zika vírus

Tira-dúvidas sobre o zika vírus

sobre o zika virus
1. De onde vem esse vírus?
Ele foi descrito pela primeira vez em 1947 e, até então, infectava macacos da floresta de Zika, em Uganda — daí seu nome. Em 1952, esse país africano identificou o primeiro caso em humanos. Na época, os visitantes da região só pegavam o vírus esporadicamente. “Após uma sucessão de tentativas, o zika conseguiu estabelecer uma cadeia de transmissão envolvendo mosquitos e seres humanos”, explica o biomédico Caio Freire, da Universidade de São Paulo. Essa evolução permitiu que ele expandisse seu território.
 
2. Como o zika chegou ao Brasil?
Há duas suspeitas: a Copa do Mundo de 2014, que trouxe muitos estrangeiros, e um campeonato de canoagem realizado ano passado no Rio de Janeiro, que contou com a participação de nações do Oceano Pacífico, como a Polinésia Francesa e a Micronésia. Esses locais foram os primeiros a sofrer surtos de zika, e a linhagem que se instalou aqui é a mesma de lá. “O vírus encontrou um ambiente perfeito no país. Bastante gente e uma enorme população de mosquitos”, observa Freire.
 
3. Além do mosquito, há outras formas de contágio?
O Aedes aegypti é o principal vetor mesmo. Mas não dá pra dizer que é o único. Até agora, foi comprovado um caso de transmissão por via sexual e outro por transfusão de sangue. Há indícios também de que o vírus seria carreado pelo leite materno. Tudo leva a crer, porém, que são situações atípicas. O pernilongo é o maior foco de preocupação. “Se tivéssemos combatido melhor o Aedes, provavelmente não estaríamos passando por isso”, avalia Bianca Grassi de Miranda, infectologista do Hospital Samaritano de São Paulo.
 
4. Quais os reais sintomas da infecção pelo zika?
O ataque do vírus é considerado leve na maioria das vezes. Tão brando que 80% dos infectados não apresentam sintomas. Já o grupo dos 20% tem um quadro parecido com o da dengue: febre, dores no corpo, manchas vermelhas e até diarreia e vômito. O mal-estar dura entre três e sete dias. “A doença costuma ser autolimitada, ou seja, dura um período determinado e é eliminada pelo próprio organismo sem grandes repercussões”, esclarece Bianca. Ainda assim, pode cobrar uma visita ao hospital.
 
5. Quais as principais diferenças em relação à dengue?
Por causa da familiaridade entre esses vírus (e o chicungunya também), as manifestações confundem. “A Organização Mundial da Saúde parte do pressuposto de que são doenças idênticas”, conta o infectologista Marcelo Mendonça, do Hospital Santa Paula, na capital paulista. “Tanto é que investigamos o zika só depois de descartar os outros”, completa. Um sinal mais comum do novo inimigo é a vermelhidão nos olhos. Só que apenas um exame é capaz de cravar a distinção.
 
6. E como é feito o diagnóstico?
Ele ainda é cercado de desafios. Primeiro os médicos precisam eliminar outras suspeitas. Depois, o protocolo pede que o indivíduo passe por um teste sanguíneo apto a acusar o vírus. A questão é que essa técnica é cara e, por ora, só destinada a casos mais graves. Para ampliar o acesso ao tira-teima, pesquisadores brasileiros já estão trabalhando em cima de um exame que usa um método parecido com o da sorologia para o HIV. Mais barata, essa análise flagra anticorpos criados pelo organismo em resposta ao zika.
 
7. Existem perfis de maior risco para a infecção?
Por enquanto, a preocupação ronda sobretudo as mulheres no início da gestação, porque o vírus consegue atravessar a placenta e chegar ao feto. No pequeno, ainda indefeso, o zika pode comprometer o desenvolvimento do cérebro e do crânio. Mas não são só bebês que estão sujeitos a transtornos. “Pessoas com déficit no sistema imunológico, como as que se tratam contra um câncer, tendem a enfrentar quadros mais severos”, exemplifica Bianca. Ainda se enquadram nesse grupo portadores de doenças autoimunes.
 
