado no início deste ano no European Heart Journal[1], que indicou similarmente que altos níveis de HDL estavam associados a doenças cardíacas e ao risco de morte.

Mais pesquisas são necessárias para descobrir o que está por trás dessa associação paradoxal.

HDL muito alto: sinal de alerta

Allard-Ratick explicou que os resultados são importantes porque contribuem para aumentar evidências de que níveis muito elevados de colesterol HDL podem não ser protetores, e porque, ao contrário de muitos outros dados disponíveis até o momento, este estudo foi principalmente em pacientes com doença cardíaca estabelecida.

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Ciprofloxacino: Alerta em relação aos riscos associados a esse antibiótico

Ciprofloxacino: Alerta em relação aos riscos associados a esse antibiótico

O uso de ciprofloxacina e outros antibióticos da classe das fluoroquinolonas tem sido associado à interrupção das funções normais do tecido conjuntivo, incluindo ruptura dos tendões, tendinite e descolamento de retina.

Estas observações, relatadas em vários periódicos médicos e científicos, fizeram com que esses medicamentos passassem a conter uma tarja preta em alguns países, alertando os médicos e os pacientes sobre os possíveis efeitos colaterais danosos.

Esses estudos também indicavam que outros tipos de tecidos conjuntivos poderiam estar envolvidos nos efeitos colaterais deste antibiótico.

De fato, agora pesquisadores descobriram que a ciprofloxacina aumenta o risco de ruptura na artéria principal do corpo, a aorta.

“Um tecido natural para se preocupar é a aorta, um vaso sanguíneo que depende fortemente de ter um componente de tecido conjuntivo sólido – chamado de matriz extracelular – para manter sua integridade,” disse o Dr. Scott LeMaire, da Faculdade de Medicina Baylor (EUA).

Percepção incorreta de que antibióticos não fazem mal atinge médicos e pacientes

Danos à aorta e aneurisma

Devido à suspeita levantada pelos estudos anteriores, dois estudos clínicos analisaram a possível associação entre as fluoroquinolonas e problemas cardiovasculares.

“Eles descobriram que pacientes que receberam fluoroquinolonas tiveram um risco maior de aneurismas (formação de áreas semelhantes a balões na aorta que enfraquecem a integridade do vaso), rupturas ou dissecções (lágrimas na parede) do que pacientes que não receberam os antibióticos. Isso levantou preocupações importantes,” disse LeMaire.

Embora os estudos clínicos retrospectivos apontem para uma associação entre os antibióticos fluoroquinolonas e o aumento do risco de doenças da aorta, eles não provavam que os antibióticos causavam os problemas. Para determinar se existe uma associação de causa e efeito, LeMaire e seus colegas trabalharam com um modelo animal que imita os aneurismas e dissecções da aorta humana.

“Nosso estudo sugere que, neste modelo de aortas de camundongos moderadamente estressados, a exposição à ciprofloxacina resulta em uma progressão mais rápida e mais severa da doença, o que é exatamente a preocupação.

“Nossos resultados apoiam as preocupações levantadas por estudos clínicos retrospectivos anteriores e sugerem que a ciprofloxacina e outros antibióticos da mesma classe devem ser usados com cautela em pacientes com dilatação da aorta,” disse a Dra Ying Shen, coautora do estudo.

“Se considerarmos os dados clínicos e nossos resultados experimentais, que provam a ​causa em um modelo confiável de dissecção da aorta, acredito que temos evidências suficientes para mudar as diretrizes sobre o uso de antibióticos fluoroquinolonas para pessoas que têm um aneurisma ou estão em risco de contrair um aneurisma. Estou esperançoso de que essas diretrizes possam ser mudadas em pouco tempo,” finalizou LeMaire.

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Cirurgias de remoção de amígdalas e adenoide e o risco de problemas futuros

Uma análise dos efeitos a longo prazo da remoção das amígdalas e adenoides na infância mostrou que essas cirurgias estão associadas a um aumento de doenças respiratórias, infecciosas e alérgicas no decorrer da vida.

Para muitas pessoas, ter suas amígdalas removidas é um rito de passagem da infância. A operação, conhecida como amigdalectomia – remoção das tonsilas palatinas, ou amígdalas -, é uma das cirurgias pediátricas mais comuns em todo o mundo.

Outra cirurgia muito comum envolve a remoção das adenoides, conhecida como adenoidectomia – remoção cirúrgica das tonsilas faríngeas, ou adenoides -, geralmente realizada para tratar de amigdalites recorrentes e infecção do ouvido médio. A cirurgia de adenoide também é realizada para melhorar a respiração quando as vias aéreas estão bloqueadas.

