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Inteligência artificial prediz as chances de cura do câncer de boca

Inteligência artificial prediz as chances de cura do câncer de boca

inteligência artificial e o câncer de boca

Até recentemente inteligência artificial e o câncer de boca não guardavam relação entre si.

Os cientistas envolvidos nesta pesquisa nos mostram que a inteligência artificial e o câncer de boca pode ter uma relevância enorme.

Agora as chances de sobreviver ao câncer de boca podem ser previstas por algoritmos de inteligência artificial de última geração. Essa é a grande novidade.

Algoritmos que alimentam essa inteligência artificial realizam cálculos precisos.

Mas que tipo de cálculo?

Eles calculam com alta precisão a abundância de células imunes no meio das células tumorais. Esse dado é fundamental na compreensão da propagação e resistência do câncer.

Estatística preocupante

Em 2014, ocorreram mais de 11.000 casos de câncer de cabeça e pescoço no Reino Unido.

Desse total resultaram 2.300 motivados por câncer de boca. O crescimento global dos casos de câncer de boca é preocupante.

O câncer de boca é mais prevalente no sul da Ásia, particularmente Índia, Paquistão e Sri Lanka. Principalmente devido à mastigação de tabaco, consumo uma planta chamada noz de bétele e infecções virais, como o HPV.

As chances de sobrevivência a esses tipos de câncer podem ser obtidas graças à pesquisa em um estudo do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Warwick.

No artigo “A Novel Digital Score for Abundance of Tumour Infiltrating Lymphocytes Predicts Disease Free Survival in Oral Squamous Cell Carcinoma“, publicado recentemente na revista Nature Scientific Reports.

Inteligência artificial e o câncer de boca – a partir de imagens detalhadas

Os pesquisadores conseguiram desenvolver uma pontuação digital que pudesse medir os linfócitos infiltrantes do tumor. Quanto mais linfócitos infiltrantes desse tipo apresentarem, maior a chance de sobrevivência e maior sobrevida livre do câncer de boca.

O trabalho foi desenvolvido com base na análise de imagens de pacientes Centro de Pesquisa do Hospital Memorial do Câncer Shaukat Khanum, no Paquistão.
São pacientes que já haviam sido tratados por radioterapia e cirurgia de cabeça e pescoço.

As amostras de tecido cancerígeno foram enviadas ao University Hospital Coventry e Warwickshire, no Reino Unido.
Nesta Universidade, utilizando equipamentos de última geração, os pesquisadores foram capazes de produzir digitalmente imagens de alta resolução das amostras em escala microscópica.

Relação de causa e efeito

A presença de linfócitos nas proximidades das células tumorais não apenas ajuda a determinar o estágio do câncer. Ela também pode ser usada para prever com precisão a progressão do carcinoma.

Quanto maior o número de linfócitos invasivos presentes nas varreduras maior a imunidade do paciente. E também da resposta do câncer ao tratamento.
A densidade e o arranjo espacial dos linfócitos invasivos tem relação com as chances de sobrevida global e sobrevida livre da doença.

Um dos pesquisadores fez uma afirmação importante. “Nós estamos apenas começando a desvendar o notável potencial de riqueza de informações presentes nos dados de imagem de tecidos atingidos.

Este estudo piloto mostra que, com a ajuda de algoritmos modernos de análise de imagens de câncer, podemos calcular com precisão a taxa de abundância de linfócitos invasivos nos cânceres de boca de maneira objetiva. A partir desses dados também estabelecer as estimativas de risco em termos de sobrevida livre da doença. Ou seja, a inteligência artificial e o câncer de boca são destaque e a grande novidade dessa pesquisa.

Outro cientista afirma: “este é um desenvolvimento muito emocionante. Não é apenas um dos primeiros parâmetros objetivos baseados em inteligência artificial a serem validados no câncer de boca. Além disso, parecem ter um forte poder prognóstico. Pensando mais além, isso pode levar à estratificação dos pacientes para diferentes modalidades de tratamento.”

Palavras do Diretor do Centro Médico onde a pesquisa foi realizada

O Dr Asif Loya, Diretor Médico do Shaukat Khanum Memorial Cancer Hospital com entusiasmo faz uma declaração.

“Com quase 13.000 novos casos a cada ano, os cânceres orais têm as maiores taxas de incidência entre os cânceres no Paquistão.

Representam a segunda maior taxa de mortalidade e uma sobrevida de apenas cinco anos.

No entanto, pouco se sabe sobre as assinaturas histológicas correspondentes aos subgrupos de pacientes com resultados diferentes nesta parte do mundo.

A avaliação do tecidos (histológica) do risco é fortemente preditiva da sobrevida local livre de doença e global no câncer de boca.

Portanto, é necessário que um sistema de pontuação validado seja usado como auxílio na tomada de decisão sobre o tratamento desses cânceres em nossos pacientes.

“Os dados obtidos por essa pesquisa são fortes e relevantes, Utilizou-se um método de avaliação objetiva da análise digital. Esse estudo pode estabelecer novos modelos de prognóstico. De forma que as decisões de tratamento relacionadas à dissecção eletiva do pescoço e à radioterapia concomitante possam ser tomadas de maneira mais apropriada.” A inteligência artificial e o câncer de boca são uma novidade e objeto de pesquisa nos dias atuais.

Necessidade de mudança de paradigma

O que se precisa agora é de uma mudança de paradigma.
Hoje, os métodos de tratamento tendem a se concentrar nos piores casos – perseguindo as últimas células cancerígenas em pacientes em estágio terminal cujos prognósticos são os piores.

Em vez disso, é preciso encontrar e destruir as primeiras células cancerígenas, detectando o câncer no seu início e detendo-o.

Essa prevenção representa a alternativa mais barata, mais rápida e mais segura ao terrível e duradouro trio de tratamento.

É a maneira mais universalmente aplicável de salvar vidas. Em termos de custos, a economia estimada em diagnóstico precoce soma mais de US $ 26 bilhões ao ano. A detecção precoce é o caminho. E o menos custoso que qualquer outra nova abordagem pode prometer.

A detecção precoce também é a maneira mais humana de melhorar os resultados do câncer.
Os tratamentos que normalmente se baseiam em uma combinação de cirurgia, quimioterapia e radiação para tumores sólidos ou quimioterapia e transplantes de medula óssea para tumores líquidos podem ser assassinos brutais. Muitas vezes acabam deixando pacientes em agonia.

E proporcionam apenas poucos meses de sobrevida adicional. As novas imunoterapias podem ser ainda mais perigosas. Os pacientes precisam ser tratados em unidades de terapia intensiva. Indústrias inteiras estão surgindo apenas para controlar os efeitos colaterais desses tratamentos.

Daqui a não muitos anos a inteligência artificial e o câncer de boca irão caminhar cada vez mais juntos e serão parte do dia a dia do exercício profissional dos dentistas deste tempo não muito distante.

Fontes: MedicalXpress, Nature, News
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