8. Como o vírus causa microcefalia?
Nos primeiros meses da gravidez, a imunidade do feto ainda não está estabelecida. “Assim, o vírus, que tem preferência pelo cérebro, consegue se instalar ali sem encontrar resistência”, explica a neuropediatra Silvana Frizzo, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo. O invasor até vai embora, mas as sequelas de sua estada duram para sempre. A microcefalia ocorre quando o perímetro da cabeça do bebê não se desenvolve mais do que 32 centímetros. E essa limitação no crânio vem acompanhada de danos à massa cinzenta.
 
9. Como a microcefalia repercutirá na vida dessas crianças?
O cérebro delas cresce menos e apresenta malformações, além de pequenas lesões que se calcificam — o que está por trás de convulsões e déficits motores. “Fetos acometidos no início da gravidez, como observamos com o zika, estão suscetíveis às complicações mais sérias. Mas ainda não sabemos ao certo como será o desenvolvimento deles”, diz Silvana.
 
10. O zika pode afetar o sistema nervoso dos adultos?
Sim. Tudo indica que ele tem atração especial pelos nervos. “Nos adultos, o vírus não chega ao cérebro porque é anulado antes, mas pode servir de gatilho à síndrome de Guillain-Barré”, esclarece Silvana. Essa condição, não tão comum, é caracterizada pelo ataque das células de defesa a terminações nervosas. É como se o vírus plantasse a discórdia interna. A síndrome causa paralisia nos membros e requer internação hospitalar. Ainda bem que, com tratamento certo, é revertida em médio prazo.
 
11. Existe tratamento para a infecção?
Assim como na dengue, não há remédios que combatem o vírus em si. Logo, os médicos tratam os sintomas e previnem complicações. Para os adultos, a situação não costuma ser tão penosa, já que a infecção é inofensiva na maioria das vezes. Pessoas que evoluem para a síndrome de Guillain-Barré são internadas e tratadas com drogas imunossupressoras. Crianças em geral pedem um olhar mais atento. E os pequenos com microcefalia tendem a necessitar de acompanhamento especializado pelo resto da vida.
 
12. Uma epidemia de zika pelo Brasil é possível?
Não só é possível como muito plausível que isso aconteça. “O Aedes aegypti existe em todo o país e, no verão com chuvas, o clima é favorável à sua reprodução”, justifica Marcelo. Há outro alerta no ar: o vírus não para de evoluir. “Uma mutação pode ter aumentado sua capacidade de se replicar e se propagar, fazendo com que se espalhe mais facilmente”, conta o virologista Paolo Zanotto, da Universidade de São Paulo, coautor de um estudo que identificou essa provável metamorfose.
 
13. Faz sentido comparar com a história do HIV?
Não muito. “É difícil traçar um paralelo, já que as vias de transmissão e formas de prevenção são totalmente diferentes”, analisa Marcelo. Com o aparecimento de uma doença praticamente desconhecida, é natural surgirem boatos e informações desencontradas. Exemplo: circularam notícias na internet ligando o surto de zika aos mosquitos geneticamente modificados usados em algumas regiões brasileiras no controle da dengue. O caso já foi desmentido pelo Ministério da Saúde.
 
14. O que está ao seu alcance para se prevenir?
A estratégia mais sensata e eficaz hoje é atacar o vetor. Então temos de ficar de olho nos criadouros do mosquito e eliminá-los. Ou seja: água parada, jamais! Para reforçar essa ação coletiva, campanhas de conscientização devem pipocar pelo país durante o verão. O Ministério da Saúde recomenda ainda o uso de repelente no corpo todo, inclusive por cima das roupas, especialmente para as futuras mamães.
 