Como as adenoides em particular encolhem na idade adulta, os médicos e cientistas historicamente presumiam que tecidos como esses eram redundantes no corpo.

A redescoberta

Mas agora está claro que adenoides e amígdalas estão estrategicamente posicionadas no nariz e na garganta, respectivamente, em um arranjo conhecido como anel de Waldeyer. Elas funcionam como uma primeira linha de defesa, ajudando a reconhecer patógenos transportados pelo ar, como bactérias e vírus, e iniciam a resposta imunológica para eliminá-los do corpo.

Assim, os resultados obtidos agora por uma equipe da Universidade de Melbourne (Austrália) não parecem surpreender, já que essa remoção impacta a resistência posterior às doenças respiratórias, infecciosas e alérgicas.

A descoberta também é importante, dizem os pesquisadores, por se juntar aos já conhecidos riscos a curto prazo das duas cirurgias, fornecendo mais evidências para apoiar possíveis alternativas à cirurgia sempre que possível.

Riscos duplicados e triplicados

A tonsilectomia mostrou-se associada a um risco relativo quase triplicado – o risco para aqueles que fizeram a operação em comparação com aqueles que não passaram por ela – para doenças do trato respiratório superior, incluindo asma, gripe, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), o termo genérico para doenças como bronquite crônica e enfisema.

O risco absoluto – que leva em conta o quão comuns essas doenças são na comunidade – também mostrou-se 18,61% maior.

A adenoidectomia mostrou-se associada a um risco relativo mais de duas vezes maior de DPOC e um risco relativo quase duplicado de doenças do trato respiratório superior e conjuntivite. O risco absoluto também foi quase o dobro para as doenças do trato respiratório superior, mas correspondeu a um pequeno aumento para a DPOC, já que essa é uma condição mais rara na comunidade em geral.

“Em 1870, Charles Darwin disse que o apêndice era um vestígio inútil da evolução, prevendo que ele era pequeno demais para contribuir para a digestão de maneira significativa. Agora sabemos que o apêndice também tem uma função importante no sistema imunológico, protegendo contra infecções intestinais ao incentivar o crescimento de bactérias benéficas.

“À medida que descobrimos mais sobre a função dos tecidos imunológicos e as consequências de sua remoção ao longo da vida, especialmente durante idades sensíveis, quando o corpo está se desenvolvendo, isso ajudará a orientar pais e médicos sobre quais tratamentos eles devem usar,” disse o Dr. Sean Byars, coordenador do estudo, publicado na revista médica JAMA Otolaryngology Head Neck Surgery.

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Cigarros eletrônicos com aroma escondem um grande risco para seus usuários

Os aditivos de sabor e aromatizantes em produtos de tabaco são os principais responsáveis pelo rápido aumento no uso dos cigarros eletrônicos, que trazem a percepção de que causam menos danos do que os tradicionais cigarros que queimam.

Mas será que os “sabores” – aromas – adicionados aos cigarros eletrônicos podem causar danos corporais?

Os riscos dos cigarros eletrônicos para os pulmões têm sido alvo de numerosos estudos, mas o risco para o coração, os vasos sanguíneos e o sistema cardiovascular em geral são amplamente desconhecidos.

Os perigos dos cigarros combustíveis no sistema cardiovascular são conhecidos há décadas, mas os cigarros eletrônicos só existem desde o início dos anos 2000.

Foi exatamente por isso que pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Boston (EUA) se debruçaram sobre o tema, analisando os efeitos de curto prazo dos produtos químicos aromatizantes usados nos cigarros eletrônicos sobre as células endoteliais, células que revestem os vasos sanguíneos.

Efeito inflamatório

Jessica Fetterman e seus colegas detectaram que, quando os vasos sanguíneos são expostos aos aditivos aromatizantes, há um aumento na inflamação e uma diminuição das substâncias químicas normalmente liberadas para promover o fluxo sanguíneo, o que dá indicações diretas de toxicidade a curto prazo.

A equipe também confirmou que as células endoteliais dos fumantes de cigarros eletrônicos apresentam a mesma toxicidade que as tratadas com os produtos químicos aromatizantes.

“Nossos resultados mostram que os aditivos aromatizantes em si são diretamente tóxicos para os vasos sanguíneos e têm efeitos adversos que podem ter relevância para a toxicidade cardiovascular a longo prazo de forma similar aos cigarros combustíveis,” detalhou Jessica.

Os resultados foram publicados na revista Arteriosclerosis, Thrombosis and Vascular Biology.​

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