15. Onde mora o problema?
Casos de microcefalia ligados ao zika já foram registrados em 18 estados brasileiros — e a projeção é de crescimento no verão.
O raio X do vírus
O zika pertence à família dos flavivírus, assim como o chicungunya e a dengue, e, a exemplo deles, é transmitido por mosquitos. Sabe-se até agora que ele se multiplica rapidamente e tem alta capacidade de sofrer mutação. A suspeita é que o vírus vem aperfeiçoando sua interação com as células humanas, o que lhe tem garantido maior sucesso no contágio e na propagação.
O raio x do mosquito
O Aedes aegypti é um para-raio de agentes patogênicos — só no Brasil, três vírus pegam carona nele. O mosquito listrado gosta de temperaturas altas, entre 25 e 30 ˚C, e clima úmido. Apesar de ter hábitos diurnos, a fêmea também pica à noite. Por voar baixo, costuma atingir principalmente pés e pernas. Dá-lhe repelente no verão!
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Zika vírus: saiba mais sobre essa doença

sobre o zika virus

A Zika é uma doença causada por um vírus transmitido por mosquitos Aedes, incluindo o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, que também transmitem a dengue e a chikungunya.

Acredita-se que a contaminação possa ocorrer ainda através de relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada.

A doença é recente, e o Brasil foi o primeiro país de grande população a ter um surto. Os sintomas da Zika incluem manchas pelo corpo, coceira, febre e conjuntivite, além de dor nas articulações.

O Ministério da Saúde comprovou a relação entre infecção por Zika na gravidez e microcefalia.Estudos ainda estão sendo feitos.

Nem toda grávida que teve Zika terá um bebê com malformação no cérebro. Os mecanismos da contaminação do feto ainda estão sendo investigados.

A Zika chegou em 2015 ao Brasil, atingindo primeiramente o Nordeste, e ficou conhecida como “virose misteriosa”.

Se uma mulher está grávida e com manchas avermelhadas pelo corpo, deve procurar atendimento médico, para que haja monitoramento. Somente um profissional de saúde pode distinguir a febre por Zika de uma outra doença com sintomatologia semelhante.

A Zika causa malformações no bebê?
O Ministério da Saúde afirma ter comprovado a ligação entre malformações no bebê, principalmente no cérebro, e a Zika. Bebês têm apresentado microcefalia, ou seja, têm a cabeça menor que o padrão.

Se você teve Zika ou mora numa região em que há muitos casos da doença, o médico vai monitorar o tamanho da cabeça do bebê nos exames de ultrassom. Caso seja constatada microcefalia, o bebê será examinado quando nascer para que sejam indicadas terapias e tratamentos.

Não se sabe ainda em que fase da gravidez a Zika é mais perigosa para o bebê, mas os três primeiros meses são sempre o período mais crítico para infecções que afetem o feto, porque os órgãos estão em formação.

Primeiros sinais
As manchas pelo corpo, que podem causar coceira intensa, são a principal característica da Zika. Entre outros sintomas estão febre baixa, conjuntivite, dor de cabeça, dor muscular, inchaço e dor nas articulações e aparecimento de gânglios.

A doença pode levar até 12 dias para se manifestar após a picada.

“Ainda não se sabe por quanto tempo o vírus permanece no corpo, por isso, um marido que teve Zika pode contaminar a mulher por relações sexuais, mesmo depois de os sintomas terem passado. Daí a importância da utilização de preservativos”, explica o infectologista e professor Kleber Luz, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A evolução da Zika é na maioria dos casos benigna, ou seja, a doença costuma sarar sozinha, e os sintomas duram de 2 a 7 dias. Existem alguns casos de complicações neurológicas, como a síndrome de Guillain-Barré, que provoca fraqueza e paralisia nos membros.

Como é o tratamento?
Apenas os sintomas da Zika são tratados. É importante beber bastante líquido e fazer repouso. Não é exigido tratamento no hospital, ao contrário do que acontece nos casos mais graves de dengue.

Assim como na dengue, não devem ser usados medicamentos a base de ácido acetilsalicílico (aspirina) devido ao risco de henmorragias.

Em alguns casos, o médico pode receitar analgésicos e medidas para aliviar a coceira. Nenhum medicamento dever ser tomado sem a devida orientação orientação do profissional de saúde.

Banhos com maisena ou aveia são recomendados para o alívio da coceira. Também pode ser usado pasta d’água. Se a coceira estiver causando grande incômodo, pode-se partir para o tratamento com antialérgicos.

Gestante diagnosticada com Zika. Pode amamentar?
Os especialistas afirmam até o momento que as mães que apresentarem sintomas de Zika não devem interromper a amamentação, porque, embora exista a possibilidade de encontrar o vírus Zika no leite materno, isso não significa que o bebê será contaminado.

“À luz dos conhecimentos científicos atuais é possível afirmar que existe uma diferença entre o vírus estar presente no leite e ter potencial infectivo, ou seja, o fato de o vírus estar presente no leite não signifca que infectará o bebê”, explica o coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fiocruz, João Aprígio. Sabe-se, por exemplo, que quem mama em uma mulher com hepatite C não tem risco aumentado de pegar a doença.

Portanto, até este momento, a recomendação é que a mãe continue dando o peito normalmente ao bebê, e capriche na ingestão de líquidos.

Como o vírus é transmitido por mosquitos, o melhor que se pode fazer para proteger o recém-nascido é tomar medidas em casa para evitar a presença do inseto.

Sintomatologia
Os sintomas do Zika vírus são semelhantes aos da Dengue, porém aqueles provocados pelo Zika vírus são mais amenos e desaparecem entre 4 a 7 dias, porém é importante ir ao médico para realizar a confirmação da febre por Zika.

Inicialmente, os sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe, provocando:

  • Febre, entre 37,8°C e 38,5°C;
  • Dor nas articulações, principalmente das mãos e pés;
  • Dor nos músculos do corpo;
  • Dor de cabeça, que se localiza principalmente atrás dos olhos;
  • Conjuntivite;
  • Hipersensibilidade nos olhos, e maior sensibilidade à luz do dia;
  • Manchas vermelhas na pele, que inciam na face e que podem se espalhar pelo corpo e, que podem vir a ser confundidas com sarampo;
  • Cansaço físico e mental.

Além destes sintomas, também pode-se observar, com menos frequência, problemas digestivos, como dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia ou prisão de ventre, aftas e prurido pelo corpo.

Quem contrai zika fica imune para o resto da vida?
Sim. Pelo que se sabe até agora, a Zika promove a imunização de quem adoece.
Mas ainda poderá pegar outras doenças causadas por vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, como os quatro tipos de dengue e a febre chikungunya.
Importante salientar que por hora não existe vacina contra a Zika.

Prevenção
A principal forma de prevenção é o combate aos focos de mosquito, em especial nos períodos de calor e de chuvas.

Segundo o professor Kleber Luz, a zika se propaga ainda mais rápido que a dengue, porque o mosquito espalha o vírus com mais facilidade. Ele aconselha cautela máxima por parte das grávidas.

Alguns cuidados para ter em mente:

  • Não deixar água limpa se acumular em ambientes da casa ou quintal. Isso inclui vasos de plantas, móveis e enfeites em áreas externas. Ficar de olho em poças d’água que se formam após a chuva.
  • Usar roupas claras, e, de preferência, mangas e calças longas.
  • Mesmo se tiver parceiro fixo e toda a confiança na relação do casal, recomenda-se o uso de preservativos para evitar a contaminação pela via sexual.
  • Passar repelente contra insetos, inclusive na roupa, para aumentar a proteção. Reaplicar a cada seis horas.

De acordo com a obstetra Eleonora Fonseca, grávidas podem optar por repelente comum em creme ou spray, repelente especial para bebê e até repelente caseiro feito à base de álcool e cravo-da-índia. Outra alternativa são os inseticidas elétricos ou em spray, deixando a substância se dispersar por alguns minutos antes de ficar no mesmo ambiente.

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